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Toda pesquisa se inscreve em um contexto pessoal e se situa em um contexto social que deve agora ser precisado. Os Ideólogos trouxeram para a França e para a Europa, no fim do século XVIII, a idéia de progresso indefinido: do espírito, da ciência, da civilização. Foi por muito tempo uma idéia geradora. Foi preciso mudar. Se eu devesse resumir a situação dos países ocidentais e talvez de toda a humanidade neste final de século XX, eu destacaria a necessidade de colocar limites: à expansão demográfica, à corrida aos armamentos, às explosões nucleares, à aceleração da história, ao crescimento econômico, a um insaciável consumo, ao crescente distanciamento entre os países ricos e o terceiro mundo, ao gigantismo dos projetos científicos e dos empreendimentos econômicos, à invasão da esfera privada pelos meios de comunicação de massa, à obrigação de continuadamente bater os recordes à custa de um super-treinamento, do doping, à ambição de ir cada vez mais depressa, mais longe, cada vez mais caro à custa das aglomerações, da tensão nervosa, das doenças cárdio-vasculares, do desprazer de viver. De colocar limites também à violência exercida.

Para me restringir a um domínio que não me diz respeito apenas como simples cidadão mas do qual faço a experiência profissional qua se quotidiana, a mudança na natureza do sofrimento dos pacientes que procuram uma psicanálise é significativa nestes trinta anos em que exerço esta terapêutica e tem sido confirmada por meus colegas. No tempo de Freud e das duas primeiras gerações de seus continuados, os psicanalistas se ocupavam de neuroses caracterizadas, histéricas, obsessivas, fóbicas ou mistas. Hoje, mais da metade da clientela psicanalítica é constituída pelo que se chama estados limite c/ou personalidades narcísicas.

Etimologicamente, trata-se de estados no limite da neurose e da psicose e que reúnem traços destas duas categorias tradicionais. Na verdade, estes doentes sofrem de uma falta de limites: incertezas sobre as fronteiras entre o Eu psíquico e o Eu corporal, entre o Eu realidade e o Eu ideal, entre o que depende do Self e o que depende do outro, bruscas flutuações destas fronteiras, acompanhadas de quedas na depressão, indiferenciação das zonas erógenas, confusão das experiências agradáveis e dolorosas, não distinção pulsional que faz sentir a emergência de uma pulsão como violência e não como desejo, vulnerabilidade à ferida narcísica devido à fraqueza ou às falhas do envelope psíquico, sensação difusa de mal-estar, sentimento de não habitar sua vida, de ver de fora funcionar seu corpo e seu pensamento, de ser o espectador de alguma coisa que é e que não é sua própria existência.

Assim, uma tarefa urgente, psicológica e socialmente, parece ser a de reconstruir limites, refazer fronteiras, reconhecer territórios habitáveis e onde se possa viver – limites, fronteiras que ao mesmo tempo instituam diferenças e permitam mudanças entre as regiões (do psiquismo, do saber, da sociedade, da humanidade) assim delimitadas.

Didier Anzieu – O Eu Pele

Elias Minasi

Graduado em Comunicação e Marketing
Especialista em Redes Sociais
Formação como Terapeuta Reichiano pelo Centro Reichiano.
Residência em Análise Reichiana (Vegetoterapia) pelo Centro Reichiano.
Formação em Psicoterapia Breve Caracteroanalítica (PBC) pela Es.T.Er (Escola Espanhola de Terapia Reichiana).
Formação em Terapia do Renascimento e Eneagrama pelo Instituto Eneagrama Shalom
Especialista em Neuropsicologia, pela Faculdade Metropolitana de São Paulo.
Mestrando em Máster en Coaching Personal y Liderazgo Organizacional da Universidad Europea del Atlántico (em andamento).
Professor acreditado pelo IEA (International Enneagram Association – Brasil) e estudioso do Eneagrama desde 1994.

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