Search on this blog

Search on this blog

O caminho para a renovação e a modernização do Brasil depende de a classe média tomar consciência de sua falta de identidade e assumir a responsabilidade pelo processo sócio-cultural do país.

A falta de identidade se expressa psicologicamente quando nos identificamos com o outro e adotamos as atitudes características de nosso modelo; quando estabelecemos relações infantis referenciadas no nosso modelo familiar.

Quando não há identidade, não há também o respeito à Lei que, na infância, é simbolizada pela autoridade da figura paterna. O hábito brasileiro de utilizar apenas o nome próprio, deixando em segundo plano o nome de família, deixa evidente a falta da figura paterna. Perpetuando a maneira pela qual a mãe chama o filho, ou seja, pelo nome próprio, nos apresentamos e nos comunicamos como crianças. No mundo de hoje quem estaria em condições de ser reconhecido apenas pelo seu nome próprio?

A classe média brasileira sem identidade deixa-nos a todos, sociologicamente, como crianças, e incapazes de responder pelo encargo social que cabe a ela de manter o equilíbrio e a coesão da sociedade.

Essa falta de identidade do Brasil de um modo geral chega a tal ponto que se sustenta o uso do chamado ‘ ‘bom português”, o idioma da “mãe colonizadora”, apesar de se reconhecer a existência e a importância de um verdadeiro idioma brasileiro. Exemplo claro disto é o hábito lingüístico de usar o Você.

Sem identidade, usa-se o Você para a segunda pessoa. Sabemos que o Você corresponde à terceira pessoa da conjugação verbal e que isto significa distanciar entre si os dialogantes. Psicologicamente, distância significa falta de contato e até falta de confiança. O Você é uma corruptela de Vossa Mercê. E um tratamento diferenciado para demonstrar respeito e consideração o qual se perdeu no tempo: Vossa Mercê, Vosmicê, Você. Esse tratamento respeitoso hoje se tornou um tratamento entre iguais. Mas, na verdade, só existe igualdade quando existe identidade. O tratamento entre iguais é Tu.

A falta de identidade também se expressa pelo egoísmo. O egoísmo provoca falta de respeito pelo outro e resulta em violências sociais de toda natureza. Por exemplo, o egoísmo de empresários milionários os leva à explorar empregados e consumidores através de comportamentos semelhantes aos dos colonizadores. Qual seria a postura da atual classe média brasileira diante disto? Sem identidade, ela penderia para a elite “colonizadora” ou para a maioria pobre da população objeto daquele egoísmo?

A falta de identidade é um grave problema que não pode ser negligenciado.

A identidade só surge quando se alcança a maturidade individual e social, e se ultrapassa a dependência e a idenficação com um modelo. O Brasil tem potencialidade para uma expressão sócio-cultural madura que não seja copiada ou importada. Mas se faz evidente um certo complexo de inferioridade devido a essa falta de identidade.

A classe média brasileira precisa se identificar com o Brasil em vez de se identificar com a elite empresarial que, no mundo todo só tem uma nacionalidade: o dinheiro. Se a classe média brasileira assumir a identidade do Brasil, a maioria pobre do povo brasileiro poderá ter nela um modeIo saudável que propicie o seu amadurecimento.

Assumir a identidade do Brasil significa assumir a responsabilidade pelo processo sócio-cultural do país. Significa buscar a identidade genuína de cada brasileiro. Significa estabelecer o valor semântico da linguagem a fim de permitir uma comunicação verdadeira que facilite a transformação de valores individuais e sociais. Significa transformar o Brasil, um país infantil, em um país realmente jovem e que valoriza suas próprias energias. Significa assumir as riquezas naturais que o país possui. Significa assumir sua beleza e sua vitalidade.

Assumir a sua própria identidade permitirá ao Brasil elaborar um projeto objetivo e viável que, educando os educadores, criaria uma verdadeira revolução cultural. Esse projeto poderá ser coordenado por uma comissão interdisciplinar formada por cientistas sociais de todos os matizes e vinculado ao Ministério da Educação que o supervisionaria e lhe garantiria os recursos necessários. Ele se valeria da estrutura escolar e da mídia, com destaque para a televisão como maior e melhor meio de atingir a grande maioria dos brasileiros, educando-os através de mensagens que lhes levem informação e cultura e não apenas espetáculo. O grande objetivo desse projeto será renovar e modernizar o Brasil com identidade e responsabilidade.

Federico Navarro
Maria Beatriz de Paula
Publicado na revista Energia, caráter e sociedade, 1994

Elias Minasi

Graduado em Comunicação e Marketing
Especialista em Redes Sociais
Formação como Terapeuta Reichiano pelo Centro Reichiano.
Residência em Análise Reichiana (Vegetoterapia) pelo Centro Reichiano.
Formação em Psicoterapia Breve Caracteroanalítica (PBC) pela Es.T.Er (Escola Espanhola de Terapia Reichiana).
Formação em Terapia do Renascimento e Eneagrama pelo Instituto Eneagrama Shalom
Especialista em Neuropsicologia, pela Faculdade Metropolitana de São Paulo.
Mestrando em Máster en Coaching Personal y Liderazgo Organizacional da Universidad Europea del Atlántico (em andamento).
Professor acreditado pelo IEA (International Enneagram Association – Brasil) e estudioso do Eneagrama desde 1994.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.