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Neste artigo, vamos explorar uma visão do masculino e do pai, dentro do filme “About Time” – Questão de Tempo:

  • Sociedade líquida
  • O papel do pai no desenvolvimento infantil
  • O pai no corpo
  • O resgate da história na visão do filme

Uma das grandes dificuldades do mundo contemporâneo das sociedades líquidas é a compreensão dos papéis em geral, especialmente neste caso da figura paterna. Num momento em que tudo muda a todo instante e em todos as manifestações da cultura e da sociedade, a figura paterna também sente-se impactada de tal forma, que.ja não se sabe ao certo qual sua função.

Se olharmos para alguns decênios anteriores, tínhamos papéis e figuras muito bem definidas, onde o pai exercia o rigor da punição e do provimento ao filho. Isso criava uma imagem endurecida,  longínqua e inacessível, tanto no desenvolvimento do masculino quanto na relação filho e pai.

Hoje, encontramos país exercendo funções que eram inconcebíveis como alimentação, cuidado e afeto dos filhos. Isso é muito bom, mas também insere mais dúvidas quanto ao desenvolvimento da figura masculina e do masculino na pessoa..

No desenvolvimento infantil, de uma forma generalíssima, a figura paterna é responsável por apresentar à criança, o mundo, as relações externas, os limites e as interações. Enquanto a figura materna está ligado ao cultivo da interioridade e do afeto, este leva a criança a olhar para si e para o mundo com confiança e fé. Como que se lhe apoiasse as costas, na região lombar e dissesse: “Vai! Estou aqui atrás te apoiando, vai”.

O hemisfério esquerdo do cérebro é o responsável pela parte pratica pela razão, voltada para a ação e controla o lado direito do corpo e o direito, como responsável pelo afeto e criatividade e controla o lado esquerdo do corpo. Em pessoas destras o lado direito e as costas tem correspondência com a masculinidade e a figura paterna, o lado esquerdo, a figura materna, em canhotos, ao contrário.

Então, a presença ou ausência da figura paterna no desenvolvimento infantil irá marcar o indivíduo de diversas formas, em primeiro lugar com o que Reich chamou de Couraças Musculares e posteriormente podem se desenvolver em manifestações de doenças.

É muito importante observar o corpo, porque nele ocorre a manifestação das emoções e sentimentos.

O filme “Questão de tempo” é um conto, onde o jovem Tim Lake recebe do masculino na família paterna o dom de viajar no tempo, ao passado, para vivenciar novamente situações e poder corrigi-las. E não é esta a proposta terapêutica? Visitar o meu passado e “ajustar” as emoções que ficaram bloqueadas?

Esta é uma grande lição que todo pai deveria ensinar ao seu filho: sempre podemos voltar aos momentos mais dolorosos em nossa vida, vivenciar as emoções dolorosas que não conseguimos lidar na época e liberá-las para uma vida mais livre. Esta é uma grande lição que os homens, nesta sociedade liquida, devem ensinar aos seus filhos.

No filme, o jovem Tim passa por diversas situações conflituosas e difíceis no processo de amadurecimento do  homem, como a juventude, a descoberta do amor, as responsabilidades da vida adulta e, por fim, a morte. Em todos os momentos, o filme nos propõe pistas de que ele resgata seus sofrimentos e dores através do processo de ressignificação e enfrentamento da dor.

E tudo isso, advém dos ensinamentos de seu pai, que o ensinou a “voltar no tempo”. O nosso tempo carece desse elemento masculino de afeto e cuidado, do ensinamento aos jovens que podemos resgatar nossas feridas e dar um novo sentido às nossas dores. Quanto mais homens “viajando no tempo” tivermos, tanto mais teremos novas gerações mais livres e conectadas ao masculino e ao feminino.

Referências sobre o filme:

IMDB

UNIVERSAL MOVIE

Elias Minasi

Graduado em Comunicação e Marketing
Especialista em Redes Sociais
Formação como Terapeuta Reichiano pelo Centro Reichiano.
Residência em Análise Reichiana (Vegetoterapia) pelo Centro Reichiano.
Formação em Psicoterapia Breve Caracteroanalítica (PBC) pela Es.T.Er (Escola Espanhola de Terapia Reichiana).
Formação em Terapia do Renascimento e Eneagrama pelo Instituto Eneagrama Shalom
Especialista em Neuropsicologia, pela Faculdade Metropolitana de São Paulo.
Mestrando em Máster en Coaching Personal y Liderazgo Organizacional da Universidad Europea del Atlántico (em andamento).
Professor acreditado pelo IEA (International Enneagram Association – Brasil) e estudioso do Eneagrama desde 1994.