terapia reichiana https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Fri, 25 Jul 2025 19:57:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 terapia reichiana https://minasi.com.br 32 32 103183256 Resignação x aceitação https://minasi.com.br/resignacao-x-aceitacao/ https://minasi.com.br/resignacao-x-aceitacao/#respond Fri, 25 Jul 2025 19:57:15 +0000 https://minasi.com.br/?p=4442

Resignação x aceitação: corpo, filosofia e psicologia em diálogo

Resumo:

Este artigo examina a distinção crucial entre resignação e aceitação enquanto respostas a situações adversas. Através de perspectivas filosóficas (estoicismo, budismo, existencialismo) e psicológicas (Terapia de Aceitação e Compromisso – ACT e Psicologia Corporal Reichiana), demonstra-se que, embora ambos os conceitos envolvam o reconhecimento de limitações, diferem radicalmente em sua natureza, consequências existenciais e potencial transformador. A resignação caracteriza-se por passividade e desesperança, enquanto a aceitação emerge como um ato consciente que preserva a atuação humana e abre caminho para ações alinhadas a valores.  

Palavras-chave: Resignação, Aceitação, Filosofia, Psicologia, Estoicismo, ACT, Enfrentamento, Sofrimento, Corpo, Couraças musculares.  

1. Introdução  

A experiência humana inevitavelmente confronta-se com circunstâncias indesejadas, limitantes ou dolorosas. Diante delas, duas respostas aparentemente similares, mas ontologicamente distintas, emergem: a resignação e a aceitação. Frequentemente confundidas na linguagem cotidiana, estas posturas representam modos radicalmente diferentes de se relacionar com o sofrimento e a finitude. Este artigo articula as distinções entre esses conceitos, explorando suas fundamentações na tradição filosófica ocidental e oriental, e na psicologia contemporânea, argumentando que a aceitação, ao contrário da resignação, constitui um caminho para a liberdade interior e a ação significativa.  

2. Definições Conceituais Fundamentais  

2.1. Resignação  

Caracteriza-se por uma capitulação passiva diante do inevitável, marcada pela percepção de impotência e ausência de alternativas (Benitez, 2019). Envolve:  

  • Desistência sem transformação;  
  • Foco exclusivo na perda/limitação;  
  • Emoções associadas: desesperança, amargura, vitimização.  

2.2. Aceitação  

Define-se como o reconhecimento ativo e consciente da realidade presente, sem negá-la ou lutar contra ela (Hayes et al., 2012). Pressupõe:  

  • Clareza cognitiva sobre o que pode/não pode ser alterado;  
  • Redirecionamento da energia para áreas de agência;  
  • Emoções associadas: serenidade, engajamento com a vida.  

3. Perspectivas Filosóficas  

3.1. Estoicismo: A Dicotomia do Controle  

Os estoicos (Epicteto, Sêneca, Marco Aurélio) estabeleceram a base teórica ao distinguir entre o que está sob nosso controle (julgamentos, ações) e o que não está (eventos externos). A aceitação (amor fati) é ativa:  

Aceitar os acontecimentos é o caminho para a liberdade” (Epicteto, Encheiridion, §1).  

A resignação, por sua vez, nega a própria liberdade interior (Irvine, 2008).  

3.2. Budismo: Impermanência e Não-Apego  

O budismo enfatiza a aceitação radical da impermanência (anicca) como antídoto ao sofrimento (dukkha). A aceitação plena (mindfulness) permite responder à dor sem aversão ou apego, diferindo da resignação que cristaliza o sofrimento (Rahula, 1974).  

3.3. Nietzsche: Amor Fati como Afirmação  

Em Nietzsche, aceitar não é suportar passivamente, mas afirmar ativamente o destino:  

Quero aprender cada vez mais a ver o necessário nas coisas como belo” (Gaia Ciência, §276).  

A resignação seria uma negação da vontade de poder (Young, 2010).  

4. Perspectivas Psicológicas  

4.1. Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)  

A ACT opera a distinção de forma pragmática:  

  • Resignação = Evitação experiencial + Paralisia;  
  • Aceitação = Abertura à experiência + Ação engajada (Hayes et al., 2012).  

Aceitar é “fazer espaço” para o desconforto a fim de agir conforme valores pessoais (Harris, 2019).  

4.2. Evidências Empíricas  

Estudos demonstram que a aceitação:  

  • Reduz sofrimento secundário (Kohl et al., 2012);  
  • Correlaciona-se com resiliência e bem-estar (Fledderus et al., 2010);  
  • A resignação associa-se a sintomas depressivos (Nolen-Hoeksema, 2000).  

5. Síntese Comparativa  

Critério

Resignação

Aceitação

Atitude

Passiva

Ativa e consciente

Foco

Perda/Impotência 

Realidade presente

Agência

Negada

Redirecionada

Consequência

Paralisia, depressão

Engajamento vital

Relação com a dor

Amplificação do sofrimento

Redução do sofrimento 

6. Psicologia Corporal Reichiana: A Somatização da Resignação e Aceitação  

A abordagem desenvolvida por Wilhelm Reich (discípulo dissidente de Freud) introduz uma dimensão somática fundamental na compreensão desses estados. Para Reich, os processos psíquicos manifestam-se diretamente no corpo através de padrões de tensão muscular crônica (“couraças caracteriais”).

6.1. O Corpo Resignado: Anatomia da Capitulação 

Reich descreve a resignação como uma imobilização bioenergética com manifestações corporais específicas (Reich, 1949):  

  • Retração axial: Colapso postural (ombros caídos, coluna cifótica, cabeça projetada à frente)  
  • Respiração deprimida: Padrão respiratório superficial com bloqueio diafragmático (“suspensão do suspiro”)  
  • Energia estagnada: Diminuição da pulsação vital (peristaltismo reduzido, pele pálida, extremidades frias)  
  • Expressão facial: Máscara de desespero passivo (musculatura frontal imobilizada, cantos da boca caídos)  

Nas palavras de Lowen (1971), “o corpo resignado é um monumento à rendição: seu peso morto puxa a alma para o chão” (p. 89). Essa configuração corresponde ao traço de caráter masoquista na tipologia reichiana, onde a impotência psíquica cristaliza-se como contração muscular crônica.

6.2. O Corpo que Aceita: Fisiologia da Presença

A aceitação, na perspectiva reichiana, manifesta-se como fluxo energético integrado (Reich, 1942):  

  • Verticalidade viva: Coluna ereta sem rigidez, apoio pélvico equilibrado  
  • Respiração pulsátil: Movimento diafragmático amplo com expansão abdominal natural  
  • Vascularização periférica: Pele rosada, mãos quentes, pulsação rítmica perceptível  
  • Expressão fluida: Mobilidade facial congruente com estados emocionais  

Como observa Keleman (1985), “A aceitação é um ato somático: é o corpo dizendo ‘sim’ ao movimento da vida, mesmo na dor” (p. 112). Essa organização corporal corresponde ao princípio de autorregulação orgásmica, onde a energia vital (orgone) circula sem bloqueios.

6.3. Transição Somatopsíquica  

A terapia reichiana demonstra que a passagem da resignação à aceitação envolve:  

  1. Flexibilização das couraças: Trabalho corporal para liberar segmentos tensionados (ocular, oral, torácico)  
  2. Restabelecimento da pulsação: Exercícios de respiração para restaurar a onda peristáltica  
  3. Grounding: Reconexão com o apoio pélvico e contato com a terra (Lowen, 1976)  

“Onde a resignação contrai, a aceitação expande; onde uma paralisa, outra pulsa” (Heller, 2012, p. 74)

7. Síntese Comparativa Ampliada  

Dimensão

Resignação

Aceitação

Postura

Colapso axial, ombros caídos 

Alinhamento vertical sem rigidez 

Respiração

Superficial, bloqueio diafragmático

Profunda, onda abdominal natural

Fluxo Energético

Estagnação (couraças torácicas)

Pulsação (movimento peristáltico)

Expressão Facial

Máscara de desespero passivo

Mobilidade congruente 

Tônus Muscular

Hipotonia crônica ou rigidez paralisante

Tônus vibrátil e responsivo

8. Conclusão Integradora  

A resignação configura-se como um túmulo somático onde a impotência psíquica cristaliza-se em couraças musculares, enquanto a aceitação emerge como palavra corporal do possível. A perspectiva reichiana revela que essa transição não é apenas cognitiva, mas uma reconfiguração total do organismo. Como propõe a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) aliada à somática, a verdadeira aceitação é o gesto encarnado – um sim biológico que precede o sim existencial.

Referências 

  • Benitez, L. (2019). Resignation and Its Discontents. Philosophy Today, 63(2), 345–361.  
  • Epicteto. (século II). O Encheiridion de Epicteto: Edição Bilíngue. Infographics Gráfica & Editora.
  • Fledderus, M. et al. (2010). Acceptance and Commitment Therapy as Guided Self-Help for Psychological Distress. Behaviour Research and Therapy, 48(8), 728–736.  
  • Harris, R. (2019). ACT Made Simple: Guia Fácil de Terapia de Aceitação e Compromisso (2ª ed.). New Harbinger.  
  • Hayes, S. C. et al. (2012). Acceptance and Commitment Therapy: The Process and Practice of Mindful Change (2ª ed.). Guilford Press.  
  • Irvine, W. B. (2008). A Guide to the Good Life: The Ancient Art of Stoic Joy. Oxford University Press.  
  • Kohl, A. et al. (2012). A eficácia das intervenções baseadas na aceitação para a dor crônica: uma meta-análise. Pain, 153(3), 533–542.  
  • Nietzsche, F. (1882). A Gaia Ciência. (Edição crítica: Colli & Montinari).  
  • Nolen-Hoeksema, S. (2000). The Role of Rumination in Depressive Disorders. Annual Review of Clinical Psychology, 3, 209–232.  
  • Rahula, W. (1974). What the Buddha Taught. Grove Press.  
  • Young, J. (2010). Nietzsche’s Philosophy of Religion. Cambridge University Press.  
  • Heller, L. (2012). Healing Developmental Trauma. North Atlantic Books.  
  • Keleman, S. (1985). Anatomia Emocional. Center Press.  
  • Lowen, A. (1971). A Linguagem do corpo. Collier Books.  
  • – **Lowen, A.** (1976). *Bioenergética*. Penguin Books.  
  • – **Reich, W.** (1942). *A Função do Orgasmo*. Farrar, Straus & Giroux.  
  • – **Reich, W.** (1949). *Análise do Caráter*. Farrar, Straus & Giroux. 
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O corpo, esse tagarela! https://minasi.com.br/o-corpo-esse-tagarela/ https://minasi.com.br/o-corpo-esse-tagarela/#respond Wed, 11 Dec 2019 14:19:28 +0000 https://minasi.com.br/?p=1848 Wilhelm Reich foi o precursor das psicoterapias corporais. Desde sua época enquanto psicanalista seguidor de Freud, sempre inseriu o corpo em seu processo analítico.

Mas foi quando Reich tirou o paciente do divã freudiano para colocá-lo sentado em uma poltrona, foi que conseguiu visualizar de forma mais clara a linguagem dos sinais e a comunicação do corpo. O caráter é a forma do indivíduo agir e reagir por intermédio de seu comportamento. Ele expressa nosso temperamento e nossa personalidade.

Não há um comportamento sem esforço muscular e se essa necessidade de expressar-se for impedida por uma repressão ou um estresse, a emoção fica retida nos músculos e forma a couraça.  A couraça, portanto, manifesta-se no corpo. É uma emoção congelada.

Portanto, o corpo fala. Expressa nossos sentimentos, nossos desejos, nossas frustrações. Essa é a leitura de sinais que podemos observar nas pessoas.

Mas, além disso, o corpo registra nossa história. Tudo o que acontece de ruim em nossas vidas, trazem marcas na mente e no corpo. Assim, nosso corpo vai se moldando como uma arvore. Se ela estiver num deserto árido, vai crescer fraca, torta. Se estiver num campo que sofre as intempéries como frio, seca, chuva em excesso, etc, vai crescer de forma desproporcional. Se estiver em um terreno com solo em cuidado e não sofrer quase nada, vai crescer bela e frondosa. O corpo humano também é assim. Se for gerado e desenvolvido em um ambiente hostil, vai ter problemas na mente que irá se refletir no corpo. Isso é o caráter.

O corpo é um registro da nossa história.

Portanto, do ponto de vista reichiana, na análise reichiana trabalhamos com a leitura dos sinais e do caráter. Um está diretamente ligado ao outro.

Analisar os sinais e o caráter do paciente dentro do processo psicoterapêutico temos uma direção do caminho a tomar para montarmos um projeto de tratamento para cada paciente e dessa forma, ajudá-lo a tomar consciência de seus comportamentos de forma modificá-los.

Leitura de sinais

Em se tratando da leitura de sinais, podemos considerar o significado de alguns deles enquanto o paciente está dentro do consultório psicológico, coo por exemplo:

  • Testa franzida em direção ao nariz = desconfiança.
  • Sobrancelhas elevadas e testa franzida = espanto.
  • Olhos arregalados = medo, apreensão.
  • Morder os lábios = receio em falar ou não alguma coisa.
  • Franzir o canto da boca = descontentamento.
  • Projetar o queixo = auto-afirmação, desafiar.
  • Pescoço duro = controle
  • Ombros erguidos = receio, medo de ser repreendido.
  • Ombros para frente e peito apertado = medo de ser invadido.
  • Ombros para trás e peito estufado = desafiar, mostrar poder.
  • Nádegas apertadas = medo de fazer algo errado

Enfim, esses são apenas alguns exemplos que podemos considerar numa leitura de sinais.

O corpo é uma máquina do tempo: mostra nossa história.

Leitura do caráter

Em se tratando da leitura do caráter é quando olhamos o corpo como um todo e em suas partes considerando que a neurose está congelada no corpo em forma de couraça e isso molda o corpo de acordo com a história pessoal de cada pessoa. Sem desconsiderar a constituição genética, podemos perceber que algumas pessoas tem os olhos menos expressivos que outras, tem a mandíbula mais tensa, o pescoço mais endurecido, ombros mais erguidos, costas mais largas e duras, etc. Essa formação física, está também ligada ao caráter.

Para considerar a leitura do caráter, Reich mapeou o corpo em sete segmentos de couraça. E o bloqueio em cada um desses segmentos poderá ser hipoorgonótico (pouca energia) ou hiperorgonótico (muita energia). Mas não entraremos nesses detalhes nesse texto.

Portanto, indicaremos na sequencia como ficam as partes do corpo quando estão encouraçadas e qual a ligação disso com os traços de caráter. É importante considerar que o que causa a couraça é o estresse sofrido pela criança desde sua gestação, sempre ligado ao medo.

Para identificarmos os traços de caráter de uma pessoa, devemos considerar três condições:

Segmentos de couraça

a) Leitura corporal – que é feita com a observação do corpo e suas couraça;

b) Massagem reichiana – que identifica por meio do toque os pontos tensos (encouraçados) do corpo;

c) Anamnese, histórico e comportamento do indivíduo – que são as informações colhidas verbalmente quando o paciente está em terapia, mas a observação do terapeuta ao comportamento do paciente.

 Somente considerando essas três condições é que podemos ter uma identificação clara dos traços de caráter de uma pessoa.

Mas a proposta aqui é falar apenas da primeira condição (leitura corporal) e do que é visível no corpo, seguindo o mapeamento emocional das couraças feito por Reich, sem precisarmos tocar ou termos dados do histórico do paciente e relacionar essa leitura ao caráter. Então, apresentamos um pequeno, um pequeníssimo resumo de algumas partes do corpo que são visíveis quando encouraçadas e que podemos relacionar ao caráter para que você possa ter apenas uma breve idéia de como é feita esse leitura do caráter por meio do corpo.

Olhos

Olhos

Os olhos fazem parte do primeiro segmento de couraça mapeados no corpo por Reich, chamado de segmento ocular. Quando encouraçados, visivelmente podemos observar olhos sem brilhos, vazios, duros, arregalados ou caídos, etc. Em termos de comportamento, a couraça nos olhos compromete a percepção do indivíduo dele mesmo e do mundo em que vive, dando a ele ou ela uma condição de fantasia, falta de foco, desatenção, etc. Esse bloqueio nos olhos, quando total, designa o indivíduo psicótico e quando parcial, na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Núcleo Psicótico.

Pele

Pele

Também faz parte do primeiro segmento de couraça (ocular) e está ligada ao toque. Quando encouraçada visivelmente podemos observar uma pele sem brilho, enrugada, desidratada, ressecada, etc. Em termos de comportamento, a couraça na pele compromete o toque que por sua vez propicia o vínculo, a aceitação do outro e coloca a pessoa numa situação de isolamento do convívio social. Esse bloqueio é característico do indivíduo que na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Núcleo Psicótico.

Boca

A boca faz parte do segundo segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento oral. Quando encouraçada visivelmente podemos observar uma boca tensa, com movimentos rígidos da mandíbula, lábios apertados, ou então uma boca grande, mas sem energia, sem vida do tipo que popularmente chamamos de “boca mole”, etc. Em termos de comportamento, aqui podemos falar de um indivíduo quando tem uma oralidade reprimida ou insatisfeita. Quando reprimida é porque não mamou ou mamou pouco no peito e isso lhe dá uma condição de repressão, isolamento, timidez, boca apertada, etc. Quando insatisfeita é porque mamou um certo tempo e foi desmamado bruscamente ou mamou muito, além do que deveria e isso Le confere uma condição comportamental de insatisfação na vida, querer sempre mais, etc. E nesse caso, sua boca é grande. Em geral, a couraça no segmento oral compromete a autonomia porque são pessoas que vivem em busca de relacionamentos, parceiras para se “escorar” porque apresentam dificuldades em tocar a vida sozinhas. Esse bloqueio é característico do indivíduo que na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Borderline.

Pescoço

Pescoço

O pescoço faz parte do terceiro segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento cervical. É considerado a sede do autocontrole. Quando encouraçado pode estar ligado a várias estruturas de caráter, como veremos. Visivelmente podemos observar um pescoço tenso, duro, projetado para frente (quando o indivíduo tem um traço de caráter oral), enterrado nos ombros (quando tem um traço de caráter masoquista), apenas tenso (quando o indivíduo tem um traço obsessivo-compulsivo) ou endurecido com o queixo elevado, numa atitude soberba (quando o indivíduo tem um traço narcisista).

Peito

Peito

O peito faz parte do quarto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento torácico. Quando encouraçado, também pode estar ligado a algumas estruturas caracterológicas. Visivelmente podemos observar, por exemplo, quando murcho, sem energia, como se estivesse vazio ou “triste”, está ligado ao caráter borderline. Quando estufado, ao caráter fálico-narcisista e histérico.

Diafragma

O diafragma faz parte do quinto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento diafragmático. Quando encouraçado, visivelmente podemos observar uma linha logo abaixo das costelas, laterais do corpo e nas costas. E sempre iremos perceber uma lordose diafragmática que é quando as vértebras da coluna lombar se desalinham formando um sulco na coluna em função do bloqueio do diafragma. Esse bloqueio pode estar ligado a todas as estruturas de caráter visto que todos nós somos em alguma medida mais ou menos ansiosos, mas é mais comum encontrarmos o bloqueio no caráter masoquista. No caso do masoquista, é visível também a ausência de cintura. Ele é todo reto nas laterais do corpo. Em termos de comportamento, a couraça no diafragma traz uma manifestação de ansiedade.

Abdômen

Barriga pra dentro, peito pra fora!

O abdômen faz parte do sexto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento abdominal. É um segmento que está ligado em sua parte superior ao diafragma e em sua parte inferior à pelves. Quando encouraçado, visivelmente podemos observar um abdômen flácido ou estufado (característico do borderline) ou tenso e duro (característico do masoquista e obsessivo-compulsivo). Também é visível os músculos lombares contraídos em decorrência de um “medo de ser atacado pelas costas”. Em termos de comportamento, a couraça no abdômen traz um padrão de querer possuir, retenção, avareza, tendência a dar ou a reter, etc. Em termos de comportamento, quando a tendência da pessoa é de reter (masoquista e obsessivo-compulsivo), geralmente são pessoas mais egoístas, avarentas, que não conseguem expressar seus afetos pelos outros. Sofrem de prisão de ventre e vivem constantemente “enfezadas” tanto no sentido fisiológico (acúmulo de fezes) ou emocional (raivosa). Quando a tendência é de soltar mais (oral), geralmente são pessoais mais afetivas e que querem sempre ajudar o próximo, às vezes num tom exagerado demais.

Pelves

A pelve faz parte do sétimo segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento pélvico. O bloqueio nesse segmento é decorrente do medo da castração ligada à situação edipiana que não conseguiu vivenciar de forma saudável que desenvolve um superego rígido, medo do julgamento, sexualidade invasora no sentido de que amam tudo que seja explosão de vida, mas são egocêntricos e querem ser sempre o centro do mundo. É um bloqueio presente em todos os traços de caráter, mas mais comumente encontrado no masoquista, no obsessivo-compulsivo e no histérico. O masoquista terá uma pelve retraída, nádegas apertadas com glúteos praticamente ausentes. A parte interna das coxas são tensas. O obsessivo-compulsivo terá uma pelve rígida e tensa. Seu movimento de quadril é duro como um bloco de concreto.  Já no histérico, o corpo mais harmônico, com andar sensual, quadril largos, etc. Mas o bloqueio da pelve mostra uma anteversão, projetada para dentro ou para fora, demonstrando seus conflitos com a sexualidade.

Bem, é isso. Mas queremos alertar aos que pretendem fazer uso desse recurso em seu trabalho, seja em psicoterapia, seja em qualquer outra situação, que não use isso como um “manual de banca de revistas”. Considere que o corpo fala, mas que precisamos saber em qual situação ele está “falando” e o que quer comunicar. Portanto, não interprete, mas analise. Interpretação é subjetiva e sempre de acordo com o terapeuta, inclusive com suas limitações, seus traços de caráter e suas couraças. Análise é de acordo com o que o paciente te mostra, vê, enxerga, etc, onde juntos, podem encontrar caminhos para ajuda-lo a resolver seus conflitos, flexibilizar suas couraças e ter uma vida mais saudável.

Artigo de Autoria do Prof. Dr. José Henrique Volpi, publicado no website do Centro Reichiano.

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A Terapia Reichiana e o Eneagrama https://minasi.com.br/a-terapia-reichiana-e-o-eneagrama/ Sat, 15 Sep 2018 14:39:13 +0000 https://minasi.com.br/?p=1476 Muitas vezes sabemos qual é a causa da nossa dor emocional e no entanto, não encontramos uma maneira de fazer as mudanças necessárias para alcançar um dia-a-dia mais feliz. A Terapia Corporal e Eneagrama é um trabalho físico, emocional e energético adaptado à personalidade de cada um para conseguir uma profunda transformação que se reflete na convivência como casal e com outras pessoas.

Experiências corporais

O Eneagrama clássico – a teoria da personalidade desenvolvida Oscar Ichazo e o psicólogo Claudio Naranjo nas décadas de 1960 e 1970 – fornece uma estrutura de nove personalidades ou eneatipos, e cada um deles propõe experiências, práticas corporais e emocionais.

Estas experiências modificam a estrutura da couraça muscular que nos condicionam. Ao se livrar delas, as mudanças são possíveis na atitude e no modo de se relacionar com os outros.

Identificar a angústia da criança

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Conhecendo os outros

O conhecimento dos eneatipos serve para entender melhor a si mesmo e as pessoas ao seu redor. Mostra-nos como cada um trabalha e produz uma mudança de olhar, nos torna mais compassivos e empáticos nas relações com os outros.

De você para você

Terapia Corporal e Eneagrama serve para parar de olhar a si mesmos e aos outros com óculos simplistas, de modo que abandonamos o uso da culpa e das demandas e começamos a nos relacionar como iguais.

O que é Caráter?

Do ponto de vista do Eneagrama, o caráter de cada pessoa é uma estrutura que se desenvolve na infância para evitar ou se adaptar a uma série de situações que são dolorosas ou angustiantes. Esse caráter ou eneatipo finalmente se cristaliza no final da adolescência, quando a pessoa termina seu processo de crescimento psíquico, físico e emocional.

O problema da couraça.

couraC3A7a-reichMas o que desenvolvemos não é apenas uma série de idéias ou crenças mais ou menos precisas sobre si mesmo ou sobre o mundo.

Cada tipo é definido por uma cadeia de reações e bloqueios corporais crônicos que constituem uma couraça física e emocional autêntica, limitante e que permite apenas um único padrão de funcionamento e relação.

Sugador de energia.

Esta couraça nos protegeu durante a infância e ao mesmo tempo reduziu nossa energia disponível para a vida, já que uma grande parte é deslocada como supressor, para conter a angústia de possíveis desastres: falta de amor, abandono, rejeição, falta de atenção… A couraça é responsável por sensações de desprazer em nosso corpo e ela nos dá a impressão de tropeçar sempre na mesma pedra dentro do relacionamento.

Desenvolver o potencial

Quando nos tornamos adultos, temos a possibilidade de superar os padrões limitantes e liberar a energia necessária para continuar nosso crescimento. Pode-se afirmar que, se permanecermos estagnados ou fixados em nossa couraça corporal, deixamos de ter metade da energia para dedicar ao crescimento pessoal.

Da teoria à prática efetiva

Muitas pessoas ouviram falar do Eneagrama ou leram um livro e, por curiosidade, tentam incorporá-lo em sua vida, mas o vêem como um sistema semelhante ao horóscopo. Perguntas do tipo são perguntadas: que número eu sou, que número é meu parceiro ou como posso alterar o número ou o tipo, qual é o melhor?

Essas pessoas buscam um elemento transformador, pois sentem a insatisfação de viver “no copo meio vazio”. A vivência do Eneagrama no corpo propõe uma prática abrangente que amplia a capacidade de se conectar profundamente consigo mesmo e com os outros.

UM MÉTODO PARA TRANSFORMAR-SE

Algumas pessoas que conheceram o Eneagrama  em cursos ou Workshops, tanto teóricas quanto vivencias podem sair com convicções assim “Eu sou um 6 então eu já compreendo o que acontece comigo” ou na dúvida “não sei se eu sou um 2 ou um 4”, mas são ideias que os prendem mais em seu caráter. Na verdade, o objetivo do Eneagrama é a transformação. É uma ferramenta valiosa para saber qual caminho que uso para minhas neuroses. Mas também mostra como “deixar de sê-lo“. Se você se trás o Eneagrama para o corpo, e não apenas para o conhecimento e vontade, você embarca em um caminho de transformação pessoal.

Remova a tapa-olhos

O primeiro passo é entender que o número ou o eneatipo é uma maneira de se desconectar de si mesmo e se tornar um autômato. O segundo, é identificar qual é a couraça corporal do seu Eneatipo e começar a trabalhar para afrouxar, e o terceiro e último passo é ver quais aspectos emocionais devem ser desenvolvidos. O próximo desafio é trabalhar o Eneatipo nos relacionamento: é aí que os mecanismos automáticos são acionados e se perde o contato com a própria essência. Um bom exercício pode ser perceber o que exigimos do outro não-verbalmente. O que queremos da outra pessoa e não de nós ousamos dizer isso em voz alta?

No casal

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A Fixação no padrão faz com que os casais entrem em dinâmicas doentias. Pode parecer que tudo está indo bem, mas há uma distância física profunda ou uma desconexão emocional em relação às relações sexuais. Nesses casos, é onde a corporalidade do eneatipo mais age, que não é controlável e mostra a verdade de nosso caráter. É no mundo dos relacionamentos e do casal onde a Terapia Corporal e o Eneagrama é mais efetivo, pois amplia a capacidade de intimidade e liberação dos antigos comportamentos automáticos e, portanto, do medo da entrega e do contato real com o outro.

UM EXERCÍCIO PARA CADA ENEATIPO

Em uma sessão de Terapia Corporal e Eneagrama , a dinâmica e os exercícios estimulam a transformação que cada pessoa requer com base em seu caráter de base.

1. O perfeccionista
DESCRIÇÃO: procura o amor sendo perfeito. Muito autocrítico, meticuloso e rígido, tenta “ser bom”.
EXERCÍCIO: a pessoa se deita e o terapeuta que o ajuda gentilmente move os membros de maneira improvisada. Os movimentos devem ser suaves, mas desordenados e imprevisíveis. A pessoa deitada deve simplesmente se deixar fazer, com o corpo completamente solto e deixando as articulações livres.
2. O ajudador
DESCRIÇÃO: o amor aos outros é garantido oferecendo ajuda, mesmo que eles esqueçam suas próprias necessidades.
EXERCÍCIO: Como pessoas muito dependente dos outros, elas têm dificuldade em manter seu próprio eixo físico. A proposta consiste em andar com o olhar centrado em um ponto, com a coluna ereta e evitando muito balanço dos ombros e quadris. Mesmo que isso lhes custe, ajuda-os a centrar a atenção.
3. O empreendedor
DESCRIÇÃO: quer ganhar o amor dos outros através das realizações e da imagem.
EXERCÍCIO: são pessoas vigilantes que acham difícil relaxar. O exercício consiste em equilibrar a respiração: inspira-se contando 5 segundos, o ar é retido por mais 5 segundos, é exalado durante 5 segundos e o mesmo tempo é esperado antes de inspirar novamente. Pode ser repetido várias vezes.
4. O romântico
DESCRIÇÃO: ele anseia por amor quando está ausente ou não o tem, mas fica desapontado quando está perto.
EXERCÍCIO: são pessoas que têm dificuldade em manter os pés na terra Portanto, os exercícios com os pés os ajudam. Por exemplo, pise em uma bola de tênis e massageie a planta dos pés com ela enquanto tenta soltar e expandir sua respiração. Em seguida, é verificado se a qualidade do contato com o solo foi alterada.
5. O observador
DESCRIÇÃO: ele se sente desconfortável com a intensa emoção em público e valoriza muito a sua independência.
EXERCÍCIO: a proposta é deitar-se no chão e alongar muito, pouco a pouco, enquanto tomam o máximo de ar, para depois recuar para uma posição fetal, e ir lentamente expirando o ar. 
Isso os oxigena e os ajuda a desdobrar seu corpo além do usual, tomando presença.
6. O soldado
DESCRIÇÃO: leal, mas questiona o amor e a possibilidade de um futuro promissor. Teme a perda.
EXERCÍCIO: muito vigilante e com controle excessivo, faz bem a eles o mesmo exercício do Eneatipo 3, mas na companhia de alguém amigável que lhes gentilmente seguram a cabeça e giram lentamente. É um exercício difícil, mas, finalmente, muito relaxante e excitante para este Eneatipo.
7. O epicurista
DESCRIÇÃO: anseia por uma vida fabulosa. Ele se sente atraído pelo prazer e vive o amor como uma aventura.
EXERCÍCIO: ajuda-os um exercício que combina atenção e respiração. Sentado em postura de meditação, de frente para uma vela, a uma distância de aproximadamente 40 cm, respira-se devagar  por dez minutos, de forma que a chama se mova. Evitar se evadir mentalmente e manter cabeça e coluna alinhadas.
8. O chefe
DESCRIÇÃO: expressa amor através da proteção e poder. É intenso e evita depender do outro.
EXERCÍCIO: essas pessoas acham difícil treinar habilidades motoras sutis e finas. Proponho um exercício com um balão: você deve inflá-lo e movimentar-se pela sala sem tocá-lo com as mãos e sem cair. Se cair, nada acontece, apenas comece de novo. Quando se soltar mais, pode ser feito com música.
9. O mediador
DESCRIÇÃO: É mais fácil para ele saber o que você não quer do que ele quer, já que ele teme o conflito.
EXERCÍCIO: Este Eneatipo se assemelha ao 5 em tudo relacionado ao seu excessivo controle emocional. O exercício básico é o mesmo, mas neste caso recomendo fazê-lo na companhia de alguém que se ponha alguma resistência ou obstáculo aos movimentos corporais de contração e expansão.
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Uma terapia do corpo, através do corpo https://minasi.com.br/uma-terapia-do-corpo-atraves-do-corpo/ Tue, 20 Mar 2018 17:57:56 +0000 http://minasi.com.br/?p=1209 Wilhelm Reich foi um aventurado pesquisador, defensor da vida e da ação social que nasceu no agora extinto Império Austro-Húngaro, em 1897. Ele se tornou o mais novo e mais proeminente discípulo de Sigmund Freud, e desde então, ele foi reconhecido como um cientista que trouxe grandes contribuições para o mundo da psicanálise e de forte envolvimento político. Reich criou o SEXPOL (discussão da sexualidade da juventude), na Alemanha, descreveu o conceito de freudiano-marxismo, enquanto se concentra na Análise do Caráter. Sempre seguindo metodologia científica, investigado em profundidade por que e de onde vem as reações que refletem sobre os seres humanos.

Ele descobriu uma correlação entre as emoções e o sistema nervoso autônomo (neurovegetativo), e com ela a função da couraça caracterial e muscular, mostrando que as emoções reprimidas criam bloqueios no corpo e estes estão localizados em sete segmentos ou níveis. Criando assim a Vegetoterapia-Caracleroanalítica. Posicionado-se como precursor da  Sexología clenlífica da psicosomática e é reconhecido como um dos pais das terapias corporais.

Evoluindo em sua própria pesquisa, já nos anos cinquenta, percebeu que havia um denominador comum entre as correntes energéticas de todos os organismos vivos; então ele desenvolve o conceito do que ele chama de Bioenergia. Indo mais fundo neste conceito, ele descobre que o mesmo denominador comum não é apenas em organismos vivos, mas também em tudo o que nos rodeia. Ele chama essa energia de Orgone, da qual desenvolve a Orgonomia. Nesta perspectiva, ele também criou diferentes dispositivos; alguns para regular essa energia na atmosfera (macrocosmos) e outros para regula-la do corpo (microcosmos).

Ao final de sua vida, percebeu que as patologias que ele estudava em adultos poderiam ser evitadas não só desde a infância, mas também na gravidez. Assim, a terapia reichiana é pioneira em trabalhar a partir da prevenção real de psicopatologias. Wilhelm Reich faleceu em 1957, deixando um legado de Amor, Trabalho e Conhecimento·

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