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algemas

Um dos conceitos fundamentais que Wilhelm Reich, o pai das psicoterapias corporais, introduziu foi o de Encouraçamento Muscular. Em seus estudos com seus pacientes, Reich descobriu que o que chamamos de caráter manifesta-se diretamente em nosso corpo, me nossa musculatura: moldando-nos, dando formas mais contraídas ou mais expandidas, dependendo da maneira como que lidamos com as frustrações em nossa infância.

O que a infância tem a ver com isso? 

Reich, seguindo a teoria psicanalista de Freud, demonstrou que as nossas couraças musculares e caracteriais são criadas e desenvolvidas em nossa infância. Nos dias atuais a Neurociência já possui estudos científicos ratificando a ontogenia dos principais problemas psicológicos. Existe uma base biológica ou energética, segundo os conceitos reichianos, no entanto, podemos chamá-la de pré-disposição, o que significa que poderá ser ativada ou não, dependendo da quantidade afeto e liberdade em nossa tenra infância.

Reich amplia o conceito psicanalitico do desenvolvimento infantil incluindo também o período de concepção e gestacional como motor de surgimento de biopatias e outras manifestações do desequilíbrio energético no processo do individuo.

Não é uma questão de sorte ou de fatalismo, mas de afeto e amor. O casal de amantes durante o abraço genital carregam em si energia, temperamento, emoção e encouraçamento. Esta combinação durante a fecundação produzirá o que Federico Navarro denominou de campos energéticos. Esta influência diretamente relacionada à concepção e desenvolvimento intra-uterino influenciará o temperamento e a gestão energética que o individuo terá durante toda a sua existência, podendo colocá-lo mais susceptível a processos de somatização ou biopatias.

Reich falava sobre flexibilização das couraças neuróticas ou a possibilidade de criar couraças em psicóticos. O que nos impede de ter uma livre circulação energética não é a couraça em si, mas a sua rigidez ou tensão. No mundo em que vivemos é impossível existir sem ter couraças, mas estas, podem ser flexíveis, que podemos usar quando julgarmos necessários. O problema é que na infância, por conta da completa falta de defesa ante à sistemática agressão por nosso conjunto familiar, não pudemos manter nosso Eu intacto, senão criando couraças musculares rígidas ou incompletas.

Então, fomos criando estruturas psico-física-energéticas completamente inequivocadas, que muitas vezes nos leva à compulsão, controle, masoquismo, raiva ou histeria para a defesa de nosso Eu mais profundo, uma vez que fomos feridos no Amor. Enquanto esperávamos um Amor que nos fizesse crescer e nos tornar independentes e amorosos, encontramos um “amor” falso, deturpado, enganador, controlador, etc. Essa ferida chamada Edípica, nos impediu de experimentar o Amor que liberta.

Feridos, passamos a nos ferir e a ferir os outros, como forma de perpetuar este “falso amor”.

Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
– Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!

Rumi

Neste processo da busca do que chamamos Amor, que é nossa própria identidade, nosso Eu, ativamos as couraças criadas na experiência da infância e vamos nos afastando de nossa Essência e, então, adoecemos. Adoecemos por falta do Amor. O Amor que buscamos em nossa família de origem e que não foi capaz de nos dar, apenas um perfume falsificado daquilo que era Essência. As doenças vamos dando nome diversos, como arritmias, enxaquecas, gastrites, bursites, impotências; ou medos, ansiedades, raivas, tristezas, depressões, e por ai vai.

A pergunta que fica é como flexibilizar todas as couraças que foram instaladas em nosso corpo, mente sobre nossa verdadeira natureza e nosso Eu? A resposta é apenas uma: movendo-se. Saindo do lugar onde nos encontramos e partir ao encontro das dores, das enfermidades, do “inferno” instalado em nosso corpo e mente por conta da contaminação deste “Falso Amor”. Precisamos sempre ter em mente que o estado em que chegamos levou uma vida toda, então o processo da volta, vai levar um chão. Como disse Geraldo Vandré:

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Elias Minasi

Graduado em Comunicação e Marketing
Especialista em Redes Sociais
Formação como Terapeuta Reichiano pelo Centro Reichiano.
Residência em Análise Reichiana (Vegetoterapia) pelo Centro Reichiano.
Formação em Psicoterapia Breve Caracteroanalítica (PBC) pela Es.T.Er (Escola Espanhola de Terapia Reichiana).
Formação em Terapia do Renascimento e Eneagrama pelo Instituto Eneagrama Shalom
Especialista em Neuropsicologia, pela Faculdade Metropolitana de São Paulo.
Mestrando em Máster en Coaching Personal y Liderazgo Organizacional da Universidad Europea del Atlántico (em andamento).
Professor acreditado pelo IEA (International Enneagram Association – Brasil) e estudioso do Eneagrama desde 1994.

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