respiração https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Wed, 19 Feb 2025 16:38:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 respiração https://minasi.com.br 32 32 103183256 O orgulho como mecanismo de defesa e cisão https://minasi.com.br/o-orgulho-como-mecanismo-de-defesa-e-cisao/ https://minasi.com.br/o-orgulho-como-mecanismo-de-defesa-e-cisao/#respond Sat, 07 Dec 2024 14:16:54 +0000 https://minasi.com.br/?p=3788

Ao observar a pessoa dentro de seu ambiente natural de vida, no movimento de sua vivência, pode-se perceber muitos mecanismos inconscientes construídos desde momentos muito tenros e que têm motivações e objetivos funcionais dentro deste contexto. Neste artigo, há um olhar mais detalhado no que o Eneagrama chama de “pecado” (neste contexto, a palavra “pecado” é utilizada na forma romana, ou seja, quando se tem a intenção de acertar, mas erra o alvo; em latim, o termo é vertido por peccátu), o vício emocional do Orgulho, do traço do tipo 2. Propondo um diálogo entre a Vegetoterapia de Wilhelm Reich e o Eneagrama.

Contextualizando, o Eneagrama é um conhecimento antigo na humanidade, que propõe o conhecimento das ações, reações e motivações humanas. Além disso, é o que chamamos cotidianamente um mapa psico-espiritual de crescimento pessoal e comunitário. O Eneagrama propõe 9 fixações ou personalidades, que em última análise são formas de defesa para proteger a Essência de sua degradação nas relações humanas. Se desejar saber mais sobre o Eneagrama, siga este link.

Por outro lado, a Vegetoterapia Caracteroanalítica de Wilhelm Reich é uma abordagem da psicologia que vê a pessoa de uma forma holística e funcional, ou seja, não divide, não separa e quer enxergar os congelamentos infantis de forma dinâmica e dentro das relações interpessoais, sempre olhando para o corpo, a psiquê como forma de manifestação da energia fundamental de cada pessoal. Se quiser saber mais sobre Wilhelm Reich e a Psicologia corporal, clique aqui.

As pessoas que possuem o traço do tipo 2 no Eneagrama tem uma tendência a se importar muito mais com os outros e se colocar numa atividade onde busca sempre compensar o esquecimento de si com a ação externa, como mecanismos de cisão ou desconexão. De forma geral, são pessoas que embora tenham uma carga muito grande emocional e passe a viver a vida em função disso, tem dificuldades em entrar em contato com as próprias emoções, dar-lhe nomes e entender o mecanismo do seu funcionamento. Per si já aparece uma ambiguidade na forma em lidar com a vida. Por um lado, uma enorme carga energética no tórax, por outro, uma baixa carga no primeiro segmento, ocular no sentido da autopercepção.

Observando do ponto de vista energético tem-se usualmente uma carga elevada no segmento toráxico tornando-as pessoas com uma ação externa como forma de descarga energética. Então, todo o seu esforço de ação para outras pessoas tão somente é uma tentativa de descarga energética. Conforme veremos à frente esse excesso energético no tórax juntamente com uma certa tensão diafragmática podem produzir episódios de ansiedade, pânico. Que neste caso, tem a ver com a hiperorgonia ou excesso energético concentrado no segmento toráxico.

Acontece que entre o primeiro segmento (ocular) e o quarto segmento (toráxico) tem-se dois segmentos com muitos problemas nas pessoas com as características do tipo 2 do Eneagrama: o segmento Oral e o segmento toráxico. Pode-se afirmar, sem sombras de dúvidas que o segmento cervical tem uma função importante, que ligamos ao sentimento de Orgulho, que neste caso não é uma autoestima insuflada, mas uma resistência à livre circulação energética.

O Orgulho pode ter duas conotações e que muitas vezes podem estar presentes nas pessoas com esse traço de personalidade: Por um lado, autêntico, aquele no qual o sucesso é explicado com base no esforço despendido para determinada conquista, por outro, arrogante envolve explicar o sucesso com base em suas próprias habilidades. Nas coleções das ambiguidades do traço 2 está a sensação de se achar autossuficiente e ao mesmo tempo, sentir-se vazio.

O tórax inflado das pessoas com traço 2 tem a ver com um excesso de inspiração e uma baixa expiração respiratória, como uma dificuldade em alcançar a humildade, que é entrar em contato com a própria realidade, que é olhar a si ao invés de manter os olhos nos outros.

O trabalho da vida de uma pessoa com essas características é flexibilizar e energizar o primeiro segmento, a fim de perceber que lhe falta algo, que não está no outro. Este movimento ocular, que se denomina convergência, quando se olha para o próprio nariz e depois para o ponto a sua frente, produz o efeito psíquico da separação, de sair da simbiose de forma a poder olhar para os próprios desafios. Acontece que este movimento vai provocar um excesso de energização no primeiro segmento uma vez que para essas pessoas é mais difícil permitir o fluxo de energia através da cervical ou do pescoço. Então, é comum aparecer sensações de névoa ocular ou auditiva e seu correspondente psíquico que é a confusão ou dificuldade de saber os próximos passos em relação a si.

Concomitantemente, o trabalho de flexibilização da cervical precisa ser constante para permitir que o fluxo de energia desça. O trabalho no pescoço ou no segmento cervical é um dos mais complexos dentro da vegetoterapia, porque ele possui uma série intrincada de musculaturas estriadas e resistentes. Não foi fácil certamente para essa pessoa manter a cabeça sobre os ombros em sua infância ou liberar os conteúdos orais, como a raiva, a inveja, a injustiça. O grande medo de não ser vista ou amada pode ter contribuído para aumentar a couraça cervical. Este é um segmento em que sempre deve-se voltar no trabalho individual na Vegetoterapia Caracteroanalítica com as pessoas do traço 2 do Eneagrama.

Ao atingir um ponto onde começa a ceder a defesa do Orgulho no segmento cervical, o diafragma pode dar sinais do medo mais profundo. O medo de não existir amor ou o medo de não poder amar e ser amado. Então, o trabalho com essas pessoas acaba tomando um movimento de gangorra, libera-se nos segmentos superiores, depois nos inferiores, depois volta aos superiores e assim por diante.

No trabalho de análise verbal sempre voltando para falar sobre o esquecer de si, o excesso emocional projetado e cheio de expectativas nas relações interpessoais até atingir o medo do amor.

Ao promover o diálogo entre o Eneagrama e a Vegetoterapia Caracteroanalítica não se pretende esgotar ou ter uma solução simplista para o assunto complexo, mas ter uma visão tangencial para auxiliar os processos individuais.

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Exercícios de respiração profunda https://minasi.com.br/exercicios-de-respiracao-profunda/ https://minasi.com.br/exercicios-de-respiracao-profunda/#respond Wed, 06 Sep 2023 14:28:35 +0000 https://minasi.com.br/?p=3148

Os efeitos da respiração profunda são tão variados como benéficos. O sangue se purifica, a aparência melhora e ajuda-nos a assimilação adequada de alimentos quando respiramos corretamente.

Há alguns exercícios valiosos que melhoram a postura, promovem a saúde dos órgãos internos e estimulam hábitos de respiração correta. Você pode querer acrescentá-los à sua rotina diária.

Vamos colocar em prática?

Primeira etapa

  • Deite-se no chão, de costas.
  • Coloque a mão direita no seu diafragma.
  • Inspire lenta e profundamente.
  • À medida que inspira, seu diafragma e a parede abdominal devem se elevar em direção ao teto.
  • À medida que expira, a área sob a sua mão deve voltar à posição normal.
  • Então, contraia os músculos abdominais, puxe-os para dentro e, ao mesmo tempo, achate as costas contra o chão, aumentando a área de contato de suas costas com o chão o máximo possível.
  • Continue por uns 3 a 5 minutos repetindo isso.

Segunda etapa

  • Permaneça deitado no chão, de costas.
  • Inspire profundamente e dobre os joelhos, colocando a sola dos pés em contato com o chão.
  • Comece a inspiração no diafragma, de modo que sinta as costelas se abrindo lateralmente.
    Mas não levante a parte de cima do peito.
  • Expire levando seus músculos abdominais para dentro e para cima, mas não deixe as costelas se soltarem.
  • Inspire novamente e expire.
  • Agora, faça uma série de pequenas inspirações, uma logo depois da outra. Como se bebesse água aos golinhos.
  • Expire em uma série de pequenas expirações, contraindo os músculos abdominais em rápidas expirações.
  • Complete expirando completamente e soltando a caixa torácica.

Dicas:

  • Procure “sensar”, ou seja, entrar em contato com a sensação e não com o pensamento
  • Conecte-se com seu corpo, entenda seus limites.
  • Procure respirar e não “fazer o exercício”
  • O contato consigo é melhor que a perfeição
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Transtorno de ansiedade na prática https://minasi.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-pratica/ https://minasi.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-pratica/#respond Mon, 07 Aug 2023 21:23:45 +0000 https://minasi.com.br/?p=3128

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem emitido alertas sobre dois assuntos muito importantes nos dias atuais: a depressão e o transtorno da ansiedade, como problemas dentro da saúde mental que atingem a população global. Isso é fácil de notar pelo número de pessoas nos consultórios psiquiátricos e psicológicos com problemas para lidar com estes assuntos em seu dia a dia.

O Transtorno da ansiedade é um Fenômeno Social

Começar do topo, porque o transtorno da ansiedade não é um fenômeno individual, é um problema de saúde pública no mundo todo e principalmente no Brasil. Novos dados divulgados por uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas nos apontam que: 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de ansiedade.

Isto significa que numa população de 203.000.000 de pessoas, conforme o censo de 2021, atualmente 56.000.000 receberam um diagnóstico médico de um tipo de transtorno. Considerando que muita gente nem vai ao médico, poderíamos supor que este número chegue com facilidade próximo de 50% da população brasileira na manifestação de transtorno de ansiedade.

Podemos imaginar que isso deveria ser um problema de adultos, preocupados com os boletos do dia a dia ou com filhos, casamentos, trabalho, mas esta mesma pesquisa aponta que um terço (31,6% – 10.000) da população mais jovem, de 18 a 24 anos, é ansiosa principalmente entre as mulheres (34,2%).

Estes dados apontam que precisamos mudar a forma como nossa sociedade está se estruturando, diminuir a pressão e aumentar o prazer e o relaxamento.

Quando falamos sobre ansiedade a nível individual, pessoal, temos que fazer um contraponto e tentar perceber o que é transtorno, adoecimento e o que é a vida normal e comum?

Ansiedade x transtorno da ansiedade

A ansiedade (energia do fazer, atuar, realizar) enquanto energia é importante e necessária na vida. Sem ela, ficaríamos pensando e pensando e nada colocaríamos em prática. Isso me lembra o sujeito que estava deitado na rede e grita para a mãe: A gente tem remédio para veneno de cobra? E a mãe responde: “Não. Você foi picado?” E o sujeito interpela: “Está vindo uma lá no jardim.” Ou seja, nossa capacidade de ação, da ação certa.

Eu considero o transtorno da ansiedade como um alarme de incêndio ou um detector de fumaça. O sofrimento está na camada externa, no topo da sensação. E o motivo não está fora. Ele está dentro de cada um. O problema não é o externo, mas como eu entendo, sinto e ajo dentro de mim.

Se o detector de fumaça ou alarme de incêndio dispara o que devemos fazer? Desligar o alarme ou procurar a origem da fumaça ou do incêndio? É mais fácil, cômodo, desligar o alarme, tirar as suas pilhas, desliga-lo da tomada de energia do que entrar para os porões esquecidos do inconsciente em busca dos motivos individuais que estão fazendo disparar o alarme.

O elástico tem uma função e uma capacidade de elasticidade. Você estica e ele volta ao seu estado natural, agora, o que acontece se eu o esticar e manter esticado por muito tempo? Ou se eu o colocar em um local muito mais frio? Vai alterar suas propriedade e capacidade de funcionamento.

A ideia de que somos capazes de tudo, de que podemos tudo é uma distorção de nossa época. Cada um de nós funciona de uma forma especifica, segundo a sua história pessoal, segundo o funcionamento da sua família original. Quando nos sentimos forçados a funcionar ou a agir de um jeito muito diferente do que somos, acontece aqui um Stress, ou melhor dizendo, um distress. E temos uma capacidade interior, individual de suportar isso. Se passo a funcionar muito além de minha capacidade por um longo período de tempo, começa o transtorno, que pode ir piorando numa escala até o adoecimento severo, crônico.

O transtorno da ansiedade pode começar apenas com pensamentos redundantes sobre um assunto; pode começar com um sentimento de medo ou de fuga; pode começar com sensações físicas nas mais diversas formas. À medida que o medo aumenta e se foge do problema, conflito ou situação, os sintomas tendem a se agravar, como no exemplo do alarme de incêndio, gritando mais alto dentro do organismo e da psiquê.

A Personalidade atuando

Cada pessoa funciona de uma forma diferente das outras, mesmo gêmeos univitelinos vão apresentar sensação, emoção e comportamento distintos. A forma como percebemos a vida desde o ventre de nossa mãe nos molda para o que acontece no dia a dia. Então, no caso da ansiedade também será assim. Pode-se ser mais energético com a vida, tentando resolver os conflitos e as situações sem deixar acumular, mas pode-se ser mais mental e afastando a atitude e a ação e funcionando no planejamento e pensamento. Isto certamente vai afetar como o transtorno da ansiedade pode atingir e a sensação em relação aos acontecimentos. Quanto mais se distancia da ação e da resolução e se aproxima do medo, mais congelamento e mais a ansiedade vai funcionar como um automóvel, onde engata a marcha, acelera e ao mesmo tempo puxa o freio de mão, fazendo com que os pneus girem, mas o carro não saia do lugar. Esta é a imagem do transtorno: uma quantidade enorme de energia produzida e sem destinação.

OLHAR, SENTIR, AGIR

Para sair deste lugar precisa querer olhar para as camadas inferiores da ansiedade e perceber do que temos medo. O que freia a nossa ação? Por que não faço o que desejo?

Olhar

A primeira etapa é olhar para o que estou sentindo e para isto, vamos realizar em dois movimentos oculares:

Ponto fixo

Para realizar este movimento, siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Usando uma caneta, lápis ou o próprio dedão da mão (que pode ser esquerda ou direita), extenda o braço a uma distância de aproximadamente 30 cm do rosto.
  4. Posicione o objeto entre os dois olhos e mantenha ele firme
  5. Olhe para o objeto e mantenha o olhar fixo, lembrando de respirar
  6. Fique nesta posição por aproximadamente 2 minutos.
  7. Enquanto olha para o objeto, pense sobre o que te aflige.
  8. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

Lateralização dos olhos

Para realizar este movimento, siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Usando uma caneta, lápis ou o próprio dedão da mão (que pode ser esquerda ou direita), estenda o braço a uma distância de aproximadamente 30 cm do rosto.
  4. Movimente o objeto para as laterais direita e esquerda da cabeça
  5. Acompanhe o objeto com os olhos, sem mexer a cabeça, apenas com o movimento ocular, lembrando de respirar
  6. Continue o movimento por aproximadamente 2 minutos.
  7. Enquanto olha para o objeto, pense sobre o que tem medo.
  8. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

SENTIR

Respiração

Com o auxilio de uma bexiga de aniversário vazia siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Encha o seu abdômen (barriga) de ar.
  4. Sopre a bexiga sem tomar fôlego, até esvaziar bem os pulmões.
  5. Repita este movimento por aproximadamente 2 minutos.
  6. Enquanto enche a bexiga, pense sobre o que te aflige.
  7. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

AGIR

O que pode acontecer enquanto pratica estes movimentos?

Pode não acontecer nada, apenas respirar e movimentar os olhos e isso já é muito, porque vai estar pensando e elaborando as situações. Também, podem emergir sensações, sentimentos, emoções ou pensamentos. Tudo isso pertence a você.

O que fazer com o que emerge?

  1. permitir a existência da sensação, emoção, sentimento
  2. expressar o que senso, sinto
  3. elaborar seja individualmente pensando, conversando com alguém ou num processo de terapia.

REFERÊNCIAS

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/37237-de-2010-a-2022-populacao-brasileira-cresce-6-5-e-chega-a-203-1-milhoes

https://www.clinicakowalski.com.br/post/por-que-o-homem-vai-menos-ao-medico#:~:text=Isso%20ocorre%20desde%20motivos%20como,m%C3%A9dico%20pelo%20maior%20per%C3%ADodo%20poss%C3%ADvel.

Navarro, Frederico – Caracteriologia Pós-Reichiana – Summus, 1995

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Respirar mais lenta e profundamente pode fazer você mais feliz https://minasi.com.br/respirar-mais-lenta-e-profundamente-pode-fazer-voce-mais-feliz/ https://minasi.com.br/respirar-mais-lenta-e-profundamente-pode-fazer-voce-mais-feliz/#respond Thu, 22 Jun 2023 14:19:51 +0000 https://minasi.com.br/?p=3103

Dez segundos depois de nascer, o impacto da chegada ao admirável mundo novo faz os pulmões de um bebê entrarem em ação e ele respira pela primeira vez. A partir de então, seus pulmões não param mais de trabalhar.

Um adulto em repouso respira em média cerca de 16 vezes por minuto (ou 23 mil vezes por dia). Aos 30 anos, você inspirou e expirou aproximadamente 250 milhões de vezes.

Era de se supor que, com toda essa prática, seríamos todos especialistas em respiração. Será então que poderíamos aprender algo novo sobre esse instinto tão básico? A resposta é: sem dúvida.

Mas, por outro lado, desenvolver um controle maior sobre nossos pulmões pode trazer muitos benefícios para nossa saúde física e mental.

Curiosamente, os cientistas estão descobrindo que uma determinada frequência de respiração de cerca de seis expirações por minuto pode ser especialmente restauradora, desencadeando uma “resposta de relaxamento” no corpo e no cérebro.

Além de inspirar gurus de saúde e bem-estar, o exercício respiratório também começou a atrair a atenção de grandes empresas, que esperam que a prática possa ajudar os funcionários a manter a mente focada e lidar com o estresse diário do trabalho.

‘Rampa para acelerar o relaxamento’

Assim como a atual onda mindfulness (atenção plena), a terapia respiratória foi inspirada em ensinamentos de textos antigos, especialmente nas escrituras hindu e védicas, que exaltam a importância do controle da respiração por meio de práticas como pranayama, exercícios respiratórios de ioga.

Você pode estar se perguntando se os exercícios respiratórios são simplesmente outro nome para mindfulness, uma vez que muitos cursos de meditação incentivam os participantes a focar sua atenção no ato de inspirar e expirar.

Mas enquanto a atenção plena costuma envolver observação passiva (“observar sua respiração”), as terapias respiratórias exigem que você mude ativamente a maneira como respira.

Isso inclui respirar com o diafragma (em vez de movimentar o peito) para encher os pulmões com mais ar e, ao mesmo tempo, diminuir conscientemente o ritmo da respiração em repouso.

De acordo com quem pratica, essas respirações lentas e profundas desencadeiam respostas fisiológicas em cascata que aceleram sua jornada a um estado de relaxamento mais completo, em comparação com exercícios mindfulness mais passivos.

“Atua como uma rampa para ganhar velocidade na prática da meditação, ajudando a acalmar a mente mais rápido para que você tire o maior proveito enquanto medita”, explica Richie Bostock, técnico de terapias respiratórias e autor do livro Exhale (“Expire”, em tradução livre).

“Na verdade, eu chamo algumas séries que ensino de ‘meditação com combustível de foguete’, devido ao profundo efeito que elas têm em acalmar rapidamente a mente e levar você para aquele lugar sem pensamentos.”

A evidência científica parece respaldar isso. Em uma pesquisa, participantes com hipertensão apresentaram redução de curto prazo na pressão arterial após exercícios guiados de respiração lenta, efeito que parece ir além dos benefícios da prática mindfulness, sem controle ativo da respiração.

Um outro estudo recente descobriu que a respiração lenta e profunda pode ajudar a aliviar sintomas de depressão e ansiedade, além de contribuir para atenuar a insônia.

E um estudo do pesquisador Hassan Jafari, da Universidade King’s College London, no Reino Unido, mostrou que a respiração profunda pode melhorar o controle da dor. Vários estudos sugerem que a respiração profunda tem efeitos positivos para a saúde. Dados esses benefícios, alguns cientistas sugerem que as técnicas de respiração podem ajudar pacientes a lidar até mesmo com doenças crônicas, como artrite.

Mas atenção: se você tem qualquer problema de saúde, deve consultar um médico antes de tentar qualquer terapia nova.

A ciência por trás do natural

Ainda não está claro exatamente por que a respiração lenta e profunda provoca todas essas mudanças, embora algumas hipóteses tenham sido levantadas.

Uma teoria promissora se concentra nos nervos localizados no tórax, cujos efeitos sentimos toda vez que enchemos os pulmões de ar.

“Basta respirar fundo para ver até que ponto é um ato mecânico”, explica Donald Noble, da Universidade Emory, nos Estados Unidos.

Essa sensação de pressão é proveniente de um conjunto de sensores de elasticidade que medem a expansão dos pulmões.

O movimento do tórax produzido pelo relaxamento do diafragma quando expiramos também exerce pressão sobre os vasos sanguíneos que chegam ao coração, o que acaba por ativar outro conjunto de sensores (chamados barorreceptores) em nossas artérias.

Ambos os tipos de sensores alimentam o tronco encefálico, e Noble explica que, quando respiramos profundamente, a atividade em outras regiões pode ser sincronizada com essa estimulação constante e repetitiva.

As ondas cerebrais lentas resultantes desse ato nos levam a um estado de alerta relaxado.

As respirações mais rápidas e superficiais por si só não estimulam esses nervos, tampouco o cérebro, de maneira tão efetiva. Você precisa de inspirações e expirações prolongadas para gerar os ritmos adequados ao cérebro.

O nervo vago ajuda o corpo a atenuar as reações de luta e fuga quando não há mais uma ameaça iminente.

O nervo vago ajuda o corpo a atenuar as reações de luta e fuga quando não há mais uma ameaça iminente.

Igualmente importantes são os barorreceptores sensíveis à pressão, nas artérias ao redor do coração, que alimentam o nervo vago.

É um elemento essencial do sistema nervoso que acredita-se ser particularmente importante para atenuar a reação de lutar ou fugir depois que uma ameaça desaparece. “Permite que o corpo se concentre em coisas restauradoras ou nutritivas”, diz Noble.

Ao estimular repetidamente o nervo vago durante expirações longas, a respiração lenta pode levar o sistema nervoso a um estado de descanso, resultando em mudanças positivas, como diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial.

Curiosamente, as pessoas que praticam a terapia respiratória parecem encontrar um ponto ideal em torno de seis respirações por minuto.

Isso parece produzir um relaxamento significativamente maior por meio de um tipo de ciclo positivo de retroalimentação entre os pulmões, o coração e o cérebro.

“Você está meio que desbloqueando ou promovendo a amplificação de um ritmo fisiológico básico”, diz Noble.

O especialista acredita que essa frequência pode ser encontrada nas ações repetitivas de muitas práticas espirituais, como a Ave Maria rezada nos terços e o canto de mantras de ioga, que talvez tenham evoluído para levar as pessoas a um estado mental relaxado, porém focado.

Além de melhorar a saúde cardiovascular, a frequência respiratória mais lenta de seis respirações por minuto também parece ser ideal para o controle da dor.

Isso pode acontecer tanto devido ao bem-estar psicológico que advém da respiração lenta, quanto a qualquer mudança fisiológica direta na sensibilidade à dor.

“Acreditamos que os efeitos psicológicos, sobretudo da mudança do foco de atenção e de expectativas, desempenham um papel importante no efeito analgésico dessas técnicas”, diz ele.

Cerca de seis respirações por minuto é a frequência que proporciona mais relaxamento e é um ritmo encontrado nas ações repetitivas de práticas espirituais.

A tecnologia pode ajudar?

Havendo cada vez mais evidências sobre os benefícios da respiração profunda, ouvimos falar mais no poder da respiração controlada em livros e revistas, em programas de televisão e até mesmo no trabalho, à medida que mais empresas tentam ensinar técnicas respiratórias para ajudar os funcionários a gerenciar o estresse.

Bostock é um dos muitos que oferecem retiros para respiração e oficinas corporativas. Ele diz que o interesse “explodiu” recentemente, atraindo clientes como grandes bancos, empresas de consultoria e de tecnologia. Em parte, eles são atraídos pela simplicidade da técnica, acredita Bostock.

“Não é necessária experiência prévia em meditação ou mindfulness. Uma vez que você aprende como a respiração afeta seu corpo e sua mente, você tem uma maneira rápida e fácil de mudar seu estado, seja para reduzir o estresse e o nervosismo, aumentar seu foco e energia, e até mesmo ajudar na solução criativa de problemas.”

No futuro, nossa jornada rumo ao relaxamento profundo pode ser guiada por dispositivos que registram as respostas fisiológicas aos exercícios respiratórios.

Por exemplo, um experimento recente colocou os participantes em uma praia de realidade virtual ao pôr do sol. A variabilidade da frequência cardíaca deles foi ilustrada por nuvens no horizonte: quanto mais relaxados ficavam, mais claro ficava o céu.

O feedback imediato pareceu facilitar a jornada deles rumo ao relaxamento e, assim que chegaram lá, uma fogueira acendeu na praia, reforçando a sensação de terem alcançado seu objetivo.

Isso, por sua vez, os ajudou a voltar ao estado de relaxamento durante um teste cognitivo posterior, aumentando sua concentração.

Já existe uma infinidade de aplicativos para smartphone que se propõem a funcionar de maneira semelhante, embora nem todos tenham sido rigorosamente testados em relação à eficácia.

Obviamente, os praticantes de ioga vêm colhendo esses benefícios há milênios sem ajuda da tecnologia.

As pesquisas científicas mais recentes simplesmente nos ajudam a compreender as razões pelas quais essas práticas são tão benéficas, fora de seu contexto religioso ou espiritual, e a encontrar novas maneiras de potencializá-las.

Se você sofre de estresse regularmente, pode ter chegado a hora de dar um longo suspiro (de alívio!).

David Robson, Da BBC WorkLife

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7 atitudes que fortalecem sua saúde mental e corporal https://minasi.com.br/7atitudes/ https://minasi.com.br/7atitudes/#respond Fri, 19 Aug 2022 13:07:58 +0000 https://minasi.com.br/?p=2952

O Mindfulness se compõe de 7 atitudes básicas, identificadas por Kabat-Zinn: Não julgar, Paciência, Mente de Principiante, Confiança, Não forçar, Aceitação e Ceder. Estas atitudes encontram-se na maioria das tradições religiosas e espirituais e consistem um patrimônio da humanidade. São uma verdadeira medicina para os males da mente e do corpo.

Não julgar:

mãos que apontam e julgam

A atenção plena cultiva-se assumindo a postura de testemunhas imparciais de nossa própria existência. Fazer isso requer que tomemos consciência do constante fluxo de julgamentos e de reações a experiências tanto internas como externas nas que, pelo geral, vemos nós mesmos presos e onde aprendamos a sair delas. Quando começamos a praticar o prestar atenção à atividade de nossa própria mente, é comum que nos surpreenda o fato de nos dar conta de que constantemente geramos julgamentos sobre nossa experiência. A mente categoriza e rotula quase todo o que vemos. Reagimos a todo, o que experimentamos em termos de qual valor achamos que este fato ou esta coisa tem para nós. Algumas coisas, pessoas e acontecimentos são julgados como “bons” porque, por alguma razão, relacionam-se com que nos sintamos bem. Outros são condenados com a mesma celeridade, porque não achamos que tenham demasiada importância. As coisas, pessoas e acontecimentos neutros são quase dessintonizados por completo de nossa consciência. Por regra geral, não lhes concedemos atenção por considerá-los demasiado enfadonhos.

Este costume de categorizar e de julgar nossa experiência limita-nos a reações mecânicas, das que nem sequer nos damos conta e que, com frequência, carecem totalmente de base objetiva. Esses julgamentos têm tendência a dominar nossas mentes e nos dificultam de encontrar a paz em nosso interior. É como se a mente fosse um ioiô, subindo e baixando todo dia pelo barbante de nossas próprias ideias julgadoras. Se temos de achar uma forma mais eficaz de manejar o estresse de nossas vidas, o primeiro que precisaremos é tomar consciência desses julgamentos automáticos para ver através de nossos preconceitos e temores e nos libertar de sya tirania. Ao praticar a atenção plena, é importante reconhecer, quando faça sua aparição, esta qualidade mental julgadora, bem como assumir intencionadamente a postura de testemunha imparcial, recordando a nós mesmos que o único que temos que fazer é observar. Quando nos encontremos com que a mente julga, não devemos fazer com que deixe de fazêlo. Tudo o que precisamos é nos dar conta do que se sucede. Não há nenhuma necessidade de julgar os julgamentos e de complicar ainda mais as coisas.

Como exemplo, imaginemos que nos encontramos vigiando nossa respiração. Em um determinado momento, podemos dar conta de que nossa mente diz coisas como: “Isto é uma chateação”, ou “Isto não funciona”, ou “Não posso fazer isto”. Trata-se de julgamentos. Quando chegam à nossa mente, é da maior importância que os reconheçamos como pensamentos de julgamento e lembremos que a prática implica a suspensão de julgamentos e a mera observação de tudo o que acontece – que inclui nossos próprios pensamentos de julgamento – sem segui-lo ou agir sobre ela de qualquer maneira. Depois, podemos prosseguir com a observação de nossa respiração.

Paciência:

fishing man vacation people
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A paciência é uma forma de sabedoria. Isso mostra que entendemos e aceitamos o fato de que, às vezes, as coisas têm que acontecer quando é a vez delas. Uma criança pode tentar ajudar, rompendo o casulo, fazendo com que uma borboleta saia, ainda que, por regra geral, a borboleta não resulte em nada beneficiada pelo esforço. Qualquer adulto sabe que a borboleta só pode sair ao exterior quando lhe chega o momento e que não pode ser acelerado o processo. Da mesma maneira, quando praticamos a atenção plena, cultivamos a paciência para nossa própria mente e nosso próprio corpo. De forma expressa, recordamos que não há necessidade alguma de nos impacientar com nós mesmos por achar que nossa mente passa o tempo todo julgando, ou que estejamos tensos, nervosos ou assustados, ou por ter praticado durante algum tempo sem aparentes resultados positivos. Temos que nos conceder um espaço para ter essas experiências. Por que? Porque de qualquer jeito vamos tê-las! Quando cheguem, constituirão nossa realidade, serão uma parte de nossa vida que se desenvolve nesse momento, de maneira que tratemos a nós mesmos pelo menos tão bem como trataríamos à borboleta. Por que passar de maneira corrida por alguns momentos de nossa vida para chegar a outros?, por que sacrificar o presente por um futuro que não sabemos se será melhor? Após tudo isso, cada um deles constitui nossa vida nesse instante.

Quando praticamos estar assim com nós mesmos, estamos destinados a encontrar que nossa mente possui “uma mente própria”. Uma das atividades favoritas da mente é vagar pelo passado e pelo futuro e perder-se no pensamento. Alguns de seus pensamentos são agradáveis; outros, dolorosos e geradores de intranquilidade. Seja qual for o caso, o mero fato de pensar exerce um forte alerta em nossa consciência. A maioria das vezes, nossos pensamentos atropelam nossa percepção do momento atual e fazem com que percamos nossa conexão com o presente. A paciência pode ser uma qualidade especialmente útil para invocá-la quando a mente está agitada e pode nos ajudar a aceitar o errático desta, recordando que não temos por que ser arrastados por suas viagens. A prática da paciência nos recorda que não temos que encher de atividade e ideias nossos momentos para que estes se enriqueçam. Na verdade, isso nos ajuda a recordar que o que é verdade é precisamente o contrário. Ter paciência consiste singelamente em estar totalmente aberto a cada momento, aceitando em sua plenitude e sabendo que, igual que no caso da borboleta, as coisas se descobrem quando lhes convém.

Mente de principiante:

A riqueza da experiência do momento presente não é mais do a riqueza da própria vida. Com demasiada frequência, permitimos que nossos pensamentos e crenças sobre o que “sabemos” nos impeça de ver as coisas como são. Para ver a riqueza do momento presente, precisamos cultivar ao que vem se denominando “mente de principiante” ou mente disposta a ver tudo como se fosse a primeira vez.

focused girl meditating while practicing yoga lotus pose
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Esta atitude terá importância especial quando pratiquemos as técnicas de meditação formal. Seja qual for a técnica que particularmente empreguemos, seja ela a exploração do corpo ou a meditação sentada do yoga, deveremos adotar a mente do principiante cada vez que pratiquemos, para assim nos ver livres das expectativas baseadas em experiências prévias. Uma mente aberta de “principiante” nos permite ser receptivos ao nosso potencial e nos impede de ficar presos na rotina de nossa própria experiência, que muitas vezes acredita que sabe mais do que sabe. Nenhum momento é igual a outro. A cada um deles é único e possui possibilidades únicas. A mente de principiante recorda-nos esta verdade tão singela.

Podemos tentar o experimento de cultivar nossa mente de principiante em nossa vida diária. A próxima vez que vejamos a alguém com quem estejamos familiarizados, devemos nos perguntemos se vemos a essas pessoas com olhos novos, como assim é, ou se só vemos o reflexo de nossas próprias ideias a respeito delas. Devemos tentar isso com nossos próprios filhos, com nossa esposa, nossos amigos e colegas do trabalho, ou com nosso cão ou gato. Devemos tentar com os problemas quando estes aflorem. Devemos tentar com a natureza quando formos sair ao exterior. Podemos ver o céu, as estrelas, as árvores, a água e as rochas como são nesse preciso momento e com uma mente limpa e ordenada, ou apenas podemos vê-los através do véu de nossas próprias ideias e opiniões?

Confiança:

O desenvolvimento de uma confiança básica em si mesmo e em seus sentimentos constitui uma parte fundamental deste programa. É muito melhor confiar em nossa intuição e em nossa própria autoridade, ainda que possamos cometer alguns “erros” no caminho, do que buscar sempre um guia fora de nós mesmos. Se em algum momento algo não nos parece bem, por que não seguir essa sensação? Por que temos de taxá-la de inútil porque alguma autoridade ou grupo de pessoas pensa de maneira diferente? Esta atitude de confiar em nós mesmos e em nossa sabedoria e bondade básicas é muito importante em todas as facetas da prática da meditação.

boy wearing orange shirt blowing on dandelion
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Algumas pessoas, que se veem envolvidas na meditação, observam-se tão enganchadas na reputação e autoridade de seus mestres, que não seguem seus próprios sentimentos nem sua intuição. Esta é uma atitude absolutamente oposta ao espírito da meditação, o qual ressalta o fato de que sejamos nós mesmos e que compreendamos o que isto significa. Quem quer que imite ao outro, seja este outro quem for, caminha em direção contrária.

É impossível converter-se em outro. Nossa única esperança reside em ser nós mesmos com mais plenitude. Esta é a razão, em primeiro lugar, para que pratiquemos a meditação. Os mestres, livros e fitas só podem ser guias, pontos indicadores. É de soma importância estar aberto e ser receptivo ao que possamos aprender de outras fontes, ainda que, em rigor, tenhamos que viver nossa própria vida e cada momento desta. Ao praticar a atenção plena, praticamos também a tomada de responsabilidade de ser nós mesmos e de aprender a escutar nosso próprio ser e a ter confiança nele. Quanto mais cultivemos esta confiança, mais fácil nos parecerá confiar em outras pessoas e ver também sua bondade básica.

Não forçar:

Quase todo o que fazemos, fazemos com uma finalidade: conseguir algo ou chegar a algum lugar. No entanto, esta atitude, na meditação, é diferente de qualquer outra atividade humana. Ainda que requeira muito trabalho e um verdadeiro tipo de energia, a verdade é que a meditação consiste em não fazer. Não há outro objetivo para nós sem ser que sejamos nós mesmos. A ironia é que encontra-se no que já o somos. Soa paradoxal e algo estanho. No entanto, este paradoxo e estranheza podem nos indicar o caminho para uma nova forma de ver a nós mesmos, uma forma na qual tentemos menos e sejamos mais, que nos chega expressamente mediante o cultivo da atitude de não nos esforçar.

man falling carton boxes with negative words
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Por exemplo, se nos sentamos e meditamos, pensamos: “Vou relaxar ou me iluminar ou controlarei minha dor ou vou me converter em uma pessoa melhor”, o que ocorre é que temos introduzido em nossa mente a noção de onde deveríamos estar, vindo com ela a ideia de que não estamos bem nesse momento. “Se me encontrasse mais tranquilo, ou fosse mais inteligente, ou trabalhasse com mais afinco ou mais isto ou aquilo, ou se meu coração funcionasse melhor, ou se meu joelho não doesse, estaria bem, mas, neste momento, não estou”. Essa atitude prejudica o cultivo da atenção plena, o que implica simplesmente prestar atenção ao que acontece. Se estamos tensos, prestemos atenção nessa tensão. Se algo nos dói, devemos sentir o melhor que possamos com nossa dor. Se nos tornamos objeto de nossa própria crítica, observemos a atividade da mente julgadora. Estejamos atentos. Devemos lembrar que só permitimos que estejam presentes qualquer coisa e todas as coisas que experimentemos de uma hora para outra porque já estão aqui.

Aceitação:

A aceitação significa ver as coisas como são no presente. Se temos uma dor de cabeça, devemos aceitar o que temos. Se temos alguns quilos a mais, por que não os aceitar como descrição de nosso corpo nesse momento? Antes ou depois, teremos que adaptar às coisas como são e aceitá-las. Seja acerca de um diagnóstico de câncer, bem como na morte de alguém. Frequentemente, só se atinge a aceitação após ter atravessado períodos de negação muito emotivos, e, a seguir, de raiva. Estas etapas constituem o avanço natural no processo de nos adaptar ao que seja e fazem parte do processo de cura.

crop black man showing pray gesture
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No entanto, deixando de lado por um instante as grandes calamidades que, em geral, absorvem tanto tempo no decorrer do nosso dia-a-dia antes da cura, muitas vezes desperdiçamos uma grande quantidade de energia negando o que já é um fato e resistindo a ele. Ao trabalhar assim, o que fazemos basicamente é tentar forçar as situações para que sejam como gostaríamos que fossem, o que só gera mais de tensão e, de fato, impede que se produzam mudanças positivas. Podemos estar tão ocupados negando, forçando e lutando que não nos sobrem energias para sanar e crescer, e que as poucas que nos restem possam ser desvanecidas por nossa falta de consciência e intenção.

Se temos excesso de peso e nosso corpo não nos agrada, de nada serve esperar até que tenhamos o peso que gostaríamos ter para começar a nos agradar com ele e assim que gostemos de nós mesmos. Em determinado momento, e se não queremos nos ver presos em um frustrante círculo vicioso, poderíamos nos dar conta de que é perfeitamente correto gostar do peso que temos nesse momento porque é o único instante em que podemos nos gostar. Recordemos: o agora é o único tempo com que contamos para o que seja. Temos que nos aceitar como somos antes de que possamos mudar. Quando começamos a pensar desta maneira, o fato de perder peso deixa de ter importância. Além disso, torna-se bem mais fácil. Mediante o cultivo intencionado da aceitação, criamos as condições prévias para a cura.

A aceitação não quer dizer que tenhamos que gostar todo, ou que tenhamos que adotar uma postura passiva para tudo e abandonar nossos princípios e valores. Não significa que estejamos satisfeitos com as coisas como elas são, ou que tenhamos resignados a tolerar as coisas como “tenham que ser”. Isso não implica que devamos cessar nossas tentativas de romper com nossos próprios hábitos autodestrutivos, ou desistir de nosso desejo de mudar e crescer, ou tolerar a injustiça, por exemplo, ou evitar em nos envolver em mudar o mundo ao nosso redor porque seja assim e, portanto, careça de esperança. A aceitação, como nós a vemos, quer dizer simplesmente que temos estamos à vontade de ver as coisas como são. Esta atitude prepara o cenário para que, aconteça o que for, possamos agir de forma adequada em nossa vida. Muito provavelmente somos nós mesmos que sabemos o que fazer e temos a convicção interior de agir quando temos uma visão clara do que acontece, em vez de quando a nossa visão é obscurecida pelos julgamentos e desejos autosserviçais da nossa mente ou por causa de seus medos e preconceitos.

Em a prática da meditação, cultivamos a aceitação tomando cada momento como nos chega e estando completos com ele como é. Tentamos não impor nossas ideias sobre o que devemos sentir, pensar ou ver em nossa experiência, mas apenas lembrar de ser receptivos e abertos ao que sentimos, pensamos, ou vemos e aceitamos, porque é aqui e agora. Se mantemos nossa atenção atenta ao presente, podemos estar seguros de uma coisa: de que seja o que tenhamos diante de nós neste momento, isso nos mudará e proporcionará a ocasião de praticar a aceitação com independência do que nos surgirá no momento seguinte. Está muito claro de que há sabedoria no cultivo da aceitação.

Ceder:

Dizem que na Índia existe uma forma muito inteligente de caçar macacos. Segundo contam, os caçadores recortam em um coco um buraco suficientemente grande para que o macaco possa introduzir sua mão. Depois, perfuram dois buracos menores no outro extremo e passam por eles um arame, cujo atam à base de uma árvore. O macaco desce da árvore, introduz sua mão no buraco e agarra a banana que os caçadores introduziram no coco. O buraco foi recortado de forma que a mão aberta do macaco possa passar por ele, ainda que não seu punho fechado. Tudo o que o macaco tem que fazer para se libertar é soltar a banana, ainda que parece que a maioria dos macacos não o faça.

Frequentemente, e apesar de toda nossa inteligência, nossas mentes desempenham comportamentos semelhantes, razão pelo que o cultivo da atitude de ceder ou da falta de apego é fundamental para a prática da atenção plena. Quando começamos a prestar atenção em nossa experiência interior, descobrimos imediatamente que existem certas ideias e sensações que dão a impressão de que a mente quer ser aderir. Se são agradáveis, tentamos prolongá-las, esticá-las e retorná-las continuamente. Existem, de igual modo, muitas ideias, sensações e experiências que tratamos de evitar, ou das que tentamos nos libertar ou nos proteger porque são desagradáveis, dolorosas e porque, de uma ou outra forma, nos dão medo.

Na prática da meditação, nós, de forma deliberada, deixamos de lado a tendência de engrandecer determinados aspectos de nossa experiência e a recusar outros. Em vez disso, o único que fazemos é deixar que nossa experiência seja ela mesma e praticar observando-a em cada momento. Ceder é uma forma de deixar que as coisas sejam como são e de aceitá-las assim. Quando observamos como nossa mente adere e se afasta, vamos nos lembrar de nos desligarmos expressamente desses impulsos, mesmo que seja apenas para ver o que acontece.

Quando nos vemos julgando nossa experiência, deixemos que essas ideias julgadoras se vão. Devemos reconhecê-las e não as perseguir mais. Devemos deixá-las em paz e, ao fazer isso, permitir que se vão. Do mesmo modo, quando nos vêm ideias do passado ou do futuro, que as deixemos em paz. Apenas devemos permanecer alertas. Podemos nos converter em especialistas de nossos próprios apegos, com independência de quais sejam e de suas consequências em nossas vidas, e no que se sente nesses momentos em que, por fim, cedemos, bem como, também, de quais são as consequências disso. O fato de estarmos dispostos a olhar para as formas em que nos apegamos mostra, no fundo, muita experiência no contrário, de uma forma que, quer tenhamos ou não sucesso em nos desfazer, a atenção continua a nos ensinar se estivermos dispostos a olhar. O se soltar ou desatar-se não constitui nenhuma experiência do outro mundo. Fazemos isso todas as noites ao ir dormir. Nos atiramos em uma superfície acolchoada, sem luzes, em um lugar tranquilo e deixamos que nossas mentes e corpos se deixem ir. Se não o fazemos, não poderemos dormir. A maioria de nós experimentamos que a mente muitas vezes não se cala quando nos deitamos. Este é um dos primeiros sinais de um elevado estresse. Em tais casos, podemos nos sentir incapazes de se libertar de certas ideias porque nosso envolvimento com elas é demasiado poderoso. Se nos forçamos a dormir, é pior ainda. Portanto, se podemos dormir, isso significa que já somos especialistas em nos desprender. O que agora nos falta é praticar, aplicando esta habilidade também a situações em que estejamos despertos.

Uma maneira de apreciar a importância das atitudes características de Mindfulness é considerar seus opostos. Imagine uma pessoa que constantemente está julgando, criticando e se queixando, que acha que já sabe tudo, é impaciente, nega a realidade e trata de controlar obsessivamente cada aspecto desta. Quais avanços você acha possível de fazer na aprendizagem de Mindfulness ou de qualquer outra habilidade com estas atitudes?

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Ansiedade, pânico ou ataque cardíaco? https://minasi.com.br/ansiedade-panico-ou-ataque-cardiaco/ https://minasi.com.br/ansiedade-panico-ou-ataque-cardiaco/#respond Mon, 10 May 2021 14:58:47 +0000 https://minasi.com.br/?p=2386

Você sabia que uma crise de ansiedade pode ser confundida com um infarto? Isso porque os sintomas podem ser muito parecidos e causar dúvidas. Nesse caso, a pessoa sente dor no peito, ansiedade, falta de ar, palpitações, sudorese, sensação de sufocamento, náuseas, tontura, calafrios e medo de morrer, entre outros sinais que são comuns a eventos cardíacos e ataques de pânico.

É importante que, de qualquer forma, quando os sintomas se iniciarem, a ajuda médica seja procurada imediatamente. Afinal, o infarto requer atendimento de urgência, para que consequências mais graves sejam evitadas. Já a crise de ansiedade, embora não cause perigo de morte, precisa ser diagnosticada e tratada para que a qualidade de vida do paciente melhore.

Neste artigo, explicaremos as particularidades de uma crise de ansiedade e de um infarto, assim como o que deve ser feito em cada uma dessas situações. Continue a leitura e saiba mais!

O que é a ansiedade?

dor no peito ansiedade

A ansiedade é caracterizada como um distúrbio psiquico-corporal que prejudica a qualidade de vida de diversas pessoas ao redor do mundo. Controlar essa sensação pode ser um desafio para muitos durante toda a vida. Sem saber como lidar com esse sentimento, muitas pessoas acabam aprendendo a conviver com essa apreensão por longos períodos.

Quem sofre desse distúrbio acaba se preocupando em excesso e, por fim, seus temores passam longe da realidade. Em resumo, isso tudo atrapalha muito o cotidiano. Os transtornos de ansiedade podem ser divididos em transtorno de ansiedade generalizada, síndrome e ataques de pânico e fobias específicas.

Ataque de pânico

O ataque de pânico é o que está relacionado aos sintomas comuns ao infarto. Ele é caracterizado por um período curto em que uma pessoa sente angústia e medo extremos, de início súbito e acompanhados por sintomas emocionais e físicos. Os sinais do ataque de pânico são:

  • dor no peito;
  • sensação de engasgo;
  • medo de morrer, perder o controle ou enlouquecer;
  • agitação;
  • náuseas e vertigens;
  • dormência e formigamento, principalmente, nas mãos e pés;
  • palpitações;
  • sudorese;
  • tremor;
  • sensação de falta de ar.

Como os sintomas de um ataque de pânico envolvem órgãos vitais, como coração, cérebro e pulmões, é comum que as pessoas pensem que estão vivenciando um problema relacionado a outras doenças.

Geralmente, os sinais atingem o seu ápice em 10 minutos e, após esse tempo, regridem. Quando isso ocorre, não há alterações nos exames laboratoriais, ou seja, um médico não consegue achar nenhum problema na saúde do paciente que justifique os sintomas.

O que é o infarto?

Os músculos do coração trabalham sem pausa para oferecer sangue rico em nutrientes e oxigênio para todo o organismo. Dessa forma, eles também precisam receber suprimento sanguíneo adequado, trabalho que é feito pelas artérias coronarianas.

Por diversos motivos, pode ocorrer bloqueio em alguma dessas artérias, resultando em isquemia (falta de sangue). Os músculos do coração podem aguentar a isquemia por alguns minutos, mas, se o suprimento de sangue não retornar, o tecido sofre necrose, ou seja, morre.

Dessa forma, a área irrigada pela artéria ocluída perderá a sua função e o coração sofrerá como um todo, visto que uma de suas partes não poderá mais bombear o sangue. Nesse caso, dizemos que a pessoa sofreu um infarto, que também é denominado ataque cardíaco.

Quais os sintomas do infarto?

Apesar de comum, a dor forte no peito não é o único sinal de infarto, e outros sintomas podem indicar que algo está errado. O mais comum é que o paciente apresente um conjunto de indícios que, geralmente, surgem de repente. O primeiro sinal é a dor ou aperto no peito, que costuma se espalhar para o queixo ou braço e ombro esquerdo.

Além disso, quando apenas um pequeno ramo da artéria se encontra obstruído, atingindo uma área do músculo cardíaco, o infarto pode ser silencioso, ou seja, assintomático. Os sintomas do infarto incluem:

  • dor no peito, geralmente, opressiva, que pode irradiar para nuca, queixo, ombros ou para os membros superiores;
  • dor no abdômen, que pode ser confundida com indigestão (menos frequentemente);
  • sensação de desmaio ou desmaio;
  • transpiração intensa e repentina;
  • náuseas;
  • falta de ar;
  • dormência e formigamento;
  • palpitações;
  • inquietação;
  • sensação de morte iminente;
  • desorientação.

É importante ter em mente que os sinais podem começar repentinamente, demonstrando um quadro agudo e mais grave, assim como ser insidiosos. Em alguns casos, não existe bloqueio completo da artéria e o suprimento sanguíneo diminui aos poucos.

É possível ter dores por 20 minutos, por exemplo, o que mostra o problema crescente, sendo um sinal de falha nas artérias coronarianas. Apesar de todos os indícios descritos, uma a cada cinco pessoas que sofrem um infarto têm apenas sintomas leves ou, até mesmo, nenhum sinal.

Como lidar com os sintomas do infarto?

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Como visto, a dor no peito de ansiedade e a de um infarto podem ser muito semelhantes. Dessa forma, é indicado procurar um serviço de urgência logo quando os sintomas começam. Afinal, no caso de um infarto, o tempo é um fator importante para a recuperação e a possibilidade de cura do coração.

Quando uma pessoa dá entrada com tais sintomas, são feitos alguns exames para verificar se há isquemia cardíaca. O eletrocardiograma, também chamado de ECG, é um exame que mede a atividade elétrica do coração e é capaz de diagnosticar se há alguma área de necrose ou com irregularidade na movimentação muscular.

Enzimas cardíacas

As enzimas cardíacas também são importantes nesse quadro, visto que sinalizam a morte das células do coração e são fundamentais para o diagnóstico de infarto. Elas são identificadas pelo exame sanguíneo, feito rapidamente quando o paciente dá entrada no serviço de urgência.

A creatinofosfoquinase (CPK) se eleva na corrente sanguínea dentro de três a seis horas após o início de um ataque cardíaco, por exemplo. Já a mioglobina, outra enzima do coração, é liberada pelo músculo que sofreu necrose rapidamente, começando a elevar seus títulos após uma ou duas horas do evento. Além dessas, existem outras enzimas cardíacas que servem como marcadores.

Quando as enzimas e o eletrocardiograma têm resultado normal, a possibilidade de ataque cardíaco é desconsiderada. Nesse momento, é fundamental que o médico levante a possibilidade de uma crise de pânico, devido à semelhança do quadro.

Como lidar com os sintomas dos transtornos de ansiedade?

No caso dos transtornos de ansiedade, o primeiro passo é procurar ajudar capacitada: um terapeuta, um psicólogo ou um profissional que ajude você a lidar com os sintomas. O ataque de pânico pode acontecer novamente dentro de meses ou semanas, e se tornar frequente, prejudicando a qualidade de vida.

A ansiedade pode ser motivada por diversos fatores, mas principalmente, pela forma em lidar com suas emoções, em especial, o medo. Existem diversas terapias integrativas que podem ajudar bastante, como aculpuntura, yoga, pilates…

Como controlar a ansiedade no dia a dia?

É comum termos dificuldade de controlar a ansiedade no dia a dia. Tanto para quem sofre do transtorno de forma generalizada quanto para pessoas levemente ansiosas, é um desafio adotar medidas para controlar esse distúrbio.

Uma dica para que as recomendações funcionem é a repetição, visto que tentar esporadicamente não fará a ansiedade sumir de forma milagrosa. Por isso, é preciso desenvolver hábitos positivos por meio da reeducação do cérebro.

Controle sua respiração

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A respiração é algo fundamental para o controle diário da ansiedade. Praticar a respiração profunda é um conselho antigo e pede um pouco de treinamento. Ao inspirarmos e expirarmos o ar lentamente, fazemos com que nosso cérebro compreenda que devemos relaxar. Controlar a respiração oferece um efeito de relaxamento quase que imediato.

Porém, quando nos encontramos em situações de alto estresse e nervosismo, é comum termos dificuldade de realizar a respiração profunda. Por isso, é preciso treino para que ela possa se tornar eficiente com o tempo. Dois minutos diários de treinamento podem fazer a diferença para que o corpo aprenda a se acalmar na hora dos momentos mais aflitos.

Evite situações de gatilho

Em muitos casos, a ansiedade é provocada por situações que acontecem de repente e nos pegam de surpresa. Mas determinados acontecimentos servem como gatilho para desencadear uma crise ou para um comportamento ansioso. Por exemplo, a ida a um local estressante e uma conversa com uma pessoa negativa podem ser gatilhos para certas pessoas desenvolverem quadros de ansiedade.

Faça atividade física

asian trainer teaching woman doing sports exercise in park
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Praticar qualquer tipo de atividade física, pelo menos três vezes por semana, oferece inúmeros benefícios para a saúde. Além de auxiliar no controle da ansiedade, exercícios diários previnem e servem como tratamento complementar para alguns transtornos mentais.

Movimentar o corpo libera os hormônios da felicidade, oferecendo bem-estar e disposição física para todo o dia. Procure uma atividade que você goste e desfrute dos benefícios. Assim, é importante identificar quais são os seus gatilhos e procurar evitá-los sempre que possível.

Tenha um sono de qualidade

Dormir uma boa noite de sono é um dos métodos mais eficazes para diferentes situações, inclusive, para a ansiedade. Ter um sono tranquilo é uma forma de se manter relaxado e de se preparar para lidar com os acontecimentos do dia a dia.

Por outro lado, dormir mal contribui para o aumento de cortisona no organismo, levando a quadros de irritabilidade e até dor no peito e ansiedade. Para pessoas que sofrem de insônia, pequenas mudanças de hábitos podem ser muito benéficas. Criar uma rotina antes de ir para a cama, por exemplo, ajuda a desacelerar o cérebro e prepara para o sono.

Encontre técnicas relaxantes

Meditação e técnica de relaxamento
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Ao chegar em casa depois de um dia intenso de trabalho, escute uma música relaxante, apague as luzes do seu quarto e deite confortavelmente. Tente esvaziar a mente e não pensar nos problemas, no trabalho ou nas tarefas de casa.

Concentre-se no momento presente. Preste atenção na sua respiração e deixe se envolver pela música, de preferência, utilize fones de ouvido que ajudam a aprofundar no relaxamento.

Repita esse momento curto de tranquilidade diariamente, que logo perceberá a ansiedade diminuindo. Se você está acostumado a chegar do trabalho e se encher de tarefas, pode estranhar um pouco essa prática, no início. Lembre-se de que esses momentos curtos de silêncio diário são fundamentais para manter a saúde mental.

Portando, mesmo com a dor no peito de ansiedade, existem diferenças entre essa condição e o infarto. Nas duas situações, esperar não é a melhor opção! Se a pessoa estiver sofrendo um ataque cardíaco e não receber intervenção médica a tempo, pode ir a óbito. Já no caso da crise de pânico, não receber atendimento adequado pode agravar o problema, aumentando a frequência dos ataques.

Se precisa de ajuda com a ansiedade, fale comigo!

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Crise: sofrimento e oportunidade https://minasi.com.br/crise-sofrimento-e-oportunidade/ https://minasi.com.br/crise-sofrimento-e-oportunidade/#respond Tue, 15 Sep 2020 22:00:24 +0000 https://minasi.com.br/?p=2165

Estes são tempos únicos, não é mesmo? Nunca estivemos tão separados e tão juntos.

Tudo o que vem acontecendo por conta da pandemia e isolamento já é crise. Uma crise social que afeta níveis familiares e individuais, não é verdade?

O que significa uma Crise?

A palavra Crĭsis, no latim significa ‘momento de mudança súbita, faculdade de distinguir, decisão, momento difícil.

Toda crise tem duas faces: a do sofrimento e  a da oportunidade. As crises podem ter origem em boas ou más experiências. Por exemplo, o nascimento de um filho, um casamento, um novo trabalho são experiencias motivantes que podem nos lançar numa crise, assim como uma enfermidade, um falecimento, um término.

Se qualquer acontecimento em nossa vida pode gerar uma crise, como é que surgem as crises e elas estão baseadas em quê e como podemos sair disto?

Núcleo saudável – essência – core

Nós funcionamos a partir de um núcleo saudável. Por mais que tenhamos dificuldades físicas ou psíquicas, em nosso centro – core – temos uma instância que sempre está saudável e pulsa gerando vida. No entanto, através de nossas experiências infantis desenvolvemos sistemas de defesa de forma inconscientes em nosso corpo, formando uma espécie de couraça, de armadura de defesas musculares e acima, uma personalidade, que funciona como uma máscara para entrar em contato com o mundo.

É como uma cebola, onde temos camadas. Estas defesas então vão se estruturando sobre o núcleo saudável, a fim de protege-lo. Durante o período de crise algumas dessas defesas podem se enfraquecer sem estarmos preparados para mostrar dores mais profundas, assim, nos desorganizamos em nosso sistema de funcionamento psico-físico-energético.

Auto Conhecimento

O processo de conhecer-se é importante nestes momentos, para perceber o que está acontecendo, o que está fora do funcionamento normal. Caso seja necessário, pedir auxílio, procurar ajuda profissional para re-equilibrar ou entrar no processo mais profundo de terapia.

Descobrir e entender o próprio jeito de funcionar é um caminho para que detectemos estes processos de quando nossas defesas se desfazem sem que estejamos preparados e entramos crises.

Defesas

As defesas que desenvolvemos na infância se manifestam como tensões ou contrações musculares, desta forma, em nosso passado de criança filtrávamos e controlávamos nossos impulsos energéticos e nossas emoções. Da mesma forma, psicologicamente criamos processos psíquicos para  conter sentimentos. Na infância, isto foi fundamental para que pudéssemos sobreviver, no entanto, em nossa idade adulta não é mais necessário, mas continua lá, como motoristas invisíveis de nós mesmos. Vai se repetindo até que se torna um padrão de funcionamento psico-fisico-energético.

O conjunto destas defesas que cada pessoa desenvolve chamamos de caráter e personalidade. E são estes traços que durante a crise podem se desorganizar.

Respiração

Todos estes mecanismos de controle muscular podem nos levar a um excesso de inibição respiratória, como forma de sentir menos dor … Lembre-se quando nos machucamos o que fazemos? Prendemos a respiração. Que tem explicações fisiológicas e psiquicas. Recuperar a capacidade respiratória é uma excelente estratégia de auto conhecimento terapeutico.

Como falei no inicio, quero propor 3 exercícios respiratórios que podem nos ajudar em momentos próximos às crises ou no dia a dia.

  1. Identificar meu padrão de respiração
    1. Coloque uma das mãos sobre o peito e a outra, no abdômen, pouco abaixo da barriga. E, então, procure respirar normalmente percebendo qual das mãos se movimentam mais, ou seja, se sua respiração é abdominal ou torácica.
    2. Excelente! Tente alterar seu padrão, ou seja, se respira mais com o abdômen force a respiração torácica e vice-versa. Preste atenção às suas sensações, pensamentos, emoções. Isto diz muito de você.
  2. Respiração para ansiedade e pânico
    1. Procure inspirar pelo nariz e expirar pela boca
    2. Enquanto inspira, você vai puxar os ombros na direção da cabeça e aperte as mãos, fechando-as bem.
    3. Expire soltando o ar lentamente pela boca enquanto empurra os ombros na direção das pernas, abrindo bem as mãos.
    4. Encontre um ritmo que mais seja confortável e faça esse exercício por 5 ou 7 minutos.
    5. Pode produzir um relaxamento diafragmatico, aliviando os ombros e a cervical.
  3. Respiração de emergência.
    1. Em momentos de crise, quando estamos com muita ansiedade, ao ponto de não conseguir respirar, respire da seguinte forma:
    2. Pegue um saco de papel e coloque sobre a boca e nariz e respire dentro. Respire até sentir acalmar-se ou ser tomado por emoção ou choro. Poderá relaxar o diafrágma e permitir um relaxamento da ansiedade.

Crise é oportunidade. Auto-conhecimento é a chave que abre o caminho.

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A ‘arte perdida’ da respiração pode afetar o sono e a resiliência https://minasi.com.br/a-arte-perdida-da-respiracao-pode-afetar-o-sono-e-a-resiliencia/ https://minasi.com.br/a-arte-perdida-da-respiracao-pode-afetar-o-sono-e-a-resiliencia/#respond Fri, 29 May 2020 15:14:08 +0000 https://minasi.com.br/?p=1970

Os seres humanos normalmente respiram cerca de 25.000 respirações por dia – muitas vezes sem pensar duas vezes. Mas a pandemia do COVID-19 colocou um novo foco nas doenças respiratórias e nas respirações que tantas vezes tomamos como garantidas.

O jornalista James Nestor se interessou pelo sistema respiratório anos atrás, depois que seu médico recomendou que ele fizesse uma aula de respiração para ajudar na pneumonia e bronquite recorrente.

Enquanto pesquisava a ciência e a cultura da respiração para seu novo livro, Respiração: A Nova Ciência de uma Arte Perdida, Nestor participou de um estudo em que seu nariz ficou completamente tapado por 10 dias, forçando-o a respirar apenas pela boca. Não foi uma experiência agradável.

“Passei de roncar alguns minutos por noite para, em três dias, roncar quatro horas por noite”, diz ele sobre a respiração forçada na boca. “Eu desenvolvi apneia do sono. Meus níveis de estresse estavam fora dos gráficos. Meu sistema nervoso estava uma bagunça. … eu me senti horrível.”

Respiração
Respiração – a nova ciência de uma arte esquecida

Nestor diz que os pesquisadores com quem conversou recomendam reservar um tempo para “ouvir-se conscientemente e sentir como a respiração está afetando você”. Ele observa que respirações “lentas e baixas” pelo nariz podem ajudar a aliviar o estresse e reduzir a pressão sanguínea.

“É assim que seu corpo quer respirar”, diz Nestor. “Reduz a carga do coração se respirarmos adequadamente e se realmente engatarmos o diafragma”.


Destaques da entrevista

Por que respirar pelo nariz é melhor do que respirar pela boca

O nariz filtra, aquece e trata o ar puro. A maioria de nós sabe disso. Mas muitos de nós não percebemos – pelo menos eu não percebi – como [a inalação pelo nariz] pode desencadear diferentes hormônios a inundar nossos corpos, como pode diminuir nossa pressão arterial … como monitora a freqüência cardíaca … até ajuda a guardar memórias. Portanto, é este órgão incrível que … orquestra inúmeras funções em nosso corpo para nos manter equilibrados.

Sobre como o nariz tem tecido erétil

O nariz está mais intimamente ligado aos nossos órgãos genitais do que qualquer outro órgão. Está coberto no mesmo tecido. Portanto, quando uma área é estimulada, o nariz também é estimulado. Algumas pessoas têm uma conexão muito estreita, onde são estimuladas nas regiões do sul, e começam a espirrar incontrolavelmente. E essa condição é comum o suficiente para que recebesse um nome chamado rinite de lua de mel.

Outra coisa realmente fascinante é que o tecido erétil pulsará por si próprio. Portanto, ele fechará uma narina e permitirá a respiração através da outra narina, então essa outra narina se fechará e permitirá a respiração. Nossos corpos fazem isso por conta própria. …

Muitas pessoas que estudaram isso acreditam que é assim que nosso corpo mantém o equilíbrio, porque quando respiramos pela narina direita, a circulação acelera [e] o corpo fica mais quente, os níveis de cortisol aumentam, a pressão arterial aumenta. Então, respirar pela esquerda nos relaxará mais. Então a pressão sanguínea diminui, diminui a temperatura, esfria o corpo, reduz a ansiedade também. Então nossos corpos estão fazendo isso naturalmente. E quando respiramos pela boca, estamos negando ao corpo a capacidade de fazer isso.

Sobre como a respiração afeta a ansiedade

Conversei com um neuropsicólogo … e ele me explicou que pessoas com ansiedades ou outras condições baseadas no medo normalmente respiram demais. Então, o que acontece quando você respira tanto é que você está constantemente se colocando em um estado de estresse. Então você está estimulando esse lado simpático do sistema nervoso. E a maneira de mudar isso é respirar profundamente. Porque se você pensar bem, se estiver estressado [e pensando] que um tigre virá buscá-lo, [ou] você será atropelado por um carro, [você] respira, respira, respira tanto como você puder. Mas respirando devagar, isso está associado a uma resposta de relaxamento. Assim, o diafragma diminui, você permite que mais ar entre nos pulmões e seu corpo mude imediatamente para um estado relaxado.

Por que a expiração ajuda a relaxar

Porque a expiração é uma resposta parassimpática. Agora, você pode colocar a mão sobre o coração. Se você inspirar muito devagar, sentirá seu coração acelerar. Ao expirar, você deve sentir seu coração desacelerar. A expiração relaxa o corpo. E algo mais acontece quando respiramos profundamente assim. O diafragma diminui quando respiramos, e isso suga um monte de sangue – uma enorme profusão de sangue – na cavidade torácica. Ao expirarmos, esse sangue volta a sair pelo corpo.

Sobre o problema de respirar superficialmente

Você pode pensar em respirar como se estivesse em um barco, certo? Então você pode dar um monte de pancadas curtas e muito curtas e vai chegar aonde quer ir. Vai demorar um pouco, mas você chegará lá. Ou você pode fazer alguns movimentos muito fluidos e longos e chegar lá com muito mais eficiência. … Você quer facilitar o ar para o seu corpo, especialmente se esse é um ato que estamos fazendo 25.000 vezes por dia. Assim, apenas estendendo essas inspirações e expirações, movendo esse diafragma para cima e para baixo um pouco mais, você pode ter um efeito profundo na pressão arterial, no estado mental.

Sobre como os mergulhadores livres expandem sua capacidade pulmonar para prender a respiração por vários minutos

O recorde mundial é de 12 minutos e meio. … Muitos mergulhadores prendem a respiração por oito minutos, sete minutos, o que ainda é incrível para mim. Quando vi isso pela primeira vez, isso foi há vários anos, fui enviado para um trabalho de reportagem para escrever sobre uma competição de mergulho livre. Você vê essa pessoa na superfície respirar uma vez ali e desaparecer completamente no oceano, voltar cinco ou seis minutos depois. … Disseram-nos que o que temos, o que nascemos, é o que teremos pelo resto de nossas vidas, especialmente no que diz respeito aos órgãos. Mas podemos absolutamente afetar nossa capacidade pulmonar. Portanto, alguns desses mergulhadores têm uma capacidade pulmonar de 14 litros, o dobro do tamanho de um homem adulto [típico]. Eles não nasceram assim. …

Publicada no website NPR – Sam Briger e Joel Wolfram produziram e editaram esta entrevista para transmissão. Bridget Bentz, Molly Seavy-Nesper e Deborah Franklin adaptaram-na para a Web.

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A respiração circular e suas aplicações terapêuticas https://minasi.com.br/a-respiracao-circular-e-suas-aplicacoes-terapeuticas/ Mon, 24 Jun 2019 13:16:41 +0000 https://minasi.com.br/?p=1741

RESUMO: A respiração é uma atitude genuína do organismo, que deveria seguir o ritmo e o fluxo da vida, sem interrupções. No entanto, desenvolvemos mecanismos para inibir e bloquear para não encarar a dor psíquica. No desbloqueio da respiração está a volta à saúde. Além disto, a respiração pode ser usada como técnica terapêutica para o relaxamento ou na abordagem do inconsciente através da respiração circular ou holotrópica.

A Respiração na abordagem Reichiana

Respirar deveria ser o ato mais genuíno e liberado no processo individual, uma vez que está intimamente ligado à sobrevivência e à vida. A consciência da respiração traz inúmeros benefícios somáticos, que a medicina e a ciência biológica nos explicam, no entanto, na abordagem Reichiana percebemos mais do que isto, os benefícios emocionais e energéticos. A respiração consciente nos coloca em contato com as emoções, nos dá a capacidade de organizar nosso mundo psíquico e melhora nossa condição energética, na livre circulação do Orgone pelo sistema.

Segundo Lowen, “A produção de energia através da respiração e do metabolismo, e a descarga de energia no movimento, são as funções básicas da vida”. Lowen, 1985

Wilhelm Reich percebeu em todo o decorrer de seu trabalho como médico, analista e cientista que o controle da respiração, na verdade, era um mecanismo aprendido de controle das emoções ou das dores e sofrimento psíquico. Ele formulou o conceito de Couraças Musculares, demonstrando como o ser humano, desde sua primeira respiração, aprendia a segurar a respiração, como método de controle das emoções, para que a dor psíquica não invalidasse sua experiência de vida. Sendo assim, todos aprendemos a reter a respiração diante do fluxo emocional e energético. Reich demonstrou em sua pesquisa que este controle respiratório causa inúmeras disfunções emocionais e somáticas com o decorrer do tempo:

Todos os nossos pacientes contam que atravessaram períodos na infância nos quais, por meio de certos artifícios sobre o comportamento vegetativo (prender a respiração, aumentar a pressão dos músculos abdominais, etc.) haviam aprendido a anular os seus impulsos de ódio, de angústia ou de amor.

(Reich, 1975)

Para restabelecer a saúde ele propunha que se desbloqueasse as couraças musculares, através dos processos terapêuticos para que se retomasse a respiração profunda e a livre circulação energética por todo o corpo.

Para além de Reich, percebemos em todos os autores Neo-Reichianos e pós-reichianos a importância da respiração para o equilíbrio de todo o sistema da pessoa, com inúmeras formas de atuação sobre o corpo para isto.

A respiração como ferramenta de desbloqueio de trauma

A respiração também pode ser usada como uma poderosa ferramenta de liberação dos conteúdos emocionais recalcados ou reprimidos em função dos traumas nas estruturas cerebrais límbica ou reptiliana.

O trauma é uma experiência dolorosa ou profundamente marcante, que fica registrada nos Cérebros Límbico e no R-Complex. Isto muitas vezes torna seu acesso completamente impossível apenas pela elaboração cognitiva de suas consequências ou manifestação na vida cotidiana. Para a liberação dos conteúdos e das energias retidas naquelas estruturas precisamos de ferramentas que possam acessar. Evidentemente, que a linguagem das estruturas cerebrais é diferente pela sua própria natureza, ou seja, as revelações do límbico ou do R-complex não vem através do pensamento cognitivo estruturado, mas são revelados pelo corpo. Levine (Levine, 1999) sugere uma linguagem comum entre os animais guiada pelo R-Complex e distribuída pelo SNC (Sistema Nervoso Central), que envolve a liberação energética residual do trauma, como se a experiência traumatizante estivesse presa numa gaiola corporal, num ciclo repetitivo, onde vemos os sintomas e não as consequências.

As diversas terapias Corporais reichianas tendem a ir ao encontro destes conteúdos e dos traumas armazenados nestas estruturas, tais como a Vegetoterapia Caractero-analítica ou a biodinâmica, entre outras.

Neste contexto, encontramos a respiração circular (trataremos respiração holotrópica® como sinônimo, neste artigo) como instrumento e ferramenta de acesso aos conteúdos emocionais e energéticos engaiolados em nossas estruturas cerebrais mais antigas.

Estados alterados de consciência

Stanislav Grof, nascido em 1931, em Praga, médico psiquiatra de formação psicanalítica, iniciou em 1956 na Tchecoslováquia, no Instituto de Pesquisas Psiquiátricas em Praga, pesquisas sobre o uso clínico de drogas psicoativas, explorando o potencial terapêutico do LSD e de outras substâncias psicodélicas e outros métodos para alcançar os traumas e limitações mais profundas na estrutura psíquica e somática da pessoa. Na década de 70 ele foca a sua pesquisa usando a respiração circular, denominada por ele de Holotrópica, como substituta natural para alcançar os efeitos no uso de psicoativos.

O termo estados alterados de consciência foi definido por Ludwig em 1966. Estado alterado de consciência é um estado mental induzido por agentes farmacológicos, fisiológicos ou psicológicos que deriva de um estado normal de consciência. (Kallio, & Sikka, 2009)

Estados alterados de consciência (EAC) ou estados não ordinários de consciência (ENOC) (em inglês, altered states of consciousness) são estados de consciência diferentes do estado normal de vigília. O termo foi cunhado por Arnold M. Ludwigem 1966 e popularizado por Charles Tart em 1969, para descrever mudanças quase sempre temporárias nos estados de consciência dos indivíduos.

(wikipedia, 2019)

Os estados alterados de consciência não são uma novidade no mundo do conhecimento. São utilizados há muitos séculos nas culturas orientais e nativas para acesso ao mundo espiritual, que Grof vai chamar de Matrizes Perinatais Básicas (MPB), que são fenômenos ligados ao processo de nascimento marcantes na experiência de construção das inteligências do R-Complex e do Límbico, tendo, portanto, uma linguagem diferente e marcante.

A busca por estes estados alterados de consciência é a marca do uso da respiração circular dentro do contexto terapêutico. Seja para acessar conteúdos emocionais bloqueados ou para a cura energética de segmentos do SNC.

A respiração circular (holotrópica)

No renascimento é utilizada a técnica da Respiração Holotrópica ou Respiração Circular, que consiste basicamente em ampliar o movimento da respiração o máximo que puder por um período prolongado. A intensificação voluntária do ritmo respiratório para além da demanda metabólica provoca, geralmente, uma série de reações. As duas mais comuns são manifestações emocionais intensas e uma variedade de sintomas físicos.

O tipo de respiração utilizado na etapa inicial do Renascimento (aumentando o ritmo respiratório) leva a uma eliminação rápida de grandes quantidades de dióxido de carbono, provocando uma queda nos níveis da pressão arterial de CO2 e, assim, a uma alcalose respiratória (aumento do pH sanguíneo).

Esta combinação pode provocar tanto uma vasoconstrição em determinados leitos vasculares quanto uma hiperexcitabilidade neuronal que parece ser responsável por sintomas envolvendo a maioria dos sistemas corporais. Aliado a este estreitamento dos vasos, a hemoglobina fica mais “agarrada” ao oxigênio e por isso, não apenas o sangue alcança menos áreas do corpo, como o oxigênio carregado pelo sangue também é menos liberado para os tecidos.

Paradoxalmente, então, enquanto que uma respiração aumentada significa que mais oxigênio está sendo levado para dentro do organismo, menos oxigênio alcança certas áreas de nosso cérebro e do corpo.

A diminuição do nível sanguíneo de CO2 induzida pela respiração holotrópica tem um efeito imediato sobre a circulação cerebral. O dióxido de carbono é o mais importante regulador do tônus cerebral vascular. O resultado final é que há menos sangue no cérebro, menos oxigênio, e este é liberado mais lentamente.

Analisando o potencial terapêutico inerente à técnica de renascimento, observa-se que estando os controles corticais temporariamente inibidos pela redução da disponibilidade de oxigênio e as estruturas subcorticais liberadas, e ativadas, processos emocionais incompletos são ativados durante o processo e tendem a se completar autonomamente. Dito de outra forma, a pessoa vive o que precisa viver para se equilibrar, experimentando sentimentos que estavam bloqueados (bem como as memórias a eles associadas), de acordo com sua psicodinâmica específica, e os integra à consciência.

Os materiais que chegam, então ao nível consciente vem com a linguagem própria das estruturas acessadas, ou seja, como sensações corporais, como emoções ou ainda com manifestações semelhantes aos sonhos. O terapeuta pode ser este apoio, ajudando o indivíduo a aceitar, acolher e manifestar livremente as manifestações, uma vez que entrar em contato com este conteúdo pode ser assustador ou doloroso. O terapeuta, trabalhando transferencialmente a posição de uma “boa mãe” oferece este “bom útero” para que o cliente se sinta acolhido e livre.

Posteriormente, é de boa prática o terapeuta incentivar e ajudar o cliente na análise dos conteúdos, utilizando de técnicas de análise para elucidar ao cognitivo e ajudar no processo de acolhimento e integração dos conteúdos ao cotidiano.

Conclusão

A terapia do renascimento pode ser utilizada dentro do contexto terapêutico como um instrumento de acesso a conteúdos bloqueados à consciência ou ao cognitivo. Dentro do contexto do trabalho Reichiano, pós ou neo é mais uma técnica à disposição do terapeuta, que na investigação e diagnóstico percebe os níveis das couraças a serem trabalhadas. Ao unir o olhar clínico ao corpo do cliente com a terapia do renascimento pode-se ter um valioso instrumento de acesso a conteúdos que inviabilizam a saúde psíquica e corporal. Nada substitui o contato e o amor dentro do setting terapeuta, mas o olhar atento e acolhedor pode fazer a diferença numa terapia de abordagem ao inconsciente.

Referências

  • LEVINE, Peter A. – O despertar do tigre: curando o trauma. São Paulo: Summus, 1999.
  • UNMANI, Ma Prem; NISHKAM, Sw. Bodhi – Rebirthing: O novo yoga. São Paulo: Pensamento, 2001
  • GROF, Stanislav – A Mente Holotropica, São Paulo: Rocco, 1994.
  • Gaiarsa, José Angelo – Respiração, angústia e renascimento, São Paulo, Ágora, 2001.
  • Lowen, Alexander – Exercicios de Bioenergetica – São Paulo, Ágora, 1977.
  • Reich, Wilhelm – A Função do Orgasmo, São Paulo, Editora Brasiliense, 1975.
  • Sakari & Sikka, Pilleriin. (2009). What is an altered state of consciousness?. Philosophical Psychology. 22. 187-204. 10.1080/09515080902802850.
  • Estados Alterados de Consciência. Wikipedia, 2019. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_alterados_de_consciência>. Acesso em: 04/04/2019.
  • Medes, Livia. Aspectos Biológicos da Respiração, Ceará, IESH, 2019

Artigo desenvolvido por Elias Júnior Minasi e Luzia Rezende da Silva e apresentado em Laboratório no 24º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro Reichiano, 2019. [ISBN – 978-85-69218-04-3]. Disponível em: http://centroreichiano.com.br/anais-dos-congressos-de-psicologia/

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As Vinte Respirações Conectadas https://minasi.com.br/as-vinte-respiracoes-conectadas/ Wed, 20 Mar 2019 18:49:38 +0000 https://minasi.com.br/?p=1669

As Vinte Respirações Conectadas ensinadas por Leonard Orr

A prática das VINTE RESPIRAÇÕES CONECTADAS é um simples exercício de respiração consciente. Leva somente trinta segundos executar este exercício; por isso, ele é ideal para a vida agitada que vivemos hoje. Só 30 segundos de respiração conectada, consciente de energia trazem ao corpo e à mente nova energia vital. O exercício pode ser feito no princípio do dia ou no final, ou em ambos os períodos. Recomendo que faça esse exercício uma vez por dia na primeira semana. Lembre-se de que se você não tem respirado conectadamente, seu corpo tem fome de oxigênio; uma vez no dia, no início, é o. suficiente. Depois de muita prática, quando seu corpo já estiver habituado a grandes quantidades de oxigênio e Prana, você poderá executar as Vinte Respirações Conectadas em qualquer momento que quiser ou quando se sentir tenso ou ansioso em alguma situação, para que sua energia rapidamente se refaça e você fique sempre tranqüilo e relaxado para resolver qualquer problema.

Agora, você não tem mais desculpas para não cuidar da energia do seu corpo! Só 30 segundos de Respiração Consciente Conectada de Energia e seu corpo estará refeito, sua mente lúcida e serena.


PARA EXECUTAR AS VINTE RESPIRAÇÕES CONECTADAS:

  1. Faça quatro respirações curtas.
  2. Ao fim de cada série de respirações curtas, faça uma respiração longa.
  3. A inalação e a exalação devem ser feitas pelo nariz.
  4. Faça quatro respirações curtas e uma longa, quatro vezes, SEM PARAR.

Agora, faça uma experiência:

Una a inspiração à expiração em um ciclo contínuo, como uma espiral, SEM PAUSAS.

As vinte respirações devem estar conectadas.

O propósito das respirações curtas é enfatizar a conexão e a união da inspiração com a expiração em um círculo completo ininterrupto.

O propósito da respiração longa é encher de ar os pulmões, chegar ao máximo de inalação e liberar ao máximo na exalação.

Neste momento, antes de continuar lendo, faça cinco respirações conectadas (quatro curtas e uma longa). As cinco, unidas, são como uma só respiração.

Observações:

  1. Não retenha a inalação nem force a exalação.
  2. A respiração deve ser natural. Não a force nem controle.
  3. O ritmo da respiração deve ser fluido.
  4. Ao respirar corretamente, você sente a.energia e o ar movendo-se em seu corpo. É a Energia da Respiração Consciente. Pode-se restringir o fluxo do ar quando se respira energia.
  5. Tome consciência de que está respirando energia desde a primeira vez que você praticar as Vinte Respirações Conectadas. Você notará como a quarta respiração longa é mais plena e maior que a primeira.

Agora, leia desde o início outra vez, descubra o ritmo da respiração que lhe é apropriado e faça as vinte respirações conectadas.

Este exercício é simples, completamente inofensivo e seguro para qualquer pessoa que goste de viver. Em outras palavras, é excelente para sua saúde. Se você tem planos de continuar vivendo, terá de continuar respirando. Com a prática, você notará que o exercício se torna cada vez mais agradável.

Você teve alguma sensação física? ‘

Algumas pessoas têm a sensação de formigamento nas mãos, no estômago e em outras partes do corpo. As pessoas com maus hábitos de respiração experimentam sensações raras e insinuantes quando respiram conectadamente.

Faça essas vinte respirações todos os dias, atentando para as diferentes sensações físicas a cada dia. Isso significa que você está aprendendo a respirar.

Outras observações Importantes:

  1. A respiração é totalmente inofensiva, a mente não.
  2. Qualquer sensação diferente proveniente da respiração desaparece completamente quando você continua respirando.
  3. A respiração traz relaxamento.
  4. O relaxamento libera tensões.
  5. As tensões causam sensações.
  6. Nem a respiração nem o relaxamento causam sensações. São as tensões armazenadas e a poluição da mente que as causam. Você se sentirá relaxado e em paz.
  7. Cada inalação e exalação induzem involuntariamente ao relaxamento.
  8. A respiração é totalmente segura e doadora de vida.
  9. Se você relaxa demasiadamente, por respirar conectadamente por muito tempo, pode ter sensações fortes que podem assustá-lo.
  10. É recomendado que se faça somente VINTE RESPIRAÇÕES CONECTADAS por dia, nos primeiros sete dias.
  11. O objetivo dessa recomendação é diminuir no início as sensações que possam assustá-lo.
  12. A respiração é muito simples e eficaz.
  13. Se você praticar demasiado rápido e se assustar, por favor, volte a respirar novamente que passa a sensação da Hiperventilação imediatamente. Não se preocupe!

Se você praticar as VINTE RESPIRAÇÕES CONSCIENTES CONECTADAS durante um ano, uma vez por dia, você conseguirá uma enorme consciência da respiração, e, assim, terá respirado muito mais do que no ano anterior. A prática das VINTE RESPIRAÇÕES CONSCIENTES CONECTADAS uma vez ao dia, pelo menos por um ano, lhe dará muito mais consciência da respiração do que você tem tido em toda a sua vida até agora.

Esse simples exercício nos faz compreender que sempre temos algo a aprender sobre a respiração. A respiração consciente de energia é o principal elemento de cura de todas as doenças. A maioria das pessoas mais cedo ou mais tarde recorda o momento de sua primeira respiração e muitos outros fatos envolvendo o nascimento. Respirar corretamente é uma fonte contínua de milagres. A respiração tem-se mostrado bastante eficiente para o problema de viciados em drogas, principalmente adolescentes, pois alivia as emoções e os pensamentos que levam uma pessoa a depender de drogas e vícios em geral; é excelente no processo de aprendizagem, porque permite usufruir e relaxar, tanto os alunos como os professores, aumentando a inteligência, a concentração e a memória na aprendizagem.

Todas as pessoas que se tornam “respiradores conscientes” são mais calmas e inteligentes, além de mais saudáveis física e mentalmente.

Fonte: Rebirthing – o Novo Yoga

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