psicologia https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Sat, 03 Feb 2018 15:29:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 psicologia https://minasi.com.br 32 32 103183256 O Eneagrama como ponte para a auto descoberta https://minasi.com.br/o-eneagrama-como-ponte-para-a-auto-descoberta/ Sat, 03 Feb 2018 15:29:41 +0000 http://minasi.com.br/?p=1017

Encarar o mundo, e, despido e indefeso encarar a terrível insegurança da existência humana é uma situação esmagadora para qualquer um estar. Cada um dos tipos de personalidade tenta esconder de si mesmo a percepção completa da insegurança de sua existência de uma maneira diferente. Cada tipo adota diferentes estratégias para inflar seu ego como uma defesa contra essa solidão e insegurança.

O paradoxo é que não podemos fazer nada além de nos defender da total consciência de nossa existência. Os seres humanos estão ameaçados pelo mistério de sua existência quer afirmem-se com esperança ou recolham-se em desespero. O mais triste é que se cada tipo de personalidade inflar seu ego e forçar suas defesas ao extremo, trará destruição para si mesmo. Muita abertura para a vida pode nos “queimar”, pouca nos destruirá de dentro para fora. Excesso de liberdade é tão assustador como falta total de liberdade.

De qualquer maneira, ansiedade existencial parece ser a resposta apropriada para seres que estão conscientes de sua própria mortalidade. Nós trememos aterrorizados quando percebemos que estamos na verdade parados na beirada do abismo de ser.

Parece só haver uma saída: ter esperança de encontrar um significado para nossas vidas, um significado que nos conecte com algo real além de nós mesmos.

Entretanto, estamos na impossível posição de tentar encontrar um significado para nossas vidas sem sermos capazes de conhecer nossa vida como um todo. Não há maneira de saber com certeza qual é esse significado, sem ser capaz de sair fora desta vida para encontrar seu contexto final.

Porém, sair fora desta vida só pode ocorrer no momento da morte, quando esta vida terá chegado a um fim. Neste momento, nós seremos aniquilados ou descobriremos que ainda existimos. Caso ainda existamos, saberemos se nossa vida teve algum propósito e qual foi ele. Muito do mistério e da tragédia de nossa existência vem devido a não podermos saber com certeza o significado de nossa vida antes desse momento decisivo.

Apesar da razão final de nossa vida ser misteriosa, ela afeta cada momento que vivemos. O que nós acreditamos como sendo o significado da vida influencia nossos valores e cada escolha que fazemos. Considerando essas realidades, nos movemos do psicológico para o metafísico onde o contexto humano terá ou não terá significado.

Pode ser que a existência humana seja “absurda” porque não há um contexto pessoal final, somente uma reciclagem sem fim de matéria e energia em um universo impessoal. Ou pode ser que o contexto final da vida humana seja pessoal, que existe um “Deus” cuja existência é a própria razão para a nossa. Isto é, ou não é, não havendo maneira de sabermos qual é verdadeiro enquanto ainda estamos vivos. Esta é a razão pela qual o significado da vida sempre envolve o conceito de “fé”, quer chamemos assim ou não.

Não podemos viver sem algum tipo de crença. Se não temos fé em “Deus”, precisamos ter fé em alguma outra coisa. Porque não podemos viver sem um significado, sem referência com algo fora de nós mesmos, nós inevitavelmente criamos “ídolos” como substitutos para a fé na transcendência e no significado que ela nos dá.

Claro que o ídolo universal supremo é o orgulho, o ego inflando-se e tentando ser a causa de sua própria existência, tentando achar seu significado com os seus próprios recursos. Cada uma das personalidades descritas no Eneagrama é tentada a usar compulsivamente um tipo particular de orgulho como uma maneira de defender-se das ansiedades envolvidas na sua existência.

  • A tentação do Nove é acreditar que a tranqüilidade é um valor maior;
  • a do Oito é acreditar no seu próprio poder;
  • a do Sete é acreditar que possessões materiais o realizarão;
  • a do Seis é acreditar na segurança proporcionada pelas outras pessoas;
  • a do Cinco é acreditar que o conhecimento é um fim em si mesmo;
  • a do Quatro é acreditar na sua liberdade para fazer o que quiser;
  • a do Três é acreditar na sua própria excelência;
  • a do Dois é acreditar na sua própria importância e,
  • a tentação do Um é acreditar na sua própria retidão.

Apesar de serem tentações características de cada um dos tipos de personalidade, elas são nossas próprias tentações também. Se existe algo para aprender estudando os tipos de personalidade é que, apesar de legitimamente procurarmos pela felicidade através da realização pessoal, nós normalmente procuramos erradamente.

Cada tipo de personalidade cria uma espécie de profecia auto-realizável, trazendo para si aquilo que ele mais teme e, por outro lado, perdendo o que mais quer, na sua busca pela felicidade. Se, quando buscamos a felicidade, nós inflamos nosso ego as custas de valores mais profundos, podemos estar certos de falhar em nossa busca.

Alimentar o ego as custas do que é genuinamente bom é tolice, levando-nos para um emaranhado de bens, falsos bens e ídolos. Cada tipo de personalidade contém em si mesmo a fonte de sua própria decepção a qual, se enfatizada, nos tira invariavelmente da direção da nossa real realização e mais profunda felicidade. Esta é uma lei irrevogável da psicologia humana, da qual nós precisamos nos convencer se quisermos ter coragem para procurar pela felicidade no lugar certo e da maneira certa.

Observando cada um dos tipos de personalidade como um todo, aprendemos o que podemos esperar caso inflemos o ego as custas de outros valores:

  • Forçando os outros a amá-los, os Dois terminam sendo odiados.
  • Engrandecendo-se, os Três acabam sendo rejeitados.
  • Seguindo somente seus sentimentos, os Quatro acabam desperdiçando suas vidas.
  • Impondo suas idéias sobre a realidade, os Cinco terminam desligados da realidade.
  • Sendo muito dependentes dos outros, os Seis terminam sendo abandonados.
  • Vivendo para o prazer, os Sete acabam frustrados e insatisfeitos.
  • Dominando os outros para terem o que querem, os Oito acabam destruindo tudo.
  • Acomodando-se demais, os Nove tornam-se conchas subdesenvolvidas e fragmentadas.
  • Tentando perfeição sem sensibilidade humana, os Um acabam pervertendo a própria sensibilidade.

A saída dessas inexoráveis conclusões é se convencer que apenas transcendendo o ego podemos ter esperança de encontrar felicidade. Como a sabedoria sempre reconheceu, apenas morrendo para nós mesmos é que encontramos a vida.

Assim, uma lição paralela pode ser tirada dessas páginas, uma que chamamos a lei da retribuição psíquica. Nós não devemos esperar punição de Deus pelas nossas más ações. Ao contrário, devido à nossa natureza psíquica, nós trazemos a punição para nós mesmos porque pagamos um preço por cada escolha que fazemos.

O preço que pagamos pode não ser imediatamente aparente, e por essa razão é tão fácil nos enganarmos que não haverá conseqüências para nossas ações. Mas o custo para nós estará sempre no tipo de pessoa que nos tornamos. Pelas nossas escolhas nós nos construímos e moldamos nosso futuro, quer seja de felicidade ou de infelicidade.

Como, então, devemos agir para transcender nosso ego? O que nos motivaria a fazer isso? Como poderemos saber o que nos tornará realmente felizes?

As pessoas sempre procuram o que elas pensam que será melhor para elas, mesmo que errem na escolha. Alguns buscam riqueza, outros, fama, outros, segurança, cada qual desejando possuir aquilo que ele ou ela pensam que trará felicidade. Mas, a não ser que encontremos o que é realmente bom procurando o que realmente precisamos, nós vamos sair na perseguição do que desejamos até sermos distraídos por bens meramente supérfluos. Se as pessoas concentram-se em superficialidades, elas transformam seus objetos de desejo em ídolos que não podem satisfazê-las. Então elas sofrem e não sabem porquê.

O que é estranho é que, em nossa busca da razão da vida, nós estamos na difícil situação de buscar o que é realmente bom para nós, sem um entendimento claro do que é. Cada tipo de personalidade tende a buscar, o que ele pensa que é bom para ele, nos lugares errados, da maneira errada, ou ambos.

  • O Dois pensa que será feliz se for amado (ou adorado) pelos outros,
  • o Três se for admirado pelos outros,
  • o Quatro se ele for totalmente livre para ser ele mesmo,
  • o Cinco se ele tiver certeza intelectual,
  • o Seis se ele tiver absoluta segurança,
  • o Sete se ele possuir tudo que quiser,
  • o Oito se tiver as coisas da sua maneira,
  • o Nove se ele puder “fundir-se” com alguém, e
  • o Um se ele for perfeito.

Todas essas estratégias falham porque elas, apenas aspirações parciais, foram eleitas para principais (únicas verdadeiras) aspirações na vida.

Como, então, pode o Eneagrama nos ajudar a encontrar o que é realmente bom para nós? A resposta é simples: mostrando que, a necessidade genuína de cada tipo de personalidade está na sua direção de integração (que é o sentido oposto de cada seta).

A dificuldade é que, antes de podermos nos mover na direção de integração, precisamos nos transcender (transcender nosso ego). Nós precisamos estar dispostos e sermos capazes de ir além do ego, alcançar algo mais, alguns valores fora de nós mesmos.

Essa autotranscendência é difícil e amedrontante porque envolve entrar em território desconhecido, sentindo, agindo e relacionando-se de maneiras estranhas à nossa personalidade, contrárias aos nossos hábitos de até então, em contraposição às nossas antigas atitudes e identidade, começando a superar as deficiências da nossa infância. De certa maneira é uma espécie de renascimento, tornando-se uma nova pessoa que está aprendendo a deixar as velhas maneiras de ser para trás e “rompendo” em um novo mundo.

Pois é isso que cada tipo de personalidade precisa fazer se quiser algum dia encontrar a felicidade verdadeira.

  • O 2 precisa superar a tendência à autodecepção com a autocompreensão do 4 saudável;
  • o 3, precisa superar a inveja maliciosa dos outros caminhando para a lealdade do 6;
  • o 4, superar a autodestrutiva subjetividade com a objetividade e autodisciplina do 1;
  • o 5, superar sua auto-anulação movendo-se para a coragem do 8;
  • o 6, superar suas suspeitas dos outros movendo-se para a receptividade do 9;
  • o 7, superar sua impulsividade movendo-se para o envolvimento do 5;
  • o 8, superar seu egocentrismo movendo-se para a consideração pelos outros do 2;
  • o 9, superar sua complacência movendo-se para a ambição do 3;
  • o 1, superar sua inflexibilidade movendo-se para a produtividade do 7.

Em resumo, aprender a transcender o ego nada mais é que aprender a amar. Somente o amor tem o poder de nos salvar de nós mesmos. Até aprendermos a amar verdadeiramente a nós mesmos e aos outros não há possibilidade de felicidade duradoura, paz ou libertação (redenção). É por não nos amarmos verdadeiramente que nos perdemos tão facilmente nas diversas ilusões e tentações que o ego nos apresenta.

Apesar de serem complicados e sutis, os tipos de personalidade delineados no Eneagrama são, na verdade, nada mais que reflexos puros da natureza humana. Apesar do seu valor para nos entendermos mais objetivamente, o Eneagrama não nos poderá dar a resposta final sobre nós mesmos, isto é outro assunto. Ele não é mágico e não pode nos transformar em seres humanos perfeitamente realizados.

Porém, ajudando a nos entendermos como realmente somos no “nosso melhor” e no “nosso pior”, o Eneagrama reafirma algumas antigas percepções sobre a natureza humana. Finalmente, ele é apenas uma ferramenta, algo útil até certo ponto e portanto, deve ser deixado de lado em favor do que não pode ser expresso sobre a natureza humana.

Fonte:  Personality Types: Using the Enneagram for Self-Discovery

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Wetiko, a grande doença psíquica do Ocidente? https://minasi.com.br/wetiko-a-grande-doenca-psiquica-do-ocidente/ Tue, 20 Jun 2017 13:59:30 +0000 http://minasi.com.br/?p=517

O que algumas culturas indígenas norte-americanas têm a dizer sobre a compulsão pelo poder, pelo sobreconsumo e pela depredação da natureza.

Há uma palavra que pode ser muito significativa para o que estamos vivendo como civilização: wetiko. Este termo é usado por grupos indígenas norte-americanos (wetiko para os algonquin, windigo para os ojibwa) para descrever a forma de pensamento que se desenvolve entre pessoas que praticam o canibalismo, como se fosse o vírus mental do canibalismo. Diz-se que esse patógeno engana seus hóspedes, levando-os a acreditar que obter a força vital dos demais (plantas, animais, pessoas etc.) é uma forma lógica e racional de existir. Em outras palavras, é o vírus do egoísmo, ou aquilo que Paul Levy chamou de “egofrenia” em seu livro Dissipando Wetiko – o egoísmo como uma enfermidade que impede de reconhecer como real o fato de que vivemos num mundo interdependente, que toda a vida tem o mesmo valor intrínsico e que na verdade não existimos como egos separados.

Em seu livro Colombo e Outros Canibais, o historiador da cultura nativa norte-americana Jack D. Forbes descreve a crença, comum entre comunidades indígenas, de que os conquistadores europeus estavam cronicamente infectados por wetiko. “Tragicamente, a história mundial nos últimos 2 mil anos é, em grande medida, a história da epidemia da doença do wetiko”, escreve Forbes. “O canibalismo é o consumo da vida de outra pessoa em benefício próprio.” Talvez atualmente o canibalismo não ocorra de maneira literal – embora se possa argumentar que alimentarmo-nos de animais é uma forma de canibalismo –, mas ocorre de forma maciça pela maneira como nosso sistema econômico é exercido. Bilhões de pessoas vivem entregando seus dias, toda sua força vital perseguindo uma ilusão, uma fantasia alheia, e durante o processo entregando sua riqueza a uns poucos. Podemos ver um canibalismo na vontade de poder, de conquistar o mundo e explorar a natureza; no sobreconsumo e na extração de todos os recursos com o objetivo de obter mais ganhos pessoais (uma espécie de vampirismo também da força vital do planeta). Tudo isso é feito em nome da civilização, um argumento coletivo que é a mais completa hipocrisia. Quando perguntaram a Gandhi o que pensava da civilização ocidental, ele respondeu: “Penso que seria uma boa ideia”. Uma boa ideia que, apesar de algumas tentativas, não conseguiu se materializar.

No final das contas o egoísmo, ou a egofrenia, é um canibalismo psíquico. Dizemos que é uma enfermidade espiritual ou psicoespiritual porque centraliza toda a consciência numa só parte do cérebro, e impede de reconhecer a profundidade da mente (que não está restrita apenas a um corpo, à matéria) — ou seja, nega o aspecto espiritual do ser. “A civilização moderna padece de um extremo domínio dos aspectos racionais e intelectuais da mente, um desequilíbrio que parece nos desconectar da natureza, da empatia e de nós mesmos”, diz Levy.

Podemos crer que wetiko é apenas uma forma, mais ou menos supersticiosa, de imaginar concretamente nosso egoísmo. Mas é possível que, embora seja somente uma doença mental, possa também contagiar e replicar-se em outras pessoas, como sugere a teoria memética de Richard Dawkins. A informação, de certa forma, comporta-se como um organismo vivo que procura perpetuar-se, e consegue seu objetivo infectando outros organismos por meio de ideias e de conteúdo mental (genes culturais). Paul Levy sugere que o wetikoopera como um vírus mental que se espalha por meio de nossos pontos cegos, da mente subconsciente, e depende de nossa própria ignorância sobre o que está acontecendo, quer dizer, de não ver que estamos sendo arrastados pela autoimportância ou egofrenia.

Levy compara o wetiko com o conceito da Prisão de Ferro Negro do escritor Philip K. Dick. Em suas visões gnósticas, Dick notou que “estamos num tipo de prisão e não sabemos”. Devemos dar-nos conta de que estamos presos num cárcere e existe uma espécie de simulação, gerada por nossa própria mente (infectada por um agente patógeno, “um falsificador do espírito”), que se sobrepõe à realidade. “A Prisão de Ferro Negro é uma forma de vida vasta e complexa que se protege a si mesma induzindo a uma alucinação negativa”.

A Prisão de Ferro Negro replica-se criando, por nosso intermédio, microextensões dela mesma, “estendendo cada vez mais seu pensamento androide (a uniformidade)”. Ao que Levy acrescenta: “o pensamento androide, isto é, o pensamento grupal robótico mecanicista (sem criatividade programada em seu sistema) é uma das características da mente tomada por wetiko”. A enfermidade opera produzindo um sentido de isolamento e independência, de que estamos sós aqui dentro e o mundo lá fora é hostil e selvagem. “Wetiko nos distrai explorando a tendência habitual inconsciente de ver a fonte de nossos problemas como algo exterior a nós mesmos.” Dick também havia escrito que acreditar na existência de uma realidade objetiva, separada da mente que a observa, seria um “terrível erro intelectual”. Isso é importante porque a crença num mundo objetivo é a raiz da nossa separação – que sustenta um mundo dividido entre um sujeito e seus objetos – e é também o alimento que mantém funcionando o programa do ego como se fosse realidade absoluta.

Philip K. Dick escreveu: “Às vezes me parece que o planeta está sob o efeito de um feitiço. Estamos dormindo ou em transe”. Dick acreditava que um demiurgo havia querido substituir a criação original divina produzindo um mundo falso, uma realidade espúria – mas o havia criado por nosso intermédio. O demônio se infiltrara em nossa própria mente, a ponto de nos levar a pensar que é a nossa mente. (Nesse sentido, pode ser útil recordar a visão do budismo tântrico de que na verdade os demônios são as aflições de nossa própria mente que se projetam para fora).

Uma vez que no final das contas o mundo é divino e perfeito, conforme Dick, o próprio demiurgo e seu simulacro global – a Prisão de Ferro Negro ou o wetiko – podem ser agentes da nossa evolução. A doença pode ser o detonador de um estado de consciência, de um reconhecimento daquilo que é verdadeiramente essencial na vida. Trata-se de descobrir que “há um universo atrás do nosso, oculto em seu interior”. “O mundo não é apenas uma falsificação, há mais: é uma falsificação, mas debaixo dele jaz outro mundo, e é esse outro mundo, esse mundo do Logos que se filtra e rompe através”. Dick diz que podemos ter acesso a esse mundo sem precisar de um sacerdote ou intermediário. Para fazê-lo devemos recordar (anamnesis) que não somos realmente egos em um corpo, mas que nossa natureza é a mesma da divindade que fez com que o universo se manifestasse em primeiro lugar, o que significa que somos a totalidade. É por isso que o caminho – e Dick era um cristão gnóstico fervoroso – é libertar-se da autoimportância e não fugir do sofrimento inerente ao mundo, mas sim transformá-lo em sacrifício para transcender no conhecimento dessa unidade divina. “Se é que existe a felicidade no homem, esta vem de sua renúncia voluntária ao eu em favor de sua participação no destino da unidade total”, escreveu Dick. “O poder supremo da compaixão é o único capaz de resolver esse labirinto”. Temos aqui uma receita para escapar da Prisão de Ferro Negro (da Matrix) e ao mesmo tempo curar-nos deste vírus denominado wetiko.

No fim das contas, a noção de que somos egos ou seres individuais separados do mundo é somente um meme, talvez o meme mais bem sucedido da história. Terence McKenna sugeria que deveríamos neutralizar os efeitos do egoísmo que estava destruindo o planeta espalhando outros memes. Nesse sentido, espalhar o meme de wetiko, isto é, fazer com que nos demos conta de que padecemos dessa enfermidade utilizando mecanismos de replicação da informação pode ser um poderoso remédio para tratar a psicose coletiva de que sofremos.

Fonte: Outras Palavras

Por Pijamasurf | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Liana Buszca

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Como você pode usar a meditação para alterar o seu cérebro https://minasi.com.br/como-voce-pode-usar-a-meditacao-para-alterar-o-seu-cerebro/ Thu, 08 Jun 2017 15:29:26 +0000 http://minasi.com.br/?p=464

Há um pequeno debate na ciência sobre os benefícios da meditação. Segundo a pesquisa publicada no diário de consultoria e psicologia clínica, meditação tem sido associada a redução dos sentimentos de depressão, ansiedade e dor física.

Outros estudos têm explorado as conexões entre a meditação e foco melhorado, redução da pressão arterial, fortalecimento da memória, redução da fadiga, e… bem, a lista vai longe.

Estudos realizados por outros cientistas revelam que a meditação pode ajudar a melhorar as competências de regulamento atenção e emoção. 

E isto é só o começo. Como Sara Lazar, um neurocientista do Massachusetts General Hospital e Harvard Medical School, meditação literalmente transforma seu cérebro: “encontramos diferenças no volume cerebral após oito semanas em cinco regiões diferentes… no grupo que aprendi meditação, encontramos espessamento em quatro regiões. Estudos realizados por outros cientistas mostraram que a meditação pode ajudar a melhorar as competências de regulamento atenção e emoção.”

Mas há um problema. Na sua essência, a meditação parece ser a coisa mais fácil do mundo: Limpe sua mente e pense em nada. No entanto, meditar pode ser muito mais difícil do que simplesmente respirar e sair por alguns minutos. Atingir um estado meditativo na verdade tem um monte de trabalho, e verdadeiramente clarear sua mente está longe de ser fácil.

No entanto, cientistas afirmam que o uso de proprioceptivas de entrada (também conhecido como pressão de toque profundo (DTP)) para o seu corpo à terra é útil ao tentar chegar a um estado meditativo. A pesquisa mostrou que este tipo de pressão resulta em uma redução nos níveis de cortisol e um aumento da produção de serotonina, diminuindo sua frequência cardíaca e pressão arterial.

Assim, o estado físico relaxado que vem da entrada de peroprioceptive pode tornar mais fácil para atingir um estado mental calmo que é propício para meditação e uma das maneiras mais eficazes de obter esta entrada proprioceptiva é usando uma manta pesada ou uma manta orgone.VB-COM-golden-Buddha-flower-mudra_800357561-700x325

BOM PARA A MENTE E O CORPO

Os cobertores são preenchidos com pelotas de poli em um padrão de rede distribuída uniformemente, que é projetado para ser mais ou menos 10% do seu peso corporal. Este adicional peso permite o cobertor aplicar pressão alvo específico a vários pontos ao longo de seu corpo a fim de reduzir os níveis de cortisol acima mencionados e aumentar a sua produção de serotonina.

Como Amber Martin, terapeuta ocupacional, da faculdade de Utica, observa, “entrada de peroprioceptive é bom para quase todo mundo. Pode ser muito calmante e organizadora.” Por ajudá-lo a alcançar um estado de relaxamento tranquilo mais rapidamente, o cobertor facilita para você aproveitar cada momento valioso de meditação antes de retornar ao mundo ocupado fora da sua mente.

Embora alguns pesquisadores estimam que se iniciou em torno de mais de 5.000 anos, a meditação encontrou-se recentemente objecto de intenso foco científico. Os cientistas usaram todas as ferramentas em seu arsenal, de RM para EEGs, para descobrir a ciência por trás dessa prática e determinar quanto produtivo é em relação ao corpo humano.

Eles chegaram a algumas conclusões interessantes sobre os benefícios que ele oferece. Cobertores pesados ou Mantas Orgones podem ajudar você a chegar lá e, significativamente, ajudar sua mente e corpo como resultado.

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O masculino no filme Questão de Tempo https://minasi.com.br/o-masculino-no-filme-questao-de-tempo/ Thu, 04 May 2017 20:58:55 +0000 http://minasi.com.br/?p=458

Neste artigo, vamos explorar uma visão do masculino e do pai, dentro do filme “About Time” – Questão de Tempo:

  • Sociedade líquida
  • O papel do pai no desenvolvimento infantil
  • O pai no corpo
  • O resgate da história na visão do filme

Uma das grandes dificuldades do mundo contemporâneo das sociedades líquidas é a compreensão dos papéis em geral, especialmente neste caso da figura paterna. Num momento em que tudo muda a todo instante e em todos as manifestações da cultura e da sociedade, a figura paterna também sente-se impactada de tal forma, que.ja não se sabe ao certo qual sua função.

Se olharmos para alguns decênios anteriores, tínhamos papéis e figuras muito bem definidas, onde o pai exercia o rigor da punição e do provimento ao filho. Isso criava uma imagem endurecida,  longínqua e inacessível, tanto no desenvolvimento do masculino quanto na relação filho e pai.

Hoje, encontramos país exercendo funções que eram inconcebíveis como alimentação, cuidado e afeto dos filhos. Isso é muito bom, mas também insere mais dúvidas quanto ao desenvolvimento da figura masculina e do masculino na pessoa..

No desenvolvimento infantil, de uma forma generalíssima, a figura paterna é responsável por apresentar à criança, o mundo, as relações externas, os limites e as interações. Enquanto a figura materna está ligado ao cultivo da interioridade e do afeto, este leva a criança a olhar para si e para o mundo com confiança e fé. Como que se lhe apoiasse as costas, na região lombar e dissesse: “Vai! Estou aqui atrás te apoiando, vai”.

O hemisfério esquerdo do cérebro é o responsável pela parte pratica pela razão, voltada para a ação e controla o lado direito do corpo e o direito, como responsável pelo afeto e criatividade e controla o lado esquerdo do corpo. Em pessoas destras o lado direito e as costas tem correspondência com a masculinidade e a figura paterna, o lado esquerdo, a figura materna, em canhotos, ao contrário.

Então, a presença ou ausência da figura paterna no desenvolvimento infantil irá marcar o indivíduo de diversas formas, em primeiro lugar com o que Reich chamou de Couraças Musculares e posteriormente podem se desenvolver em manifestações de doenças.

É muito importante observar o corpo, porque nele ocorre a manifestação das emoções e sentimentos.

O filme “Questão de tempo” é um conto, onde o jovem Tim Lake recebe do masculino na família paterna o dom de viajar no tempo, ao passado, para vivenciar novamente situações e poder corrigi-las. E não é esta a proposta terapêutica? Visitar o meu passado e “ajustar” as emoções que ficaram bloqueadas?

Esta é uma grande lição que todo pai deveria ensinar ao seu filho: sempre podemos voltar aos momentos mais dolorosos em nossa vida, vivenciar as emoções dolorosas que não conseguimos lidar na época e liberá-las para uma vida mais livre. Esta é uma grande lição que os homens, nesta sociedade liquida, devem ensinar aos seus filhos.

No filme, o jovem Tim passa por diversas situações conflituosas e difíceis no processo de amadurecimento do  homem, como a juventude, a descoberta do amor, as responsabilidades da vida adulta e, por fim, a morte. Em todos os momentos, o filme nos propõe pistas de que ele resgata seus sofrimentos e dores através do processo de ressignificação e enfrentamento da dor.

E tudo isso, advém dos ensinamentos de seu pai, que o ensinou a “voltar no tempo”. O nosso tempo carece desse elemento masculino de afeto e cuidado, do ensinamento aos jovens que podemos resgatar nossas feridas e dar um novo sentido às nossas dores. Quanto mais homens “viajando no tempo” tivermos, tanto mais teremos novas gerações mais livres e conectadas ao masculino e ao feminino.

Referências sobre o filme:

IMDB

UNIVERSAL MOVIE

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O Eneagrama e os traços de caráter segundo Reich https://minasi.com.br/o-eneagrama-e-os-tracos-de-carater-segundo-reich/ Mon, 30 May 2016 00:29:35 +0000 http://minasi.com.br/?p=327

O Eneagrama é um mapa para a essência. No caminho para a essência, a personalidade permanece como um obstáculo. As 9 personalidades, segundo o Eneagrama, possuem paixões energéticas básicas (medo, raiva e ansiedade), que podem ser definidos por bloqueios caracterizais análogos aos de Wilhelm Reich. Através do trabalho desenvolvido por Reich, Navarro e Lowen é possível fazer uma intersecção das Couraças Reichinanas e os tipos psicológicos do Eneagrama e propor terapias breves para o desbloqueio e melhor circulação energética do indivíduo.

Palavras-chave: Eneagrama. Corpo. Couraças. Energia. Psicologia. Reich.

Apresentação de slides:

Desde os primórdios o ser humano tem o desejo e a necessidade de se descobrir, conhecer-se e alcançar níveis maiores de consciência sobre os processos de sua mente e do comportamento individual e das sociedades. Neste contexto podemos encontrar o Eneagrama.

O vocábulo Eneagrama vem do Grego, ENE (ennea) que significa o número nove; e Grama, também do Grego (grammos), como traço ou marca, ou seja, nove traços ou nove personalidades.

A origem do Eneagrama, enquanto sabedoria de transmissão oral não é documentada ou clara. Alguns autores (Cláudio Naranjo, Helen Palmer) apontam que variações do símbolo já se faziam presentes há mais de 4.000 anos na geometria Pitagoriana. Há relatos de que irmandades Sufis também já utilizavam o Eneagrama para estudar o comportamento humano. Segundo Domingos Cunha (2005) é certo que em Alexandria, por volta dos séculos III e IV existiu uma contribuição marcante dos trabalhos dos Padres do Deserto, com destaque para um monge cristão chamado Evagrio do Ponto. A partir da sua vivência com outros monges no Egito, Evagrio publicou um tratado onde descrevia oito “doenças espirituais” que afligiam o ser humano. Ele as classificou como “paixões”, tão grande era sua consequência danosa para o indivíduo. Posteriormente, essas paixões foram adaptadas pela Igreja para definir os Sete Pecados Capitais e aparecem também nos conceitos do Eneagrama.

Foi George Gurdjieff (1890-1950), um russo-armênio, quem introduziu o símbolo, o conceito do Eneagrama no mundo moderno do século XX, através do Instituto para o desenvolvimento harmonioso do Homem, fundado em 1910. Após Gurdjieff, vários nomes se destacaram no Eneagrama até a atualidade como Oscar Inchaço, Claudio Naranjo, Helen Palmer, Domingos Cunha, entre outros.

O símbolo de nove pontas

O símbolo é composto de um triângulo equilátero apontando para os números 9, 3, 6. Uma figura hexagonal conectando os outros pontos 1, 4, 2, 8, 5, 7. E um círculo envolvendo todos os pontos. Cada ponto significa uma personalidade, segundo os estudos do Eneagrama, atribuído então 9 personalidades básicas.

Os Eneatipos e as fixações das paixões

Os Centros Vitais

Segundo o Eneagrama, o ser humano possui três centros de energia, com 3 eneatipos em cada, que são a base das características da personalidade e das paixões a elas vinculadas.

A palavra paixão há muito encerra uma conotação doentia. Desse modo, em Anthropologie, Kant (2006) diz que “a emoção é como a água que rompe um dique; a paixão como uma torrente que toma seu leito cada vez mais fundo. A emoção é como a embriaguez que nos faz adormecer; a paixão é como uma doença resultante de uma constituição defeituosa ou de um veneno”

As personalidades se dividem em nove tipos, distribuídas dentro dos Centros Vitais. Cada Eneatipo pode, ainda, ser dividido em três instintos: Sexual, Conservacional ou Social, totalizando 27 personalidades distintas. Naranjo (1996) escreve assim distribuindo os eneatipos segundo os Centros Vitais:

Talvez o esquema retratado na Figura seja o modelo circunflexo mais convincente até aqui. Concordando também com a opinião atual em função do agrupamento das síndromes do DSM, a presente caractereologia reconhece três grupos fundamentais: o grupo esquizoide, com uma orientação voltada para o pensamento (que denominarei aqui de tipos do Eneagrama V, VI e VII), o grupo histeróide, com uma orientação voltada para o sentimento (tipos do eneagrama II, III e IV) e outra estrutura corporal (que Kretschmer poderia ter chamado coletivamente de epileptoide) formada por indivíduos cuja constituição encerra a ectomorfía mais baixa e são predominantemente voltados para a ação. (NARANJO, 1995, p. 100).

eneagrama

Figura 1 – O Eneagrama – (NARANJO, 1995, p 60)

A Psicologia Corporal

O médico e psicanalista Wilhelm Reich desenvolveu todo um estudo onde o corpo retém os traumas emocionais, observando em seu consultório diversas pessoas que não se libertavam de seus traumas e problemas psicológicos usando os estudos de Freud. Esses traumas corporais ele nomeou de couraças.

Através da leitura do corpo poderia se perceber os bloqueios energéticos e propor terapias para a dissolução dessas couraças e a livre circulação energética nos indivíduos.

Couraças reichianas
Couraças reichianas

 

Tipo 1 – A Ira

Uma “virtude irada”, assim Naranjo (1996) define o Tipo I. Catalisando sua emoção (raiva) e o cognitivo (perfeccionista) o Tipo 1 leva a sério a vida. Tudo é transformado em objeto de compulsão ou obsessão leve, moderada ou severa, de forma de que ninguém consegue fazer melhor que ele, já que seus padrões de perfeição são definidos por sua própria paixão.

Mais que qualquer outro traço, podemos considerar a “raiva” a base emocional e a essência da paixão da estrutura deste caráter. Uma sensação de injustiça diante de seus esforços e das responsabilidades que assumiu desproporcional em relação aos outros. A raiva está presente em uma forma de irritação, reprovação e hostilidades permanentes, que sempre são reprimidas ou desviadas e não expressadas. Junto com a base que é a raiva aparece a crítica, a exigência, o perfeccionismo, o controle excessivo, a autocritica e a disciplina configurando o caráter de obsessão e compulsão.

As couraças reichianas

O tipo I do eneagrama corresponde à personalidade histriônica do DSM, o obsessivo-compulsivo.

Reich (2011, p. 201) descreve assim sobre o compulsivo-obsessivo, que entendo como base do Tipo I: “Mesmo se o senso de ordem do neurótico compulsivo não estiver presente, um senso pedante de ordem é típico do caráter compulsivo. Tanto nas coisas grandes quanto nas pequenas, ele vive a vida de acordo com um padrão preconcebido e irrevogável.”

O que é mais importante é que ele acentua o que poderia ser encarado como o outro lado do autocontrole: o bloqueio emocional.

Ao mesmo tempo em que ele tem má-vontade com relação aos afetos, ele é fortemente inacessível a eles. Ele se mostra geralmente calmo e insensível em suas manifestações de amor e ódio. Em alguns casos, isso pode se transformar em um total bloqueio com relação aos afetos.

Dentro da Vegetoterapia, Navarro (1995) nos coloca que o traço de cobertura caracterial compulsiva (fálico-anal ou hístero-anal) como borderline, ou seja Oral reprimido, em sua base. Tem uma necessidade de cobrir o núcleo psicótico inconsciente reprimido e controlado, a fim de evitar sua explosão.

Há essa tendência de indivíduos ruminar a raiva que impede a concentração nas “coisas” primárias de forma que o secundário acaba tomando o lugar do primário. Este é o mecanismo de defesa de pessoas rígidas.

Percebemos um diafragma comprometido pela participação do “masoquismo” e uma sensação de ter transgredido a “lei” constantemente.

É constante, no compulsivo, o aspecto psicológico da dúvida e da indecisão: por isso, a problemática de ser ou não ser, que equivale à dúvida infantil de reter ou não as fezes e soltarei… A dúvida e a indecisão dessas pessoas caracterizam sua ambivalência, que é a expressão da sua rigidez pelo bloqueio do quarto nível (pescoço e tórax) (NAVARRO, 1995, p. 79)

Toda a caracterialidade do Tipo 1 pode ser notada na sua corporalidade: uma rigidez militar, um rosto duro, um autocontrole que os torna desajeitados pelo bloqueio pescoço-pélvis. 

Tipo II – o Orgulho

O tipo II é definido pelos autores do eneagrama como os doadores ou aqueles que se dão, ou seja, ele busca trocar a “doação” por afeto, não importando o que ele necessita mas sim a necessidade do outro. Configurando assim o orgulho.

Na raiz de seu comportamento está a paixão do orgulho, uma exaltação imaginária do valor e da atração pessoal, a necessidade de ser o centro das atenções. A carência de amor dos indivíduos do tipo II o torna suscetível e melindroso, uma possessividade e uma demanda de ser reconhecido.

A busca compulsiva do prazer sustenta naturalmente a persona alegre dos indivíduos histriônicos, com seu suposto contentamento e animação. Outra característica é a autoconfiança e a obstinação, traço esse que envolve “conseguir o que quer” mesmo à custa de uma “cena emocional” ou pratos quebrados.

No DSM, o Tipo II do eneagrama é encontrado sob o rótulo de “Distúrbio de Personalidade Histriônica”, para o qual são apresentados os seguintes critérios de diagnóstico.

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Reich (2011) descreve o caráter histérico como possuindo os seguintes traços:

  • Visível comportamento sexual
  • Um tipo específico de agilidade física
  • Coquetismo indisfarçado
  • Apreensão quando o comportamento sexual parece estar próximo de atingir sua meta
  • Fácil excitabilidade
  • Forte sugestionabilidade
  • Imaginação vívida e mentira patológica

O tipo II está relacionado à caracterialidade hístero-vaginal ou fálico-histérica, mas apresenta um núcleo bordelense Oral compensador. Em sua origem há um período edípico em uma relação de sedução ao pai ou à mãe. Navarro (1995) diz que, se foi vivido de forma conturbado na puberdade, isso torna-se um complexo de Édipo.

O histérico é hiperorgonótico com a caracterialidade bem resolvida, mas muito infantil, apresentando um bloqueio intermitente na pélvis que explica a sexualidade contraditória ao seu comportamento. Tem uma atitude sexual evasiva e agilidade corporal, mas retraídas na concretização sexual, o que demonstra uma presença do superego ligado ao julgamento dos outros. Para esta caracterialidade a aprovação do outro, demonstrada na carência do amor, implica numa tensão do diafragma, provocado pelo sentimento de culpa, caracterizando o clássico masoquismo do histérico. Além disso, tem uma tendência a mudar de humor e de opinião por uma sugestionabilidade.

Tipo III – A Vaidade

A paixão de viver para os olhos dos outros, a vaidade, pode-se configurar a definição do tipo III do Eneagrama. Viver para a autoimagem é um sinônimo de falar do narcisismo, um traço de caráter que está presente fortemente neste tipo.

O tipo III pressente ao centro emocional ou grupo histeróide, onde a vaidade ou autoengano é uma característica comum. Vemos um controle dos sentimentos e uma identificação com o de outros.

Segundo Naranjo (1996) o tipo III não possui uma definição no DSM, ele diz que isso pode estar relacionado ao fato de ser uma “personalidade da moda” na sociedade americana. Mas encontramos no mesmo uma classificação como um transtorno da personalidade cuja característica essencial é um padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia.

A personalidade III emite uma imagem bem-sucedida onde a aparência é fundamental em um “eu idealizado” e onde a pessoa parece adorá-lo, uma aparente autoconfiança abundante, que parece invejável a todos que se desgastam com a própria insegurança; ele não tem dúvidas (conscientes); ele é o ungido, o homem do destino, o profeta, o benfeitor da humanidade. Um espirito competidor, realizador, empreendedor.

As couraças reichianas

Uma vez que toda couraça psíquica pressupõe um equivalente somático, uma couraça muscular (REICH, 1996), a couraça narcisista do tipo III do eneagrama, recobre todo o corpo, com acentuação no pescoço, peito e diafragma. Esses indivíduos, quando mapeado por um diagnóstico corporal reichiano, poderá apresentar bloqueio de primeiro nível – no segmento ocular – trazendo uma condição paranóide; no segundo nível (oral) uma tendência à vulnerabilidade, depressividade e no terceiro (cervical) um comportamento controlador, moralista (VOLPI, 2003).

Esse traço possui energia acima da média, porém, mal distribuído pelo corpo o que lhe atribui uma denominação hiperorgonótico desorgonótico. Esse aspecto energético concede um dinamismo, uma determinação, que o faz perseguir e atingir seus objetivos com certa facilidade.

Esse tipo do eneagrama diante de uma situação de fracasso, estresse ou algo que o faça confrontar “sua verdade”, esta energia poderá refluir na direção dos olhos, trazendo uma condição paranoica ou em direção à boca, apresentando uma condição depressiva (NAVARRO, 1995).

Segundo Volpi (VOLPI, 2003, p. 9):

O distúrbio básico na personalidade narcisista consiste na ausência de sentimento. Por isso, quando o narcisista tem sua vaidade ofendida, reage com frieza, sadismo e agressividade. Ele não tolera a ideia do fracasso. Às vezes se enfurece como um louco ou se deprime por não poder alcançar o que o ideal do ego exige e abre em seu caráter uma ferida narcísica que, na maioria das vezes passa a agir com uma dinâmica de barganha demagógica de modo a obter uma amenização da virulência dos ataques mobilizados contra ele. A determinação em vencer está mais baseada no medo do fracasso do que na própria recompensa que irá obter por lutar e vencer.

Tipo IV – A Melancolia

A inveja é o estado emocional do tipo IV do Eneagrama e envolve uma sensação de carência e o anseio em direção ao que sente falta. Há frustração, que é consequência natural, além do desejo de conduzir a situações dolorosas. Neste tipo percebemos uma tendência à depressão como um pântano, ou seja, uma situação onde quanto mais se entra mais se afunda.  O aspecto mais característico do tipo IV, além da motivação invejosa, pode ser visto na tendência para a auto vitimização e a frustração.

Podemos definir o tipo IV como uma personalidade depressiva, auto derrotista e masoquista, que no DSM se caracteriza como distúrbio de humor.

Trata-se de um tipo de pessoa excessivamente amargurada e para quem tudo está de certo modo estragado. E, para pessoas deste tipo, tudo isso não é necessariamente óbvio, ele pode manifestar alegria e uma atividade hipomaníaca como uma forma de escapar da tristeza. É comum se compararem com aqueles que “vivem felizes” tornando o sofrimento uma coisa nobre e contemplem a si mesmos de maneira aristocrática, uma forma de dar um sentido de sublimação de sua dor, que pode encontrar na arte, na religião uma transcendência.

Na estrutura da personalidade encontramos a Inveja como elemento central, em uma forma de ver aquilo que me falta, uma ganância, um impulso desejoso.

Com o foco no sofrimento, que surge através de uma autoimagem desabonadora e a frustração da carência exagerada, devemos citar a utilização da dor como vingança e a esperança inconsciente de obter o amor. Neste sentido a emotividade é uma tendência exagerada nesta personalidade, como um copo que está sempre cheio e transbordante, assim são as emoções para o tipo IV.

 Couraças reichianas

No tipo IV, do eneagrama, encontramos uma oralidade acentuada, um borderline com oralidade insatisfeita por uma sensação de falta de maternagem suficiente. Isso o conduz a essa sensação de falta e à inveja: porque o outro tem o que eu não tenho?

No nível inconsciente a ganância visa basicamente esvaziar, secar e devorar o seio, ou seja, seu objetivo é a introjeção destrutiva ao passo que a inveja não apenas procura roubar dessa maneira, mas insere também uma maldade.

Em virtude do traço caracterial masoquista percebemos o bloqueio hiporgonótico do diafragma, chamado de “grande boca”, é encontrado sempre que há um núcleo psicótico no indivíduo e provoca o masoquismo primário.

A origem do masoquista está em cada emoção que provoca ansiedade, isto é, um certo tipo de medo, um medo de morrer que, do ponto de vista energético, é o medo do orgasmo, de deixar-se, de abandonar-se completamente ao outro. 

Tipo V – A Avareza

A paixão do tipo V é a avareza, um refrear e reter. Uma ganância que se manifesta através da retenção. No entanto essa retenção só representa metade da psicologia do Tipo V do eneagrama, a outra metade é desistir com excessiva facilidade, com uma atitude de resignação em relação ao amor e às pessoas. Podemos falar desse indivíduo como desapegado, reservado, autista e esquizoide.

Existe um tipo de personalidade no DSM que é definido com base em um único traço, o qual, por causa disso, pode ser um diagnóstico atribuído a mais de um dos tipos de caráter deste livro: a personalidade passivo-agressiva.  As exigências externas nessa personalidade são muito próximas as características do tipo V do eneagrama.

Como traços marcantes de sua personalidade, podemos citar a retenção, avareza e mesquinhez, ou seja, falta de generosidade em questões de dinheiro, energia e tempo.; Dificuldade em ceder as coisas ao outro por questão de uma atitude de sobrevivência; Desapego emocional do outro desenvolvendo um distanciamento do outro, uma “qualidade” de ser solitário; Medo de ser “engolido pelos outros”; Autonomia, o qual surge o pensamento de que eu me basto; Ausência do sentimento, ou seja, distanciamento do mundo do corpo e do sentir, conduzindo a uma sensação de vazio constante; Adiamento da ação; Orientação cognitiva, pessoas introvertidas e adoradoras de livros.

Couraças reichianas

A personalidade V do Eneagrama fica bem próxima de uma condição esquizoparanoide em suas manifestações mais crônicas. Há traços de autismo e esquizoidíssimo no seu afastamento do contato com o outro. O desapego patológico que aparece em graus leve, moderado e crônico dá indícios de comprometimentos do núcleo psicótico.

É característico dessas pessoas um sistema hiporgonótico e flacidez muscular, uma vez que toda a energia está retida na cabeça. Notamos também uma necessidade de controle veemente. Esse controle causa uma acentuação do bloqueio de 3º nível, do pescoço, em uma defesa narcisista intensa e uma obsessão pelo controle externo, evitando áreas onde o expõe às emoções e ao contato com o corpo. Também encontramos um bloqueio de 5º nível, diafragmático, onde o medo dessa exposição gera uma ansiedade corrente, encurtando a respiração e aumentando a sensação de vazio.

Tipo VI – A Covardia

A paixão presente no tipo VI do Eneagrama pode ser definida como timidez e covardia; uma hesitação ou inibição ansiosa em agir na presença do medo. A contraparte cognitiva do medo pode ser encontrada em uma atitude de auto-invalidação, auto-oposição e culpa – um tornar-se inimigo de si mesmo.

A definição do DSM do caráter paranoico é bem próxima a do tipo VI do eneagrama. O caráter fóbico da psicanálise, agora refletido no distúrbio da personalidade “esquiva”, bem como no da personalidade “dependente”, é outro. No entanto, existe também um estilo mais obsessivo, geralmente diagnosticado como um distúrbio de personalidade mista entre a paranoica e a obsessiva.

Podemos perceber nos indivíduos uma hostilidade paranoica. Como uma defesa diante da submissão a um dos pais, uma defesa contra o amor, uma defesa contra a tentação de um sedutor “amor através da submissão”, que o medo inspira na criança.

Enquanto os indivíduos mais “fracos” se submetem a essa obediência amorosa à autoridade dos pais, o subtipo “forte” (chamado de contra-fóbico) vai se defender dessa tentação à submissão.

Como traços marcantes de sua personalidade, podemos citar:

  • Medo, covardia e ansiedade
  • Hiperintencionalidade excessivamente alerta – uma vigilância exagerada
  • Orientação teórica – Não apenas intelectual, mas lógica
  • Afabilidade cativante – a afeição usada como forma de desarmar o opositor
  • Rigidez – ligado a lei, obediência, devoção às responsabilidades
  • Orientação para autoridade e ideais
  • Acusação de si e dos outros – um sistema de acusação e punição.
  • Dúvida e a ambivalência.

Couraças reichianas

No centro desta personalidade está um Eu fraco, possivelmente castrado e obrigado a obedecer desde as primeiras fases. Seu Eu não consegue se impor diante da autoridade exterior, fazendo um papel masoquista de submissão.

Encontramos bloqueios de 1º nível, onde o medo impõe uma forma de olhar distorcida da realidade, projetando seus medos através de uma vigília constante do meio onde está inserido. Ainda no nível 3, uma necessidade de controle de tudo o que se coloca a sua volta, já que não pode confiar em si mesmo. O bloqueio desta couraça reforça sua baixa energia. Nos níveis 4º e 5º encontramos bloqueios por sua ambivalência e dúvidas, mostram o Eu enfraquecido, peito infantil e ação fraca. Um elevado índice de ansiedade ligada ao medo, trás o bloqueio do diafragma, expondo pernas fracas e dificuldade de ação.

Tipo VII – A Gula

A melhor definição da paixão do tipo VII do Eneagrama é a gula, mas como o termo é sempre relacionado à comida, sua força diminui. Se consideramos a gula de uma forma mais ampla percebemos nela um hedonismo aderido à psique, enevoando (através da confusão um obstáculo à busca do equilíbrio).

Considerando o DSM, encontramos o tipo VII sob o nome de “narcisista”. Os narcisistas são expansivos, colocam poucos limites às suas fantasias e racionalização, e deixa a imaginação correr frouxa. (Millon, 1981)

Podemos também traduzir a gula como uma “oralidade receptiva”. Uma necessidade de se dar através da boca, um anseio de obter tudo, uma obstinação por falar, um transbordamento da palavra.

Como traços marcantes de sua personalidade, podemos citar a gula, permissividade hedonista, rebeldia, falta de disciplina, satisfação imaginária dos desejos, sedução agradável, narcisismo.

Couraças reichianas

A gula e o narcisismo são as características centrais dessa personalidade, além de uma imaginação e racionalização exageradas.

Podemos perceber no tipo, um duplo núcleo psicótico, com bloqueio de primeiro nível, e excesso do uso Neo-cortex, como forma de fuga das emoções e dores.

A gula, que é sua característica mais marcante, em uma busca de sempre mais, encontramos um borderline ou oral insatisfeito, com energia retida neste segmento.

O narcisismo com bloqueio no nível do pescoço e do tórax, há um desejo de que a vida seja a mais positiva possível.

Tipo VIII – A Luxúria

O tipo VIII do Eneagrama é a personalidade do excesso, por isso a evocação à paixão da luxúria, que procura a intensidade, não somente no sexo, mas em todo tipo de estímulo – atividades, ansiedades, prazeres e assim por diante.

No DSM podemos associar o distúrbio da personalidade antissocial ao tipo VIII do Eneagrama.

Como traços marcantes de sua personalidade podemos citar a luxúria, punitividade, rebeldia, dominância, insensibilidade, exibicionismo (narcisismo), autonomia, predominância sensório motora.

Couraças reichianas

É natural encontrar no tipo VIII do Eneagrama, uma oralidade insatisfeita latente, por conta da luxúria, ou seja, percebe-se isso através do excesso na comida, no prazer e no trabalho. Esse tipo possui um bloqueio de 2º nível com uma tendência hiperorgonótico neste segmento. O excesso de narcisismo, reconhecido pelo exibicionismo de suas habilidades e posicionamento, expõe um bloqueio no 4º nível. Finalmente, pela sua característica fálica, percebemos o bloqueio de 7º nível – pélvico. Segundo Navarro (1995), o caráter fálico-narcisista de 7º nível é um dos mais difíceis na terapia, pois quando se agarra na calda, escapa pela cabeça; agarrado na cabeça, escapa pela cauda.

Tipo IX – A Preguiça

A paixão do tipo IX do Eneagrama pode ser definida como “preguiça” ou “indolência”, traduzida do grego “accidia”, um termo cunhado na época dos mosteiros e definido como a preguiça do monge diante de suas orações no sol das 15:00 horas. Usando termos mais modernos, a “accidia” é uma perda de interioridade, uma recusa em ver e uma resistência à mudança. Poderíamos resumir em “não perturbe a ordem e a harmonia”.

Como traços marcantes de sua personalidade podemos citar a inércia psicológica, adaptação excessiva, resignação, generosidade, mediocridade e distração.

No DSM encontramos o tipo IX como “personalidade dependente”.

Couraças reichianas

O tipo IX do Eneagrama perdeu seu centro motor, o centro da ação e por isso o vemos sempre atrasados nos compromissos, nos estudos, na vida. A dificuldade em ver e perceber a vida tal como ela, e a adaptação excessiva, nos sugerem um bloqueio de 1º nível, uma distorção do campo da visão.

A oralidade está muito presente, por causa de sua insatisfação e sensação de que a vida foi injusta consigo, então ele precisa ser recompensado, cuidado e amparado.

O bloqueio diafragmático é notório por sua grande ansiedade, onde percebemos um bloqueio de 4º e 5º níveis, impedindo o fluxo energético para as pernas, faltando ação. É fácil perceber um indivíduo Hiporgonótico.

Considerações Finais

Ao juntar a teoria das personalidades do Eneagrama, e sua fácil leitura dos comportamentos e das motivações, com a psicologia corporal reichiana, podemos vislumbrar um processo terapêutico a partir da leitura corporal desses indivíduos. E assim, pensar em terapias breves usando essas metodologias como forma de auxiliar esse tratamento e reintegração global da pessoa.

Referências

O estudo foi apresentado no 21º Congresso de Psicologias Corporais, em Curitiba e o artigo está disponível em seu site para download.

  • American Psychiatry Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders – DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013.
  • CUNHA, Domingos, CSh. Crescendo com o Eneagrama na Espiritualidade. São Paulo: Paulus, 2005.
  • DERRIDA, Jaques. Gramatologia. São Paulo: Editora Perspectiva, 1973.
  • GALLEN, M-A.- Neidhardt, H. El Eneagrama De Nuestras Relaciones. (Colección Serendipity 11). Desclée de Brouwer. Bilbao, 1997.
  • KANT, Immanuel – Antropologia do ponto de vista pragmático. São Paulo: Iluminuras, 2006
  • MILLON, Theodore, Disorders of Personatity: DSM IIZ. Axis II. Nova York: John Wiley & Sons, 1981.
  • NARANJO, Claudio. Os nove Tipos de Personalidade. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1996.
  • NAVARRO, Federico. Caracterológica pós-reichiana. São Paulo: Summus, 1995.
  • REICH, Wilheim, Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes: 2011 – 4ª edição.
  • VOLPI, José Henrique. Poder, fama e ferida narcísica: uma compreensão caractero-energético do narcisista. Curitiba: Centro Reichiano, 2003. Disponível em: www.centroreichiano.com.br/artigos.htm. Acesso em: 28/02/16.

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