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2020 – a hora dos limites

por Genovino Ferri

1) Acabou o tempo para o estilo relacional atual

Acabou o tempo do estilo relacional da humanidade, atualmente dominante em nosso planeta, com seu fálico reativo, prevalência de traços de uma oralidade insatisfeita, cada vez mais borderline e narcísica. Produziu o colapso entrópico em que encontramos o Corpo Social Vivo de hoje.

Agora precisamos de outros padrões de características e outros estilos relacionais, com um modo diferente em nossa relação com o Mundo que não seja eu!

Os padrões agressivamente possessivos do “MEU”!, da falta de respeito pelo outro e pela negligência empática estão em crise e que, em uma escala maior (sistemas sociais complexos e vivos), produzem riquezas obtusas e “neoplásicas”. O padrão desta cegueira significa que eles são incapazes de visualizar toda o relacionamento com o Objeto, apenas observa as suas partes e devora-as.

Essa cegueira não permite que o Outro Sujeito seja sentido, polarizando demais por si mesmo, além do limiar, com uma fome insaciável.

O planeta está vivo e a biosfera, o lugar da entropia negativa (os 10 quilômetros acima de nós é onde a entropia diminui) e da fotossíntese (processo pelo qual a Vida na Terra se originou), pode ser comparado com um sistema termodinâmico fechado.

Na biosfera, o fluxo negentrópico contínuo permite a criação e manutenção do complexo, estruturas dissipativas abertas que são organismos vivos.

Um “Zé Ninguém”, que só existe há dois milhões de anos, que é “apenas agora” em termos de tempo em si, esperava poder brincar com os equilíbrios antigos. Felizmente, porém, a natureza também tem sabedoria e seus próprios limites inteligentes.

O “Limite Divino” foi atingido por alguns dos padrões de ação deste “Zé Ninguém” e eles estão desgastados! Outros estão aparecendo, facilitados pela marca catastrófica da Covid-19, o que significa que eles devem ser visto mais e mais.

2) Acabou o tempo da independência

Somos dependentes da biosfera e não somos outra coisa senão ela. Construir inteligentemente junto com os nossos em nossa biosfera pode, ou não, parecer uma ideia atraente, mas absolutamente deve ser feita!

“Dependência-interdependência” é um daqueles binômios com os quais devemos fazer as pazes, mantendo os limiares “normais” do seu espectro. Somente através dessas limitações é possível produzir entropia negativa, porque, acima ou abaixo, esses limites produziriam apenas entropia. Na realidade, seres vivos e biosfera são interdependentes.

Biosfera

Todos os seres vivos vivem no mesmo espaço, estão no mesmo campo e respiram a mesma atmosfera do planeta Terra. No momento, precisamos da inteligência de um homo sapiens sapiens e da capacidade de “inter-legere”, ou seja, ler interpretativamente, através das lentes da complexidade sobre nossa responsabilidade de respeitar o meio ambiente e todos os outros sistemas vivos. Em particular, devemos realmente levar em conta nossa responsabilidade de respeitar a própria Terra, da qual a Vida emerge. Isto é indispensável e será decisivo, antes de tudo para nós!

Não podemos continuar produzindo as mudanças climáticas que estão tornando nossa atmosfera cada vez mais tóxica e destruindo os habitats de tantas espécies vivas, que, como nós, são habitantes desse maravilhoso planeta.

Mudanças caóticas geralmente favorecem resultados imprevisíveis, mas neste caso certamente há uma alta probabilidade do “homo”, supostamente, “sapiens sapiens” perder-se mais e mais em seu papel na evolução.

A interdependência é um processo circular e tornar a biosfera cada vez mais tóxica produz efeitos negativos para todos os seres vivos, incluindo o homem, que hoje não tenho problemas em diagnosticar como tendo um “sistema imunológico deprimido”.

O termo “tóxico” também é infelizmente apropriado, porque a palavra “vírus” em si significa etimologicamente “toxina” ou “veneno”.

3) Acabou o tempo para a dopamina (DA) e o Complexo Reptiliano

Agora, o psiquiatra clínico em mim está pedindo para falar, tendo ouvido a palavra “deprimido”.

Em outras obras, descrevi o Corpo Social Vivo como sendo afetado por uma alarmada depressão mascarada pela aceleração.

Em termos simples e diretos, a dopamina (DA), que é o neuromediador responsável pela Ação, tornou-se hiper-ativada como resposta à depleção de serotonina (5HT), que é o neuromediador responsável por Afetividade.

Clinicamente, o medo está associado a um estado depressivo que aumenta os níveis de noradrenalina (NA), o neuromediador responsável pelo Alarme, que, por sua vez, completa a circularidade ao hiper-ativar o DA (dopamina).

Os três neuromediadores são interdependentes de maneira triangular, que deve ser respeitado. A aceleração dopaminérgica está além do limite. Alerta vermelho!

Os três cérebros também são interdependentes. A aceleração cognitiva pré-frontal (cérebro Neo-cortex) informa o status de alarme do “locus coeruleus” (cérebro do Complexo Reptiliano) e da amígdala, a área do cérebro que registra medo extremo. Isso é feito, de fato, ignorando o giro cingulado (cérebro límbico), que normalmente registra e modula relacionamentos afetivos.

Essa interação triádica do cérebro não está mais bem balanceada, produzindo uma dissociação cognitiva dos sentimentos, que favorece o domínio de padrões relacionais reptilianos, cada vez mais agressivos. Estes padrões, por si mesmos, informam e dominam a subjetividade e não são atenuados pela empatia e pela inteligência orbito frontal.

Os três cérebros são interdependentes. e eles representam outro triângulo a ser respeitado. O Reptiliano – O cérebro complexo, com seus padrões primitivos, não mantém relacionamentos – foi além do limite no seu “tudo o que é diferente de mim é um inimigo perigoso e deve ser atacado”. Alerta vermelho!

4) Acabou o tempo para a sociedade líquida

O tempo límbico, para sentir, foi violado – o tempo para os relacionamentos foi violado. Relacionamentos se definem como “com”, como “contato”, como “estar juntos” e foram sobrecarregados por uma quantidade infinita de comunicação que, não sendo relacional, não tem substância ao longo do tempo. Essas comunicações intermináveis ocorrem e começam a desaparecer instantaneamente, como emoções. Não são como sentimentos, que duram.

Não há mais o luxo da “memória” ou do “passado”, havendo apenas uma projeção superficial do futuro, que é, no entanto, dissociativo, agitado e além do limiar. Cega e evita qualquer presença consciente do aqui e agora. Em sua pressa, domina o Corpo Social, interrompendo e inibindo a organização da área torácica. O tórax, ao contrário, seria a principal localização corporal do sentimento e da empatia, mas é liquefeito pelas demandas além do limiar do tempo externo, que rouba a pessoa de seu próprio tempo interno.

A rede de contatos passou (em análise corporal) do quarto nível corporal relacional (tórax) para o primeiro nível corporal relacional (ocular). Sim, houve um aumento de informações, mas, sob aceleração, a rede se dissociou, incapaz de levar tempo para a “Inclusão”, para a “Escuta”, para o “Contar histórias” e para a “Respiração”, todas que tem ritmos mais “humanos”.

O tempo interno, que por ser um fluxo contínuo de energia, permite a estabilidade da identidade, foi interrompido. A solidão e o sentimento de perda surgiram e se tornaram muito mais difundidos à medida que os defeitos do estado da Oralidade insatisfeita do Corpo Social Vivo gritam a sua dor. As novas patologias, do vício às doenças auto-imunes e das doenças cardiovasculares a psiquiátricas estão se espalhando.

No colapso entrópico causado pelo auto-consumo, a sociedade líquida desesperadamente repropõe a si mesma, induzindo estados orais insatisfeitos e defeituosos em indivíduos com inúmeras necessidades e desejos incessantes e que estão em uma corrida compulsiva e precipitada em direção a mega-lucros e a quaisquer objetos associado a um “brilho do símbolo de status”. É um traço de cobertura efêmero, narcisista.

Não dá pra ser feito sem o Tórax!

A sociedade líquida ultrapassou seus limites. Alerta vermelho!

5) Acabou o tempo para a ausência do Tórax

O Onde, o como e o quando de uma patologia guia os pesquisadores e terapeutas em sua supervisão e em suas ações; esta informação permite-lhes perceber o sentido inteligente subjacente de cada condição.

O Tórax pode ser considerado um repositório de limites, fronteiras e de controle. Em termos psicológicos e corporais, o tempo do Tórax tem uma prevalência como nível relacional, na progressão normal dos estágios evolutivos sucessivamente dominantes de cada indivíduo, é a fase muscular. O Tórax parece, obviamente, indispensável tanto para melhorar a respiração e organizar a passagem do músculo liso para o estriado. O tórax é a base negentrópica necessária para lidar com o processo de individuação-separação da mãe, que representa um poderoso imã. O processo de deixar o seio e o olhar da mãe e mirar para cima, em direção a horizontes maiores e mais complexos, requer autonomia organizacional.

O Tóra , ou o quarto nível corporal, foi enfraquecido no Corpo Social Vivo pela modernidade liquefeita e é atualmente um nível corporal relacional muito vulnerável!

A perda, ou importância reduzida, de limites, de regras, do pai e da organização, todos que tem sido desmontados pelo aumento da velocidade do tempo, serve apenas para demonstrar as influências multifacetadas desse processo entrópico. O Corpo Social Vivo foi, em primeiro lugar, arrastado para uma liquidez incontinente da oralidade, depois mais abaixo na rarefação borderline e, hoje, está sem fôlego, sem ar e oxigênio. Esse sintoma testemunha o processo cíclico que a humanidade iniciou em nossa biosfera, como a toxicidade “chega em casa para pousar”.

Pneumonia intersticial, o potencial desenvolvimento clínico grave do COVID-19 é um fator indicativo muito preocupante. Não posso deixar de associá-lo a uma patologia torácica do Corpo Social Vivo. Isso é uma sintomatologia inesperada, causada por um vírus que selecionou precisamente esse habitat no corpo humano para replicar. O vírus não é bom nem ruim, mas certamente garantiria melhor sua própria sobrevivência em um hospedeiro com maior resistência – quando o terreno hospedeiro morre, o parasita geralmente também morre.

Onde – no Tórax; como – invisivelmente; quando – agora. Alerta vermelho!

6) Acabou o tempo para o Superego

O Superego não mora mais na família, mudou-se para a mídia. Isso pôs fim a muitas diferenças preciosas, vitais para garantir a riqueza da diversidade e causaram um aumento significativo na indiferença. O Superego foi contaminado pelo reativo fálico, pelos padrões da oralidade insatisfeita e pelo narcisismo borderline.

Hoje, morando na mídia, o Superego é imprudente, emocionalmente sem instrução, narcisista e exigente; exclui, é mono-direcional, não retribui e é perseguidor.

O Superego de hoje dita os ritmos e a velocidade do tempo externo e (como afirmei em uma entrevista em 2005) está roubando tempo dos relacionamentos, do sistema límbico e da Afetividade. Nós temos uma geração de pais deslocados e impotentes e uma de filhos perdidos, sozinhos, assustados e impulsivos.

De fato, esvaziando a família e rompendo a rede circular que conectava e permitia o “Campo Familiar” com sua própria atmosfera e seus próprios valores delimitados. O novo Superego redireciona os vetores motivacionais para fora da família, em direção a outros objetos a serem desejados e outros pacotes de valores contaminados pelos padrões de traços atualmente dominantes para os quais, Ter é que define o Ser.

O Id, um polo pulsante da personalidade, há milhões de anos, tendo um intenso debate com o Superego, o outro polo, que atesta e censura a personalidade. Quando não está além do limite, essa interação contrabalançada permite, para citar o pai da psicanálise, um ego “normalmente neurótico”, representando uma terceira posição relativamente autônoma, informada pelos dois poderosos imãs polares, entre os quais ele pode se mover. O Id hoje, não tem mais um interlocutor capaz de contê-lo e o ego está perdido, experimentando quase exclusivamente uma poderosa atração narcísica primária.

Permita-me expressar um paradoxo – o Id ultrapassou seus limites – está além do limite. Alerta vermelho!

7) Acabou o tempo da onipotência

E agora, uma cena curiosa, embora dramática. A reunião, neste planeta, do vírus e do homo sapiens sapiens…

Não é sequer certo que o vírus possa ser incluído entre os verdadeiros seres vivos, pois é incapaz de sobreviver autonomamente, incapaz de converter alimentos e é obrigado ao parasitismo, incapaz de se reproduzir sozinho. É o menor e, estruturalmente, um ser muito simples. O homem é o maior, estruturalmente altamente complexo e mil passos negentrópicos evolutivos além…

No entanto, o ser maior sucumbe e pula protetoramente para se fechar em casa!

Outros binômios vêm à mente – dentro e fora, o invisível e o visível, simplicidade e complexidade, micro e macro, distância e contato, individual e compartilhado. No entanto, uma comparação se destaca como sendo extremamente dramático – onipotência e impotência.

O limite nos torna potentes; sua ausência nos torna onipotentes; seu excesso nos torna impotentes.

Como fazemos as pazes com a inteligência funcional dos Limites Divinos? Como trazemos a evolução, a conexão com outros sistemas vivos, a biosfera e o planeta vivo dentro de limites normais, de modo que eles não estejam além do limiar? Como nos mantemos vivos e em contato com os limites inteligentes da vida?

Ao voltar a entrar em nosso Lar e a re-habitar em nosso próprio Tórax … Temos a oportunidade de voltar a um ambiente protegido e redescobrir o reflexo de um campo que conta nossa própria história, tem nossa própria atmosfera para respirar de volta e nossas próprias identidades para animar novamente … É uma oportunidade de ter um novo relacionamento com o exterior, que pode ser co-construtivo, humano e, como tal, inteligente.

Voltar a entrar em nossas casas e re-habitar nossos próprios peitos é uma oportunidade de reconectar coração e mente e redescobrir uma senha extraordinária e revitalizante – Humildade!

A humildade nos permite tornar-nos mais inteligentes e mais potentes; permite um novo relacionamento, entre alturas e profundidades maiores que o Eu, e isso nos permite atravessar, para cima e para baixo, o que este rígido e arrogante pescoço tem causado por onipotência ferida, pescoço castrado estabelecido por impotência acentuada.

Acabou o tempo! Alerta vermelho!

Autor: Genovino Ferri. Publicado no site Somatic Psycotherapy Today Tradução livre.

Referências

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  • Bertalanffy, LV (1971). Teoria generali dei Sistemi. Turim, Itália. Isedi Ed.
  • Ferri, G. (2005). Chi mi ha rubato le lancette? Entrevista com Genovino Ferri por Roberta Ronconi. Itália, “Liberazione” jornal (6 º de março de 2005).
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  • Ferri, G. (2017). Sentido corporal , e-book, Roma, Itália. Alpes Ed.
  • Ferri, G. e Cimini G. (2018). Psicopatologia e caráter , e-Book Roma, Itália. Alpes Ed.
  • Ferri, G. e Paiva MJ (2019). Relacionamento com objeto primário: uma nova leitura. Psicoterapia Somática Hoje, 9 (1).
  • Ferri G. e Paiva MJ (2019). Salutogênese e Bem-Estar. Psicoterapia Somática Hoje, 9 (2).
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  • Prigogine I. & Stengers I. (1981). La Nuova Alleanza-Metamorfosi della scienza., Turim, Itália. Einaudi Ed.
  • Reich, W. (1932). Analisi del Carattere. Milão, Itália. SugarCo Ed.
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Wilhelm Reich, o pai da psicologia corporal https://minasi.com.br/wilhelm-reich-o-pai-da-psicologia-corporal/ https://minasi.com.br/wilhelm-reich-o-pai-da-psicologia-corporal/#respond Sun, 26 Jan 2020 20:22:51 +0000 https://minasi.com.br/?p=1888

A Psicologia Corporal

A Psicologia Corporal é uma ciência que estuda o homem em seu aspecto somatopsicodinâmico, onde o corpo e a mente são trabalhados em seu conjunto e em sua relação funcional.

Tem suas raízes nos trabalhos desenvolvidos por Wilhelm Reich (1897-1957), que abandonou a técnica da psicanálise quando descobriu que o corpo contém a história de cada indivíduo e é por meio dele que deveríamos buscar resgatar as emoções mais profundas.

Assim, Reich criou sua própria escola de pensamento e técnicas específicas, cuja prática está voltada tanto ao trabalho do corpo, como da mente, cuja base se dá na atuação direta sobre o sistema neurovegetativo (simpático e parassimpático). A essa técnica, Reich denominou de Vegetoterapia.

Na continuidade de seus trabalhos, Reich também descobriu que a energia que circula dentro do corpo humano é a mesma que no cosmos, à qual chamou de energia orgônio.

Então, sua técnica de trabalho passou a ser denominada Orgonoterapia, porque passou a integrar em um único trabalho as questões psicológicas, corporais e a dinâmica energética do paciente. Assim, consolidou-se a ciência que Reich chamou de Orgonomia.

Tomando por base os trabalhos iniciais de Reich, o médico americano Alexander Lowen complementou, acrescentou e modificou as técnicas iniciais, até encontrar seu jeito próprio de trabalhar. Construiu seus próprios constructos teóricos e práticos e denominou sua escola de Análise Bioenergética que tal qual a Orgonomia de Reich é uma das escolas de grande respeito e destaque.

Reich – O pai da Psicologia Corporal

Reich dava grande ênfase à importância de desenvolver uma livre expressão de sentimentos sexuais e emocionais dentro do relacionamento amoroso maduro. Reich enfatizou a natureza essencialmente sexual das energias com as quais lidava e descobriu que a bioenergia era bloqueada de forma mais intensa na área pélvica de seus pacientes.

Ele chegou a acreditar que a meta da terapia deveria ser a libertação dos bloqueios do corpo e a obtenção de plena capacidade para o orgasmo sexual, o qual sentia estar bloqueado na maioria dos homens e das mulheres.

As opiniões radicais de Reich a respeito de sexualidade resultaram em consideráveis equívocos e distorções de seu trabalho por autores futuros e, conseqüentemente, despertaram muitos ataques difamatórios e infundados.

Wilhelm Reich se interessou muito pela sexualidade humana. Quando era jovem estudante de Medicina, Reich visitou Freud pela primeira vez para procurar ajuda a fim de organizar um seminário sobre sexologia na escola médica que ele freqüentava (Higgens e Raphael, 1967). Além disso, a principal atividade política de Reich consistia em ajudar a fundar clínicas de higiene sexual patrocinadas pelos comunistas para a classe trabalhadora, na Austria e na Alemanha.

As idéias de Reich e suas clínicas eram muito controvertidas para a época e seu programa de para as clínicas de orientação sexual incluía características modernas ainda hoje. Entre seus tópicos destacavam-se:

  1. Livre distribuição de anticoncepcionais para qualquer pessoa e educação intensiva para o controle da natalidade.
  2. Completa abolição das proibições com relação ao aborto.
  3. Abolição da distinção legal entre casados e não-casados; liberdade de divórcio.
  4. Eliminação de doenças venéreas e prevenção de problemas sexuais através da educação sexual.
  5. Treinamento de médicos, professores etc., em todas as questões relevantes da higiene sexual.
  6. Tratamento, ao invés de punição, para agressões sexuais.

Quem foi Wilhelm Reich?

Reich nasceu no então Império Austro-húngaro, em sua parte mais oriental, numa família sem muitas posses e numa pequena vila. Era filho de Leon e Cecília Reich. Ainda jovem, mudou-se para Bukovina, onde o pai administrava uma fazenda. Teve nacionalidade austríaca até 1938, e falava o idioma alemão.

Em 1914 o pai morre de pneumonia (a mãe já tinha falecido em 1910) e Reich cuida da fazenda, ao tempo em que prossegue os estudos – mas no ano seguinte a fazenda é destruída durante os conflitos da I Guerra Mundial, e Reich alista-se no exército austríaco.

Em 1918, com o fim dos conflitos, Reich ingressa no curso jurídico da Universidade de Viena, mas logo transfere-se para a Faculdade de Medicina. Formando-se em 1923, inicia seus trabalhos com o tratamento de pacientes com distúrbios mentais, na Universidade Neurológica e Psiquiátrica, junto a Paul Schilder. Inclui no tratamento técnicas de hipnose e de psicoterapia.

Em 1924, faz sua pós-graduação, sendo membro integrante da sociedade psicanalítica de Viena, até 1930. Foi casado com Annie Reich, de que separou-se em 1932, vivendo com Elsa Lindenberg, com quem veio a casar-se em 1939.

Em 1933 é forçado pelo nazismo a sair da Alemanha, mudando-se para Oslo, na Noruega, laborando no Instituto de Psicologia da universidade local. Ali vive até 1939, quando muda-se para Nova York, cuidando de divulgar suas idéias, agora na língua inglesa, tendo seu “A função do orgasmo” sido neste idioma publicado a primeira vez em 1942.

Nos Estados Unidos Reich cria um instituto para o estudo do “orgônio universal”, que intenta utilizar em tratamentos – inclusive do câncer.

Reich dava grande ênfase à importância de desenvolver uma livre expressão dos sentimentos sexuais e emocionais dentro do relacionamento amoroso maduro. Reich enfatizou a natureza essencialmente sexual das energias com as quais lidava e descobriu que a bioenergia era bloqueada de forma mais intensa na área pélvica de seus pacientes.

Ele chegou a acreditar que a meta da terapia deveria ser a libertação dos bloqueios do corpo e a obtenção de plena capacidade para o orgasmo sexual, o qual sentia estar bloqueado na maioria dos homens e das mulheres.

Onde quer que fosse, Reich era tratado como louco, e suas idéias como pura mistificação. Seus seguidores atribuem a prisão, bem como as anteriores perseguições, a uma eventual conspiração da sociedade freudiana. Em 1954 passa a ser investigado pela FDA (Federal Food and Drug Administration), que lhe rende um processo e posterior aprisionamento, após infrutíferas tentativas de apelação. Encarcerado desde 12 de março de 1957, morre de ataque cardíaco em 3 de novembro.

Caráter

De acordo com Reich, o caráter é composto das atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações. Inclui atitudes e valores conscientes, estilo de comportamento (timidez, agressividade e assim por diante) e atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo).

O conceito de caráter já havia sido discutido anteriormente por Freud, em sua obra Caráter e Erotismo Anal. Reich elaborou este conceito e foi o primeiro analista a tratar pacientes pela interpretação da natureza e função de seu caráter, ao invés de analisar seus sintomas.

A Couraça Caracterológica

Reich sentia que o caráter se forma como uma defesa contra a ansiedade criada pelos intensos sentimentos sexuais da criança e o conseqüente medo da punição. A primeira defesa contra este medo é o Mecanismo de Defesa do Ego conhecido por repressão, o qual refreia os impulsos sexuais por algum tempo. À medida que as Defesas do Ego se tornam cronicamente ativas e automáticas, elas evoluem para traços ou couraça caracterológica.

Esse conceito de couraça caracterológica de Reich inclui a soma total de todas as forças defensivas repressoras organizadas de forma mais ou menos coerente dentro do próprio ego. Para ele, o desenvolvimento de um traço neurótico de caráter indicaria a solução de um problema reprimido ou, por outro lado, ele torna o processo de repressão desnecessário ou transforma a repressão numa formação relativamente rígida e aceita pelo ego.

Assim pensando, Reich afirma que os traços de caráter neuróticos não são a mesma coisa que sintomas neuróticos. A diferença entre esses traços neuróticos e os sintomas neuróticos repousa no fato de que sintomas neuróticos, tais como os medos, fobias, etc., são experienciados como estranhos ao indivíduo, como elementos exteriores à psique, enquanto que traços de caráter neuróticos (ordem excessiva ou timidez ansiosa, por exemplo) são experimentados como partes integrantes da personalidade.

A pessoa pode se queixar do fato de ser tímida, mas esta timidez não parece ser significativa ou patológica como são os sintomas neuróticos. As defesas de caráter são particularmente efetivas e, além disso, difíceis de se erradicarem pelo fato de serem bem racionalizadas pelo indivíduo e experimentadas como parte de seu auto-conceito.

Reich se esforçou continuamente para tornar seus pacientes mais conscientes de seus traços neuróticos de caráter. Ele imitava com freqüência suas características, gestos ou posturas, ou fazia com que seus pacientes repetissem ou exagerassem uma faceta habitual do comportamento, por exemplo, um sorriso nervoso. À medida que os pacientes cessavam de tomar como certa sua constituição de caráter, aumentava sua motivação para mudar.

A Couraça Muscular

Reich descobriu que cada atitude de caráter tem uma atitude física correspondente e que o caráter do indivíduo é expresso corporalmente sob a forma de rigidez muscular ou couraça muscular. Reich começou a trabalhar, então, no relaxamento da couraça muscular. Ele descobriu que a perda da couraça muscular libertava energia libidinal e auxiliava o processo de psicanálise. O trabalho psiquiátrico de Reich lidava cada vez mais com a libertação de emoções (prazer, raiva, ansiedade) através do trabalho com o corpo. Ele descobriu que isto conduzia a uma vivência muito mais intensa do que o material infantil trabalhado pela psicanálise.

Reich começou, primeiramente, com a aplicação de técnicas de análise de caráter e das atitudes físicas. Ele analisava em detalhes a postura de seus pacientes e seus hábitos físicos a fim de conscientizá-los de como reprimiam sentimentos vitais em diferentes partes do corpo. Fazia os pacientes intensificarem uma tensão particular a fim de tornarem-se mais conscientes dela e de aliviar a emoção que havia sido presa naquela parte do corpo. Ele descobriu que só depois que a emoção assim “engarrafada” fosse expressa, é que a tensão crônica poderia ser aliviada por completo. Aos poucos, Reich começou a trabalhar diretamente com suas mãos sobre os músculos tensos a fim de soltar ás emoções presas a eles.

Em seu trabalho sobre couraça muscular, Reich descobriu que tensões musculares crônicas servem ara bloquear uma das três excitações biológicas: ansiedade, raiva ou excitação sexual. Ele concluiu que a couraça física e a psicológica eram essencialmente a mesma coisa. Com esse raciocínio, as couraças de caráter eram vistas agora como equivalentes à hipertonia muscular.

O Caráter Genital

O termo Caráter Genital foi usado por Freud para indicar o último estágio do desenvolvimento psicossexual. Reich adotou-o para se referir especificamente à pessoa que adquiriu potência orgástica. Para ele a potência orgástica era a capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica, era a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo.

Reich descobriu que assim que seus pacientes renunciavam à sua couraça e desenvolviam potência orgástica, muitas áreas de funcionamento neurótico mudavam de forma espontânea. No lugar de rígidos controles neuróticos, os indivíduos desenvolviam uma capacidade para auto-regulação. Reich descreveu indivíduos auto-reguladores como naturais, mais do que morais. Eles agem em termos de suas próprias inclinações e sentimentos internos, ao invés de seguirem algum código externo ou ordens pré-estabelecidas por outros.

Depois da terapia reichiana, muitos pacientes que antes eram neuroticamente promíscuos, desenvolviam grande ternura e sensibilidade e procuraram, de forma espontânea, relacionamentos mais duráveis e realizadores. Os(as) pacientes cujos casamentos eram estéreis e sem amor, descobriram na terapia reichiana que já não poderiam mais ter relações sexuais por um mero senso de obrigação.

Os caracteres genitais não estão aprisionados em suas couraças e defesas psicológicas. Eles são capazes de se encouraçar, quando necessário, contra um ambiente hostil. Entretanto, sua couraça é feita mais ou menos conscientemente e pode ser dissolvida quando não houver mais necessidade dela.

Reich escreveu que caracteres genitais trabalharam sobre o complexo de Édipo, de maneira que o material edipiano já não é mais tão intensamente carregado ou reprimido. O superego, para ele, tornam-se “sexo-afirmativo”, portanto o Id e o Superego passam a estar em harmonia. O Caráter Genital é capaz de experimentar livre e plenamente o orgasmo sexual, descarregando por completo toda libido excessiva. Dessa forma, o orgasmo, o clímax da atividade sexual, seria caracterizado pela entrega à experiência sexual e pelo movimento desinibido, involuntário, ao contrário dos movimentos forçados ou até violentos dos indivíduos encouraçados.

Bioenergia

Em seu trabalho sobre Couraça Muscular, Reich descobriu que a perda da rigidez crônica dos músculos resultava freqüentemente em sensações físicas particulares, em sentimentos de calor e frio, formigamento, coceira e uma espécie de despertar emocional. Ele concluiu que essas sensações eram devidas a movimentos de uma energia vegetativa ou biológica liberada.

Reich também descobriu que a mobilização e a descarga de bioenergia são estágios essenciais no processo de excitação sexual e orgasmo. Ele chamou a isto de Fórmula do Orgasmo, um processo de quatro partes o qual Reich julgava ser característico de todos os organismos vivos.

  • Tensão Mecânica
  • Carga Bioenergética
  • Descarga Bioenergética
  • Relaxamento Mecânico

Depois do contato físico, a energia se acumula em ambos os corpos e, por fim, é descarregada no orgasmo, o qual se constitui essencialmente num fenômeno de descarga da bioenergia. O ato sexual teria a seguinte seqüência:

  1. Órgãos sexuais se entumecem de fluido – tensão mecânica
  2. Resulta uma intensa excitação – carga bioenergética.
  3. Excitação sexual descarregada em contrações musculares – descarga bioenergética.
  4. Segue-se um relaxamento físico – relaxamento mecânico

Energia Orgônica

Aos poucos Reich estendeu seu interesse pelo funcionamento físico dos pacientes à pesquisa de laboratório em Fisiologia e Biologia e, finalmente dedicou-se à pesquisa em Física. Ele chegou a acreditar que a bioenergia no organismo individual não é nada mais do que um aspecto de uma energia universal, presente em todas as coisas. Ele derivou o termo energia “orgônica” a partir de organismo e orgasmo. Dizia que a Energia Orgônica cósmica funciona no organismo vivo como energia biológica específica. Assim sendo, governa o organismo total e se expressa nas emoções e nos movimentos puramente biofísicos dos órgãos.

A extensiva pesquisa de Reich sobre Energia Orgônica e tópicos relacionados à ela foi ignorada ou repudiada pela maioria dos cientistas. Seus achados contradizem muitos axiomas e teorias estabelecidos pela Física e Biologia, e é certo que o trabalho de Reich não deixa de ter falhas experimentais. Entretanto, sua pesquisa nunca foi rejeitada ou mesmo revista com cuidado e seriamente criticada por qualquer crítico científico respeitável.

Segundo Reich, a Energia Orgônica teria as seguintes propriedades principais:Desde que Reich anunciou a descoberta da Energia Orgônica até hoje, nenhuma repetição bem intencionada de qualquer experimento crítico em Energia Orgônica foi divulgada, confirmando ou refutando seus resultados. Apesar do ridículo, da difamação e das tentativas de se repudiar Reich e sua orgonomia, não existe nenhuma contra-evidência de seus experimentos em qualquer publicação científica, muito menos uma refutação sistemática dos trabalhos científico que sustentam sua posição.

  1. A Energia Orgônica é livre de massa; não tem inércia nem peso.
  2. Está presente em qualquer parte, embora em concentrações diferentes, até mesmo num vácuo.
  3. É o meio para a atividade eletromagnética e gravitacional, o substrato da maioria dos fenômenos naturais básicos.
  4. A Energia Orgônica está em constante movimento e pode ser observada sob condições apropriadas.
  5. Altas concentrações de Energia Orgônica atraem a Energia Orgônica de ambientes menos concentrados (o que contradiz a lei da entropia).
  6. A Energia Orgônica forma unidades que se tornam o centro da atividade criativa. Estas incluem células, plantas e animais, e também nuvens, planetas, estrelas e galáxias.

Reich achava que a couraça muscular está organizada em sete principais segmentos de armadura, que são compostos de músculos e órgãos com funções expressivas relacionadas. Estes segmentos formam uma série de sete anéis mais ou menos horizontais, em ângulos retos com a espinha e o torso. Os principais segmentos da couraça estão centrados nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve.

Crescimento Psicológico

Reich definiu crescimento como o processo de dissolução da nossa couraça psicológica e física, tornando-nos, gradualmente, seres humanos mais livres, abertos e capazes de gozar um orgasmo pleno e satisfatório.

De acordo com Reich, a Energia Orgônica flui naturalmente por todo o corpo, de cima a baixo, paralela à espinha. Os anéis da couraça formam-se em ângulo reto com este fluxo e operam para rompê-lo. Reich afirma que não é por acaso que na cultura ocidental aprendemos a dizer sim movendo a cabeça para cima e para baixo, na direção do fluxo de energia do corpo, enquanto que aprendemos a dizer não movendo a cabeça de um lado para o outro, na direção transversa da couraça.

A couraça serve para restringir tanto o livre fluxo de energia como a livre expressão de emoções do indivíduo. O que começa inicialmente como defesa contra sentimentos de tensão e ansiedade excessivos, torna-se uma camisa-de-força física e emocional. No organismo humano encouraçado, a Energia Orgônica é presa nos espasmos musculares crônicos.

Após a perda de um anel da couraça, o orgon do corpo não começa de imediato a correr livremente. Logo que os primeiros blocos da couraça são dissolvidos, nós descobrimos que, com os fluxos e as sensações orgônicas, a expressão do “dar” se desenvolve cada vez mais. Entretanto, couraças ainda existentes evitam seu desenvolvimento total.

Os segmentos de couraça

A terapia reichiana consiste em dissolver cada segmento da couraça, começando pelos olhos e terminando na pelves. Cada segmento é uma unidade mais ou menos independente com a qual se precisa lidar separadamente.

Três instrumentos principais são usados para dissolver a couraça:

  1. Armazenamento de energia no corpo por meio de respiração profunda;
  2. Ataque direto dos músculos cronicamente tensos (por meio de pressão, beliscões e assim por diante) a fim de soltá-los;
  3. Manutenção da cooperação do paciente lidando abertamente com quaisquer resistências ou restrições que emergem.

O Segmento Ocular

A couraça dos olhos é expressa por uma imobilidade da testa e uma expressão “vazia” dos olhos, que nos vêem por detrás de uma rígida máscara. A couraça é dissolvida fazendo-se com que os pacientes abram bem seus olhos, como se estivessem com medo, a fim de mobilizar as pálpebras e a testa, forçando uma expressão emocional e encorajando o movimento livre dos olhos, fazer movimentos circulares com os olhos e olhar de lado a lado.

O Segmento Oral

O segmento oral inclui os músculos do queixo, garganta e a parte de trás da cabeça. O maxilar pode ser excessivamente preso ou frouxo de forma antinatural. As expressões emocionais relativas ao ato de chorar, morder com raiva, gritar, sugar e fazer caretas são todas inibidas por este segmento. A couraça pode ser solta encorajando-se o paciente a imitar o choro, a produzir sons que mobilizem os lábios, a morder e a vomitar e pelo trabalho direto com os músculos envolvidos.

O Segmento Cervical

Este segmento inclui os músculos profundos do pescoço e também a língua. A couraça funciona principalmente para segurar a raiva ou o choro. Pressão direta sobre os músculos profundos do pescoço não é possível, portanto, gritar, berrar e vomitar são meios importantes para soltar este segmento.

O Segmento Toráxico

Este segmento inclui os músculos longos do tórax, os músculos dos ombros e da omoplata, toda a caixa torácica, as mãos e os braços. Ele serve para inibir o riso, a raiva, a tristeza e o desejo. A inibição da respiração, que é um meio importante de suprimir toda emoção, ocorre em grande parte no tórax. A couraça pode ser solta através do trabalho com respiração, especialmente o desenvolvimento da expiração completa. Os braços e as mãos são dos para bater, rasgar, sufocar, triturar e entrar em contato com o desejo.

O Segmento Diafragmático

Este segmento inclui o diafragma, estômago, plexo solar, vários órgãos internos e músculos ao longo das vértebras torácicas baixas. A couraça é expressa por uma curvatura da espinha para frente, de modo que há um espaço considerável entre a parte de baixo das costas do paciente e o colchão. É muito mais difícil expirar do que inspirar. A couraça inibe principalmente a raiva extremada. Os quatro primeiros segmentos devem estar mais ou menos livres antes que o diafragma possa ser solto através do trabalho repetido com respiração e reflexo do vômito (pessoas com bloqueio intenso neste segmento acham virtualmente impossível vomitar).

O Segmento Abdominal

O segmento abdominal inclui os músculos abdominais longos e os músculos das costas. Tensão nos músculos lombares está ligada ao medo de ataque. A couraça nos flancos de uma pessoa produz instabilidade e relaciona-se com a inibição do rancor. A dissolução da couraça, neste segmento, é relativamente simples, desde que os segmentos mais altos estejam abertos.

O Segmento Pélvico

Este segmento contém todos os músculos da pelve e membros inferiores. Quanto mais intensa a couraça, mais a pelve é puxada para trás e saliente nesta parte. Os músculos glúteos são tesos e doloridos, a pelve é rígida, “morta” e assexual. A couraça pélvica serve para inibir a ansiedade e a raiva, bem como o prazer.

A ansiedade e a raiva resultam das inibições das sensações de prazer sexual, e é impossível experienciar livremente o prazer nesta área até que a raiva tenha sido liberada dos músculos pélvicos. A couraça pode ser solta primeiramente mobilizando a pelve e fazendo com que o paciente chute os pés repetidas vezes e também bata no colchão com sua pelve.

Reich descobriu que à medida que seus pacientes começavam a desenvolver capacidade para plena entrega genital, toda sua existência e estilo de vida mudavam basicamente. Achava Reich que a unificação do reflexo do orgasmo também restaurava as sensações de profundidade e seriedade. Os pacientes lembram-se do tempo da sua primeira infância, quando a unidade de suas sensações corporais não estava perturbada.

Tomados de emoção, falam do tempo em que, crianças, sentiam-se identificados com a natureza e com tudo que os rodeava, do tempo em que se sentiam “vivos” e como finalmente tudo isto fora despedaçado e esmagado pela educação.

Estes indivíduos começavam a sentir que a rígida moralidade da sociedade, que anteriormente reconheciam como certa, era uma coisa estranha e antinatural. Atitudes em relação ao trabalho também mudavam de forma nítida.

Aqueles que faziam seu trabalho como uma necessidade mecânica, via de regra largavam seus empregos para procurar um trabalho novo e vital que preenchesse suas necessidades e desejos interiores. Aqueles que já estavam interessados em sua profissão, muitas vezes desabrochavam com energia, interesses e habilidades novas.

As Couraças: Obstáculos ao Crescimento

Couraça é o maior obstáculo ao crescimento segundo Reich. O indivíduo encouraçado seria incapaz de dissolver sua couraça e, portanto, seria incapaz de expressar as emoções biológicas primitivas. Ele conhece a sensação de agrado mas não aquela de prazer orgônico. Ele não pode emitir um suspiro de prazer e, se tentar, irá produzir um gemido, um berro reprimido ou um impulso para vomitar. Ele é incapaz de deixar sair um grito de raiva ou imitar um punho atingindo o colchão com raiva.

Reich sentiu que o processo de encouraçamento havia criado duas tradições intelectuais distorcidas, as quais formaram a base da civilização: a religião mística e a ciência mecanicista. Os mecanicistas são tão bem encouraçados que não têm idéia real de seus próprios processos de vida ou de sua natureza interna. Eles têm um medo básico de emoções profundas, vivacidade e espontaneidade. Eles tendem a desenvolver um conceito rígido e mecânico da natureza e estão primariamente interessados nos objetos externos e nas ciências naturais.

Comentando sua idéia, achava que pelo fato de uma máquina ter que ser perfeita, por conseguinte, o pensamento e as ações do homem da ciência também teriam que ser perfeitos. Perfeccionismo é uma característica essencial do pensamento mecanicista. Ele não tolera erros e incertezas, e as situações de mudança são inoportunas. Mas este princípio, quando aplicado a processos da natureza, inevitavelmente conduz à confusão, pois a natureza não opera mecanicamente, mas funcionalmente.

Os místicos não desenvolveram sua couraça tão completamente. Eles permanecem, em parte, em contato com sua própria energia vital, e são capazes de grande compreensão interna (insight) por causa deste contato parcial com sua intimidade. Entretanto, Reich via essa compreensão interna (insight) como distorcida, uma vez que os místicos tendem a se tornar ascéticos e anti-sexuais, a rejeitar sua própria natureza física e a perder o contato com seus corpos. Eles repudiam a origem da força vital em seus próprios corpos e localizam-na numa alma hipotética, que eles sentem ter apenas uma tênue conexão com o corpo.

Sobre os místicos, achava Reich que no rompimento da unidade de sentimento do corpo pela supressão sexual e no contínuo anseio de restabelecer contato consigo mesmo e com o mundo, encontra-se a raiz de todas as religiões negadoras do sexo. Deus seria a idéia mistificada da harmonia vegetativa entre o eu e a natureza.

Repressão Sexual

Outro obstáculo ao crescimento é a repressão social e cultural dos instintos naturais e da sexualidade do indivíduo. Reich sentia que esta era a maior fonte de neuroses e que ela ocorre durante as três principais fases da vida, ou seja, durante a primeira infância, puberdade e idade adulta.

Os bebês e as crianças pequenas são confrontados com uma atmosfera familiar neurótica, autoritária e repressora do ponto de vista sexual. Em relação a este período de vida, Reich basicamente reafirma as observações de Freud a respeito dos efeitos negativos das exigências dos pais, relativas ao treinamento da toalete, às auto-restrições e ao bom comportamento por parte das crianças pequenas.

Durante a puberdade, os jovens são impedidos de atingir uma vida sexual real e a masturbação é proibida. Talvez até mais importantes que isto, a sociedade em geral torna impossível, aos adolescentes, lograr uma vida de trabalho significativa. Por causa deste estilo de vida antinatural, torna-se especialmente difícil aos adolescentes ultrapassar sua ligação infantil com os pais.

Por fim, na idade adulta, a maioria das pessoas se vê envolvida na armadilha de um casamento compulsivo, para o qual estão sexualmente despreparadas. Reich também salienta que os casamentos desmoronam em conseqüência das discrepâncias sempre intensificadas entre as necessidades sexuais e as condições econômicas. As necessidades sexuais podem ser satisfeitas com um e o mesmo companheiro durante algum tempo. Também o vínculo econômico, a exigência moralista e o hábito humano favorecem a permanência da relação matrimonial. Isso acaba resultando na infelicidade do casamento. A situação familiar que se desenvolve segue de forma a recriar a mesma atmosfera neurótica para a próxima geração de crianças.

Reich sentia que indivíduos criados numa atmosfera que nega a vida e o sexo desenvolvem um medo do prazer, o qual é representado por sua Couraça Muscular. Essa Couraça do Caráter é a base do isolamento, da indigência, do desejo de autoridade, do medo da responsabilidade, do anseio místico, da miséria sexual e da revolta neurótica, assim como de uma condescendência patológica.

Reich não era otimista demais no que dizia respeito aos possíveis efeitos de suas descobertas. Ele acreditava que a maioria das pessoas, por causa de sua intensa couraça, seria incapaz de compreender suas teorias e distorceria suas idéias. Para ele, um ensino sobre a vida, dirigido e distorcido por indivíduos encouraçados, irá acarretar um desastre final a toda a humanidade e às suas instituições. O resultado mais provável do princípio da potência orgástica será uma perniciosa filosofia de bolso, espalhada por todos os cantos. Tal como uma flexa que, ao desprender-se do arco, salta firmemente retesada, a procura de um prazer genital rápido, fácil e deletério devastará a comunidade humana.

A couraça serve para nos desligar de nossa natureza interna e também da miséria social que nos circunda. Natureza e cultura, instinto e moralidade, sexualidade e realização são elementos que se tornam incompatíveis. A unidade e congruência de cultura e natureza, trabalho e amor, moralidade e sexualidade, unidade esta desejada desde tempos imemoriais, continuará a ser um sonho enquanto o homem continuar a condenar a exigência biológica de satisfação sexual natural (orgástica). A democracia verdadeira e a liberdade baseadas na consciência e responsabilidade estão também condenadas a permanecer como uma ilusão até que esta evidência seja satisfeita.

Conceitos Reichianos

Corpo

Reich, como a grande maioria dos autores modernos, via mente e corpo como uma só unidade. Aos poucos ele passou de um trabalho analítico, baseado apenas na linguagem, para a análise dos aspectos físico e psicológico do caráter e da couraça caracterológica, dando maior ênfase no trabalho com a Couraça Muscular e no desenvolvimento de um livre fluxo de bioenergia.

Relacionamento Social

Reich via o relacionamento social como função do caráter do indivíduo. O indivíduo médio vê o mundo através do filtro de sua couraça. Caracteres genitais, tendo ultrapassado seu encouraçamento rígido, são os únicos verdadeiramente capazes de reagir de forma aberta e honesta aos outros.

Reich acreditava firmemente nos ideais comunistas enunciados por Marx, aclamando a livre organização na qual o livre desenvolvimento de cada um se tornaria a base do livre desenvolvimento de todos. Reich formulou o conceito de democracia do trabalho, uma forma natural de organização social na qual as pessoas cooperam harmonicamente para favorecer suas necessidades e interesses mútuos, e tentou efetivar esses princípios no Instituto Orgon.

Vontade

Reich não se interessou diretamente pela vontade, embora tenha enfatizado a importância de um trabalho significativo e construtivo. Um de seus princípios era de que “você não precisa fazer nada de especial ou novo. Tudo o que você precisa fazer é continuar o que tem feito: lavrar seu campo, manejar seu martelo, examinar seus pacientes, levar suas crianças à escola ou ao parque de diversões, falar sobre os fatos do dia, penetrar sempre mais profundamente nos segredos da natureza. Todas essas coisas você já faz. Mas você pensa que nenhuma delas tem importância… Tudo o que você tem a fazer é continuar o que você sempre fez e sempre quis fazer: seu trabalho, deixar suas crianças crescerem felizes, amar a mulher“.

Emoções

Reich descobriu que as tensões crônicas servem para bloquear o fluxo de energia subjacente às emoções mais intensas. A couraça impede que o indivíduo experimente emoções fortes e, portanto, limita e distorce a expressão de sentimentos. As emoções deste modo bloqueadas não são eliminadas, pois jamais podem ser completamente expressas. Segundo Reich, um indivíduo só se liberta de uma emoção bloqueada experienciando-a de forma plena.

Reich notou também que a frustração do prazer, muitas vezes conduz à raiva e à fúria. Na terapia reichiana, em primeiro lugar é preciso lidar com as emoções negativas, para que os sentimentos positivos que elas encobrem possam ser completamente experienciados.

Intelecto

Reich se opunha a qualquer separação de intelecto, emoções e corpo. Ele afirmava que o intelecto é, na verdade, uma função biológica, e que ele pode ter uma carga afetiva tão forte quanto qualquer emoção. Reich argumentava que o desenvolvimento completo do intelecto requer o desenvolvimento de uma verdadeira genitalidade. A primazia do intelecto pressupõe uma disciplinada economia de libido, isto é, primazia genital. A primazia intelectual e genital têm a mesma relação mútua que êxtase sexual e neurose, sentimento de culpa e religião, histeria e superstição.

Acreditava Reich que, via de regra, o intelecto opera como mecanismo de defesa, de tal forma que a linguagem falada muitas vezes funciona também como uma defesa. Ela obscurece a linguagem expressiva do núcleo biológico. Em muitos casos, isto vai tão longe que as palavras já não expressam nada e a linguagem falada já não é nada mais do que uma atividade sem sentido dos respectivos músculos.

Self

Para Reich, o Self é o núcleo biológico saudável de cada indivíduo. A maioria das pessoas não está em contato com o Self por causa da couraça física e das defesas psicológicas. Indagava Reich: “- O que é que impedia uma pessoa de perceber sua própria personalidade (Self)? Afinal, a personalidade (himself) é o que a pessoa é. Gradualmente comecei a entender que é o ser total que constitui a massa compacta e obstinada que obstrui todos os esforços da análise. A personalidade inteira do paciente, o seu caráter, a sua individualidade resistiam à análise”.

Segundo Reich, a interação de impulsos reprimidos e forças defensivas repressoras cria uma terceira camada entre as duas correntes libidinais opostas: uma camada de falta de contato. Esta falta de contato não está interposta entre as duas forças. É antes, uma expressão da interação concentrada das duas.

O contato requer um livre movimento de energia. Ele só se torna possível quando o indivíduo dissolve sua couraça e torna-se plenamente consciente do corpo e de suas sensações e necessidades, entrando em contato com o núcleo, os impulsos primários. Enquanto há a presença de bloqueios, o fluxo de energia e a consciência são restritos, e a autopercepção é bastante diminuída e distorcida.

Terapeuta Reichiano

Além de treino na técnica terapêutica, o terapeuta deve ter feito um progresso considerável em seu crescimento e desenvolvimento pessoais. Ao trabalhar tanto psicológica quanto fisicamente com um indivíduo, o terapeuta deve ter superado todos os medos de sons sexuais abertamente emitidos e do “ondular orgástico”, livre movimento de energia no corpo.

Baker, um dos principais terapeutas reichianos nos Estados Unidos, recomenda que nenhum terapeuta deveria tentar tratar pacientes que tenham problemas que ele não foi capaz de solucionar em si mesmo, e nem deveria esperar que um paciente faça coisas que ele não pode fazer e que não foi capaz de fazer. Outro reichiano eminente escreveu que o pré-requisito indispensável em qualquer método usado pelo terapeuta para libertar as emoções contidas na musculatura é que ele esteja em contato com suas próprias sensações e que seja capaz de empatizar completamente com o paciente e de sentir em seu próprio corpo o efeito das constrições particulares da energia do paciente.

Reich era ele próprio considerado um terapeuta brilhante e teimoso. Mesmo sendo um analista ortodoxo, ele era extremamente honesto e até brutalmente direto com seus pacientes. Nic Waal, um dos melhores psiquiatras da Noruega, escreveu o seguinte a respeito de suas experiências em terapia com Reich:

“- Eu era capaz de suportar ser subjugado por Reich porque eu gostava da verdade. E, coisa bastante estranha, eu não era subjugado por isto. No decorrer de toda esta atitude terapêutica em relação a mim, sua voz era amorosa e ele sentava-se a meu lado e fazia-me olhar para ele. Reich me aceitava e subjugava apenas minha vaidade e minha falsidade. Mas eu entendi, naquele momento, que a honestidade e o amor verdadeiros, tanto de um terapeuta quanto dos pais, por vezes é a coragem de ser aparentemente cruel sempre que necessário. Entretanto, isto exige muito do terapeuta, de seu treinamento e de seu diagnóstico.”

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O corpo, esse tagarela! https://minasi.com.br/o-corpo-esse-tagarela/ https://minasi.com.br/o-corpo-esse-tagarela/#respond Wed, 11 Dec 2019 14:19:28 +0000 https://minasi.com.br/?p=1848

Wilhelm Reich foi o precursor das psicoterapias corporais. Desde sua época enquanto psicanalista seguidor de Freud, sempre inseriu o corpo em seu processo analítico.

Mas foi quando Reich tirou o paciente do divã freudiano para colocá-lo sentado em uma poltrona, foi que conseguiu visualizar de forma mais clara a linguagem dos sinais e a comunicação do corpo. O caráter é a forma do indivíduo agir e reagir por intermédio de seu comportamento. Ele expressa nosso temperamento e nossa personalidade.

Não há um comportamento sem esforço muscular e se essa necessidade de expressar-se for impedida por uma repressão ou um estresse, a emoção fica retida nos músculos e forma a couraça.  A couraça, portanto, manifesta-se no corpo. É uma emoção congelada.

Portanto, o corpo fala. Expressa nossos sentimentos, nossos desejos, nossas frustrações. Essa é a leitura de sinais que podemos observar nas pessoas.

Mas, além disso, o corpo registra nossa história. Tudo o que acontece de ruim em nossas vidas, trazem marcas na mente e no corpo. Assim, nosso corpo vai se moldando como uma arvore. Se ela estiver num deserto árido, vai crescer fraca, torta. Se estiver num campo que sofre as intempéries como frio, seca, chuva em excesso, etc, vai crescer de forma desproporcional. Se estiver em um terreno com solo em cuidado e não sofrer quase nada, vai crescer bela e frondosa. O corpo humano também é assim. Se for gerado e desenvolvido em um ambiente hostil, vai ter problemas na mente que irá se refletir no corpo. Isso é o caráter.

O corpo é um registro da nossa história.

Portanto, do ponto de vista reichiana, na análise reichiana trabalhamos com a leitura dos sinais e do caráter. Um está diretamente ligado ao outro.

Analisar os sinais e o caráter do paciente dentro do processo psicoterapêutico temos uma direção do caminho a tomar para montarmos um projeto de tratamento para cada paciente e dessa forma, ajudá-lo a tomar consciência de seus comportamentos de forma modificá-los.

Leitura de sinais

Em se tratando da leitura de sinais, podemos considerar o significado de alguns deles enquanto o paciente está dentro do consultório psicológico, coo por exemplo:

  • Testa franzida em direção ao nariz = desconfiança.
  • Sobrancelhas elevadas e testa franzida = espanto.
  • Olhos arregalados = medo, apreensão.
  • Morder os lábios = receio em falar ou não alguma coisa.
  • Franzir o canto da boca = descontentamento.
  • Projetar o queixo = auto-afirmação, desafiar.
  • Pescoço duro = controle
  • Ombros erguidos = receio, medo de ser repreendido.
  • Ombros para frente e peito apertado = medo de ser invadido.
  • Ombros para trás e peito estufado = desafiar, mostrar poder.
  • Nádegas apertadas = medo de fazer algo errado

Enfim, esses são apenas alguns exemplos que podemos considerar numa leitura de sinais.

O corpo é uma máquina do tempo: mostra nossa história.

Leitura do caráter

Em se tratando da leitura do caráter é quando olhamos o corpo como um todo e em suas partes considerando que a neurose está congelada no corpo em forma de couraça e isso molda o corpo de acordo com a história pessoal de cada pessoa. Sem desconsiderar a constituição genética, podemos perceber que algumas pessoas tem os olhos menos expressivos que outras, tem a mandíbula mais tensa, o pescoço mais endurecido, ombros mais erguidos, costas mais largas e duras, etc. Essa formação física, está também ligada ao caráter.

Para considerar a leitura do caráter, Reich mapeou o corpo em sete segmentos de couraça. E o bloqueio em cada um desses segmentos poderá ser hipoorgonótico (pouca energia) ou hiperorgonótico (muita energia). Mas não entraremos nesses detalhes nesse texto.

Portanto, indicaremos na sequencia como ficam as partes do corpo quando estão encouraçadas e qual a ligação disso com os traços de caráter. É importante considerar que o que causa a couraça é o estresse sofrido pela criança desde sua gestação, sempre ligado ao medo.

Para identificarmos os traços de caráter de uma pessoa, devemos considerar três condições:

Segmentos de couraça

a) Leitura corporal – que é feita com a observação do corpo e suas couraça;

b) Massagem reichiana – que identifica por meio do toque os pontos tensos (encouraçados) do corpo;

c) Anamnese, histórico e comportamento do indivíduo – que são as informações colhidas verbalmente quando o paciente está em terapia, mas a observação do terapeuta ao comportamento do paciente.

 Somente considerando essas três condições é que podemos ter uma identificação clara dos traços de caráter de uma pessoa.

Mas a proposta aqui é falar apenas da primeira condição (leitura corporal) e do que é visível no corpo, seguindo o mapeamento emocional das couraças feito por Reich, sem precisarmos tocar ou termos dados do histórico do paciente e relacionar essa leitura ao caráter. Então, apresentamos um pequeno, um pequeníssimo resumo de algumas partes do corpo que são visíveis quando encouraçadas e que podemos relacionar ao caráter para que você possa ter apenas uma breve idéia de como é feita esse leitura do caráter por meio do corpo.

Olhos

Olhos

Os olhos fazem parte do primeiro segmento de couraça mapeados no corpo por Reich, chamado de segmento ocular. Quando encouraçados, visivelmente podemos observar olhos sem brilhos, vazios, duros, arregalados ou caídos, etc. Em termos de comportamento, a couraça nos olhos compromete a percepção do indivíduo dele mesmo e do mundo em que vive, dando a ele ou ela uma condição de fantasia, falta de foco, desatenção, etc. Esse bloqueio nos olhos, quando total, designa o indivíduo psicótico e quando parcial, na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Núcleo Psicótico.

Pele

Pele

Também faz parte do primeiro segmento de couraça (ocular) e está ligada ao toque. Quando encouraçada visivelmente podemos observar uma pele sem brilho, enrugada, desidratada, ressecada, etc. Em termos de comportamento, a couraça na pele compromete o toque que por sua vez propicia o vínculo, a aceitação do outro e coloca a pessoa numa situação de isolamento do convívio social. Esse bloqueio é característico do indivíduo que na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Núcleo Psicótico.

Boca

A boca faz parte do segundo segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento oral. Quando encouraçada visivelmente podemos observar uma boca tensa, com movimentos rígidos da mandíbula, lábios apertados, ou então uma boca grande, mas sem energia, sem vida do tipo que popularmente chamamos de “boca mole”, etc. Em termos de comportamento, aqui podemos falar de um indivíduo quando tem uma oralidade reprimida ou insatisfeita. Quando reprimida é porque não mamou ou mamou pouco no peito e isso lhe dá uma condição de repressão, isolamento, timidez, boca apertada, etc. Quando insatisfeita é porque mamou um certo tempo e foi desmamado bruscamente ou mamou muito, além do que deveria e isso Le confere uma condição comportamental de insatisfação na vida, querer sempre mais, etc. E nesse caso, sua boca é grande. Em geral, a couraça no segmento oral compromete a autonomia porque são pessoas que vivem em busca de relacionamentos, parceiras para se “escorar” porque apresentam dificuldades em tocar a vida sozinhas. Esse bloqueio é característico do indivíduo que na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Borderline.

Pescoço

Pescoço

O pescoço faz parte do terceiro segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento cervical. É considerado a sede do autocontrole. Quando encouraçado pode estar ligado a várias estruturas de caráter, como veremos. Visivelmente podemos observar um pescoço tenso, duro, projetado para frente (quando o indivíduo tem um traço de caráter oral), enterrado nos ombros (quando tem um traço de caráter masoquista), apenas tenso (quando o indivíduo tem um traço obsessivo-compulsivo) ou endurecido com o queixo elevado, numa atitude soberba (quando o indivíduo tem um traço narcisista).

Peito

Peito

O peito faz parte do quarto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento torácico. Quando encouraçado, também pode estar ligado a algumas estruturas caracterológicas. Visivelmente podemos observar, por exemplo, quando murcho, sem energia, como se estivesse vazio ou “triste”, está ligado ao caráter borderline. Quando estufado, ao caráter fálico-narcisista e histérico.

Diafragma

O diafragma faz parte do quinto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento diafragmático. Quando encouraçado, visivelmente podemos observar uma linha logo abaixo das costelas, laterais do corpo e nas costas. E sempre iremos perceber uma lordose diafragmática que é quando as vértebras da coluna lombar se desalinham formando um sulco na coluna em função do bloqueio do diafragma. Esse bloqueio pode estar ligado a todas as estruturas de caráter visto que todos nós somos em alguma medida mais ou menos ansiosos, mas é mais comum encontrarmos o bloqueio no caráter masoquista. No caso do masoquista, é visível também a ausência de cintura. Ele é todo reto nas laterais do corpo. Em termos de comportamento, a couraça no diafragma traz uma manifestação de ansiedade.

Abdômen

Barriga pra dentro, peito pra fora!

O abdômen faz parte do sexto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento abdominal. É um segmento que está ligado em sua parte superior ao diafragma e em sua parte inferior à pelves. Quando encouraçado, visivelmente podemos observar um abdômen flácido ou estufado (característico do borderline) ou tenso e duro (característico do masoquista e obsessivo-compulsivo). Também é visível os músculos lombares contraídos em decorrência de um “medo de ser atacado pelas costas”. Em termos de comportamento, a couraça no abdômen traz um padrão de querer possuir, retenção, avareza, tendência a dar ou a reter, etc. Em termos de comportamento, quando a tendência da pessoa é de reter (masoquista e obsessivo-compulsivo), geralmente são pessoas mais egoístas, avarentas, que não conseguem expressar seus afetos pelos outros. Sofrem de prisão de ventre e vivem constantemente “enfezadas” tanto no sentido fisiológico (acúmulo de fezes) ou emocional (raivosa). Quando a tendência é de soltar mais (oral), geralmente são pessoais mais afetivas e que querem sempre ajudar o próximo, às vezes num tom exagerado demais.

Pelves

A pelve faz parte do sétimo segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento pélvico. O bloqueio nesse segmento é decorrente do medo da castração ligada à situação edipiana que não conseguiu vivenciar de forma saudável que desenvolve um superego rígido, medo do julgamento, sexualidade invasora no sentido de que amam tudo que seja explosão de vida, mas são egocêntricos e querem ser sempre o centro do mundo. É um bloqueio presente em todos os traços de caráter, mas mais comumente encontrado no masoquista, no obsessivo-compulsivo e no histérico. O masoquista terá uma pelve retraída, nádegas apertadas com glúteos praticamente ausentes. A parte interna das coxas são tensas. O obsessivo-compulsivo terá uma pelve rígida e tensa. Seu movimento de quadril é duro como um bloco de concreto.  Já no histérico, o corpo mais harmônico, com andar sensual, quadril largos, etc. Mas o bloqueio da pelve mostra uma anteversão, projetada para dentro ou para fora, demonstrando seus conflitos com a sexualidade.

Bem, é isso. Mas queremos alertar aos que pretendem fazer uso desse recurso em seu trabalho, seja em psicoterapia, seja em qualquer outra situação, que não use isso como um “manual de banca de revistas”. Considere que o corpo fala, mas que precisamos saber em qual situação ele está “falando” e o que quer comunicar. Portanto, não interprete, mas analise. Interpretação é subjetiva e sempre de acordo com o terapeuta, inclusive com suas limitações, seus traços de caráter e suas couraças. Análise é de acordo com o que o paciente te mostra, vê, enxerga, etc, onde juntos, podem encontrar caminhos para ajuda-lo a resolver seus conflitos, flexibilizar suas couraças e ter uma vida mais saudável.

Artigo de Autoria do Prof. Dr. José Henrique Volpi, publicado no website do Centro Reichiano.

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