espiritualidade https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Fri, 19 Aug 2022 13:07:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 espiritualidade https://minasi.com.br 32 32 103183256 7 atitudes que fortalecem sua saúde mental e corporal https://minasi.com.br/7atitudes/ https://minasi.com.br/7atitudes/#respond Fri, 19 Aug 2022 13:07:58 +0000 https://minasi.com.br/?p=2952

O Mindfulness se compõe de 7 atitudes básicas, identificadas por Kabat-Zinn: Não julgar, Paciência, Mente de Principiante, Confiança, Não forçar, Aceitação e Ceder. Estas atitudes encontram-se na maioria das tradições religiosas e espirituais e consistem um patrimônio da humanidade. São uma verdadeira medicina para os males da mente e do corpo.

Não julgar:

mãos que apontam e julgam

A atenção plena cultiva-se assumindo a postura de testemunhas imparciais de nossa própria existência. Fazer isso requer que tomemos consciência do constante fluxo de julgamentos e de reações a experiências tanto internas como externas nas que, pelo geral, vemos nós mesmos presos e onde aprendamos a sair delas. Quando começamos a praticar o prestar atenção à atividade de nossa própria mente, é comum que nos surpreenda o fato de nos dar conta de que constantemente geramos julgamentos sobre nossa experiência. A mente categoriza e rotula quase todo o que vemos. Reagimos a todo, o que experimentamos em termos de qual valor achamos que este fato ou esta coisa tem para nós. Algumas coisas, pessoas e acontecimentos são julgados como “bons” porque, por alguma razão, relacionam-se com que nos sintamos bem. Outros são condenados com a mesma celeridade, porque não achamos que tenham demasiada importância. As coisas, pessoas e acontecimentos neutros são quase dessintonizados por completo de nossa consciência. Por regra geral, não lhes concedemos atenção por considerá-los demasiado enfadonhos.

Este costume de categorizar e de julgar nossa experiência limita-nos a reações mecânicas, das que nem sequer nos damos conta e que, com frequência, carecem totalmente de base objetiva. Esses julgamentos têm tendência a dominar nossas mentes e nos dificultam de encontrar a paz em nosso interior. É como se a mente fosse um ioiô, subindo e baixando todo dia pelo barbante de nossas próprias ideias julgadoras. Se temos de achar uma forma mais eficaz de manejar o estresse de nossas vidas, o primeiro que precisaremos é tomar consciência desses julgamentos automáticos para ver através de nossos preconceitos e temores e nos libertar de sya tirania. Ao praticar a atenção plena, é importante reconhecer, quando faça sua aparição, esta qualidade mental julgadora, bem como assumir intencionadamente a postura de testemunha imparcial, recordando a nós mesmos que o único que temos que fazer é observar. Quando nos encontremos com que a mente julga, não devemos fazer com que deixe de fazêlo. Tudo o que precisamos é nos dar conta do que se sucede. Não há nenhuma necessidade de julgar os julgamentos e de complicar ainda mais as coisas.

Como exemplo, imaginemos que nos encontramos vigiando nossa respiração. Em um determinado momento, podemos dar conta de que nossa mente diz coisas como: “Isto é uma chateação”, ou “Isto não funciona”, ou “Não posso fazer isto”. Trata-se de julgamentos. Quando chegam à nossa mente, é da maior importância que os reconheçamos como pensamentos de julgamento e lembremos que a prática implica a suspensão de julgamentos e a mera observação de tudo o que acontece – que inclui nossos próprios pensamentos de julgamento – sem segui-lo ou agir sobre ela de qualquer maneira. Depois, podemos prosseguir com a observação de nossa respiração.

Paciência:

fishing man vacation people
Photo by Ron Lach on Pexels.com

A paciência é uma forma de sabedoria. Isso mostra que entendemos e aceitamos o fato de que, às vezes, as coisas têm que acontecer quando é a vez delas. Uma criança pode tentar ajudar, rompendo o casulo, fazendo com que uma borboleta saia, ainda que, por regra geral, a borboleta não resulte em nada beneficiada pelo esforço. Qualquer adulto sabe que a borboleta só pode sair ao exterior quando lhe chega o momento e que não pode ser acelerado o processo. Da mesma maneira, quando praticamos a atenção plena, cultivamos a paciência para nossa própria mente e nosso próprio corpo. De forma expressa, recordamos que não há necessidade alguma de nos impacientar com nós mesmos por achar que nossa mente passa o tempo todo julgando, ou que estejamos tensos, nervosos ou assustados, ou por ter praticado durante algum tempo sem aparentes resultados positivos. Temos que nos conceder um espaço para ter essas experiências. Por que? Porque de qualquer jeito vamos tê-las! Quando cheguem, constituirão nossa realidade, serão uma parte de nossa vida que se desenvolve nesse momento, de maneira que tratemos a nós mesmos pelo menos tão bem como trataríamos à borboleta. Por que passar de maneira corrida por alguns momentos de nossa vida para chegar a outros?, por que sacrificar o presente por um futuro que não sabemos se será melhor? Após tudo isso, cada um deles constitui nossa vida nesse instante.

Quando praticamos estar assim com nós mesmos, estamos destinados a encontrar que nossa mente possui “uma mente própria”. Uma das atividades favoritas da mente é vagar pelo passado e pelo futuro e perder-se no pensamento. Alguns de seus pensamentos são agradáveis; outros, dolorosos e geradores de intranquilidade. Seja qual for o caso, o mero fato de pensar exerce um forte alerta em nossa consciência. A maioria das vezes, nossos pensamentos atropelam nossa percepção do momento atual e fazem com que percamos nossa conexão com o presente. A paciência pode ser uma qualidade especialmente útil para invocá-la quando a mente está agitada e pode nos ajudar a aceitar o errático desta, recordando que não temos por que ser arrastados por suas viagens. A prática da paciência nos recorda que não temos que encher de atividade e ideias nossos momentos para que estes se enriqueçam. Na verdade, isso nos ajuda a recordar que o que é verdade é precisamente o contrário. Ter paciência consiste singelamente em estar totalmente aberto a cada momento, aceitando em sua plenitude e sabendo que, igual que no caso da borboleta, as coisas se descobrem quando lhes convém.

Mente de principiante:

A riqueza da experiência do momento presente não é mais do a riqueza da própria vida. Com demasiada frequência, permitimos que nossos pensamentos e crenças sobre o que “sabemos” nos impeça de ver as coisas como são. Para ver a riqueza do momento presente, precisamos cultivar ao que vem se denominando “mente de principiante” ou mente disposta a ver tudo como se fosse a primeira vez.

focused girl meditating while practicing yoga lotus pose
Photo by Monstera on Pexels.com

Esta atitude terá importância especial quando pratiquemos as técnicas de meditação formal. Seja qual for a técnica que particularmente empreguemos, seja ela a exploração do corpo ou a meditação sentada do yoga, deveremos adotar a mente do principiante cada vez que pratiquemos, para assim nos ver livres das expectativas baseadas em experiências prévias. Uma mente aberta de “principiante” nos permite ser receptivos ao nosso potencial e nos impede de ficar presos na rotina de nossa própria experiência, que muitas vezes acredita que sabe mais do que sabe. Nenhum momento é igual a outro. A cada um deles é único e possui possibilidades únicas. A mente de principiante recorda-nos esta verdade tão singela.

Podemos tentar o experimento de cultivar nossa mente de principiante em nossa vida diária. A próxima vez que vejamos a alguém com quem estejamos familiarizados, devemos nos perguntemos se vemos a essas pessoas com olhos novos, como assim é, ou se só vemos o reflexo de nossas próprias ideias a respeito delas. Devemos tentar isso com nossos próprios filhos, com nossa esposa, nossos amigos e colegas do trabalho, ou com nosso cão ou gato. Devemos tentar com os problemas quando estes aflorem. Devemos tentar com a natureza quando formos sair ao exterior. Podemos ver o céu, as estrelas, as árvores, a água e as rochas como são nesse preciso momento e com uma mente limpa e ordenada, ou apenas podemos vê-los através do véu de nossas próprias ideias e opiniões?

Confiança:

O desenvolvimento de uma confiança básica em si mesmo e em seus sentimentos constitui uma parte fundamental deste programa. É muito melhor confiar em nossa intuição e em nossa própria autoridade, ainda que possamos cometer alguns “erros” no caminho, do que buscar sempre um guia fora de nós mesmos. Se em algum momento algo não nos parece bem, por que não seguir essa sensação? Por que temos de taxá-la de inútil porque alguma autoridade ou grupo de pessoas pensa de maneira diferente? Esta atitude de confiar em nós mesmos e em nossa sabedoria e bondade básicas é muito importante em todas as facetas da prática da meditação.

boy wearing orange shirt blowing on dandelion
Photo by Sharefaith on Pexels.com

Algumas pessoas, que se veem envolvidas na meditação, observam-se tão enganchadas na reputação e autoridade de seus mestres, que não seguem seus próprios sentimentos nem sua intuição. Esta é uma atitude absolutamente oposta ao espírito da meditação, o qual ressalta o fato de que sejamos nós mesmos e que compreendamos o que isto significa. Quem quer que imite ao outro, seja este outro quem for, caminha em direção contrária.

É impossível converter-se em outro. Nossa única esperança reside em ser nós mesmos com mais plenitude. Esta é a razão, em primeiro lugar, para que pratiquemos a meditação. Os mestres, livros e fitas só podem ser guias, pontos indicadores. É de soma importância estar aberto e ser receptivo ao que possamos aprender de outras fontes, ainda que, em rigor, tenhamos que viver nossa própria vida e cada momento desta. Ao praticar a atenção plena, praticamos também a tomada de responsabilidade de ser nós mesmos e de aprender a escutar nosso próprio ser e a ter confiança nele. Quanto mais cultivemos esta confiança, mais fácil nos parecerá confiar em outras pessoas e ver também sua bondade básica.

Não forçar:

Quase todo o que fazemos, fazemos com uma finalidade: conseguir algo ou chegar a algum lugar. No entanto, esta atitude, na meditação, é diferente de qualquer outra atividade humana. Ainda que requeira muito trabalho e um verdadeiro tipo de energia, a verdade é que a meditação consiste em não fazer. Não há outro objetivo para nós sem ser que sejamos nós mesmos. A ironia é que encontra-se no que já o somos. Soa paradoxal e algo estanho. No entanto, este paradoxo e estranheza podem nos indicar o caminho para uma nova forma de ver a nós mesmos, uma forma na qual tentemos menos e sejamos mais, que nos chega expressamente mediante o cultivo da atitude de não nos esforçar.

man falling carton boxes with negative words
Photo by SHVETS production on Pexels.com

Por exemplo, se nos sentamos e meditamos, pensamos: “Vou relaxar ou me iluminar ou controlarei minha dor ou vou me converter em uma pessoa melhor”, o que ocorre é que temos introduzido em nossa mente a noção de onde deveríamos estar, vindo com ela a ideia de que não estamos bem nesse momento. “Se me encontrasse mais tranquilo, ou fosse mais inteligente, ou trabalhasse com mais afinco ou mais isto ou aquilo, ou se meu coração funcionasse melhor, ou se meu joelho não doesse, estaria bem, mas, neste momento, não estou”. Essa atitude prejudica o cultivo da atenção plena, o que implica simplesmente prestar atenção ao que acontece. Se estamos tensos, prestemos atenção nessa tensão. Se algo nos dói, devemos sentir o melhor que possamos com nossa dor. Se nos tornamos objeto de nossa própria crítica, observemos a atividade da mente julgadora. Estejamos atentos. Devemos lembrar que só permitimos que estejam presentes qualquer coisa e todas as coisas que experimentemos de uma hora para outra porque já estão aqui.

Aceitação:

A aceitação significa ver as coisas como são no presente. Se temos uma dor de cabeça, devemos aceitar o que temos. Se temos alguns quilos a mais, por que não os aceitar como descrição de nosso corpo nesse momento? Antes ou depois, teremos que adaptar às coisas como são e aceitá-las. Seja acerca de um diagnóstico de câncer, bem como na morte de alguém. Frequentemente, só se atinge a aceitação após ter atravessado períodos de negação muito emotivos, e, a seguir, de raiva. Estas etapas constituem o avanço natural no processo de nos adaptar ao que seja e fazem parte do processo de cura.

crop black man showing pray gesture
Photo by Monstera on Pexels.com

No entanto, deixando de lado por um instante as grandes calamidades que, em geral, absorvem tanto tempo no decorrer do nosso dia-a-dia antes da cura, muitas vezes desperdiçamos uma grande quantidade de energia negando o que já é um fato e resistindo a ele. Ao trabalhar assim, o que fazemos basicamente é tentar forçar as situações para que sejam como gostaríamos que fossem, o que só gera mais de tensão e, de fato, impede que se produzam mudanças positivas. Podemos estar tão ocupados negando, forçando e lutando que não nos sobrem energias para sanar e crescer, e que as poucas que nos restem possam ser desvanecidas por nossa falta de consciência e intenção.

Se temos excesso de peso e nosso corpo não nos agrada, de nada serve esperar até que tenhamos o peso que gostaríamos ter para começar a nos agradar com ele e assim que gostemos de nós mesmos. Em determinado momento, e se não queremos nos ver presos em um frustrante círculo vicioso, poderíamos nos dar conta de que é perfeitamente correto gostar do peso que temos nesse momento porque é o único instante em que podemos nos gostar. Recordemos: o agora é o único tempo com que contamos para o que seja. Temos que nos aceitar como somos antes de que possamos mudar. Quando começamos a pensar desta maneira, o fato de perder peso deixa de ter importância. Além disso, torna-se bem mais fácil. Mediante o cultivo intencionado da aceitação, criamos as condições prévias para a cura.

A aceitação não quer dizer que tenhamos que gostar todo, ou que tenhamos que adotar uma postura passiva para tudo e abandonar nossos princípios e valores. Não significa que estejamos satisfeitos com as coisas como elas são, ou que tenhamos resignados a tolerar as coisas como “tenham que ser”. Isso não implica que devamos cessar nossas tentativas de romper com nossos próprios hábitos autodestrutivos, ou desistir de nosso desejo de mudar e crescer, ou tolerar a injustiça, por exemplo, ou evitar em nos envolver em mudar o mundo ao nosso redor porque seja assim e, portanto, careça de esperança. A aceitação, como nós a vemos, quer dizer simplesmente que temos estamos à vontade de ver as coisas como são. Esta atitude prepara o cenário para que, aconteça o que for, possamos agir de forma adequada em nossa vida. Muito provavelmente somos nós mesmos que sabemos o que fazer e temos a convicção interior de agir quando temos uma visão clara do que acontece, em vez de quando a nossa visão é obscurecida pelos julgamentos e desejos autosserviçais da nossa mente ou por causa de seus medos e preconceitos.

Em a prática da meditação, cultivamos a aceitação tomando cada momento como nos chega e estando completos com ele como é. Tentamos não impor nossas ideias sobre o que devemos sentir, pensar ou ver em nossa experiência, mas apenas lembrar de ser receptivos e abertos ao que sentimos, pensamos, ou vemos e aceitamos, porque é aqui e agora. Se mantemos nossa atenção atenta ao presente, podemos estar seguros de uma coisa: de que seja o que tenhamos diante de nós neste momento, isso nos mudará e proporcionará a ocasião de praticar a aceitação com independência do que nos surgirá no momento seguinte. Está muito claro de que há sabedoria no cultivo da aceitação.

Ceder:

Dizem que na Índia existe uma forma muito inteligente de caçar macacos. Segundo contam, os caçadores recortam em um coco um buraco suficientemente grande para que o macaco possa introduzir sua mão. Depois, perfuram dois buracos menores no outro extremo e passam por eles um arame, cujo atam à base de uma árvore. O macaco desce da árvore, introduz sua mão no buraco e agarra a banana que os caçadores introduziram no coco. O buraco foi recortado de forma que a mão aberta do macaco possa passar por ele, ainda que não seu punho fechado. Tudo o que o macaco tem que fazer para se libertar é soltar a banana, ainda que parece que a maioria dos macacos não o faça.

Frequentemente, e apesar de toda nossa inteligência, nossas mentes desempenham comportamentos semelhantes, razão pelo que o cultivo da atitude de ceder ou da falta de apego é fundamental para a prática da atenção plena. Quando começamos a prestar atenção em nossa experiência interior, descobrimos imediatamente que existem certas ideias e sensações que dão a impressão de que a mente quer ser aderir. Se são agradáveis, tentamos prolongá-las, esticá-las e retorná-las continuamente. Existem, de igual modo, muitas ideias, sensações e experiências que tratamos de evitar, ou das que tentamos nos libertar ou nos proteger porque são desagradáveis, dolorosas e porque, de uma ou outra forma, nos dão medo.

Na prática da meditação, nós, de forma deliberada, deixamos de lado a tendência de engrandecer determinados aspectos de nossa experiência e a recusar outros. Em vez disso, o único que fazemos é deixar que nossa experiência seja ela mesma e praticar observando-a em cada momento. Ceder é uma forma de deixar que as coisas sejam como são e de aceitá-las assim. Quando observamos como nossa mente adere e se afasta, vamos nos lembrar de nos desligarmos expressamente desses impulsos, mesmo que seja apenas para ver o que acontece.

Quando nos vemos julgando nossa experiência, deixemos que essas ideias julgadoras se vão. Devemos reconhecê-las e não as perseguir mais. Devemos deixá-las em paz e, ao fazer isso, permitir que se vão. Do mesmo modo, quando nos vêm ideias do passado ou do futuro, que as deixemos em paz. Apenas devemos permanecer alertas. Podemos nos converter em especialistas de nossos próprios apegos, com independência de quais sejam e de suas consequências em nossas vidas, e no que se sente nesses momentos em que, por fim, cedemos, bem como, também, de quais são as consequências disso. O fato de estarmos dispostos a olhar para as formas em que nos apegamos mostra, no fundo, muita experiência no contrário, de uma forma que, quer tenhamos ou não sucesso em nos desfazer, a atenção continua a nos ensinar se estivermos dispostos a olhar. O se soltar ou desatar-se não constitui nenhuma experiência do outro mundo. Fazemos isso todas as noites ao ir dormir. Nos atiramos em uma superfície acolchoada, sem luzes, em um lugar tranquilo e deixamos que nossas mentes e corpos se deixem ir. Se não o fazemos, não poderemos dormir. A maioria de nós experimentamos que a mente muitas vezes não se cala quando nos deitamos. Este é um dos primeiros sinais de um elevado estresse. Em tais casos, podemos nos sentir incapazes de se libertar de certas ideias porque nosso envolvimento com elas é demasiado poderoso. Se nos forçamos a dormir, é pior ainda. Portanto, se podemos dormir, isso significa que já somos especialistas em nos desprender. O que agora nos falta é praticar, aplicando esta habilidade também a situações em que estejamos despertos.

Uma maneira de apreciar a importância das atitudes características de Mindfulness é considerar seus opostos. Imagine uma pessoa que constantemente está julgando, criticando e se queixando, que acha que já sabe tudo, é impaciente, nega a realidade e trata de controlar obsessivamente cada aspecto desta. Quais avanços você acha possível de fazer na aprendizagem de Mindfulness ou de qualquer outra habilidade com estas atitudes?

]]>
https://minasi.com.br/7atitudes/feed/ 0 2952
Perdão ao meu (amoroso) corpo https://minasi.com.br/perdao-ao-meu-amoroso-corpo/ Fri, 30 Mar 2018 13:36:52 +0000 http://minasi.com.br/?p=1303
semamor

Perdão por ter me escondido de você na minha mente. 
Eu era um cabeça-de-vento extraordinário, 
preferindo a segurança aparente dos meus pensamentos 
ao mundo, muitas vezes selvagem, dos sentimentos. 
Embora eu fosse frequentemente chamado de ‘fora do ar’, 
eu estava realmente ‘fora do meu corpo’, 
vivendo fora das paredes do templo do meu corpo. 
Eu cresci em uma família sem amor, 
e sentir-me em meu corpo, 
significava sentir-me nas memórias horríveis 
retidas em meus músculos e tecidos.
Sobreviver pela minha percepção intelectual, 
permitiu-me pensar o meu caminho 
através de circunstâncias difíceis e me proteger contra a dor. 
Mas meu “cabeção” teve um preço muito alto – 
excessiva análise perpetuou uma paralisia emocional. 
Minha estratégia de enfrentamento se tornou meu modelo 
para a realidade, me alienando de minha vida real. 
Mas eu quero parar de assistir você de longe. 
Eu quero abrir o portão e voltar agora.

workaholic

Perdão por abusar de você com alimentos tóxicos, 
excesso de comida, excesso de trabalho. 
Eu queria drenar e amortecer você, meu corpo, 
para que eu não pudesse te sentir. 
Se eu te animar, eu sentirei minhas emoções mais fortemente 
e minha dor se emergirá.
Se eu anestesiar você, 
minhas memórias permanecerão enterradas. 
Ainda outra técnica de auto-distração. 
Lamento por aqueles atos deslocados de agressão. 
Eu não pude mantê-lo seguro, 
porque eu nunca me sentia seguro. 
Eu tinha que primeiro forjar auto-amor no fogo da vida.

Perdão por humilhar você, 
ter repugnância de você, 
tê-lo escondido, 
me sentir constrangido por você. 
Lamento que julguei suas imperfeições aparentes 
como esquisitices em vez de reflexos da Divindade. 
Minha atitude era um reflexo direto do meu auto-ódio, 
a internalização remanescente de um mundo interior 
de humilhação e calúnia. 
Me ensinaram que eu era feio e eu acreditei. 
Caracterizado como a ovelha negra ao longo da minha infância, 
eu tomei essa mensagem para o coração, 
perpetuando frequentemente a vergonha à minha própria custa. 
Como tenho trabalhado para trazer a minha luz 
para fora deste monte de vergonha, 
vejo a maravilha brilhosa que é você. 
Tal majestoso templo, uma oração viva à Divindade. 
Se não honrar o templo, não haverá lugar para a oração.

Perdão por olhar para a minha vida espiritual à parte de você, 
como se Deus fosse uma construção sem corpo 
e não uma experiência sentida. 
Como um bom cabecinha-de-vento, 
eu queria pensar Deus, ao invés de senti-lo. 
E, então, eu olhei para Deus nas passarelas da desconexão, 
confundindo a fuga de si mesmo com a própria iluminação. 
Eu fui por esse caminho por algum tempo, 
aparentemente calmo do lado de fora, 
mas  no fundo, 
um caldeirão borbulhante de sentimentos não resolvidos. 
Na verdade, 
o mais próximo que eu chegasse de uma consciência inclusiva 
eram naqueles momentos em que eu me rendia 
a você completamente, todo manchado e maculado. 
Não é por acaso que estamos aqui em forma física   
Deus está dentro das pessoas. 
Me perdoe por procurar Deus 
fora das paredes do templo (meu corpo).

Perdão por te puxar pra baixo com uma couraça física e emocional: musculatura rígida, raiva congelada, respiração engolida, um coração endurecido.

criancasozinha

Perdão por te puxar pra baixo 
com uma couraça física e emocional: 
musculatura rígida, raiva congelada, respiração engolida, 
um coração endurecido. 
Perfeitamente condicionado 
a um lobo solitário macho guerreiro, 
preferi solidez à fluidez, me encouraçar ao aconchego. 
Um escravo para a sobrevivência, 
fui construído para mover-me ao longo do caminho 
como uma máquina, 
adiando descanso e prazer para um dia que raramente chegava. 
Com a minha couraça intacta, 
nada e ninguém podia me tocar. 
Mas eu estava usando emprestado a energia do meu futuro. 

Eu estava me matando. 

Mesmo agora, eu estou sob nenhuma ilusão 
de que eu vou mudar esse modo de ser facilmente. 
É profundo em mim, no fundo de minhas memórias de superação. 
Mas vou tentar, um livramento de cada vez. 

Eu vou tentar.

sex

Perdão por submetê-lo a ser um objeto, 
separando sexualidade do coração. 
Você foi concebido para a intimidade, 
que é a profundidade completa, unificadora, indistinguível 
EU-Deus. 
Qualquer coisa menos é uma perversão
de sua natureza divina. 
Mas tudo que eu muitas vezes queria 
era superficial e longe do Divino. 
Eu não queria uma ponte entre meu coração e os meus genitais, 
meu coração e o dela. 
Mesmo quando eu passava por minhas fases ‘tantra’,
eu ainda estava abusando de você, 
porque eu estava usando meus genitais como um êxtase, 
buscando mísseis e não uma ponte para o divino. 
Eu estava usando a sexualidade para escapar daquele momento, 
em vez de aprofundar na conexão. 
Me perdoe por eu abusar de você dessa maneira. 
Estou empenhado em trazer a minha sexualidade 
para o meu coração e vice-versa. 
Estou comprometido com a construção 
da rodovia interior coração-genitais.

Sou grato pelas tantas maneiras que você me manteve, 
mesmo quando a minha consciência desperta 
estivesse completamente alienada de você. 
Se eu tivesse sido governado só por meus pensamentos, 
eu estaria morto há muito tempo, 
saltando como eu fazia de uma inebriante 
copa de árvore para outra. 
Mas você nunca me falhou, nunca me esqueceu, 
nunca me perdeu de vista onde eu realmente vivi. 
Você me manteve respirando quando eu agi contra você, 
quando eu envergonhava você, quando eu renegava você. 
Você me amou, me chamando de volta, 
mantendo-me à tona até que eu pudesse me encontrar. 
Tal devoção. 
Conexões profundas.

Sou particularmente grato por ter me carregado 
através dos estágios da vida mais destrutivos. 
Você curou as feridas e ossos quebrados da vida precoce. 
Você me protegia contra a violência com seus punhos e pés. 
Você me tirou da cama quando desanimo
imobilizou o meu espírito. 
Você me tirou do fogo do inferno da minha infância, 
mesmo quando eu o re-criei por toda a vida adulta. 
Você me manteve aquecido, 
quando o frio me congelava o ânimo. 
Você me manteve acordado, 
quando eu queria adormecer para a vida. 
Você suportou décadas de vício de trabalho 
e excesso de compensação, com pouco descanso. 
Meu caro amigo, como posso te honrar melhor?

Obrigado por ser meu termômetro da autenticidade, meu templo da verdade.

16-770x468.jpg

Obrigado por ser meu termômetro da autenticidade, 
meu templo da verdade. 
Quão belo você carregou o meu propósito sagrado, 
até que eu estivesse pronto para por mãos-a-obra. 
Você me lembrou com arrepios verdadeiros 
sempre que eu andava na direção certa. 
Você me conduziu com dores verdadeiras 
sempre que eu me atrevi a andar nos sapatos de outra pessoa. 
O que é tão notável é que você nunca deixou 
de comunicar-se comigo quando eu vivia numa mentira. 
Eu posso não pode ter sido pronto para ouvir, 
mas você nunca abandonou a sua fé em minhas possibilidades. 
Agora eu sei que o meu verdadeiro caminho está codificado 
nos ossos do meu ser. 
Não é um templo que eu visito, 
mas aquele que eu sou.

Estou ansioso para o dia em que a humanidade 
abrace plenamente a sua divindade e 
reconheça a unidade no cerne da criação. 
Uma consciência unificada ainda existe fora 
da nossa consciência habitual, 
mas ela canta a partir de nosso interior, 
uma sinfonia de Deus, 
a música que está nos chamando para casa. 
Onde o corpo, mente e espírito parecem estar fluindo 
em direções diferentes, 
eles em breve serão revelados como ramos inextricáveis 
do mesmo canal d’água. 
No rio da Essência, tudo flui na mesma direção – 
Rumo ao oceano da totalidade.

À medida que nos aproximamos de uma consciência unificada, 
que possamos reconhecer o centro da questão: 
nosso corpo, templo com um coração pulsante. 
A iluminação não é uma viagem da cabeça- 
é uma jornada do coração, 
rajadas de Deus soprando através do portal do coração, 
o amor através da válvula aorta fundindo-se com o amor 
que corre através da veia universal. 
Como se vê, não buscamos uma abertura da mente. 
Um coração novo – a frescor do apreço que flui 
através do coração aberto. 

Se queremos expandir a nossa consciência espiritual,
temos de sacudir a árvore do nosso coração muitas vezes. 
Abrindo o coração desbloqueamos o coração do universo, 
e vemos o que está sempre diante de nós. 
Que possamos estar comprometidos 
com o derrubada das couraças em torno de nosso coração um 
pouco mais, a cada respiração.

67eac8af60e9b5d4226df23623f72bd3

Como os gansos pousando, 
descansando e se preparando para a próxima etapa 
de sua jornada para o sul. 
Eu os vejo fixando-se em um corpo, realmente aqui.
Tempo para se render, cantar com os pássaros. 
Então, quando o seu corpo estiver pronto, eles vão voar novamente, 
subindo nas asas de seu amor. 
Eu os ouço, chamando uns ao outros. 
Entregue-se! 

Um dia, eu não vou te escrever 
como se você fosse independente da minha consciência desperta. 
Um dia, eu vou rezar para você, como você. 
Um dia, eu também vou voar para Deus sem sair do templo. 
Até então, por favor, continue a manter-me seguro.

Axé! Amém! inshalá! Namastê!

Autor: Jeff Brown

]]>
1303
O Eneagrama como ponte para a auto descoberta https://minasi.com.br/o-eneagrama-como-ponte-para-a-auto-descoberta/ Sat, 03 Feb 2018 15:29:41 +0000 http://minasi.com.br/?p=1017 Encarar o mundo, e, despido e indefeso encarar a terrível insegurança da existência humana é uma situação esmagadora para qualquer um estar. Cada um dos tipos de personalidade tenta esconder de si mesmo a percepção completa da insegurança de sua existência de uma maneira diferente. Cada tipo adota diferentes estratégias para inflar seu ego como uma defesa contra essa solidão e insegurança.

O paradoxo é que não podemos fazer nada além de nos defender da total consciência de nossa existência. Os seres humanos estão ameaçados pelo mistério de sua existência quer afirmem-se com esperança ou recolham-se em desespero. O mais triste é que se cada tipo de personalidade inflar seu ego e forçar suas defesas ao extremo, trará destruição para si mesmo. Muita abertura para a vida pode nos “queimar”, pouca nos destruirá de dentro para fora. Excesso de liberdade é tão assustador como falta total de liberdade.

De qualquer maneira, ansiedade existencial parece ser a resposta apropriada para seres que estão conscientes de sua própria mortalidade. Nós trememos aterrorizados quando percebemos que estamos na verdade parados na beirada do abismo de ser.

Parece só haver uma saída: ter esperança de encontrar um significado para nossas vidas, um significado que nos conecte com algo real além de nós mesmos.

Entretanto, estamos na impossível posição de tentar encontrar um significado para nossas vidas sem sermos capazes de conhecer nossa vida como um todo. Não há maneira de saber com certeza qual é esse significado, sem ser capaz de sair fora desta vida para encontrar seu contexto final.

Porém, sair fora desta vida só pode ocorrer no momento da morte, quando esta vida terá chegado a um fim. Neste momento, nós seremos aniquilados ou descobriremos que ainda existimos. Caso ainda existamos, saberemos se nossa vida teve algum propósito e qual foi ele. Muito do mistério e da tragédia de nossa existência vem devido a não podermos saber com certeza o significado de nossa vida antes desse momento decisivo.

Apesar da razão final de nossa vida ser misteriosa, ela afeta cada momento que vivemos. O que nós acreditamos como sendo o significado da vida influencia nossos valores e cada escolha que fazemos. Considerando essas realidades, nos movemos do psicológico para o metafísico onde o contexto humano terá ou não terá significado.

Pode ser que a existência humana seja “absurda” porque não há um contexto pessoal final, somente uma reciclagem sem fim de matéria e energia em um universo impessoal. Ou pode ser que o contexto final da vida humana seja pessoal, que existe um “Deus” cuja existência é a própria razão para a nossa. Isto é, ou não é, não havendo maneira de sabermos qual é verdadeiro enquanto ainda estamos vivos. Esta é a razão pela qual o significado da vida sempre envolve o conceito de “fé”, quer chamemos assim ou não.

Não podemos viver sem algum tipo de crença. Se não temos fé em “Deus”, precisamos ter fé em alguma outra coisa. Porque não podemos viver sem um significado, sem referência com algo fora de nós mesmos, nós inevitavelmente criamos “ídolos” como substitutos para a fé na transcendência e no significado que ela nos dá.

Claro que o ídolo universal supremo é o orgulho, o ego inflando-se e tentando ser a causa de sua própria existência, tentando achar seu significado com os seus próprios recursos. Cada uma das personalidades descritas no Eneagrama é tentada a usar compulsivamente um tipo particular de orgulho como uma maneira de defender-se das ansiedades envolvidas na sua existência.

  • A tentação do Nove é acreditar que a tranqüilidade é um valor maior;
  • a do Oito é acreditar no seu próprio poder;
  • a do Sete é acreditar que possessões materiais o realizarão;
  • a do Seis é acreditar na segurança proporcionada pelas outras pessoas;
  • a do Cinco é acreditar que o conhecimento é um fim em si mesmo;
  • a do Quatro é acreditar na sua liberdade para fazer o que quiser;
  • a do Três é acreditar na sua própria excelência;
  • a do Dois é acreditar na sua própria importância e,
  • a tentação do Um é acreditar na sua própria retidão.

Apesar de serem tentações características de cada um dos tipos de personalidade, elas são nossas próprias tentações também. Se existe algo para aprender estudando os tipos de personalidade é que, apesar de legitimamente procurarmos pela felicidade através da realização pessoal, nós normalmente procuramos erradamente.

Cada tipo de personalidade cria uma espécie de profecia auto-realizável, trazendo para si aquilo que ele mais teme e, por outro lado, perdendo o que mais quer, na sua busca pela felicidade. Se, quando buscamos a felicidade, nós inflamos nosso ego as custas de valores mais profundos, podemos estar certos de falhar em nossa busca.

Alimentar o ego as custas do que é genuinamente bom é tolice, levando-nos para um emaranhado de bens, falsos bens e ídolos. Cada tipo de personalidade contém em si mesmo a fonte de sua própria decepção a qual, se enfatizada, nos tira invariavelmente da direção da nossa real realização e mais profunda felicidade. Esta é uma lei irrevogável da psicologia humana, da qual nós precisamos nos convencer se quisermos ter coragem para procurar pela felicidade no lugar certo e da maneira certa.

Observando cada um dos tipos de personalidade como um todo, aprendemos o que podemos esperar caso inflemos o ego as custas de outros valores:

  • Forçando os outros a amá-los, os Dois terminam sendo odiados.
  • Engrandecendo-se, os Três acabam sendo rejeitados.
  • Seguindo somente seus sentimentos, os Quatro acabam desperdiçando suas vidas.
  • Impondo suas idéias sobre a realidade, os Cinco terminam desligados da realidade.
  • Sendo muito dependentes dos outros, os Seis terminam sendo abandonados.
  • Vivendo para o prazer, os Sete acabam frustrados e insatisfeitos.
  • Dominando os outros para terem o que querem, os Oito acabam destruindo tudo.
  • Acomodando-se demais, os Nove tornam-se conchas subdesenvolvidas e fragmentadas.
  • Tentando perfeição sem sensibilidade humana, os Um acabam pervertendo a própria sensibilidade.

A saída dessas inexoráveis conclusões é se convencer que apenas transcendendo o ego podemos ter esperança de encontrar felicidade. Como a sabedoria sempre reconheceu, apenas morrendo para nós mesmos é que encontramos a vida.

Assim, uma lição paralela pode ser tirada dessas páginas, uma que chamamos a lei da retribuição psíquica. Nós não devemos esperar punição de Deus pelas nossas más ações. Ao contrário, devido à nossa natureza psíquica, nós trazemos a punição para nós mesmos porque pagamos um preço por cada escolha que fazemos.

O preço que pagamos pode não ser imediatamente aparente, e por essa razão é tão fácil nos enganarmos que não haverá conseqüências para nossas ações. Mas o custo para nós estará sempre no tipo de pessoa que nos tornamos. Pelas nossas escolhas nós nos construímos e moldamos nosso futuro, quer seja de felicidade ou de infelicidade.

Como, então, devemos agir para transcender nosso ego? O que nos motivaria a fazer isso? Como poderemos saber o que nos tornará realmente felizes?

As pessoas sempre procuram o que elas pensam que será melhor para elas, mesmo que errem na escolha. Alguns buscam riqueza, outros, fama, outros, segurança, cada qual desejando possuir aquilo que ele ou ela pensam que trará felicidade. Mas, a não ser que encontremos o que é realmente bom procurando o que realmente precisamos, nós vamos sair na perseguição do que desejamos até sermos distraídos por bens meramente supérfluos. Se as pessoas concentram-se em superficialidades, elas transformam seus objetos de desejo em ídolos que não podem satisfazê-las. Então elas sofrem e não sabem porquê.

O que é estranho é que, em nossa busca da razão da vida, nós estamos na difícil situação de buscar o que é realmente bom para nós, sem um entendimento claro do que é. Cada tipo de personalidade tende a buscar, o que ele pensa que é bom para ele, nos lugares errados, da maneira errada, ou ambos.

  • O Dois pensa que será feliz se for amado (ou adorado) pelos outros,
  • o Três se for admirado pelos outros,
  • o Quatro se ele for totalmente livre para ser ele mesmo,
  • o Cinco se ele tiver certeza intelectual,
  • o Seis se ele tiver absoluta segurança,
  • o Sete se ele possuir tudo que quiser,
  • o Oito se tiver as coisas da sua maneira,
  • o Nove se ele puder “fundir-se” com alguém, e
  • o Um se ele for perfeito.

Todas essas estratégias falham porque elas, apenas aspirações parciais, foram eleitas para principais (únicas verdadeiras) aspirações na vida.

Como, então, pode o Eneagrama nos ajudar a encontrar o que é realmente bom para nós? A resposta é simples: mostrando que, a necessidade genuína de cada tipo de personalidade está na sua direção de integração (que é o sentido oposto de cada seta).

A dificuldade é que, antes de podermos nos mover na direção de integração, precisamos nos transcender (transcender nosso ego). Nós precisamos estar dispostos e sermos capazes de ir além do ego, alcançar algo mais, alguns valores fora de nós mesmos.

Essa autotranscendência é difícil e amedrontante porque envolve entrar em território desconhecido, sentindo, agindo e relacionando-se de maneiras estranhas à nossa personalidade, contrárias aos nossos hábitos de até então, em contraposição às nossas antigas atitudes e identidade, começando a superar as deficiências da nossa infância. De certa maneira é uma espécie de renascimento, tornando-se uma nova pessoa que está aprendendo a deixar as velhas maneiras de ser para trás e “rompendo” em um novo mundo.

Pois é isso que cada tipo de personalidade precisa fazer se quiser algum dia encontrar a felicidade verdadeira.

  • O 2 precisa superar a tendência à autodecepção com a autocompreensão do 4 saudável;
  • o 3, precisa superar a inveja maliciosa dos outros caminhando para a lealdade do 6;
  • o 4, superar a autodestrutiva subjetividade com a objetividade e autodisciplina do 1;
  • o 5, superar sua auto-anulação movendo-se para a coragem do 8;
  • o 6, superar suas suspeitas dos outros movendo-se para a receptividade do 9;
  • o 7, superar sua impulsividade movendo-se para o envolvimento do 5;
  • o 8, superar seu egocentrismo movendo-se para a consideração pelos outros do 2;
  • o 9, superar sua complacência movendo-se para a ambição do 3;
  • o 1, superar sua inflexibilidade movendo-se para a produtividade do 7.

Em resumo, aprender a transcender o ego nada mais é que aprender a amar. Somente o amor tem o poder de nos salvar de nós mesmos. Até aprendermos a amar verdadeiramente a nós mesmos e aos outros não há possibilidade de felicidade duradoura, paz ou libertação (redenção). É por não nos amarmos verdadeiramente que nos perdemos tão facilmente nas diversas ilusões e tentações que o ego nos apresenta.

Apesar de serem complicados e sutis, os tipos de personalidade delineados no Eneagrama são, na verdade, nada mais que reflexos puros da natureza humana. Apesar do seu valor para nos entendermos mais objetivamente, o Eneagrama não nos poderá dar a resposta final sobre nós mesmos, isto é outro assunto. Ele não é mágico e não pode nos transformar em seres humanos perfeitamente realizados.

Porém, ajudando a nos entendermos como realmente somos no “nosso melhor” e no “nosso pior”, o Eneagrama reafirma algumas antigas percepções sobre a natureza humana. Finalmente, ele é apenas uma ferramenta, algo útil até certo ponto e portanto, deve ser deixado de lado em favor do que não pode ser expresso sobre a natureza humana.

Fonte:  Personality Types: Using the Enneagram for Self-Discovery

]]>
1017
Todos nascem livres, porém morrem em cativeiro https://minasi.com.br/todos-nascem-livres-porem-morrem-em-cativeiro/ Thu, 23 Nov 2017 15:02:07 +0000 http://minasi.com.br/?p=758

Todos nascem livres, porém morrem em cativeiro.
No início de tua vida és totalmente desprendido e natural mas, depois, entra a sociedade, surgem as regras e os regulamentos, a moralidade, a disciplina e muitos tipos de treinamento. Assim, o desprendimento e a naturalidade, bem como o ser espontâneo, estão perdidos. Cada qual começa a reunir em torno de si uma espécie de couraça. Cada qual começa a tornar-se mais rígido. A suavidade interior já não mais é visível.
 
Na fronteira do ser cada qual cria um fenômeno parecido a uma fortaleza para se defender, para não ser vulnerável, para reagir, para ter segurança: a liberdade de ser está perdida. Cada qual começa a olhar nos olhos do outro: sua aprovação, suas negações, suas condenações, suas apreciações vão se tornando cada vez mais valiosas. “Os outros” torna-se o critério e todos passam a imitar e a seguir os outros, porque todos temos de viver uns com os outros.
 
A criança é muito maleável, pode ser modelada de qualquer maneira e a sociedade começa a modelá-la: os pais, os professores, a escola. Aos poucos, ela se torna um caráter, e não um ser. Aprende todas as regras, ou se torna um conformista, o que também é cativeiro, ou se faz rebelde, o que é uma outra espécie de cativeiro.
 
Se transformar-se num conformista, ortodoxo, quadrado, estará presa a uma qualidade de cativeiro, pode reagir, tornar-se um hippie, ir ao outro extremo, mas ainda permanecerá preso a outro um tipo de cativeiro – porque a reação depende da mesma coisa contra a qual reage. Podes ir ao mais longínquo ponto do mundo, mas, bem no fundo da mente, tu te estarás rebelando contra as mesmas regras. Outros as seguem, tu reages, mas o foco permanece centrado nelas. Reacionários ou revolucionários, todos viajam no mesmo barco. Podem estar uns contra os outros, costas contra costas, mas o barco é o mesmo.
 
Um homem transcendente não é reacionário nem revolucionário. Um homem transcendente é, simplesmente, desprendido e natural: não é a favor nem contra as coisas, é simplesmente ele mesmo, não tem regras a seguir nem regras a repelir: não tem regras.
 
– Osho

]]>
3340
Porque, se é inevitável, você tem que saber aceitar https://minasi.com.br/porque-se-e-inevitavel-voce-tem-que-saber-aceitar/ Wed, 08 Nov 2017 14:54:23 +0000 http://minasi.com.br/?p=711 Se você está dirigindo na rua, no tráfego, e há um engarrafamento, e os motoristas, na pressa de continuarem seus caminhos, mesmo estando tudo trancado, fecha os cruzamentos, aí você vem dirigindo e fechou o cruzamento e não vai abrir, porque está tudo bloqueado, de modo que você não poderá passar para o outro lado, você fica irritado com isso? Protesta ou buzina? Ou simplesmente espera como a gente espera que a chuva passe?

Se não há esclarecimento o suficiente nas outras pessoas, não adianta sair brigando, não vale a pena. Nada fazer, nesses casos, é como preservar a sanidade mental e a paz na sua própria mente. Se as circunstâncias em volta tentam deslocar-lhe desse centramento, a única opção é eu ter me sentado [em zazen] o suficiente para saber que minha mente funciona assim, e eu não vou permitir que ela se desvie agora. Então, apesar da turbulência de tudo o que está acontecendo, eu vou simplesmente esperar. Não acontecerá nada por eu esperar, e, mesmo que aconteça alguma coisa inevitável, você tem que saber aceitar.

Uma vez o meu primeiro professor me perguntou: “Se você está em um local e há quatro montanhas, uma na sua frente, outra nas suas costas, outra de um lado e outra do outro (ele era Japonês, e no Japão terremotos são comuns, ocorrem todos os dias), se as quatro montanhas começam a cair em cima de você  e não tem nenhum lugar para ir, o que você faz?”. Eu disse: “Não sei.” Ele replicou: “Tão simples – deixe cair. Você aceita, senta e deixa cair. Porque, se é inevitável, você tem que saber aceitar”.

Eu fui no meu primeiro sesshin (retiro) com esse professor, e ele tinha recentemente vindo do Japão, e lá usa-se com frequência o kyosaku – esse bastão que está em cima do altar. Havia um praticante que era japonês, o único japonês que estava naquela prática, e tal praticante começou a gemer no sesshin porque estava sofrendo. No intervalo entre uma sessão de meditação e outra, o mestre falou: “não façam ruídos porque atrapalham os outros! Não deve haver ruídos durante o zazen!”. Quando recomeçamos a prática, o homem recomeçou a gemer. Eu então ouvi o mestre levantar-se e pegar o bastão, foi até as costas do praticante e bateu até quebrar o bastão. Daí então gritou com ele em japonês e eu não pude entender. Quando saímos eu  me aproximei do praticante e perguntei:

–                “Tanaka, o que foi que ele disse?”

–                ”Eu não gosta de japonês, japonês muito violento”

–                ”Mas Tanaka, o que foi que ele falou?”

–                ”Você está gemendo aí por pouca coisa! Como você vai enfrentar a hora da sua morte?”

É isso que tem que estar presente na mente do praticante espiritual: você está realmente preparado para a hora da sua morte? Porque pode acontecer hoje, amanhã, a qualquer momento. Que mente você tem? É uma mente capaz de aceitar todas as montanhas caindo em cima de você?

Se você se sentar e aceitar o inevitável, bom, então vai morrer bem.

Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei 
Image de la tempête qui a frappé Sydney ce vendredi.

]]>
711