medo https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Sun, 21 Mar 2021 23:26:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 medo https://minasi.com.br 32 32 103183256 4 técnicas de respiração para melhorar sua vida https://minasi.com.br/4-tecnicas-de-respiracao-para-melhorar-sua-vida/ https://minasi.com.br/4-tecnicas-de-respiracao-para-melhorar-sua-vida/#respond Sun, 21 Mar 2021 23:26:21 +0000 https://minasi.com.br/?p=2325

A respiração é mais do que um atitude autônoma do sistema nervoso central. Praticamente é uma de suas únicas funções (SNC) que podemos conscientemente controlar. A respiração está ligada diretamente à nossa qualidade de emoção, pensamento e físico. Muitas atitudes respiratórias que temos podem ser frutos de nossa infância, da forma como nos adequamos e sobrevivemos.

Respirar realmente produz prazer, alivia a ansiedade e nos permite viver melhor. De fato, conseguir transformar esse ato em um exercício muito mais consciente, direcionado e harmonioso na vida cotidiana seria, sem dúvida, de grande utilidade.

A maioria das pessoas nunca parou para analisar como respiram. De fato, a pergunta seria: por que fazer isso? Nosso corpo executa uma boa quantidade de processos automaticamente, garantindo assim nossa sobrevivência. Graças a isso, podemos dedicar muita energia a outras tarefas, como ler este artigo, por exemplo.

De fato, imaginar esse esquema simples só pode nos fazer bem. Não cuidar do nosso corpo envolve más conseqüências e permitir que nossas emoções assumam o controle também significa piores resultados. Não devemos esquecer que um corpo exausto, fatigado e controlado por excesso de preocupação, precipitação ou ansiedade, resulta em respiração mais rápida e anormal, em um corpo que executa suas tarefas metabólicas a uma taxa desequilibrada ou até perigosa.

Quando respiramos melhor temos uma vida mais equilibrada e essas técnicas podem nos ajudar.

1. Respiração diafragmática

Quando pensamos em respirar, a maioria de nós usualmente pensamos e imaginamos os pulmões. No entanto, é preciso dizer que o verdadeiro responsável por esse processo é o diafragma. É um músculo poderos e importante que se localiza logo abaixo dos pulmões e separa o peito da área abdominal. Ele se move quando respiramos e, se respiramos com amplitude, estimulará outros órgãos, como o fígado e um grande número de tecidos, a promover a circulação sanguínea, promovendo a eliminação de toxinas.

Precisamos estar mais conscientes dessa área do nosso corpo, porque o diafragma é a parte essencial na maioria das técnicas de respiração. Vamos ver como tomar consciência disso e como estimulá-lo.

  • Vamos colocar uma mão no abdômen (na barriga sobre o umbigo) e outra no peito.
  • Mantenha a coluna ereta e as costas retas.
  • Em seguida, inspire o ar pelo nariz de uma maneira muito profunda.
  • Com as mãos vamos sentir que a área que infla seja o diafragma (a barriga) e não o peito.
  • A seguir, expiramos pela boca.
  • É bom se conseguir entre 6 e 10 respirações lentas por minuto.

2. Respiração alternativa pelas narinas

Esta é uma das técnicas de respiração mais conhecidas. É ideal para reduzir a ansiedade, relaxar e promover uma melhor concentração todos os dias. Aqui estão os passos que devemos seguir:

  • Sente-se confortavelmente, lembre-se de manter as costas retas.
  • Com o polegar direito, tampamos a narina direita.
  • Então inalamos profundamente o ar pela narina esquerda até atingirmos o máximo.
  • com os pulmões cheios, inverta os dedos, tapando a narina esquerda e expirando pela narina direita.
  • Repita agora, usando a narina esquerda para inspirar e a direita para espirar.
    • Procure inspirar a maior quantidade de ar possível e ao espirar, force para sair todo o ar dos pulmões

Pode parecer complicado no começo, mas quando o automatizarmos, poderemos experimentar os incríveis benefícios das diferentes etapas.

3. A respiração do crânio brilhante ou kapalabhati

Kapalabhati é uma das técnicas de respiração mais curiosas e também as mais eficazes para reduzir a ansiedade e otimizar nosso sistema respiratório. Isso nos ajuda a limpar nossas vias aéreas e até melhorar nossa capacidade pulmonar.

O termo Kapalabhati vem do sânscrito e é a união de dois conceitos: Kapala significa ”crânio” e Bati significa “brilhante ou o ato de purificar” . Vamos ver no que consiste:

  • Sentamos novamente com as costas retas.
  • Fechamos os olhos para focar mais na respiração.
  • Inspire profundamente utilizando o abdomen (a barriga), mantendo a cabeça reta.
  • E agora, incline a cabeça, fazendo o queixo chegar perto do peito e fazemos expirações rápidas contraindo os músculos do abdômen, imaginando que, com esse gesto, levemos o umbigo até as costas.
  • À medida que essas expirações se tornam realidade, nosso corpo irá inspirar automaticamente. O ideal é atingir pelo menos 10 a 15 expirações rápidas sucessivas.
    • Descanse por alguns minutos e tente novamente.

4. Técnica de respiração com visualização

Muitas técnicas de respiração incluem várias visualizações para alcançar um relaxamento mais profundo. No entanto, requer mais experiência para que o processo nos beneficie e nos ofereça essas sensações catárticas capazes de ocultar as tensões e reduzir a ansiedade ou o estresse .

Vamos levar em conta esta estratégia original:

  • Deitados de costas sobre um tapete ou até em uma cama .
  • Vamos colocar uma mão no abdômen e a outra no peito para controlar a boa realização da respiração: pelo diafragma.
  • Vamos respirar fundo pelo nariz, imaginando apenas uma onda do mar que timidamente nos cobre da cabeça aos pés. Sentiremos sua frescura, a espuma da água, o deslizamento do oceano que nos cobre …
  • Então expiraremos pela boca e visualizaremos ao mesmo tempo essa onda que se afastará gradualmente de nós, da cabeça aos pés, lentamente, de maneira relaxante …

Respirar é fundamental. Respirar bem é saudável. Você pode alterar até o estado de ânimo em que se encontra apenas focando na respiração.

Eu sugiro que você comece ao menos uma vez por dia, prestando atenção à sua respiração. Preste atenção em como você respira quando está nervoso, com medo, ansioso; quando você está prestes a apresentar algo ao público, aos chefes… Conhecer o seu padrão de respiração pode ser uma chave muito importante para o seu processo de auto conhecimento.

Todas as técnicas podem nos ajudar, mas o mais importante é você estar no comando, não apenas executando uma técnica, mas interligando às suas emoções, às suas sensações físicas e fisiológicas, assim, poderá ser um momento de crescimento individual e familiar.

Para concluir, como podemos entender, essas técnicas simples de respiração podem nos ajudar a melhorar nosso bem-estar, cuidar de nossa saúde e aliviar todas as nossas tensões que, sem que percebamos, nos deixam doentes pouco a pouco. Vamos procurar alguns minutos durante o dia para respirar melhor, viver melhor em harmonia com nosso próprio corpo e nossas necessidades.

Para concluir, como podemos entender, essas técnicas simples de respiração podem nos ajudar a melhorar nosso bem-estar, cuidar de nossa saúde e afrouxar o nó de todas as nossas tensões, sem que percebamos isso. nos adoecer pouco a pouco. Vamos encontrar alguns minutos durante o dia para respirar melhor , viver melhor em harmonia com nosso próprio corpo e nossas necessidades.

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Medo e ansiedade https://minasi.com.br/medo-e-ansiedade/ https://minasi.com.br/medo-e-ansiedade/#respond Thu, 13 Aug 2020 18:52:50 +0000 https://minasi.com.br/?p=2150
Medo tem algo a ver com a ansiedade? Vamos conversar sobre isto…
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O aqui e o agora – notas encarnadas sobre a catástrofe https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/ https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/#respond Tue, 21 Apr 2020 14:10:37 +0000 https://minasi.com.br/?p=1935
Por Xavier Serrano Hortelano

A realidade pandêmica que estamos experimentando durante estes meses, independente das interpretações, é uma catástrofe internacional que trará consequências gravíssimas, em todos os níveis, como advertem alguns especialistas, que podem ser similares àquelas sofridas por uma guerra mundial.

As crises, tanto pessoais como sociais, assim como em qualquer catástrofe, chegam de surpresa. Por isso, em grande medida, estamos agora vivendo uma espécie de experiência onírica. Muitas das pessoas a quem atendo me dizem: “É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”. Nossa percepção agora sofre uma certa alteração da consciência, porque a realidade social e cotidiana é, em grande medida, desconhecida. De modo que sofremos mudanças nos ritmos vitais, alterações no sono, sensações estranhas e uma vivência diferente da passagem do tempo.

É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”.

E este sonho não é agradável, se assemelha mais a um pesadelo, onde nos encontramos com a vulnerabilidade e a morte, que são o que costumam acompanhar qualquer catástrofe. As pandemias, diferentes do resto, são catástrofes lentas, onde o estado de alarme, a tendência ao caos e ao pânico, vão mostrando-se e aumentando progressivamente.

Outros especialistas e enfoques psicológicos que também abordam e estudam o fenômeno do medo, como os sistêmicos, os cognitivistas ou os construtivistas, propõem que estas situações estimulam a criatividade, a emergência de valores tais quais a solidariedade e conduzem à busca por soluções. Em minha opinião, esta descrição pode ser atribuída à reação instintiva que é produzida na natureza, em geral, e nos mamíferos, em particular, mas, em muitas ocasiões, não é a que observamos no mamífero humano. No nosso caso, fomos perdendo o contato com o funcionamento instintivo, e somos movidos mais por padrões de conduta social estereotipada, governados pelo predomínio e especialização da razão, do pensamento cortical, devido, fundamentalmente à influência dada sociedade patriarcal na qual temos vivido durante séculos, que tem menosprezado o mundo do instintivo, dos afetos, da ternura, da sexualidade, das relações humanizadas, em pró de alcançar objetivos, da eficácia e da supremacia fálica do poder, o qual se reflete nas relações não saudáveis que se mantém nos ecossistemas essenciais (família e escola), muito distantes daqueles que permitem estabelecer atmosferas ecológicas, próximas do funcionamento natural do Vivo. Portanto, é preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Visto que é certo que, a nível conductual e de resposta social estamos longe de produzir respostas instintivas auto organizadas ou autopoiéticas-, segundo a definição de Humberto Maturana-, a nível biológico sim somos capazes de tê-las pois, ainda que, nas pandemias sofridas pelo ser humano ao longo da história muitas pessoas tenham falecido, nossa espécie logrou sobreviver. Podemos compreender melhor tal fato aplicando também a teoria da Ressonância Mórfica de Sheldrake, segundo a qual a espécie humana, como o resto das espécies, acumula o legado das respostas de sobrevivência de séculos, no terreno biológico. Cada vez que surge uma variável molecular, frente a qual a espécie não está acostumada, existe um período de vulnerabilidade onde ocorrem falecimentos, até que chega o período de auto organização imunitária, sem que tenham, necessariamente, existido vacinas ou soluções médicas prévias específicas.

É preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Neste sentido, recordo a frase de Daniel Defoe, em seu livro O ano da peste onde, em sua descrição romantizada de uma das pandemias históricas, relata: “A sociedade ficou perplexa quando perceberam que, se repente, sem nenhum medicamento novo, sem nenhuma intervenção diferente, as pessoas não apenas deixavam de morrer, senão que, também recuperavam-se e curavam-se. Nem sequer os médicos o pudessem explicar, porque era um feito Divino. Deus nos castigou e Deus agora nos perdoa”. Como não era possível existir outra explicação possível em meados do século XIX, tanto Defoe como a maioria o atribuíram a uma ação divina. O que é certo, em todas as pandemias, é que elas duram seu tempo. Hoje estamos melhor preparados, não apenas por alguns avanços médicos, como também porque os seres humanos estão melhor imunizados, como espécie, do que há séculos passados. Exceto em tribos isoladas, com pouco contato com a civilização, que são especialmente vulneráveis e poderão desaparecer se não forem tomadas medidas adequadas, coisa que já pode estar ocorrendo em lugares como a Amazônia, com a consequente tragédia e genocídio humano.

Podemos considerar a crise atual como uma catástrofe internacional, com uma base biológica, que durará um tempo e causará mortes. Os falecimentos dependerão, por sua vez, de duas variáveis:

  • A primeira, consequência da mutação biológica, fruto de uma natureza agredida a nível mundial, de uma Gaia maltratada por nossas ações destrutivas, que continuarão a gerar catástrofes geofísicas e biológicas. Talvez por isso o século XXI será o século das catástrofes “naturais”, enquanto o século XX foi o das bélicas.
  • A segunda, pela maior ou menor força biológica e psicossomática de cada pessoa, consequência tanto de sua predisposição congênita, como do distress sofrido ao longo de sua história pessoal, especialmente durante os primeiros anos de vida.
Gaia

Ambas coisas poderiam ser paliadas, erradicando fatores de risco de todo tipo no primeiro caso, e utilizando medidas preventivas nos ecossistemas essenciais (famílias, escolas, organizações…) como as que se plasmam no projeto que denominei em seu momento de Ecologia dos Sistemas Humanos.

Na presente ocasião, não irei valorar as decisões tomadas pelos governos frente à crise, mas sim valorarei as suas consequências. A imobilidade e o confinamento durante meses levará a uma recessão da economia e um sofrimento emocional e infraestrutural muito grande para milhões de pessoas, com consequências não apenas sociais e econômicas, como também psicossomáticas, que irão ocasionar condutas defensivas e patológicas. Nos encontraremos com reações muito distantes do funcionamento instintivo e natural como espécie que descrevi acima, e darão-se respostas baseadas no predomínio das, assim nomeadas por Wilhelm Reich, “pulsões secundárias culturais”, como o egoísmo, o individualismo, o sadismo, etc.

Tais pulsões tomam forma através de nosso Caráter, termo que este mesmo autor descreve como a couraça do ego. Ou seja, a soma de mecanismos de defesa organizados ao longo do nosso processo maturativo, em forma de traços de conduta rígidos, que formam parte de nossa personalidade. Entre eles, observamos traços compulsivos, fálicos, masoquistas ou histéricos.

É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”

Desta forma, durante o tempo do confinamento, irão tomando força tais atitudes caracteriais para fazer frente à crise e, no entanto, com o tempo tais atitudes podem ir desmoronando, dando lugar a reações mais profundas, consequência da Estrutura do caráter, ou seja, do padrão de organização essencial de cada pessoa:

  1. Reações impulsivas ou dissociativas, no caso da Estrutura Fronteiriça
  2. Cindidas pelo pânico, ou paranóicas-conspirativas-delirantes, no caso da Estrutura Psicótica
  3. Adaptativas, porém vivendo conflitos pessoais ou relacionais mais ou menos sérios, em função de seu traço de caráter imperante, no caso da Estrutura Neurótica.

O que pode refletir-se concretamente em condutas com rotinas compulsivas, emergências depressivas, vitimistas, de desesperação, evasivas-maníacas, de caos histriônico ou colocar-se como grande líder, salvador da humanidade.

Partido desta avaliação sistêmica e estrutural da situação atual, antes de propor as possíveis medidas de enfrentamento da crise e dos pós crise, devemos assumir que as consequências desta pandemia serão globais e imprevisíveis, a curto e médio prazo. Por isso, conforme escreveu Edgar Morin: “É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”. E, para nós, quais são estes arquipélagos? As leis gerais da Ecologia de Sistemas Humanos. Aplicando-as, poderemos navegar de forma mais segura e eficaz.

O ponto de partida que nos permitirá fazê-lo emerge da Teoria da Complexidade, do mencionado filósofo E. Morin, segundo a qual, para conhecer a realidade de um fenômeno, devemos detectar o maior número possível de variáveis que o fazem possível. Por isso, tampouco em esta crise será possível adotar posições baseadas em dar resposta a uma única variável. Como podemos observar em algumas posturas reativas, onde o Governo passa a ser a figura responsável por tudo que acontece; ou a postura de refugiar-se em ideações místicas, com cantos de sereia, pensando que tudo se irá solucionar pela força da natureza e que o ser humano vai mudar a partir de agora e tudo será diferente; nem, tampouco, a de fincar-se no mero pragmatismo mecanicista de pensar que tudo passa por soluções médicas e por uma vacina salvadora. A situação é complexa e, portanto, devemos buscar respostas que considerem as diversas variáveis que estão influindo nesta crise.

Navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas

Podemos encontrar uma ajuda necessária para continuar este propósito adotando a posição aconselhada por W. Reich de “observação silenciosa, que nos lembra, por sua vez, um princípio da física quântica, segundo a qual as particularidades do observador passam a ser uma variável mais a ter em conta na observação de qualquer fenômeno que se investigue. Nesta observação silenciosa, como primeiro passo, o próprio observador deve perguntar-se o que está sentindo e como está experimentando o que observa, assim como em que condições se encontra.

Se o aplicamos à situação atual, não tem muito sentido propor alternativas ou resolver os problemas dos demais, se previamente não me detenho, encarando-me e perguntando-me: “Como estou vivendo e sofrendo esta crise terrível?… Que sensações estou experimentando?… Como me sinto durante a noite e durante o dia?… Como estou junto aos outros?… Mais irritado(a), mais deprimido(a), ansioso(a), sonho mais ou menos, durmo ou não?… Como experimento o passar do tempo, a ausência do encontro social?” Nesta auto observação aprenderei e poderei administrar melhor meus recursos.

Um segundo passo será a observação do exterior. Temos que ratar de observar, sem preconceitos, sem categorias nem interpretações. Evitando o que Reich advertia: “receberemos a pressão da interpretação mecanicista das coisas”. Neste caso, por parte daqueles que ficam pendentes na descrição do dano do vírus: as mortes diárias, as medidas a tomar para não contagiar-se, a crise econômica que supõe a pandemia… tudo o que, ao não ser adequadamente contextualizado, aumentará o medo coletivo à pandemia. Evidentemente, esta é uma parte da realidade, porém esquecem-se de dar informação de outras variáveis, como a lógica imunológica individual e social, ou a influência que tem o maltrato que realizamos à natureza no surgimento desta pandemia. Ao mesmo tempo em que se reconhece que este coronavírus, junto com o resto de milhões de outros vírus, formam parte da Biodiversidade, e como tal, tem uma função vital, que devemos investigar e compreender, para neutralizar de uma forma ecológica a pandemia, e prevenir outras possíveis vindouras, em lugar de apresentá-lo como um inimigo invisível que é preciso destruir e vencer. Para tanto, é necessário facilitar os recursos necessários para equipes especializadas e científicas que seguem estas linhas de pesquisa, como Máximo Sandín ou Patrick Forterre.

Wilhelm Reich

Por sua vez, outros refletem apenas parte da realidade, ao descrever e enfatizar as capacidades próprias dos humanos, aqueles que preconizam uma resposta idealizada do ser humano frente a esta crise, dizendo que seremos capazes de aproveitar para mudar, para sermos solidários e recuperar uma certa consciência cósmica que promova um futuro mais sustentável. Porém, não devemos esquecer que tais capacidades do ser humano estão reduzidas e limitadas pela couraça e estrutura caracterial de cada qual, de modo que, uma coisa é querer e outra é poder. E não podemos esquecer que a crise econômica e social será global, mundial, e provocará tensões e conflitos, de modo a colocar à prova nossa capacidade potencial de sermos mais humanos, frente ao pânico do indivíduo encouraçado.

A partir desta posição de Observação Silenciosa, uma vez que tenhamos realizado as duas tarefas descritas, teremos acesso a uma maior compreensão do fenômeno (a crise pandêmica), o qual nos permitirá desenhar uma adequada estratégia de intervenção.

Outras duas ferramentas que nos serão necessárias para avançar nesta viagem são a Teoria do estresse (sofrimento) de Hans Selye, e a Inibição da ação de Henry Laborit ao estresse (melhor dito, distresse) da catástrofe, é preciso somar o que levamos no nosso interior, resultado dos medos experimentados em nossa história. Ambos preconizam respostas patológicas psicossomáticas descritas por Selye, que se agravam ao não poderem reagir frente a frustração que nos produz o empobrecimento, a doença, a imobilidade ou a falta de acompanhamento no luto próximo, enquanto que as razões de Estado parecem justificar a realidade que estamos vivendo, somando às patologias anteriores aquelas produzidas pelas alterações neuro-hormonais descritas por Laborit.

Aplicando ambas teorias à nossa situação atual, devemos estar preparados e alertar ao coletivo sanitário do aumento considerável de reações orgânicas psicossomáticas agudas e de crises emocionais e psicopatológicas, quadros agudos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, etc., que irão aparecendo conforme avance a crise e comece a paulatina recuperação. De momento, nosso sistema defensivo (couraça caracterial) está contendo os processos de adoecimento porque “sabe” que não receberá atenção, evade da percepção e evita sua emergência. Porém, quando se deem as condições, a emergência será virulenta e aguda. É uma dinâmica similar a de um acidente de trânsito. Em um primeiro momento, recuperamos toda a normalidade possível, porém progressivamente aparece o trauma e as consequências do impacto.

Da mesma forma, junto à emergência de patologias individuais, conflitos de casal ou crises familiares, fruto do distresse da catástrofe, temos que prepararmo-nos para a crise econômica de magnitudes pós bélicas. Por mais que os governos tentem neutralizar seus efeitos, estas se irão produzir, e como costuma ocorrer, os mais vulneráveis serão os mais afetados.

Previnir e preparar-se para enfrentar este porvir supõe aceitar e aplicar outra de nossas principais leis: o fato de que apenas com a cooperação e o apoio mútuo, frente à tendência do egoísmos sobrevivente, é possível conter e superar estas situações extremas. Aplicando a etnologia, faz mais de um século que uma figura libertária, Pior Kropotkin, o traduziu em seu livro magistral O apoio mútuo. Não se trata de “cooperativismo”, senão de somar esforços, capacidades pessoais e gerir funcionalmente os recursos coletivos, para conseguir objetivos comuns.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão

Não é uma tarefa fácil, porque ninguém nos ensinou, ao contrário, aprendemos a funcionar na direção contrária e, em alguns casos, nossas experiências nas relações pessoais e sociais foram tão destrutivas que nossa tendência é a de nos defendermos do Outro, porque deixamos de diferenciar entre “iguais” e “contrários”. O que leva a dinâmicas de evitação, fuga, inclusive de traição, tal como está representados na figura de Judas nos Evangélios, que W. Reich analisa junto de outros exemplos, dentro do que define como reações de peste emocional. Não apenas me refiro a reações individuais, como também aos movimentos corporativistas de grandes companhias, as quais aproveitarão esta situação de crise e morte, como fazem os abutres e os vermes. Inclusive, dão-se as condições para o ressurgimento de líderes fascistas, que com suas mentiras, suas difamações aos representantes democráticos e suas promessas de segurança e controle, enfeitiçam as massas necessitadas de bálsamos curativos, e surja tentativas de uma nova ordem autoritária internacional. Tampouco isto deve nos surpreender, mas devemos preparar-nos para evitar o máximo possível suas repercussões.

Também é certo que é mencionado e proposto, nos discursos políticos de muitos governantes e líderes sociais a necessidade da cooperação entre partidos e nações, frente à crise mundial que estamos vivendo. Porém, sabemos pela história, que este conceito de cooperação, infelizmente, quer dizer, melhor dito, uma colaboração para repartir-se o bolo de uma forma mais ou menos equitativa entre os poderosos, deixado migalhas ao resto. A solidariedade do poder se pode medir pelo número de interesses ocultos para aproveitar- se das circunstâncias, desenhando a forma de fazê-lo em cada nova situação. Podem perder algo, porém, mais tarde, recuperarão o perdido com “juros”.

Por esse motivo, devemos aceitar os limites das políticas governamentais, apesar de podermos apoiar as ações e propostas de alguns líderes de esquerda e representantes políticos em favor dos mais vulneráveis, como está acontecendo no Estado Espanhol. Conscientes, por sua vez, de que se encontrarão coibidos pelos vermes da direita e pelos partidos fascistas, que representam os poderes existentes e com a falta de apoio dos demais partidos que continuarão com suas demandas por sempre, sem adaptarem-se à nova realidade e à busca conjunta de soluções para a magnitude da crise e a catástrofe que estamos vivendo. Muitas vezes não lembramos nem aprendemos da história, e o mecanismo de “compulsão à repetição” que Freud descreveu em relação à neurose individual é contemplado na dinâmica social, tão bem descrita no livro de vanguarda de W. Reich: Psicologia de Massas do Fascismo.

Reich foi um dos que, em um momento pós-bélico, retoma esse princípio libertário de cooperação e o integra aos seus conhecimentos caracteroanalíticos, defendendo um movimento social de “democracia do trabalho”, de autogestão em pequenos espaços sociais (que posteriormente se chamarão sistemas e ecossistemas): família, escola, coletivos, organizações. Locais onde é possível e realista começar a estabelecer atmosferas mais ecológicas e implementar os princípios de apoio mútuo e solidariedade. Sabendo que é precisamente nesses sistemas essenciais que eles sempre procuram apoiar e influenciar os estados de poder, impondo seus próprios valores retrógrados e interessados. Mas como sabemos que isso pode acontecer, tentaremos mudá-lo, porque são nossos espaços reais, aqueles que podemos gerenciar e naqueles em que não temos presença ativa -organizações burocráticas, municipais ou governamentais-, participaremos indiretamente, por meio de reivindicações funcionais e votos úteis.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão. Não esperemos que nos entreguem de mão beijada. Não esperemos que o governo nos dê um salário, nos dê uma casa, nos pague o aluguel, porque isso poderá fazer por um mês, dois, com alguns milhares de pessoas, mas não com todos. Sejamos nós, com nosso trabalho e com nossos recursos e capacidades, que devemos sentirnos capazes de fazê-lo. Ao mesmo tempo que transmitimos conhecimentos e denunciamos as fraudes e a desinformação dos usurários e daquel@s que se escondem atrás das lentes das promessas que nos chegarão.

Quadro The Earthly Paradise
The Earthly Paradise

Superemos a crise com nossa unidade, a partir da igualdade, da liberdade e da fraternidade, palavras regadas em uma época com o sangue de muitos e muitas. E com a cooperação e a prática de dinâmicas criativas, ecológicas e de autogestão em nossos coletivos ecologistas internacionais, ao mesmo tempo que reivindicamos ações políticas e mudanças legais, e apoiamos propostas válidas de políticos honestos e confiáveis, sabendo que a trama do poder econômico empregará seus mecanismos para freá-las.

Assim, portanto, “sejamos realistas, peçamos o impossível”, como se reivindicava no movimento francês de Maio de 68. Para que? Para poder trabalhar pelo possível, a partir dos nossos limites e do nosso ritmo ir avançando para poder constuir aquilo que sim, podemos: tentemos estabelecer relações humanas e ecológicas com nossos iguais; com nossos cônjuges, com nossos filhos e filhas desde o princípio da vida; nos espaços escolares e em nossos coletivos cotidianos. Criemos meios para poder ir transformando nossa percepção embrutecida, nosso constrangimento emocional e nossa rigidez caracterial em Estruturas Humanas, e das gerações futuras, com o objetivo que recuperem nossa capacidade de Viver e formar parte da “trama do Vivo” (Fritjof Capra).

Façamo-lo, “encarnando a vitalidade”, conceito que de maneira minuciosa pesquisou e definiu o grande neurocientista Antonio Varela. Isto é, encarnemos as impressões, ideias, sensações que podem estar em nossas cabeças, que podem ser muito bonitas e poéticas, mas podem não passar de meras ideias. Encarnemo-as sentindo a força que possuem quando as integramos com nosso ser, com nossos afetos, nossa sexualidade, nossa criatividade e nossa capacidade de amar. E juntemos nossos corpos e nossos seres, em uma rede forte e segura, que estabeleça a matriz necessária onde poder avançar com nossas capacidades, possibilidades e contribuições pelo caminho que antes de nós forjaram aqueles que viveram, lutaram e inclusive morreram por ele: o caminho que leva à Utopia.

Tudo isto recorda-me as palavras do escritor Ernesto Sábato, plasmadas em seu requintado libro Antes do fim, publicado em 1999: “Apenas aqueles que sejam capazes de encarnar a Utopia, estarão aptos para o combate decisivo, o de recuperar o quanto de humanidade tenhamos perdido”.

Saúde e Força,

Xavier Serrano Hortelano
Psicólogo especialista em Psicologia Clínica. Psicoterapeuta caracteroanalítico. Exerce sua atividade clínica em Valência (Espanha) desde 1985. Diretor da Escuela Española de Terapia Reichiana (Es.Te.R.)
El Puig (Valencia), 15 de Abril de 2020

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O medo no corpo https://minasi.com.br/o-medo-no-corpo/ Fri, 29 Mar 2019 17:39:34 +0000 https://minasi.com.br/?p=1692 A linguagem corporal do medo se manifesta, em primeiro lugar, nas microexpressões faciais. Sobrancelhas ligeiramente levantadas, a testa franzida e a boca entreaberta são sinais inequívocos de que o medo está dentro de uma pessoa.

Embora sentir medo seja normal e perfeitamente legítimo, há situações nas quais exteriorizá-lo não favorece nossos interesses. Uma situação de entrevista de emprego, por exemplo, ou de uma palestra em público. Infelizmente ou felizmente, existe uma linguagem corporal do medo que muitas vezes revela o que está acontecendo em nosso interior.

Embora não exista um dicionário para interpretar a linguagem corporal do medo, as pessoas são dotadas de um tipo de radar que nos permite ler seus sinais. Não se trata de uma interpretação racional do todo. Simplesmente intuímos que alguém está com medo e, de forma inconsciente, agimos em conformidade. Ou seja, desconfiamos de quem desconfia de si mesmo ou temos uma sensação de maior poder ao perceber a vulnerabilidade no outro.

É importante conhecer a linguagem corporal do medo. Se a conhecermos, talvez possamos ter um maior controle sobre ela. Em princípio, obtemos dois benefícios: um, captar o medo dos outros, mesmo que não o expressem abertamente. E dois, administrar a nossa própria atitude e postura para não permitir que o medo se projete se não desejarmos. Estas são as bases dessa linguagem.

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É no rosto que o temor se reflete primeiro

Microexpressões no rosto

O rosto talvez seja o elemento mais expressivo da linguagem corporal do medo. É no rosto que o temor se reflete primeiro. Às vezes o gesto é muito evidente, em outras é dissimulado, mas aparece. Por outro lado, o fato de ser mais ou menos evidente depende em muitos casos da intensidade da emoção.

De qualquer maneira, há gestos que são bastante fáceis de identificar. O primeiro é levantar um pouco as sobrancelhas, ao mesmo tempo que a testa permanece tensa. Se o medo vier após uma surpresa, o movimento das sobrancelhas será mais evidente. Se for uma situação que gera temor, mas não há surpresa, vai prevalecer a tensão na testa.

Também é comum que as pálpebras inferiores se mantenham tensas. Ao mesmo tempo, a boca ficará um pouco entreaberta, e os cantos da boca ficarão repuxados para trás. Em geral, é como se o rosto todo sofresse uma contração para trás. Como se houvesse algo que estivesse puxando o rosto, ao mesmo tempo em que há uma resistência a esse movimento.

A postura e a linguagem corporal do medo

A postura também é um elemento muito importante na linguagem corporal do medo. Em geral, quando estamos assustados, nossos músculos ficam tensionados e adotamos posturas nas quais nossos órgãos vitais fiquem protegidos. A primeira coisa que acontece é que nos curvamos (ocupando menos espaço). Esta é uma expressão que denota o desejo de nos refugiarmos em nós mesmos em prol da autoproteção.

koroA insegurança, o nervosismo e a ansiedade são manifestações do medo. Esses três estados costumam ser revelados quando são realizados movimentos rápidos ou compulsivos. Uma pessoa que tem dificuldade para se manter quieta é uma pessoa que não está tranquila. Quando o medo é muito forte, é provável que os movimentos também sejam mais bruscos ou torpes.

Da mesma maneira, é comum que uma pessoa com medo cruze os braços. Este gesto é um sinal de defesa. A pessoa gera um tipo de barreira que a protege e a separa do mundo. Essa barreira também pode ser uma manifestação do desejo de se preservar, rejeitando o alheio.

Outros gestos delatores

Ainda há outros gestos e expressões que fazem parte da linguagem corporal do medo. Por exemplo, o olhar. O nervosismo faz com que o olhar fique evasivo, ao mesmo tempo em que aumenta a frequência do piscar de olhos. Mas se o que uma pessoa sente é medo, puro e simples, em geral mantém os olhos imóveis, o olhar fixo e quase não pisca. É um mecanismo ativado com o temor. Seu objetivo é não perder de vista aquilo que parece ser ameaçador.

Por outro lado, as mãos também fazem parte da comunicação e expressam emoções. Em relação ao medo, não são uma exceção. Quando uma pessoa sente medo, costuma retorcer e entrelaçar as mãos. Também é frequente o ato de cerrar os punhos ou ocultar as mãos. Não deixar as extremidades à mostra é um ato instintivo de defesa, pois são um alvo comum dos ataques no mundo animal.

Em geral, quando uma pessoa está assustada, tende a realizar movimentos curtos, rápidos e erráticos. E quando a pessoa está verdadeiramente apavorada, acontece o contrário: fica paralisada. No primeiro caso, a pessoa não fica quieta. No segundo, ela se mantém estática, com o corpo encolhido e inclinado para trás. Basicamente, é assim que funciona a linguagem corporal do medo.

Para ler na íntegra, acesse: https://amenteemaravilhosa.com.br/a-linguagem-corporal-do-medo/

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Os efeitos do medo no corpo https://minasi.com.br/os-efeitos-do-medo-no-corpo/ Wed, 27 Jun 2018 20:45:57 +0000 http://minasi.com.br/2018/06/os-efeitos-do-medo-no-corpo/ É verdade que todos conhecemos a emoção do medo. Muitas vezes a conhecemos de muito perto ou outras apenas na mente. Mas o que acontece em nosso corpo que dispara emoções fortes de defesa?

Há evidência direta de que a circulação cerebral, na área motora, aumenta instantaneamente quando o indivíduo tem a intenção de começar a mover-se. Quase que ao mesmo tempo começa a aceleração cardíaca e respiratória.
Quando a ação, em vez de decidida por deliberação, é decidida porque o momento exige, “de emergência”, a preparação é mais ampla: o cérebro, ativado pela situação de alarme, provoca em poucos instantes uma descarga de adrenalina no sangue, e é esta substância que faz a preparação para o encontro: taquicardia, respiração acelerada, pele pálida, hipertonia (preparação) muscular, hiperglicemia e contração do baço (o que injeta mais meio litro de sangue na circulação) são algumas das principais variações biológicas produzidas pela adrenalina. Estas modificações ocorrem quase que instantaneamente nas situações de emergência e é importante assinalar que elas demoram dez, quinze ou vinte minutos para desaparecerem (é o tempo de inativação da adrenalina circulante).

Portanto, quando se leva um susto forte, ou quando se passa por muito medo, não adianta muito querer tranquilizar as pessoas logo depois. O melhor jeito de tranqüilizar pessoas muito agitadas por um susto seria convidá-las a correr desabafadamente durante uns poucos minutos. Assim elas consumiriam a preparação orgânica que se fez nelas, antecipando o ataque ou a fuga.

Se considerarmos todas as variações assinaladas nas funções cardiorrespiratórias, as velocidades e volumes e pressões, veremos como o aparelho cardiorrespiratório é poderoso, sensível, veloz e versátil. É o “aparelho da emoção”.

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Rumi e suas respostas atemporais https://minasi.com.br/rumi-e-suas-respostas-atemporais/ Thu, 24 Aug 2017 18:55:01 +0000 http://minasi.com.br/?p=594 p01xcznd

Perguntaram a Rumi, mestre espiritual persa do século XIII:

O que é veneno?

– Qualquer coisa além do que precisamos é veneno.
Pode ser poder, preguiça, alimentos, ego, ambição, medo, raiva ou qualquer outra coisa.

Qual é o medo?

– A não aceitação da incerteza.
Se aceitar a incerteza, torna-se aventura.

O que é inveja? 

– A não aceitação do bem na outra.
Se aceitarmos o seu direito, torna-se inspiração.

O que é a raiva? 

– A não-aceitação do que está além do nosso controle.
Se aceitarmos isso, torna-se tolerância.

O que é o ódio? 

– Não aceitar as pessoas como elas são.
Se aceitarmos incondicionalmente, então se torna amor.

E o que é a maturidade espiritual?

  • Ela é quando você parar de tentar mudar os outros e se concentrar em mudar a si mesmo.
  • É quando você aceitar as pessoas como elas são.
  • É quando você percebe que todo mundo é bem-sucedido em sua perspectiva correta.
  • É quando você aprender a “deixar ir”
  • É quando você é capaz de não ter “expectativas” em um relacionamento e dar em prol da doação.
  • É quando você percebe que o que você faz, você faz para sua própria paz .
  • É quando você parar para mostrar ao mundo como você é inteligente .
  • É quando você não obter a aprovação dos outros .
  • É quando você parar de comparar -se aos outros .
  • É quando você está em paz consigo mesmo .
  • A maturidade espiritual é quando você é capaz de distinguir entre “necessidade” e “querer” e são capazes de abrir mão de seu amor .

E por último, mas muito importante! 

  •   Você ganhar maturidade espiritual quando você parar de anexar a “felicidade” às coisas materiais.

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Medo, Raiva e Ansiedade na Ótica do Eneagrama e da Psicologia Corporal https://minasi.com.br/medo-raiva-e-ansiedade-na-otica-do-eneagrama-e-da-psicologia-corporal/ https://minasi.com.br/medo-raiva-e-ansiedade-na-otica-do-eneagrama-e-da-psicologia-corporal/#comments Mon, 19 Jun 2017 00:15:36 +0000 http://minasi.com.br/?p=490

Resumo

O Eneagrama é um conhecimento muito antigo na humanidade e vem dele um estudo sobre a personalidade das pessoas, bem como das energias que compõem e motivam os comportamentos “viciados”. Dentro do seu estudo encontramos três energias básicas, que movimentam a pessoa na direção de sua essência ou a afastam da mesma, que são a ansiedade, o medo e a raiva. O estudo destas emoções nos proporciona saber se a pessoa se fixa, nega ou integra essas energias no seu dia-a-dia, no contato com o mundo e com os outros. Ao negar ou se fixar numa destas emoções, perde-se o contato com a Essência ou o self, criando um modo de ação e reação alternativo às situações e aos sentimentos. A Psicologia Corporal, com métodos de auto-observação, reconhecimento e desbloqueio destas emoções no corpo, atua para que elas possam fluir livremente sem o encouraçamento, que provoca psicoses e neuroses. Fazendo uma aproximação destes dois conhecimentos, este estudo propõe trabalhos terapêuticos para cada emoção.

Desde os primórdios o ser humano tem o desejo e a necessidade de se descobrir, conhecer-se e alcançar níveis maiores de consciência sobre os processos de sua mente e do comportamento individual e das sociedades. Neste contexto podemos encontrar o Eneagrama.

O vocábulo Eneagrama vem do grego, Ene (ennea) que significa o número nove; e Grama, também do grego (grammos), como traço ou marca, ou seja, nove traços ou nove personalidades.

A origem do Eneagrama, enquanto sabedoria de transmissão oral, não é documentada ou clara. Alguns autores (NARANJO, 1995; CUNHA, 2016) apontam que variações do símbolo já se faziam presentes há mais de quatro mil anos na geometria pitagoriana.

Foi Georgii Ivanovich Gurdzhiev, um mestre espiritual greco-armênio (MIRCEA, 1987), que viveu entre comunidades Sufis, no Afeganistão (onde se fundem antigos conhecimentos sobre o homem, a espiritualidade e o caminho da essência), quem introduziu o símbolo, o conceito do Eneagrama no mundo moderno do Século XX, através do Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem, fundado em 1910 (PALMER, 1993). Após Gurdjieff, vários nomes se destacaram no Eneagrama até a atualidade como Oscar Ichazzo, Claudio Naranjo, Helen Palmer, Domingos Cunha, entre outros.

O SÍMBOLO DE NOVE PONTAS

O símbolo é composto de um triângulo equilátero apontando para os numerais nove, três e seis, de uma figura hexagonal conectando os outros pontos – um, quatro, dois, oito, cinco e sete – e de um círculo envolvendo todos os pontos. Cada ponto significa uma personalidade, segundo os estudos do Eneagrama, atribuindo então nove personalidades básicas.

OS ENEATIPOS E AS FIXAÇÕES DAS PAIXÕES

Os Centros Vitais

Segundo o Eneagrama, o ser humano possui três centros de energia, com três eneatipos em cada, que são a base das características da personalidade e das emoções a elas vinculadas.

LOWEN (1966) coloca dessa forma a definição de emoção:

A palavra e-moção descreve um movimento “para fora, fora de ou proveniente de”,

E-moção descreve um movimento para fora.

de acordo com o significado atribuído ao prefixo. Uma emoção é, portanto, o movimento que surge de um estado excitado de prazer ou de dor.

Conforme dito anteriormente, o Eneagrama distribui as personalidades em três Centros Vitais, dentro dos quais estão dispostos também três tipos, totalizando nove. Cada Eneatipo pode, ainda, ser dividido em três instintos: sexual, conservacional ou social, totalizando 27 personalidades distintas. Cunha (2005, p. 117), distribuindo os eneatipos segundo os Centros Vitais, escreve assim:

Cada centro tem sua energia predominante, que poderíamos chamar de “Inteligência” mais desenvolvida, a “habilidade” preferida. Essa Energia é comum aos três tipos de cada centro. No entanto, cada tipo, dentro de cada centro, utiliza ou orienta essa energia de um jeito próprio: para o exterior/para o interior/tentando o equilíbrio entro o interior e o exterior.

Segundo Cunha (2016), os Centros Vitais conduzem a experiência das pessoas por uma determinada emoção, na qual fixarão, em toda a sua vida, o foco na relação consigo, com o outro e com o transcendente.

O Centro Vital Emocional, cuja sede está no tórax, e que é composto pelos eneatipos II, III e IV, tem a ansiedade como seu motor energético, ou seja, cada situação geradora de uma emoção passará pelo filtro da personalidade, de forma que canalizará a resposta através desta forma de sentir, a qual foi aprendida no processo de desenvolvimento individual, constituindo, na maioria das vezes, um comportamento “viciado”.

Figura 1 – Os Centros Vitais do Eneagrama (NARANJO, 1995, p. 60)

 

O Centro Vital Mental, cuja sede está na cabeça, e que é composto pelos eneatipos V, VI e VII, tem o medo como seu motor energético.

O Centro Vital Visceral, cuja sede está no abdômen e pelve, e que é composto pelos eneatipos I, VIII e IX, tem a raiva como seu motor energético.

Todas as pessoas têm acesso a estas emoções. O que vai qualificar o eneatipo ou a personalidade é a forma como ela lida com esta ou aquela, de forma a exagerar no seu uso – tornando-se uma compulsão – ou bloquear, não tendo acesso à mesma. Tanto a compulsão quanto o bloqueio provocarão o uso de outra energia, para fazer face às funções daquela. Por exemplo, o eneatipo VI, cujo medo é a energia básica, vai bloquear o acesso ao fluxo da ansiedade, usando o medo para assuntos que não lhe são próprios, aumentando a insegurança e congelando suas ações.

Usando uma simbologia, poderíamos dizer que houve um curto-circuito energético que fez com que o canal por onde deveria fluir determinada energia é tomado por outra, amplificando, assim, sua ação dentro do organismo e tornando-o fixado no comportamento advindo da mesma.

AS EMOÇÕES BÁSICAS

As emoções, do ponto de vista do Zé Ninguém, (REICH, 1999), a quem o autor define como o homem comum ou o homem médio, neurótico, são um empecilho ou um enigma que devem ser desprezados ou anulados, principalmente a ansiedade, o medo e a raiva. No entanto, se olhamos do ponto de vista energético, estas três emoções têm o objetivo de nos proteger, de delimitar territórios e de nos colocar em ação. A emoção, num ser desencouraçado – Reich (1984) chamou de couraças os mecanismos inconscientes limitadores da pulsação vital, instalados no corpo em forma de anéis perpendiculares à coluna vertebral – deveria seguir seu fluxo natural céfalo-caudal e ser expressa e dissipada.

Se nos colocarmos a imaginar o mundo sem estas emoções ou sem o uso delas, poderíamos pensar que a raça humana já teria sucumbido.

A ANSIEDADE

A ansiedade é uma energia de ação. Ela nos faz realizar a vida e nos coloca em contato com o centro da ação. O uso desta emoção como uma centelha que nos coloca em movimento na vida produz os grandes realizadores e empreendedores em nossa sociedade. Nos dias atuais, a ansiedade é sinônimo de doença e de transtornos, que acontecem pela fixação no uso desta energia em excesso, ou por seu bloqueio. O modelo de vida proposto pelo Capitalismo, onde a imagem de sucesso vale muito, colocam os indivíduos numa busca frenética pela ação, na tentativa de suprir a máscara de bem-sucedido.

 

O bloqueio e substituição da ansiedade pelo medo

A ansiedade é uma energia de ação. Ela nos faz realizar a vida e nos coloca em contato com o centro da ação. O uso desta emoção como uma centelha que nos coloca em movimento na vida produz os grandes realizadores e empreendedores em nossa sociedade. Nos dias atuais, a ansiedade é sinônimo de doença e de transtornos, que acontecem pela fixação no uso desta energia em excesso, ou por seu bloqueio. O modelo de vida proposto pelo Capitalismo, onde a imagem de sucesso vale muito, colocam os indivíduos numa busca frenética pela ação, na tentativa de suprir a máscara de bem-sucedido.

Há dois fatores que podem alterar o equilíbrio entre produção e descarga de energia: uma produção de energia aumentada sem um aumento correspondente na habilidade de descarregar a energia, produzirá ansiedade… O segundo fator gerador de ansiedade seria qualquer decréscimo marcante na descarga de energia sem uma mudança semelhante na sua produção. (LOWEN, 1977, p. 229).

O bloqueio da ação tornará a ansiedade represada, causando um excesso de uso diafragmático na contenção dos membros inferiores do corpo, que não deixa o individuo usufruir de uma respiração mais completa ou profunda. Usualmente, dentro do Eneagrama, os tipos centrados na mente (V, VI e VII), tendem a inibir a ação e perdem o contato com a ansiedade, onde ela os governa como um trem sem maquinista ou como um motor de automóvel acelerado e freado. Se adicionarmos a essa fórmula o medo como energia central destes tipos, teremos pessoas freadas, apavoradas com a vida e com grande energia de ação acumulada em seus corpos. Lowen (1977, p. 31) afirma: “Em situações que são vividas como amedrontadoras ou dolorosas, prende-se a respiração, contrai-se o diafragma e enrijece-se os músculos abdominais”.

No processo de liberação desta emoção o foco precisa ser o medo, porque ele é o pivô que faz com que a ansiedade seja represada. Embora sejam eficazes trabalhos de liberação do diafragma e da barriga, o acesso à sensação de desconfiança e construção de um “ground” é fundamental para interromper o ciclo.

O excesso de ansiedade em determinados eneatipos, tipos II, III e IV, também configura uma distorção emocional e energética. Ao usar a ação no lugar de outro centro especializado, como a emoção da raiva, o indivíduo se coloca numa atividade frenética, muitas vezes submetido aos relacionamentos ou identificado com a emoção do outro, já que a raiva é a emoção responsável por colocar limites, e já que não identifica nele mesmo as emoções que suprimiu, ao usar a ansiedade como resposta.

Nos eneatipos II, III e IV o uso excessivo da ansiedade acontece justamente por causa do bloqueio da raiva. Em algum momento, no processo de desenvolvimento da criança, foi-lhe tolhida a possibilidade de expressar a raiva e de colocar limites aos outros; daí o uso indevido do centro da ação para assuntos instintivos.

Para ilustrar este mecanismo, podemos imaginar três canos de água ligados a um reservatório. Por eles passa a mesma quantidade de água, fluindo do reservatório para o uso. No entanto, se um dos canos ficar obstruído, teremos muito mais água passando pelos outros dois e pode ser que um deles passe a suprir a deficiência daquele que está bloqueado. Da mesma forma, quando negamos ou bloqueamos uma emoção, outra pode tomar seu lugar, energeticamente falando, produzindo sobrecarga e desvio de função.

Ou seja, quando há bloqueio em determinado caminho energético em função de uma couraça, a tendência é a energia da emoção ficar reprimida ou super utilizada, causando um mal funcionamento emocional e energético no indivíduo.

Evidentemente que o processo terapêutico vai passar pelo equilíbrio da ansiedade, trabalhando diafragma e respiração, e também a liberação da raiva, que retida no tronco, braços e boca atinge diretamente o amor, tornando-o plástico e falsificado. Na liberação da raiva, surgirá o amor a si, que é a fonte dos demais.

O MEDO

O medo é uma das emoções mais primitivas da humanidade e possui a função de nos manter longe de perigos, proteger o indivíduo frente a ameaças de vida.

O medo funciona como um sinal de alerta. Sua principal função é nos proteger: ao chamar a atenção para um risco eminente, nos permite enfrentá-lo. O medo é uma reação inerente ao ser humano – esperada e útil em determinadas circunstâncias – ativada quando há um bom motivo, ou seja, diante de um perigo real (e não da eventualidade ou da lembrança). (ANDRÉ, 2007, p. 180).

A negação ou o bloqueio da emoção do medo, enquanto energia que nos defende contra os perigos, pode produzir indivíduos onde o sadismo e a busca por emoções fortes fazem com que pareça invencível ou afóbico. No entanto, o que realmente acontece é a substituição da energia do Centro Mental por outro que não possui as habilidades naturais para cuidar destes assuntos. A energia do medo nos faz pensar, calcular riscos e estratégias, antes de enfrentar situações, e a falta dela nos colocará diretamente diante das situações sem nos

Centro Visceral substitui o medo pela raiva.

preparar. Usualmente, os eneatipos I e VIII, do Centro Visceral, substituem o medo pela raiva e passam a agredir antes de escutar, antes de pensar. Isso os torna pessoas extremamente agressivas em relação à vida e aos outros.

As crianças que bloqueiam ou negam o medo, ainda muito cedo, sentiram-se extremamente expostas a situações de risco. O medo foi tão angustiante, que desenvolveram um mecanismo de defesa, onde a negação e o bloqueio, o “atire antes, pergunte depois” parece o caminho mais seguro para a sobrevivência. Este é comportamento frequentemente apresentado pelos tipos I, VIII e IX.

Exercícios de queda e de entrega vão levar o indivíduo a entrar em contato com o medo mais profundo, já que a raiva está exposta como protetora de um medo que foi escondido sob sete chaves dentro do seu corpo, na região abdominal.

Lowen (1980, p. 13) diz: “O processo de adaptação de uma criança à cultura, viola seu espírito tornando-a neurótica, fazendo-a sentir medo da vida”. Essas repressões são impostas como controle por parte das figuras paterna e materna.

No outro lado da balança, temos o uso excessivo do Centro Mental no lugar de outros centros. Os eneatipos V, VI e VII colocaram o medo como a energia de resolução dos problemas da vida. Onde usar-se-ia a ansiedade como energia motora, estes indivíduos usam o medo, e isso produzirá um excesso de pensamentos, de precauções, de preparações até o ponto em que se perde o contato com a ação e congela-se por medo de errar, de sofrer ou de não ser amado.

Lowen (1966) fala assim sobre este conflito:

“A ansiedade se desenvolve quando a ameaça de dor é aproximadamente igual à promessa de prazer. O organismo fica preso entre dois impulsos conflitantes, ir adiante e se retirar. Foi feita uma reprodução experimental da ansiedade em animais acoplando-se um estímulo doloroso a outro prazeroso. Quando ocorre um número de vezes suficiente, o animal associa a dor ao estímulo prazeroso e reage com ansiedade à visão desse último. No conflito entre os dois impulsos, é incapaz de se mover e treme violentamente, enquanto a excitação flui pelo seu corpo.”

No início da vida, esta criança teve quebrada a confiança em si própria. Esta submissão às exigências dos pais e exigências sociais significa adotar um papel neurótico e a rendição da autenticidade. Com a perda da autenticidade, perde a sensação de ser, e surge a imagem. Surge um bloqueio muscular que separa a ação do pensamento, influenciado pelo diafragma contraído, pela contenção da respiração frente às situações que lhe imponha medo. Com isso, perde o poder de ação das pernas e da pelve, tornando-se refém dos pensamentos e da imaginação, que quanto mais aterrorizantes, mais tira-lhe do contato com o chão e a realidade. Ocorre como no clássico da literatura Dom Quixote (CERVANTES, 2015), onde Sancho Pança é envolvido em medo, por conta dos imaginários dragões que Dom Quixote criava.

“A falta de contato com os pés e com o chão está relacionada a um outro sintoma comum, a ansiedade de cair. Este sintoma é manifestado em sonhos com quedas, no medo de alturas e no medo de amar (“fall in love”). Havendo uma insegurança básica na metade inferior do corpo, o indivíduo a compensa agarrando-se com braços e olhos à realidade objetiva.” (LOWEN, 1977, p. 101).

A RAIVA

O Centro Visceral ou Inteligência Prática é o responsável, segundo o Eneagrama, por cuidar de nos defender, impor limites e até atacar, caso seja necessário, para proteger a integridade física do ser humano. A energia gerada por este centro é chamada de raiva.

“A agressividade (raiva) é a força que nos impulsiona para o trabalho, para superar obstáculos e atingir as metas. “ (CUNHA, 2016, p. 60). Essa energia gera um impulso no indivíduo e o coloca em ação imediata.

Segundo Lowen (1986) a raiva é uma emoção simples de emergência, que se desenvolve na criança no primeiro ano de vida, no momento em que os músculos estão se organizando funcionalmente. A criança começa a usar os membros inferiores e superiores como um substituto do choro, inicialmente aparecendo como uma irritação e aos poucos sendo substituída pela raiva, que carrega os membros superiores para mudar a sua situação de desconforto.

O Centro Emocional, dos tipos II, III e IV

Corporalmente falando, na raiva, a excitação se move para frente, passa por cima da cabeça e vai para os caninos, carregando os braços.

O bloqueio ou negação deste Centro produzirá indivíduos que são ligados no relacionamento como forma de sobrevivência. A raiva foi banida de suas atitudes por quebrar a chance de se sentirem amados, acolhidos ou mesmo elogiados. Então, usa-se a energia de outro Centro, como o Centro Emocional (a ansiedade) para compensar o bloqueio da raiva. Assim, onde a ação deveria ser de autoproteção ou mesmo agressividade, temos uma ação ansiosa, voltada para a sedução e para a conquista.

Lowen e Lowen (1985), assim como Pierrakos (1987) nos falam que todo paciente tem uma considerável raiva reprimida, e que este sentimento tem que ser trabalhado com muita habilidade para que o corpo recupere sua vitalidade.

O processo terapêutico de expressão da raiva através de exercícios bioenergéticos e da Vegetoterapia liberam o acesso a esta emoção reprimida ou bloqueada, tornando a pessoa mais livre para os desafios que necessitem de defesa própria ou ataque. Para isso, é importante construir uma boa base de “ground”, pés firmes na realidade, e trabalho ao nível ocular, para desbloquear a forma de visão do mundo. Então, exercícios dos membros superiores como bater, gritar, morder, e dos inferiores como chutar e espernear liberam o conteúdo bloqueado muscularmente.

Estar grounded é uma outra maneira de se dizer que uma pessoa está com seus pés no chão. Pode-se estender o termo também para significar que a pessoa sabe onde está e, portanto, sabe quem é. A pessoa grounded “tem o seu lugar”, isto é, “é alguém”. Num sentido mais amplo, o grounding representa o contato de um indivíduo com as realidades básicas de sua existência. A pessoa está firmemente plantada na terra, identificada com seu corpo, ciente de sua sexualidade e orientada para o prazer. Estas qualidades faltam à pessoa que está “suspensa no ar” ou na sua cabeça, em vez de estar em cima dos próprios pés. (LOWEN; LOWEN, 1985, p. 23).

O uso exagerado do Centro Prático ou Visceral tornará a pessoa excessivamente agressiva e

O uso excessivo da Raiva bloqueia a inocência.

raivosa. No fundo da agressividade está a perda da inocência, dado que na infância, a criança foi ferida por pais extremamente duros e exigentes quanto ao conteúdo e expressão de amor. Os indivíduos nesta condição perderão a capacidade de acreditar no amor puro, sem intenções, e se sentem armados o tempo todo contra qualquer sinal de inocência, que pode representar risco para sua ferida de amor.

O trabalho terapêutico terá que ir além da raiva, entrar neste mundo onde o coração endureceu e se tornou brasa incandescente. Deve mobilizar a couraça ocular para que a pessoa possa se desarmar e começar a ver o mundo com olhos de inocência. Posteriormente, é necessário o trabalho com a oralidade, para fazer contato com a figura materna e elaborar a dependência que foi interrompida por se sentir ameaçado.

O resgate da permissão para expressar a raiva nos permite colocar limites nas relações com os outros e a buscar aquilo que desejamos em nossa vida, tornando a nossa ação mais intensa e forte na defesa da própria vida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segundo Reich (1999) todos estamos num estado neurótico, que desde a mais tenra infância nos é introduzido pelos pais encouraçados. Por isso, é imprescindível, para uma sociedade mais equilibrada, que ensinemos as crianças desde o colo materno a reconhecer, identificar e canalizar suas emoções, evitando repetir o ciclo de repressão ou sobrecarga de emoções e sentimentos.

O Eneagrama pode ser um excelente instrumento para que os adultos entendam o funcionamento de suas personalidades, onde suas emoções se tornam bloqueadas, onde perdem ou abusam de suas energias. Fornece um mapa para que o indivíduo possa buscar dentro de si as respostas para uma vida mais saudável.

A Psicologia Corporal, com todas as suas abordagens, prove métodos e conteúdos que são um auxílio para quem busca o reconhecimento dos bloqueios emocionais e energéticos e a sua liberação, olhando para a sua história, e também para o corpo, como forma terapêutica, curadora e libertadora.

O encontro com as próprias emoções e a liberação destas energias nos conduz a uma vida mais equilibrada energeticamente e é um caminho para uma Terra mais humana em todos os sentidos.

Referências

  • CERVANTES, MIGUEL DE. Dom Quixote. São Paulo: DCL, 2015
  • CUNHA, D., CSh. Crescendo com o Eneagrama na espiritualidade. São Paulo: Paulus, 2005.
  • CUNHA, D., CSh. Coleção Eneagrama da Transformação, v. 1. Fortaleza: Karuá, 2016.
  • ELIADE, Enciclopédia da Religião. New York: Macmillan, 1987.
  • PALMER, H. O Eneagrama: compreendendo-se a si mesmo a aos outros em sua vida. São Paulo: Paulinas, 1993.
  • ANDRÉ, Psicologia do medo – como lidar com temores, fobias, angústias e pânicos. São Paulo: Vozes, 2007.
  • LOWEN, A. O corpo em terapia: a abordagem bioenergética. São Paulo: Summus, 1977.
  • LOWEN, A. Medo da vida: caminhos da realização pessoal pela vitória sobre o medo. São Paulo: Summus, 1980.
  • LOWEN, A. Exercícios de Bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. 8ª ed. São Paulo: Ágora, 1985.
  • LOWEN, A. O espectro das emoções. Uma hierarquia de funções. In: O RITMO DA VIDA: UMA DISCUSSÃO DA RELAÇÃO ENTRE PRAZER E AS ATIVIDADES RÍTMICAS DO CORPO, 2., 1966, Nova Iorque.
  • NARANJO, Claudio, MD, Os nove Tipos de Personalidade, Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 1995.
  • PIERRAKOS, J. C. Energética da essência. 9ª ed. São Paulo: Pensamento, 1987.
  • REICH, W. A Função do orgasmo. São Paulo: Brasiliense, 1984.
  • REICH, W. O Assassinato de Cristo. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

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AUTORES e APRESENTADORES

Artigo apresentado durante o 22º Congresso de Psicoterapias Corporais.

AUTOR e APRESENTADOR
Elias Júnior Minasi / Ponta Grossa / PR / Brasil – Terapeuta Corporal pelo Centro Reichiano. Publicitário, especialista em Marketing (Facinter), especialista em Redes Sociais (Lemmon School). Professor de Eneagrama. Diretor da Volare Comunicação e da Bird Eventos – Ponta Grossa/PR.
ORIENTADOR
Sandra Mara Volpi / Curitiba / PR / Brasil – CRP-08/5348 – Psicóloga (PUC-PR), Analista Bioenergética (CBT) e Supervisora em Análise Bioenergética (IABSP), Especialista em Psicoterapia Infantil (UTP) e Psicopedagogia (CEP-Curitiba), Mestre em Tecnologia (UTFPR), Diretora do Centro Reichiano, em Curitiba/PR.

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