wilhelm reich https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Mon, 24 Nov 2025 18:16:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 wilhelm reich https://minasi.com.br 32 32 103183256 Freud e Reich: uma análise da pulsão de morte e suas implicações https://minasi.com.br/freud-e-reich-uma-analise-da-pulsao-de-morte-e-suas-implicacoes/ https://minasi.com.br/freud-e-reich-uma-analise-da-pulsao-de-morte-e-suas-implicacoes/#respond Wed, 30 Jul 2025 16:43:53 +0000 https://minasi.com.br/?p=4449 RESUMO

Este artigo explora as concepções divergentes de Sigmund Freud e Wilhelm Reich sobre a pulsão de morte (Thanatos) e suas manifestações na psique humana. Enquanto Freud postulou Thanatos como uma força inata e destrutiva que, em conjunto com Eros, molda o comportamento e é contida pela civilização, Reich rejeitou essa ideia. Reich argumentou que a agressão e a autodestrutividade são resultados da repressão e estagnação da energia vital e sexual (Orgone), manifestando-se como “couraças musculares”. O trabalho discute as implicações dessas visões, incluindo as técnicas terapêuticas desenvolvidas por Reich para a liberação corporal, como a Vegetoterapia Caracteroanalítica, que visa dissolver bloqueios físicos e emocionais para restaurar a capacidade orgástica. Conclui-se que a divergência entre ambos marcou uma cisão fundamental na psicanálise, alterando a compreensão da agressão e da abordagem terapêutica.

Palavras-chave: Thanatos; Pulsão de Morte; Sigmund Freud; Wilhelm Reich; Economia Sexual; Vegetoterapia Caracteroanalítica; Agressão; Repressão.

1 INTRODUÇÃO

O conceito de Thanatos, ou pulsão de morte, é um dos mais complexos e controversos na teoria psicanalítica de Sigmund Freud. Essencialmente, Thanatos representa uma força inconsciente que, segundo Freud, impulsiona os seres humanos em direção à autodestruição, à agressão e a um retorno a um estado inorgânico (FREUD, 1920). Contudo, essa ideia foi veementemente contestada por Wilhelm Reich, que ofereceu uma perspectiva alternativa sobre a origem da agressão e da destrutividade humanas, fundamentando-a na repressão da energia vital. Este artigo busca analisar as concepções de Freud e Reich sobre a pulsão de morte e as ramificações de suas teorias para a compreensão do comportamento humano e da prática clínica, evidenciando as profundas diferenças que culminaram na ruptura entre os dois pensadores.

2 A CONCEPÇÃO FREUDIANA DE THANATOS

Freud introduziu e formalizou o conceito de Thanatos em sua obra Além do Princípio do Prazer (1920). Anteriormente, sua teoria postulava que o comportamento humano era primariamente impulsionado pelo Princípio do Prazer, buscando satisfação e evitando a dor. No entanto, suas observações de fenômenos como a compulsão à repetição – onde indivíduos revivem experiências traumáticas dolorosas repetidamente – e a agressividade humana o levaram a questionar se o prazer era a única força motriz. Assim, ele postula a existência de uma pulsão oposta à de vida (Eros).

Thanatos, em contraste com Eros (pulsão de vida, que abrange autopreservação, sexualidade e conexão), busca a desintegração, a destruição e o retorno ao estado inorgânico. Pode se manifestar como autodestruição (comportamentos de risco, negligência da própria saúde) ou como agressão dirigida a outros (violência, hostilidade). Freud argumentava que, se a pulsão de morte não fosse direcionada para fora, ela se manifestaria como autodestruição. A saúde psíquica, segundo Freud, depende de um equilíbrio dinâmico entre Eros e Thanatos; a interação e o conflito entre essas duas pulsões moldam o comportamento humano e os fenômenos psíquicos (FREUD, 1920).

Em O Mal-Estar na Civilização (1929), Freud aprofunda a ideia de que a civilização, para mitigar o sofrimento e permitir a coexistência humana, exige a repressão de instintos primários, incluindo os agressivos (Thanatos). Essa agressão inata, para ser controlada, é internalizada e se manifesta como culpa e o desenvolvimento do superego, a instância moral da psique. O sentimento de culpa crônico e difuso resultante é, para Freud, a principal fonte do “mal-estar” que permeia a vida civilizada (FREUD, 1929).

3 A REJEIÇÃO DE THANATOS POR WILHELM REICH

Wilhelm Reich discordou veementemente da pulsão de morte de Freud, sendo essa uma das principais áreas de discórdia que o afastou da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) em 1934. Para Reich, a agressão e a autodestruição não eram inatas, mas sim o resultado direto da frustração e da repressão das pulsões de vida, especialmente a sexualidade.

Reich, em A Função do Orgasmo, postulava que a energia vital humana (que ele posteriormente chamaria de Orgone) é fundamentalmente orientada para a vida e o prazer. Quando essa energia é bloqueada ou impedida de fluir livremente devido a normas sociais, moralidade autoritária ou “couraças musculares”, ela se acumula e se torna estática e irritadiça. A agressão e a destrutividade seriam, então, uma descarga secundária dessa energia estagnada e irritada, uma tentativa do organismo de se livrar de uma tensão insuportável causada pela repressão (REICH, 1975).

Em outras palavras, para Reich, a agressão não é uma pulsão primária com um objetivo próprio de morte, mas uma “reação patológica à negação da vida”. Ele acreditava que se a energia sexual e a capacidade orgástica fossem liberadas e vividas plenamente, a agressão diminuiria drasticamente. Reich via a teoria da pulsão de morte de Freud como uma visão pessimista e desenganada da natureza humana, que, por sua vez, justificava a resignação e a perpetuação de estruturas sociais repressivas. Sua obra Psicologia de Massas do Fascismo (1933) exemplifica essa perspectiva sociopolítica radical, argumentando que a miséria sexual e a repressão eram fatores cruciais para a aceitação de ideologias autoritárias.

4 AS TÉCNICAS TERAPÊUTICAS DE REICH PARA A LIBERAÇÃO CORPORAL

A visão de Reich tinha profundas implicações para a prática clínica. Ele acreditava que as repressões emocionais e sexuais se manifestavam fisicamente como “couraças musculares” ou “bloqueios corporais”. Para liberar essas tensões e permitir o fluxo da energia vital (Orgone), Reich desenvolveu a Vegetoterapia Caracteroanalítica, da qual gerou as abordagens pós-reichiana (Análise Reichiana) e Neo-reichiana (Análise Bioenergética, Análise biodinâmica etc).

Reich identificou sete segmentos principais no corpo onde a couraça muscular se forma: olhos/testa, boca/mandíbula, pescoço, tórax/ombros, diafragma, abdômen/pelve e pelve/pernas. Suas técnicas visavam dissolver essas couraças através de uma combinação de abordagens verbais e físicas:

  • Análise do Caráter: Reich observava as resistências do paciente não apenas nas palavras, mas também em sua postura, respiração e movimentos corporais, confrontando-os com esses padrões defensivos.
  • Trabalho Respiratório: Ele enfatizava a expiração profunda e completa para liberar a tensão do diafragma e do peito, além de treinar a respiração abdominal para liberar bloqueios. O objetivo era que a respiração se tornasse natural, profunda e involuntária.
  • Pressão e Manipulação Direta: O terapeuta aplicava pressão ou manipulação em áreas de tensão muscular para provocar uma reação (dor, choro, raiva), indicando a liberação da energia e emoções ali contidas.
  • Expressão Vocal e Movimento: Reich encorajava a expressão vocal (gritos, choro, gemidos, vocalizações) e movimentos corporais espontâneos (tremores, espasmos, sacudidas) que surgiam à medida que as couraças eram dissolvidas. Ele via essas reações como a descarga necessária da energia bloqueada.
  • Atingir o Reflexo do Orgasmo: O objetivo final dessas técnicas era restaurar o reflexo do orgasmo, entendido como a capacidade do organismo de experimentar uma descarga plena e involuntária de excitação que percorre todo o corpo, liberando tensões e permitindo um estado de relaxamento profundo e satisfação. A incapacidade de atingir esse reflexo era, para ele, o cerne da neurose.

As técnicas de Reich foram revolucionárias por integrarem o corpo à psicoterapia, abrindo caminho para diversas terapias corporais e somáticas modernas, influenciando campos como a Bioenergética (desenvolvida por seus alunos Alexander Lowen e John Pierrakos), o Rolfing e a terapia Gestalt.

5 CONCLUSÃO

A divergência entre Freud e Reich sobre Thanatos ilustra uma das cisões mais significativas na história da psicanálise. Enquanto Freud via a pulsão de morte como uma força inata e destrutiva, parte intrínseca da natureza humana e contida pela civilização, Reich a interpretava como uma consequência patológica da repressão da energia vital e sexual. Essa diferença fundamental não apenas alterou a compreensão da agressão, mas também levou Reich a desenvolver uma abordagem terapêutica inovadora centrada no corpo, com profundas implicações para a saúde mental e social. O legado de ambos, apesar de suas profundas discordâncias, continua a ser uma pedra angular para quem busca entender a interconexão entre mente e corpo na saúde mental e os desafios da vida em sociedade.

Os conflitos e os aspectos divergentes entre Wilhelm Reich e Sigmund Freud podem ser aprofundados na obra de Claudio Mello Wagner Freud e Reich: continuidade ou ruptura?. Nela, o autor aponta para divergências no campo do conhecimento e principalmente no campo político dentro da Associação Psicanalítica Internacional (IPA).

REFERÊNCIAS

FREUD, Sigmund. Além do Princípio do Prazer. Tradução de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1920.

FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização. Tradução de José Octávio de Aguiar Abreu. Rio de Janeiro: Imago, 1929.

REICH, Wilhelm. Psicopatologia e Sociologia da Vida Sexual. Editora Global, 2000.

REICH, Wilhelm. A Função do Orgasmo. Brasiliense. 1975

REICH, Wilhelm. Psicologia de Massas do Fascismo. Martins Fontes – selo Martins, 2019.

REICH, Wilhelm. Análise do Caráter. Martins Fontes, 1998.

WAGNER, Cláudio Mello. Freud e Reich: continuidade ou ruptura?. Summus, 1996.

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O corpo fala tanto quanto as palavras https://minasi.com.br/o-corpo-fala-tanto-quanto-as-palavras/ https://minasi.com.br/o-corpo-fala-tanto-quanto-as-palavras/#respond Thu, 27 Mar 2025 19:53:17 +0000 https://minasi.com.br/?p=3336 A psicologia corporal e as couraças musculares são conceitos fascinantes que exploram a conexão profunda entre o corpo e a mente. Originados dos estudos de Wilhelm Reich, esses conceitos sugerem que as tensões musculares crônicas podem ser reflexos de traumas psicológicos e bloqueios emocionais. Reich propôs que existem sete segmentos de couraça, cada um correspondendo a diferentes aspectos da psique e do comportamento humano.

Os sete segmentos de couraça, conforme descritos por Reich e outros estudiosos como Frederico Navarro, são: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. Cada segmento está associado a certos traços de caráter e bloqueios energéticos que podem influenciar a maneira como uma pessoa interage com o mundo e processa suas emoções.

Por exemplo, um bloqueio no segmento ocular pode afetar a percepção e interpretação que uma pessoa tem do mundo e de si mesma. Já um bloqueio no segmento oral pode influenciar aspectos depressivos relacionados à dependência e independência. Esses bloqueios são vistos como couraças musculares que o ego desenvolve para lidar com conflitos internos e externos.

A terapia reichiana busca liberar essas tensões e promover um fluxo de energia mais saudável através de técnicas como respiração, movimento corporal e expressão emocional. O objetivo é alcançar um estado de bem-estar e saúde mental, permitindo que a pessoa se autorregule e amadureça emocional e psicologicamente.

A flexibilização das couraças e o amadurecimento do caráter são processos que podem levar a uma maior liberdade e autenticidade na expressão de sentimentos e na condução da vida. A psicologia corporal oferece uma perspectiva única sobre como nossos corpos refletem e influenciam nossa experiência interna, e como podemos trabalhar para harmonizar nossa energia e caráter para uma vida mais plena e saudável.

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O corpo aos olhos de Reich https://minasi.com.br/o-corpo-aos-olhos-de-reich/ https://minasi.com.br/o-corpo-aos-olhos-de-reich/#respond Thu, 09 May 2024 10:30:09 +0000 https://minasi.com.br/2024/05/o-corpo-aos-olhos-de-reich/ Wilhelm Reich, um psicanalista revolucionário, desenvolveu a psicologia corporal e a terapia reichiana. Ele acreditava na relação íntima entre o corpo e a mente¹. Reich desenvolveu a teoria somática que afirmava que traumas e bloqueios emocionais se manifestam no corpo¹. Ele explorou o papel do corpo na formação da personalidade e na expressão emocional¹.

Reich enfatizou a importância de liberar emoções reprimidas e traumas armazenados no corpo². Sua abordagem terapêutica, conhecida como terapia reichiana, utiliza técnicas como a respiração, movimento e toque para ajudar as pessoas a acessarem e liberarem esses bloqueios emocionais².

Em seu livro “A Função do Orgasmo”, Reich descreveu em detalhes sua teoria somática e suas aplicações terapêuticas². Ele enfatizou a importância de liberar a energia reprimida no corpo para alcançar um estado de saúde e bem-estar holístico².

Reich também acreditava que a repressão sexual é o principal agente causador de neuroses que interferem diretamente nas relações entre os sujeitos⁴. Para Reich, o corpo é o centro de todas as relações entre os homens⁴.

Sua abordagem pioneira na psicologia corporal continua sendo estudada e praticada até hoje, oferecendo insights valiosos sobre a relação entre o corpo e a mente e suas implicações para a saúde mental¹².

Referencias:
(1) De que maneira Wilhelm Reich abordou a relação entre corpo e mente?. https://ibrath.com/de-que-maneira-wilhelm-reich-abordou-a-relacao-entre-corpo-e-mente/.
(2) WILHELM REICH: PSICANÁLISE, CORPO E CIÊNCIA. – Centro Adleriano. http://www.centroadleriano.org/wp-content/uploads/2016/04/WILHELM_REICH.pdf.
(3) O PAPEL DO CORPO NA VISÃO REICH – Recanto das Letras. https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/1355254.
(4) De que maneira Wilhelm Reich abordou a relação entre corpo e mente?. https://bing.com/search?q=wilhelm+reich+falou+sobre+o+corpo.
(5) O que Wilhelm Reich ensina sobre a importância da consciência corporal?. https://ibrath.com/o-que-wilhelm-reich-ensina-sobre-a-importancia-da-consciencia-corporal/.

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Fases do Desenvolvimento Infantil e os Traços de Caráter https://minasi.com.br/fases-do-desenvolvimento-infantil-e-os-tracos-de-carater/ https://minasi.com.br/fases-do-desenvolvimento-infantil-e-os-tracos-de-carater/#respond Wed, 08 May 2024 10:05:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=3328 A jornada do desenvolvimento humano é fascinante e complexa, especialmente durante a infância. A psicanálise, com suas raízes profundas no trabalho de Sigmund Freud, oferece uma visão intrigante sobre as fases do desenvolvimento infantil. Paralelamente, a psicologia corporal nos apresenta uma perspectiva única sobre como nossos corpos e mentes interagem para formar traços de caráter distintos.

As Fases do Desenvolvimento Infantil na Psicanálise

Freud revolucionou a compreensão do desenvolvimento infantil ao introduzir os estágios psicossexuais: oral, anal, fálico, latência e genital[6]. Cada estágio é caracterizado por desafios e conflitos específicos que, quando navegados com sucesso, levam a uma personalidade saudável e bem ajustada. Por exemplo, o estágio oral foca na experiência e gratificação através da boca, enquanto o estágio anal lida com questões de controle e independência.

Donald W. Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, expandiu essa visão ao enfatizar a importância da relação mãe-bebê e introduzir o conceito de “dependência absoluta” nos primeiros meses de vida[7]. Winnicott acreditava que a capacidade de um bebê de sentir-se onipotente, graças à resposta imediata de seus cuidadores, era crucial para o desenvolvimento saudável.

Traços de Caráter na Psicologia Corporal

A psicologia corporal, influenciada pelos trabalhos de Wilhelm Reich, Alexander Lowen e Frederico Navarro, examina como as experiências emocionais se manifestam fisicamente. Cinco traços de caráter são identificados: esquizoide, oral, psicopata, masoquista e rígido[1]. Cada traço reflete uma estratégia de adaptação desenvolvida na infância em resposta ao ambiente e às relações interpessoais.

Por exemplo, o traço esquizoide pode se desenvolver em resposta a uma desconexão emocional precoce, levando a um comportamento mais distante e isolado. O traço oral, por outro lado, pode surgir de uma necessidade de dependência emocional e busca de aprovação.

A Integração das Duas Perspectivas

A integração das fases do desenvolvimento infantil na psicanálise com os traços de caráter da psicologia corporal oferece uma visão holística do crescimento humano. Entender como os estágios iniciais da vida influenciam tanto a mente quanto o corpo é essencial para abordagens terapêuticas eficazes e para a promoção do bem-estar emocional e físico.

A psicanálise e a psicologia corporal, juntas, nos ajudam a compreender melhor as complexidades da personalidade humana e a importância das experiências da infância. Elas nos ensinam que cada indivíduo é o resultado de uma tapeçaria intrincada de influências psicológicas e físicas, tecida desde os primeiros dias de vida.

A beleza dessa jornada de desenvolvimento é que, apesar de nossos traços de caráter serem formados cedo, eles não são imutáveis. Com a consciência e o apoio adequados, podemos aprender a usar nossos traços de caráter como ferramentas para uma vida mais plena e realizada.

A psicanálise e a psicologia corporal continuam a ser campos vibrantes de estudo e prática, oferecendo insights valiosos para todos aqueles interessados no desenvolvimento humano. Eles nos convidam a olhar para dentro de nós mesmos e para os outros com empatia, compreensão e uma apreciação mais profunda da jornada da vida.

Referências:

[1]: https://luizameneghim.com/blog/tracos-de-carater/ “”
[2]: https://relacoes.umcomo.com.br/artigo/analise-corporal-entenda-os-5-tracos-de-carater-30552.html “”
[3]: https://bing.com/search?q=Tra%C3%A7os+de+car%C3%A1ter+da+psicologia+corporal “”
[4]: https://www.fundacaocasagrande.org.br/noticias/o-traco-de-carater-rigido-uma-armadura-corporal/ “”
[5]: https://www.mulher.com.br/comportamento/analise-do-carater-teoria-diz-que-tracos-do-rosto-e-corpo-explicam-seu-comportamento “”
[6]: https://psicanaliseblog.com.br/teorias-psicanaliticas-sobre-o-desenvolvimento-infantil/ “”
[7]: https://www.psicanaliseclinica.com/desenvolvimento-infantil-winnicott/ “”
[8]: https://www.gerarprosperarpsicanalise.com.br/post/psican%C3%A1lise-e-o-desenvolvimento-infantil-compreendendo-os-caminhos-da-mente “”
[9]: https://saudeinterior.org/desenvolvimento-psicossexual-fases-de-freud/ “”
[10]: https://www.psicanaliseclinica.com/tecnica-do-brincar-em-melanie-klein/ “”

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Molduras para pessoas – traços de caráter https://minasi.com.br/molduras-para-pessoas-tracos-de-carater/ https://minasi.com.br/molduras-para-pessoas-tracos-de-carater/#respond Fri, 11 Aug 2023 12:34:58 +0000 https://minasi.com.br/?p=3136

As manifestações individuais presentes no coletivo muitas vezes nos deixam perplexos. Como uma pessoa pode agir ou reagir desta ou daquela forma? O que acontece para que seja assim? Como podemos melhorar interna e externamente, tornando o ambiente mais fluido e menos burocrático ou agressivo?

A resposta está em nosso desenvolvimento mais primitivo, em nossa infância.

Os traços de caráter são marcas e soluções que conseguimos implementar em nossa infância, para lidar com a dor da castração à nossa potência ou ausência do amor. Eles são como as guias que colocamos em nosso cão de estimação para que ele faça o que desejamos ou nos obedeça. De certa forma, na infância, como nossos genitores não conseguiram lidar com a energia livre da criança, dando contornos seguros para que ela pudesse se desenvolver de forma livre, desenvolvendo uma moral natural através da ética, acabam por nos colocar essas “guias” que Wilhelm Reich chamou de couraças musculares de caráter.

cachorro sendo segurado pela guia
O traço de caráter é uma contenção de nossa energia

Então, tanto o aspecto comportamental, sentimental e de pensamento coincidem com as couraças musculares no sentido de conduzir a criança à submissão. Esse congelamento da energia imposto pelos pais produzem na criança acomodações físicas e psíquicas para que o sofrimento seja menor. Isto ocorre no amadurecimento do aparato muscular, cada fase ligada ao segmento que está energeticamente sendo aprontado.

Isto, coloca a criança diretamente ligada ao seu corpo e sujeita à sua relação com as figuras materna e paterna. Aqui não falamos de trauma mas de um treinamento constante, diário, de submissão insistente, de forma a moldar corpo e psique. Cada fase deste desenvolvimento vai liberar ou constranger energia e ação.

Com o passar dos anos esta forma de moldar corpo e psique se torna permanente formando o traço do caráter que acompanhará a pessoa por toda a sua vida. Isto é como uma escala que se movimenta: podendo ser momentos de maior ou menor intensidade na manifestação da couraça do caráter.

Com os traços de caráter aprendemos a nos socializar

Podemos citar os principais traços:

Compulsivo – se fixando até aproximadamente 4 anos

Masoquista – se fixando até aproximadamente 4 anos

Fálico – se fixando até aproximadamente na adolescencia

Histérico – se fixando até aproximadamente na adolescencia

Cada um desses traços de estrutura neurótica pode ser misturado entre si e tomar uma intensidade, com um ou outro se tornando mais presente, dependendo de como a criança se sentiu em cada fase do seu desenvolvimento, em relação à pressão que sofria para se adequar ao sistema da família e à sociedade.

Estes traços podem se manifestar em uma estrutura neurótica ou uma cobertura para uma estrutura limítrofe, onde a base dos problemas está num momento mais primitivo do desenvolvimento infantil, onde o aparato muscular não tinha capacidade de suportar a carga de adaptação necessária.

Estas estruturas pressupõem formas de relação com as figuras de autoridade a partir da experiência com as figuras materna e paterna, produzindo adesões ou rompimentos quando se alcança a idade adulta. Refletindo nas relações suas experiências de adaptação.

Todo este processo é inconsciente, ou seja não há participação da vontade e decisão, mas como o próprio Reich o definiu, uma reação do corpo, que é o próprio inconsciente frente à pressão para se ajustar. Então, podemos dizer que mesmo as reações adultas são inconscientes ou comandadas por esta instância.

Estes traços vão marcar a forma como o individuo vai se relacionar nas relações mais íntimas, familiares e também na sua interação social, dentro do mundo do trabalho e sociedade. Isto vai constituir uma personalidade ou um jeito de funcionar externamente que de certa forma, estará tentando evitar aquela pressão e angústia enfrentada na sua infância, dentro do sistema familiar. Toda a sua busca será por nunca entrar neste conflito, que para o inconsciente tem perigo de sofrimento e morte.

Dentro do ambiente de trabalho, pode se submeter às pessoas, tentando não mostrar raiva ou qualquer atitude que resguarde seu campo. Tal submissão pode demonstrar uma polidez externa, que cobre um ódio e raiva enorme interior. Sorrisos, cooperação, aceitações incondicionais, pouca ou nenhuma manifestação de seus desejos ou pensamentos, evitação, formação de grupos de resistência, liderança democrática, onde não é aplicável, etc…

De outro lado está a raiva exposta, imposição de suas vontades, conflitos abertos e sem solução, vinganças, lideranças ditatoriais, onde não é aplicável, exigências absurdas de produtividade, utilização de imagem pessoal como opressão do outro, etc…

E ainda resta a sedução, os jogos dúbios, os convencimentos elogiosos falsos, a malemolência, etc…

São todas manifestações dos traços de caráter diante de sistemas de relações no trabalho e na sociedade.

A forma de sair destes comportamentos e condicionados é movimentar a couraça, sair do congelamento que ainda funciona sobre a pessoa, assumindo riscos em enfrentar a sua dor interior para que também o grupo se beneficie de seu movimento. A couraça corporal de caráter é um congelamento evitativo da dor, quanto mais se movimenta e flexibiliza, mais energia e movimento se ganha o individuo e a comunidade.

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Transtorno de ansiedade na prática https://minasi.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-pratica/ https://minasi.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-pratica/#respond Mon, 07 Aug 2023 21:23:45 +0000 https://minasi.com.br/?p=3128 A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem emitido alertas sobre dois assuntos muito importantes nos dias atuais: a depressão e o transtorno da ansiedade, como problemas dentro da saúde mental que atingem a população global. Isso é fácil de notar pelo número de pessoas nos consultórios psiquiátricos e psicológicos com problemas para lidar com estes assuntos em seu dia a dia.

O Transtorno da ansiedade é um Fenômeno Social

Começar do topo, porque o transtorno da ansiedade não é um fenômeno individual, é um problema de saúde pública no mundo todo e principalmente no Brasil. Novos dados divulgados por uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas nos apontam que: 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de ansiedade.

Isto significa que numa população de 203.000.000 de pessoas, conforme o censo de 2021, atualmente 56.000.000 receberam um diagnóstico médico de um tipo de transtorno. Considerando que muita gente nem vai ao médico, poderíamos supor que este número chegue com facilidade próximo de 50% da população brasileira na manifestação de transtorno de ansiedade.

Podemos imaginar que isso deveria ser um problema de adultos, preocupados com os boletos do dia a dia ou com filhos, casamentos, trabalho, mas esta mesma pesquisa aponta que um terço (31,6% – 10.000) da população mais jovem, de 18 a 24 anos, é ansiosa principalmente entre as mulheres (34,2%).

Estes dados apontam que precisamos mudar a forma como nossa sociedade está se estruturando, diminuir a pressão e aumentar o prazer e o relaxamento.

Quando falamos sobre ansiedade a nível individual, pessoal, temos que fazer um contraponto e tentar perceber o que é transtorno, adoecimento e o que é a vida normal e comum?

Ansiedade x transtorno da ansiedade

A ansiedade (energia do fazer, atuar, realizar) enquanto energia é importante e necessária na vida. Sem ela, ficaríamos pensando e pensando e nada colocaríamos em prática. Isso me lembra o sujeito que estava deitado na rede e grita para a mãe: A gente tem remédio para veneno de cobra? E a mãe responde: “Não. Você foi picado?” E o sujeito interpela: “Está vindo uma lá no jardim.” Ou seja, nossa capacidade de ação, da ação certa.

Eu considero o transtorno da ansiedade como um alarme de incêndio ou um detector de fumaça. O sofrimento está na camada externa, no topo da sensação. E o motivo não está fora. Ele está dentro de cada um. O problema não é o externo, mas como eu entendo, sinto e ajo dentro de mim.

Se o detector de fumaça ou alarme de incêndio dispara o que devemos fazer? Desligar o alarme ou procurar a origem da fumaça ou do incêndio? É mais fácil, cômodo, desligar o alarme, tirar as suas pilhas, desliga-lo da tomada de energia do que entrar para os porões esquecidos do inconsciente em busca dos motivos individuais que estão fazendo disparar o alarme.

O elástico tem uma função e uma capacidade de elasticidade. Você estica e ele volta ao seu estado natural, agora, o que acontece se eu o esticar e manter esticado por muito tempo? Ou se eu o colocar em um local muito mais frio? Vai alterar suas propriedade e capacidade de funcionamento.

A ideia de que somos capazes de tudo, de que podemos tudo é uma distorção de nossa época. Cada um de nós funciona de uma forma especifica, segundo a sua história pessoal, segundo o funcionamento da sua família original. Quando nos sentimos forçados a funcionar ou a agir de um jeito muito diferente do que somos, acontece aqui um Stress, ou melhor dizendo, um distress. E temos uma capacidade interior, individual de suportar isso. Se passo a funcionar muito além de minha capacidade por um longo período de tempo, começa o transtorno, que pode ir piorando numa escala até o adoecimento severo, crônico.

O transtorno da ansiedade pode começar apenas com pensamentos redundantes sobre um assunto; pode começar com um sentimento de medo ou de fuga; pode começar com sensações físicas nas mais diversas formas. À medida que o medo aumenta e se foge do problema, conflito ou situação, os sintomas tendem a se agravar, como no exemplo do alarme de incêndio, gritando mais alto dentro do organismo e da psiquê.

A Personalidade atuando

Cada pessoa funciona de uma forma diferente das outras, mesmo gêmeos univitelinos vão apresentar sensação, emoção e comportamento distintos. A forma como percebemos a vida desde o ventre de nossa mãe nos molda para o que acontece no dia a dia. Então, no caso da ansiedade também será assim. Pode-se ser mais energético com a vida, tentando resolver os conflitos e as situações sem deixar acumular, mas pode-se ser mais mental e afastando a atitude e a ação e funcionando no planejamento e pensamento. Isto certamente vai afetar como o transtorno da ansiedade pode atingir e a sensação em relação aos acontecimentos. Quanto mais se distancia da ação e da resolução e se aproxima do medo, mais congelamento e mais a ansiedade vai funcionar como um automóvel, onde engata a marcha, acelera e ao mesmo tempo puxa o freio de mão, fazendo com que os pneus girem, mas o carro não saia do lugar. Esta é a imagem do transtorno: uma quantidade enorme de energia produzida e sem destinação.

OLHAR, SENTIR, AGIR

Para sair deste lugar precisa querer olhar para as camadas inferiores da ansiedade e perceber do que temos medo. O que freia a nossa ação? Por que não faço o que desejo?

Olhar

A primeira etapa é olhar para o que estou sentindo e para isto, vamos realizar em dois movimentos oculares:

Ponto fixo

Para realizar este movimento, siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Usando uma caneta, lápis ou o próprio dedão da mão (que pode ser esquerda ou direita), extenda o braço a uma distância de aproximadamente 30 cm do rosto.
  4. Posicione o objeto entre os dois olhos e mantenha ele firme
  5. Olhe para o objeto e mantenha o olhar fixo, lembrando de respirar
  6. Fique nesta posição por aproximadamente 2 minutos.
  7. Enquanto olha para o objeto, pense sobre o que te aflige.
  8. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

Lateralização dos olhos

Para realizar este movimento, siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Usando uma caneta, lápis ou o próprio dedão da mão (que pode ser esquerda ou direita), estenda o braço a uma distância de aproximadamente 30 cm do rosto.
  4. Movimente o objeto para as laterais direita e esquerda da cabeça
  5. Acompanhe o objeto com os olhos, sem mexer a cabeça, apenas com o movimento ocular, lembrando de respirar
  6. Continue o movimento por aproximadamente 2 minutos.
  7. Enquanto olha para o objeto, pense sobre o que tem medo.
  8. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

SENTIR

Respiração

Com o auxilio de uma bexiga de aniversário vazia siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Encha o seu abdômen (barriga) de ar.
  4. Sopre a bexiga sem tomar fôlego, até esvaziar bem os pulmões.
  5. Repita este movimento por aproximadamente 2 minutos.
  6. Enquanto enche a bexiga, pense sobre o que te aflige.
  7. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

AGIR

O que pode acontecer enquanto pratica estes movimentos?

Pode não acontecer nada, apenas respirar e movimentar os olhos e isso já é muito, porque vai estar pensando e elaborando as situações. Também, podem emergir sensações, sentimentos, emoções ou pensamentos. Tudo isso pertence a você.

O que fazer com o que emerge?

  1. permitir a existência da sensação, emoção, sentimento
  2. expressar o que senso, sinto
  3. elaborar seja individualmente pensando, conversando com alguém ou num processo de terapia.

REFERÊNCIAS

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/37237-de-2010-a-2022-populacao-brasileira-cresce-6-5-e-chega-a-203-1-milhoes

https://www.clinicakowalski.com.br/post/por-que-o-homem-vai-menos-ao-medico#:~:text=Isso%20ocorre%20desde%20motivos%20como,m%C3%A9dico%20pelo%20maior%20per%C3%ADodo%20poss%C3%ADvel.

Navarro, Frederico – Caracteriologia Pós-Reichiana – Summus, 1995

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Como tornar a saúde mental melhor? https://minasi.com.br/saudemental/ https://minasi.com.br/saudemental/#respond Thu, 22 Jun 2023 14:45:15 +0000 https://minasi.com.br/2023/06/saudemental/ Vamos falar sobre um tema muito importante: a saúde mental. Sabemos que muitas pessoas andam em dificuldade com relação a sua saúde mental, especialmente depois de um período tão difícil como o que vivemos. Mas você sabia que existe uma forma de terapia que pode ajudar você a se sentir melhor e mais equilibrado? Estamos falando da psicoterapia Reichiana, uma abordagem que foi criada pelo médico e psicanalista Wilhelm Reich. Reich foi um dos primeiros a estudar a relação entre o corpo e a mente, e desenvolveu uma teoria sobre a energia vital que circula pelo organismo. Segundo ele, essa energia pode ser bloqueada por tensões musculares e emocionais, causando diversos problemas de saúde física e mental. A psicoterapia Reichiana visa liberar essa energia e restaurar o fluxo natural da vida.

Mas como isso acontece na prática?

A psicoterapia Reichiana utiliza técnicas de respiração, movimento, toque e expressão verbal para ajudar o paciente a entrar em contato com as suas emoções e sensações corporais. Assim, ele pode reconhecer e liberar as tensões que o impedem de viver plenamente. Alguns exemplos de situações em que a psicoterapia Reichiana pode ser útil são: ansiedade, depressão, estresse, baixa autoestima, dificuldades de relacionamento, traumas, dores crônicas, entre outros.

Conhece a Psicoterapia Reichiana?

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#análisereichiana
#wilhelmReich
#actings

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O seu intestino é outro cérebro. Você sabia disso? https://minasi.com.br/o-seu-intestino-e-outro-cerebro-voce-sabia-disso/ https://minasi.com.br/o-seu-intestino-e-outro-cerebro-voce-sabia-disso/#respond Mon, 02 May 2022 16:53:27 +0000 https://minasi.com.br/?p=2836 Antes da Neurociência contemporânea apontar a ligação entre o cérebro e outros orgãos do corpo, especialmente, o Intestino, o Dr. Wilhelm Reich já postulava no inicio do século XX o aspecto funcional dessa ligação. Demonstrando que o cérebro, que possui sua importância, estava funcionalmente ligado a todo o corpo e este corpo, ligado às emoções e à psiquê. Não como uma representação, mas numa ligação funcional, onde um e outro são manifestações da mesma função.

Que conexão existe entre o cérebro e o intestino?

Um estudo publicado na Nature pelo gastroenterologista Emeran A. Mayer explica como ambos os órgãos, cérebro e intestino, estão conectados.

Esta interação entre eles tem relevância não apenas na regulação das funções gastrointestinais, mas também no humor e na tomada de decisão intuitiva.

Em primeiro lugar, vamos lembrar que existe uma complexa rede de terminais nervosos que revestem todo o sistema digestivo, especialmente o sistema intestinal (chamado sistema nervoso entérico).

Este deriva evolutivamente de células que migram da crista neural e se instalam definitivamente no intestino.

Há, por sua vez, estruturas no sistema nervoso central que poderiam ser chamadas de parte encefálica do sistema intestinal.

A comunicação entre o cérebro e o intestino é estabelecida por meio de vias nervosas, especialmente pelo nervo vago. Mas também pela corrente sanguínea, é claro.

Por outro lado, há outras células intrínsecas localizadas nas camadas mais internas do tubo intestinal (células enteroendócrinas ou enterocromafins) que são repletas de neurotransmissores.

Por exemplo, contêm peptídeos (que também se encontram no cérebro) e serotonina.

Na verdade, o intestino é o local da anatomia humana em que se encontra a maior quantidade de serotonina (mais de 90%). O restante se encontra nas plaquetas e apenas 1% no cérebro.

Mas o intestino não é apenas um tubo com neurônios próprios e neurotransmissores mais ou menos conectado com o cérebro e com neurônios específicos e neurotransmissores.

Nele, também vive uma grande quantidade de micro-organismos. Juntos, eles formam a chamada microbiota.

Ilustração simbolizando cérebro e intestino de mãos dadas
A interação entre o intestino e o cérebro tem relevância não apenas na regulação das funções gastrointestinais, mas também no humor e na tomada de decisão intuitiva

Trata-se de uma série de bactérias (mais numerosas do que nossas próprias células) que nos ajudam na digestão, no combate a outros patógenos e em muitos outros processos.

Sintomas físicos derivados da ansiedade e depressão

Muitos de nós já constatamos que estar estressado (por ter que falar em público ou fazer uma prova) nos predispõe, não só de forma aguda, mas também crônica, a vômitos, náuseas, diarreia ou constipação.

Na verdade, como é evidente, os sintomas seguem o estímulo estressante (que, às vezes, não precisa ser negativo). Há até uma expressão muito particular para definir estar apaixonado: “sentir borboletas no estômago”.

A ansiedade e a depressão são os dois representantes mais claros dos problemas de estado de espírito.

Na verdade, é um dos motivos mais frequentes de consulta não só na clínica psiquiátrica, como também na atenção primária.

A depressão é cada vez mais frequente, e é um dos principais problemas de saúde pública.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) — e este já era o caso anos antes da pandemia —, será o principal problema de saúde do mundo em 2030.

Graças a estudos como o de Mayer, o papel do estresse nessas doenças está se tornando cada vez mais conhecido. Assim como nas alterações em neurotransmissores específicos e má regulação do sistema imunológico.

Mas um número significativo de pacientes é resistente aos tratamentos farmacológicos disponíveis para a depressão, que devem sempre ser acompanhados de psicoterapias.

E é por isso que existe uma necessidade premente de aumentar o conhecimento da sua fisiopatologia para desenvolver estratégias terapêuticas mais eficazes.

Cerebro ligado ao intestino

O estresse e sua influência na microbiota (e vice-versa)

Nas últimas duas décadas, foram apresentadas inúmeras evidências científicas, em modelos animais e em humanos, indicando que quando um indivíduo sofre estresse, ocorre uma alteração no intestino e a composição da microbiota pode, inclusive, ser modificada.

Inversamente, a alteração experimental da microbiota também pode induzir mudanças comportamentais.

Sabemos que o cérebro influencia a microbiota a partir de estudos nos quais foi demonstrado que o estresse nos estágios iniciais da vida diminui a concentração de Lactobacillus e faz emergir a concentração de bactérias patogênicas ao romper o equilíbrio fisiológico entre as diferentes populações de microrganismos.

Em contrapartida, a diferente composição da microbiota pode influenciar no comportamento: algumas bifidobactérias melhoram o comportamento depressivo em ratos.

O estresse também produz inflamação?

Nos últimos anos, inúmeros estudos indicaram que a inflamação crônica de baixo grau também pode estar desempenhando um papel na fisiopatologia da depressão.

A partir desta informação, buscou-se saber se poderia haver uma relação entre a inflamação de origem intestinal e o estresse.

Assim, vários estudos realizados por um grupo da Universidade Complutense de Madrid (Espanha) e outros pesquisadores mostram como o estresse (um importante fator de risco para a depressão) pode produzir um desequilíbrio intestinal.

Isso pode levar a uma instabilidade na barreira intestinal (tornando-a mais porosa) e, portanto, à passagem de componentes da parede bacteriana do intestino para a corrente sanguínea e outros órgãos.

É um processo chamado translocação bacteriana. Estes componentes podem ser tóxicos e desencadear uma resposta inflamatória generalizada.

Além disso, estes estudos mostraram que a composição da flora bacteriana fica alterada em pacientes com depressão, em comparação com a flora de indivíduos de grupos de controle saudáveis.

Em geral, a diversidade bacteriana diminui em casos de depressão. No entanto, ainda não entendemos a associação entre a microbiota e a inflamação detectada na depressão.

Agora sabemos que o dano celular oxidativo (que é a consequência final da inflamação) é maior em pacientes com um episódio ativo de depressão.

Além disso, estas pessoas também apresentaram níveis elevados de um componente de bactérias intestinais que está muito relacionado à resposta imune: o lipopolissacarídeo de bactérias do gênero Bilophila e Alistipes, diminuição da Anaerostipes e desaparecimento completo da Dialister.

Estas alterações não aparecem em pacientes em fase de remissão da doença.

Resta saber ainda se as toxinas das bactérias presentes na microbiota de pacientes com depressão podem circular por todo o sistema e chegar a sinalizar algumas estruturas do cérebro.

Por enquanto, sabe-se que em modelos animais estas bactérias são capazes de chegar ao cérebro e ativar receptores de resposta imune em neurônios e em outros tipos de células deste órgão.

E, além disso, que no tecido cerebral de pacientes com depressão que morreram por suicídio, é identificada uma hiperativação da resposta imune.

Mas ainda estamos longe de poder afirmar que existe uma causalidade entre estes fenômenos e a fisiopatologia da depressão.

No entanto, o desafio está lançado, e o trabalho da ciência biomédica é desvendar todos esses mecanismos para oferecer aos pacientes novos e melhores soluções de tratamento.

Neste momento, há um projeto aberto para o estudo do microbioma em relação à saúde mental, com o qual você pode colaborar voluntariamente (caso more em que algumas cidades da Espanha — veja aqui).

  • Juan C. Leza é professor do departamento de farmacologia e toxicologia da faculdade de medicina, CIBERSAM, Universidad Complutense de Madrid, na Espanha.
  • Javier R. Caso é professor do departamento de farmacologia e toxicologia da faculdade de medicina, CIBERSAM, Universidad Complutense de Madrid, na Espanha.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em espanhol).

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O aqui e o agora – notas encarnadas sobre a catástrofe https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/ https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/#respond Tue, 21 Apr 2020 14:10:37 +0000 https://minasi.com.br/?p=1935 Por Xavier Serrano Hortelano

A realidade pandêmica que estamos experimentando durante estes meses, independente das interpretações, é uma catástrofe internacional que trará consequências gravíssimas, em todos os níveis, como advertem alguns especialistas, que podem ser similares àquelas sofridas por uma guerra mundial.

As crises, tanto pessoais como sociais, assim como em qualquer catástrofe, chegam de surpresa. Por isso, em grande medida, estamos agora vivendo uma espécie de experiência onírica. Muitas das pessoas a quem atendo me dizem: “É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”. Nossa percepção agora sofre uma certa alteração da consciência, porque a realidade social e cotidiana é, em grande medida, desconhecida. De modo que sofremos mudanças nos ritmos vitais, alterações no sono, sensações estranhas e uma vivência diferente da passagem do tempo.

É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”.

E este sonho não é agradável, se assemelha mais a um pesadelo, onde nos encontramos com a vulnerabilidade e a morte, que são o que costumam acompanhar qualquer catástrofe. As pandemias, diferentes do resto, são catástrofes lentas, onde o estado de alarme, a tendência ao caos e ao pânico, vão mostrando-se e aumentando progressivamente.

Outros especialistas e enfoques psicológicos que também abordam e estudam o fenômeno do medo, como os sistêmicos, os cognitivistas ou os construtivistas, propõem que estas situações estimulam a criatividade, a emergência de valores tais quais a solidariedade e conduzem à busca por soluções. Em minha opinião, esta descrição pode ser atribuída à reação instintiva que é produzida na natureza, em geral, e nos mamíferos, em particular, mas, em muitas ocasiões, não é a que observamos no mamífero humano. No nosso caso, fomos perdendo o contato com o funcionamento instintivo, e somos movidos mais por padrões de conduta social estereotipada, governados pelo predomínio e especialização da razão, do pensamento cortical, devido, fundamentalmente à influência dada sociedade patriarcal na qual temos vivido durante séculos, que tem menosprezado o mundo do instintivo, dos afetos, da ternura, da sexualidade, das relações humanizadas, em pró de alcançar objetivos, da eficácia e da supremacia fálica do poder, o qual se reflete nas relações não saudáveis que se mantém nos ecossistemas essenciais (família e escola), muito distantes daqueles que permitem estabelecer atmosferas ecológicas, próximas do funcionamento natural do Vivo. Portanto, é preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Visto que é certo que, a nível conductual e de resposta social estamos longe de produzir respostas instintivas auto organizadas ou autopoiéticas-, segundo a definição de Humberto Maturana-, a nível biológico sim somos capazes de tê-las pois, ainda que, nas pandemias sofridas pelo ser humano ao longo da história muitas pessoas tenham falecido, nossa espécie logrou sobreviver. Podemos compreender melhor tal fato aplicando também a teoria da Ressonância Mórfica de Sheldrake, segundo a qual a espécie humana, como o resto das espécies, acumula o legado das respostas de sobrevivência de séculos, no terreno biológico. Cada vez que surge uma variável molecular, frente a qual a espécie não está acostumada, existe um período de vulnerabilidade onde ocorrem falecimentos, até que chega o período de auto organização imunitária, sem que tenham, necessariamente, existido vacinas ou soluções médicas prévias específicas.

É preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Neste sentido, recordo a frase de Daniel Defoe, em seu livro O ano da peste onde, em sua descrição romantizada de uma das pandemias históricas, relata: “A sociedade ficou perplexa quando perceberam que, se repente, sem nenhum medicamento novo, sem nenhuma intervenção diferente, as pessoas não apenas deixavam de morrer, senão que, também recuperavam-se e curavam-se. Nem sequer os médicos o pudessem explicar, porque era um feito Divino. Deus nos castigou e Deus agora nos perdoa”. Como não era possível existir outra explicação possível em meados do século XIX, tanto Defoe como a maioria o atribuíram a uma ação divina. O que é certo, em todas as pandemias, é que elas duram seu tempo. Hoje estamos melhor preparados, não apenas por alguns avanços médicos, como também porque os seres humanos estão melhor imunizados, como espécie, do que há séculos passados. Exceto em tribos isoladas, com pouco contato com a civilização, que são especialmente vulneráveis e poderão desaparecer se não forem tomadas medidas adequadas, coisa que já pode estar ocorrendo em lugares como a Amazônia, com a consequente tragédia e genocídio humano.

Podemos considerar a crise atual como uma catástrofe internacional, com uma base biológica, que durará um tempo e causará mortes. Os falecimentos dependerão, por sua vez, de duas variáveis:

  • A primeira, consequência da mutação biológica, fruto de uma natureza agredida a nível mundial, de uma Gaia maltratada por nossas ações destrutivas, que continuarão a gerar catástrofes geofísicas e biológicas. Talvez por isso o século XXI será o século das catástrofes “naturais”, enquanto o século XX foi o das bélicas.
  • A segunda, pela maior ou menor força biológica e psicossomática de cada pessoa, consequência tanto de sua predisposição congênita, como do distress sofrido ao longo de sua história pessoal, especialmente durante os primeiros anos de vida.
Gaia

Ambas coisas poderiam ser paliadas, erradicando fatores de risco de todo tipo no primeiro caso, e utilizando medidas preventivas nos ecossistemas essenciais (famílias, escolas, organizações…) como as que se plasmam no projeto que denominei em seu momento de Ecologia dos Sistemas Humanos.

Na presente ocasião, não irei valorar as decisões tomadas pelos governos frente à crise, mas sim valorarei as suas consequências. A imobilidade e o confinamento durante meses levará a uma recessão da economia e um sofrimento emocional e infraestrutural muito grande para milhões de pessoas, com consequências não apenas sociais e econômicas, como também psicossomáticas, que irão ocasionar condutas defensivas e patológicas. Nos encontraremos com reações muito distantes do funcionamento instintivo e natural como espécie que descrevi acima, e darão-se respostas baseadas no predomínio das, assim nomeadas por Wilhelm Reich, “pulsões secundárias culturais”, como o egoísmo, o individualismo, o sadismo, etc.

Tais pulsões tomam forma através de nosso Caráter, termo que este mesmo autor descreve como a couraça do ego. Ou seja, a soma de mecanismos de defesa organizados ao longo do nosso processo maturativo, em forma de traços de conduta rígidos, que formam parte de nossa personalidade. Entre eles, observamos traços compulsivos, fálicos, masoquistas ou histéricos.

É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”

Desta forma, durante o tempo do confinamento, irão tomando força tais atitudes caracteriais para fazer frente à crise e, no entanto, com o tempo tais atitudes podem ir desmoronando, dando lugar a reações mais profundas, consequência da Estrutura do caráter, ou seja, do padrão de organização essencial de cada pessoa:

  1. Reações impulsivas ou dissociativas, no caso da Estrutura Fronteiriça
  2. Cindidas pelo pânico, ou paranóicas-conspirativas-delirantes, no caso da Estrutura Psicótica
  3. Adaptativas, porém vivendo conflitos pessoais ou relacionais mais ou menos sérios, em função de seu traço de caráter imperante, no caso da Estrutura Neurótica.

O que pode refletir-se concretamente em condutas com rotinas compulsivas, emergências depressivas, vitimistas, de desesperação, evasivas-maníacas, de caos histriônico ou colocar-se como grande líder, salvador da humanidade.

Partido desta avaliação sistêmica e estrutural da situação atual, antes de propor as possíveis medidas de enfrentamento da crise e dos pós crise, devemos assumir que as consequências desta pandemia serão globais e imprevisíveis, a curto e médio prazo. Por isso, conforme escreveu Edgar Morin: “É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”. E, para nós, quais são estes arquipélagos? As leis gerais da Ecologia de Sistemas Humanos. Aplicando-as, poderemos navegar de forma mais segura e eficaz.

O ponto de partida que nos permitirá fazê-lo emerge da Teoria da Complexidade, do mencionado filósofo E. Morin, segundo a qual, para conhecer a realidade de um fenômeno, devemos detectar o maior número possível de variáveis que o fazem possível. Por isso, tampouco em esta crise será possível adotar posições baseadas em dar resposta a uma única variável. Como podemos observar em algumas posturas reativas, onde o Governo passa a ser a figura responsável por tudo que acontece; ou a postura de refugiar-se em ideações místicas, com cantos de sereia, pensando que tudo se irá solucionar pela força da natureza e que o ser humano vai mudar a partir de agora e tudo será diferente; nem, tampouco, a de fincar-se no mero pragmatismo mecanicista de pensar que tudo passa por soluções médicas e por uma vacina salvadora. A situação é complexa e, portanto, devemos buscar respostas que considerem as diversas variáveis que estão influindo nesta crise.

Navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas

Podemos encontrar uma ajuda necessária para continuar este propósito adotando a posição aconselhada por W. Reich de “observação silenciosa, que nos lembra, por sua vez, um princípio da física quântica, segundo a qual as particularidades do observador passam a ser uma variável mais a ter em conta na observação de qualquer fenômeno que se investigue. Nesta observação silenciosa, como primeiro passo, o próprio observador deve perguntar-se o que está sentindo e como está experimentando o que observa, assim como em que condições se encontra.

Se o aplicamos à situação atual, não tem muito sentido propor alternativas ou resolver os problemas dos demais, se previamente não me detenho, encarando-me e perguntando-me: “Como estou vivendo e sofrendo esta crise terrível?… Que sensações estou experimentando?… Como me sinto durante a noite e durante o dia?… Como estou junto aos outros?… Mais irritado(a), mais deprimido(a), ansioso(a), sonho mais ou menos, durmo ou não?… Como experimento o passar do tempo, a ausência do encontro social?” Nesta auto observação aprenderei e poderei administrar melhor meus recursos.

Um segundo passo será a observação do exterior. Temos que ratar de observar, sem preconceitos, sem categorias nem interpretações. Evitando o que Reich advertia: “receberemos a pressão da interpretação mecanicista das coisas”. Neste caso, por parte daqueles que ficam pendentes na descrição do dano do vírus: as mortes diárias, as medidas a tomar para não contagiar-se, a crise econômica que supõe a pandemia… tudo o que, ao não ser adequadamente contextualizado, aumentará o medo coletivo à pandemia. Evidentemente, esta é uma parte da realidade, porém esquecem-se de dar informação de outras variáveis, como a lógica imunológica individual e social, ou a influência que tem o maltrato que realizamos à natureza no surgimento desta pandemia. Ao mesmo tempo em que se reconhece que este coronavírus, junto com o resto de milhões de outros vírus, formam parte da Biodiversidade, e como tal, tem uma função vital, que devemos investigar e compreender, para neutralizar de uma forma ecológica a pandemia, e prevenir outras possíveis vindouras, em lugar de apresentá-lo como um inimigo invisível que é preciso destruir e vencer. Para tanto, é necessário facilitar os recursos necessários para equipes especializadas e científicas que seguem estas linhas de pesquisa, como Máximo Sandín ou Patrick Forterre.

Wilhelm Reich

Por sua vez, outros refletem apenas parte da realidade, ao descrever e enfatizar as capacidades próprias dos humanos, aqueles que preconizam uma resposta idealizada do ser humano frente a esta crise, dizendo que seremos capazes de aproveitar para mudar, para sermos solidários e recuperar uma certa consciência cósmica que promova um futuro mais sustentável. Porém, não devemos esquecer que tais capacidades do ser humano estão reduzidas e limitadas pela couraça e estrutura caracterial de cada qual, de modo que, uma coisa é querer e outra é poder. E não podemos esquecer que a crise econômica e social será global, mundial, e provocará tensões e conflitos, de modo a colocar à prova nossa capacidade potencial de sermos mais humanos, frente ao pânico do indivíduo encouraçado.

A partir desta posição de Observação Silenciosa, uma vez que tenhamos realizado as duas tarefas descritas, teremos acesso a uma maior compreensão do fenômeno (a crise pandêmica), o qual nos permitirá desenhar uma adequada estratégia de intervenção.

Outras duas ferramentas que nos serão necessárias para avançar nesta viagem são a Teoria do estresse (sofrimento) de Hans Selye, e a Inibição da ação de Henry Laborit ao estresse (melhor dito, distresse) da catástrofe, é preciso somar o que levamos no nosso interior, resultado dos medos experimentados em nossa história. Ambos preconizam respostas patológicas psicossomáticas descritas por Selye, que se agravam ao não poderem reagir frente a frustração que nos produz o empobrecimento, a doença, a imobilidade ou a falta de acompanhamento no luto próximo, enquanto que as razões de Estado parecem justificar a realidade que estamos vivendo, somando às patologias anteriores aquelas produzidas pelas alterações neuro-hormonais descritas por Laborit.

Aplicando ambas teorias à nossa situação atual, devemos estar preparados e alertar ao coletivo sanitário do aumento considerável de reações orgânicas psicossomáticas agudas e de crises emocionais e psicopatológicas, quadros agudos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, etc., que irão aparecendo conforme avance a crise e comece a paulatina recuperação. De momento, nosso sistema defensivo (couraça caracterial) está contendo os processos de adoecimento porque “sabe” que não receberá atenção, evade da percepção e evita sua emergência. Porém, quando se deem as condições, a emergência será virulenta e aguda. É uma dinâmica similar a de um acidente de trânsito. Em um primeiro momento, recuperamos toda a normalidade possível, porém progressivamente aparece o trauma e as consequências do impacto.

Da mesma forma, junto à emergência de patologias individuais, conflitos de casal ou crises familiares, fruto do distresse da catástrofe, temos que prepararmo-nos para a crise econômica de magnitudes pós bélicas. Por mais que os governos tentem neutralizar seus efeitos, estas se irão produzir, e como costuma ocorrer, os mais vulneráveis serão os mais afetados.

Previnir e preparar-se para enfrentar este porvir supõe aceitar e aplicar outra de nossas principais leis: o fato de que apenas com a cooperação e o apoio mútuo, frente à tendência do egoísmos sobrevivente, é possível conter e superar estas situações extremas. Aplicando a etnologia, faz mais de um século que uma figura libertária, Pior Kropotkin, o traduziu em seu livro magistral O apoio mútuo. Não se trata de “cooperativismo”, senão de somar esforços, capacidades pessoais e gerir funcionalmente os recursos coletivos, para conseguir objetivos comuns.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão

Não é uma tarefa fácil, porque ninguém nos ensinou, ao contrário, aprendemos a funcionar na direção contrária e, em alguns casos, nossas experiências nas relações pessoais e sociais foram tão destrutivas que nossa tendência é a de nos defendermos do Outro, porque deixamos de diferenciar entre “iguais” e “contrários”. O que leva a dinâmicas de evitação, fuga, inclusive de traição, tal como está representados na figura de Judas nos Evangélios, que W. Reich analisa junto de outros exemplos, dentro do que define como reações de peste emocional. Não apenas me refiro a reações individuais, como também aos movimentos corporativistas de grandes companhias, as quais aproveitarão esta situação de crise e morte, como fazem os abutres e os vermes. Inclusive, dão-se as condições para o ressurgimento de líderes fascistas, que com suas mentiras, suas difamações aos representantes democráticos e suas promessas de segurança e controle, enfeitiçam as massas necessitadas de bálsamos curativos, e surja tentativas de uma nova ordem autoritária internacional. Tampouco isto deve nos surpreender, mas devemos preparar-nos para evitar o máximo possível suas repercussões.

Também é certo que é mencionado e proposto, nos discursos políticos de muitos governantes e líderes sociais a necessidade da cooperação entre partidos e nações, frente à crise mundial que estamos vivendo. Porém, sabemos pela história, que este conceito de cooperação, infelizmente, quer dizer, melhor dito, uma colaboração para repartir-se o bolo de uma forma mais ou menos equitativa entre os poderosos, deixado migalhas ao resto. A solidariedade do poder se pode medir pelo número de interesses ocultos para aproveitar- se das circunstâncias, desenhando a forma de fazê-lo em cada nova situação. Podem perder algo, porém, mais tarde, recuperarão o perdido com “juros”.

Por esse motivo, devemos aceitar os limites das políticas governamentais, apesar de podermos apoiar as ações e propostas de alguns líderes de esquerda e representantes políticos em favor dos mais vulneráveis, como está acontecendo no Estado Espanhol. Conscientes, por sua vez, de que se encontrarão coibidos pelos vermes da direita e pelos partidos fascistas, que representam os poderes existentes e com a falta de apoio dos demais partidos que continuarão com suas demandas por sempre, sem adaptarem-se à nova realidade e à busca conjunta de soluções para a magnitude da crise e a catástrofe que estamos vivendo. Muitas vezes não lembramos nem aprendemos da história, e o mecanismo de “compulsão à repetição” que Freud descreveu em relação à neurose individual é contemplado na dinâmica social, tão bem descrita no livro de vanguarda de W. Reich: Psicologia de Massas do Fascismo.

Reich foi um dos que, em um momento pós-bélico, retoma esse princípio libertário de cooperação e o integra aos seus conhecimentos caracteroanalíticos, defendendo um movimento social de “democracia do trabalho”, de autogestão em pequenos espaços sociais (que posteriormente se chamarão sistemas e ecossistemas): família, escola, coletivos, organizações. Locais onde é possível e realista começar a estabelecer atmosferas mais ecológicas e implementar os princípios de apoio mútuo e solidariedade. Sabendo que é precisamente nesses sistemas essenciais que eles sempre procuram apoiar e influenciar os estados de poder, impondo seus próprios valores retrógrados e interessados. Mas como sabemos que isso pode acontecer, tentaremos mudá-lo, porque são nossos espaços reais, aqueles que podemos gerenciar e naqueles em que não temos presença ativa -organizações burocráticas, municipais ou governamentais-, participaremos indiretamente, por meio de reivindicações funcionais e votos úteis.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão. Não esperemos que nos entreguem de mão beijada. Não esperemos que o governo nos dê um salário, nos dê uma casa, nos pague o aluguel, porque isso poderá fazer por um mês, dois, com alguns milhares de pessoas, mas não com todos. Sejamos nós, com nosso trabalho e com nossos recursos e capacidades, que devemos sentirnos capazes de fazê-lo. Ao mesmo tempo que transmitimos conhecimentos e denunciamos as fraudes e a desinformação dos usurários e daquel@s que se escondem atrás das lentes das promessas que nos chegarão.

Quadro The Earthly Paradise
The Earthly Paradise

Superemos a crise com nossa unidade, a partir da igualdade, da liberdade e da fraternidade, palavras regadas em uma época com o sangue de muitos e muitas. E com a cooperação e a prática de dinâmicas criativas, ecológicas e de autogestão em nossos coletivos ecologistas internacionais, ao mesmo tempo que reivindicamos ações políticas e mudanças legais, e apoiamos propostas válidas de políticos honestos e confiáveis, sabendo que a trama do poder econômico empregará seus mecanismos para freá-las.

Assim, portanto, “sejamos realistas, peçamos o impossível”, como se reivindicava no movimento francês de Maio de 68. Para que? Para poder trabalhar pelo possível, a partir dos nossos limites e do nosso ritmo ir avançando para poder constuir aquilo que sim, podemos: tentemos estabelecer relações humanas e ecológicas com nossos iguais; com nossos cônjuges, com nossos filhos e filhas desde o princípio da vida; nos espaços escolares e em nossos coletivos cotidianos. Criemos meios para poder ir transformando nossa percepção embrutecida, nosso constrangimento emocional e nossa rigidez caracterial em Estruturas Humanas, e das gerações futuras, com o objetivo que recuperem nossa capacidade de Viver e formar parte da “trama do Vivo” (Fritjof Capra).

Façamo-lo, “encarnando a vitalidade”, conceito que de maneira minuciosa pesquisou e definiu o grande neurocientista Antonio Varela. Isto é, encarnemos as impressões, ideias, sensações que podem estar em nossas cabeças, que podem ser muito bonitas e poéticas, mas podem não passar de meras ideias. Encarnemo-as sentindo a força que possuem quando as integramos com nosso ser, com nossos afetos, nossa sexualidade, nossa criatividade e nossa capacidade de amar. E juntemos nossos corpos e nossos seres, em uma rede forte e segura, que estabeleça a matriz necessária onde poder avançar com nossas capacidades, possibilidades e contribuições pelo caminho que antes de nós forjaram aqueles que viveram, lutaram e inclusive morreram por ele: o caminho que leva à Utopia.

Tudo isto recorda-me as palavras do escritor Ernesto Sábato, plasmadas em seu requintado libro Antes do fim, publicado em 1999: “Apenas aqueles que sejam capazes de encarnar a Utopia, estarão aptos para o combate decisivo, o de recuperar o quanto de humanidade tenhamos perdido”.

Saúde e Força,

Xavier Serrano Hortelano
Psicólogo especialista em Psicologia Clínica. Psicoterapeuta caracteroanalítico. Exerce sua atividade clínica em Valência (Espanha) desde 1985. Diretor da Escuela Española de Terapia Reichiana (Es.Te.R.)
El Puig (Valencia), 15 de Abril de 2020

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Família e amamentação: fonte de vitalidade! https://minasi.com.br/familia-e-amamentacao-fonte-de-vitalidade/ https://minasi.com.br/familia-e-amamentacao-fonte-de-vitalidade/#comments Sun, 20 Oct 2019 15:20:18 +0000 https://minasi.com.br/?p=1821 A AMAMENTAÇÃO INFANTIL é uma época em que a mãe e o bebê se alimentam do toque, contato, do olhar, calor, pele e proteção da família. Estamos em um momento crucial em que, pela primeira vez, começamos a reconhecer as necessidades biopsicológicas das criaturas humanas . Sabemos que características humanas como a vitalidade, a maneira de perceber, sentir e até se relacionar começam a ser organizadas a partir do útero, e até o caráter está sujeito a esses primeiros anos de vida humana. Qualidades, capacidades e valores humanos fundamentais que continuarão a se desenvolver ao longo do amadurecimento da criança.

Quando nascemos, o crescimento fisiológico se torna a ingestão de leite; no entanto, a maturação psíquica e emocional depende em grande parte do alimento afetivo. Durante esta fase, as conseqüências energéticas de uma função materna extremamente fraca ou desconfortável podem ser refletidas através das diferentes dificuldades tanto nas mães quanto nas crias, afetando diretamente o tipo de vínculo entre os dois.

Nils Bergman, especialista em perinatal, alerta há anos como, nas sociedades modernas, muitas vezes os recém-nascidos são deixados sozinhos, separados da mãe, até ignorando o choro, pensando que de alguma forma isso os tornará mais fortes. Há famílias que, em vez de amamentar, preferem dar a mamadeira com uma fórmula química, no lugar do leite natural que vem da mãe. Essas mudanças na própria fisiologia humana estão mudando até o comportamento das mães.

Francoise Doltó, médica, pediatra e psicanalista alerta sobre como a excessiva intervenção do sistema hospitalar atual durante o parto causa alterações no início do relacionamento entre mãe e recém-nascido, dando origem ao aparecimento de processos patológicos que podem afetar o maior desenvolvimento e até a vida adulta.

O cientista e psicanalista Wilhelm Reich, pioneiro da psiquiatria social, dedicou parte de sua pesquisa para proteger nossas  crianças do futuro , demonstrando como,  desde o útero, o bebê está fisicamente e psicologicamente conectado à mãe através do cordão umbilical. Essa ligação foi chamado a primeira boca grande. A partir de sua pesquisa, podemos elucidar como a função alimentar foi desenvolvida em bebês. Neste  link  Xavier Serrano Hortelano, diretor da escola de terapia reichiana, esclarece  questões diferentes sobre a relação entre amamentação e vida sexual em família. 

chupando

Se fizermos uma análise do leite de diferentes mulheres, encontraremos diferentes tipos de moléculas, algumas estão associadas aos estados de alegria, felicidade e bem-estar e outras, aos de tristeza, angústia e dor. Os primeiros são perfeitos para a amamentação, os segundos em níveis elevados poderiam causar diferentes dificuldades durante o processo de amamentação, ao ponto do bebê rejeitar o seio da mãe. Mesmo a tensão corporal excessiva no corpo da pessoa que desempenha a função materna pode causar sentimentos de falta de segurança nas crias.. Como podemos ver, a saúde psicológica, emocional e física de noss@s filh@s está diretamente ligada às experiências vividas durante esses primeiros anos; portanto, dependendo do ambiente familiar em que estão, separações forçadas antes do primeiro ano não são nada recomendas.

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Depois de ler este artigo, você pode se sentir motivado a amamentar, guiado pelos inúmeros benefícios, que, como pai ou parceiro, incentiva a mãe e prepara tudo para acompanhá-la a amamentar. Por qualquer que seja a razão, depois de organizar tudo, de muitas tentativas e esforços, não for possível amamentar no peito, o melhor é manter a calma. A criança precisa acima de tudo é do seu sistema familiar, é da paz, é do amor e é da proteção. Hoje, temos certeza de que, em tais circunstâncias, uma  amamentação à base de leite materno através da mamadeira sempre que é feita com amor pode ser outra genuina possibilidade. O mais importante você já tem que é o lar, é cuidar de si mesmo e acompanhar os ritmos e necessidades do sistema familiar.

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Cada família é diferente e o que funciona para algumas pode não funcionar para outras. Assim, a mãe, o pai ou a figura afetiva, suficientemente boa, ao se referir a este vídeo de Winnicott, serão aqueles que cuidam do bem-estar do bebê e do seu.

A verdade é que, embora até recentemente não sabíamos o valor e a importância desses primeiros anos, mas se nos deixássemos ouvir, em cada um de nós algo muito profundo nos conecta às emoções daqueles bebês que fomos, sensações internas que freqüentemente permanecem muito presentes no inconsciente, mesmo se fazemos terapia, tentamos esquecê-las ou até lembrá-las.

Quem sabe se por trás da dificuldade de ter empatia com outras pessoas, animais e meio ambiente, se por trás de dependências emocionais, falta de habilidades sociais, distúrbios alimentares, corpos extremamente magros ou obesos, não encontremos em nosso interior, presas e escondidas aquelas crianças imaturas que fomos. Filhos de famílias em que as mães vivem secretamente seus medos por vergonha de expressar o que estavam sentindo no fundo. Mães hiper protetoras ou hiper trabalhadoras, pais frios, casamentos sem amor, gravidez, amamentação e educação, que não foram escolhidas.Homens e mulheres, filhos de pais e mães com grandes dificuldades para o contato emocional, às vezes violentos e geralmente ausentes. Experiências afetivas, silenciadas, famílias que tinham o suficiente para sobreviver e progredir.

A intenção é que essas palavras nos ajudem a começar a  olhar e refletir sobre nossas próprias experiências de infância. Você já se perguntou como foi seu nascimento, sua amamentação ou a de sua mãe, pai, avô, avó? Uma pergunta que não podemos deixar de nos perguntar, se levarmos em conta que nosso humor, vitalidade e emoções estão diretamente relacionados à vida de mulheres e homens de cada sistema familiar e árvore genealógica.

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