caráter https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Fri, 07 Aug 2026 13:43:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 caráter https://minasi.com.br 32 32 103183256 Libere Tensão: Descubra o Poder da Respiração https://minasi.com.br/libere-tensao-descubra-o-poder-da-respiracao/ https://minasi.com.br/libere-tensao-descubra-o-poder-da-respiracao/#respond Fri, 07 Aug 2026 13:43:49 +0000 https://minasi.com.br/?p=4644 Uma reflexão entre as descobertas da psicologia contemporânea e a Terapia Reichiana sobre como nossas emoções moldam nossa postura, saúde e energia vital.

Introdução

Você já reparou como o seu corpo reage quando você passa por um período prolongado de estresse, ansiedade ou aperto emocional? Ombros tensionados, respiração curta, dentes travados ou uma sensação constante de exaustão sem causa física aparente.

Muitas vezes, buscamos explicações apenas na rotina corrida ou na mente, mas a verdade é que o corpo registra e armazena cada uma de nossas experiências emocionais.

Neste artigo, quero propor uma ponte entre o debate atual sobre saúde emocional e os ensinamentos revolucionários de Wilhelm Reich, médico e psicanalista pioneiro no entendimento da conexão mente-corpo.

1. A Couraça Muscular do Caráter: Nossas Defesas Visíveis

Na Terapia Reichiana, aprendemos que o conflito psíquico não fica restrito ao campo das ideias. Quando reprimimos sentimentos como raiva, medo, tristeza ou até mesmo o prazer, o nosso sistema nervoso responde criando tensões musculares crônicas. Reich chamou esse fenômeno de Couraça Muscular do Caráter.

  • O que a ciência moderna diz: O estresse crônico ativa continuamente o sistema nervoso simpático, mantendo o corpo em estado de “luta ou fuga”, o que resulta em rigidez muscular, alterações na respiração e inflamação crônica.
  • O olhar Reichiano: A couraça é uma defesa física construída ao longo da vida para amortecer a dor de afetos insuportáveis. O problema é que, ao bloquear a dor, também bloqueamos a vitalidade, a alegria e a capacidade de entrega.

2. Da Contração à Expansão: O Fluxo da Energia Vital

Reich observou que a vida se move em um pulso constante de contração e expansão:

  • Quando estamos ameaçados ou retraídos, nos contraímos.
  • Quando nos sentimos seguros e conectados, nos expandimos.

Quando vivemos sob constante pressão, ficamos “presos” no estado de contração. A respiração torna-se superficial, o diafragma bloqueia e a energia vital deixa de fluir livremente pelos segmentos do corpo (dos olhos à pelve).

Refletir sobre o seu estilo de vida sob a ótica reichiana significa perguntar: Em que momentos do seu dia você realmente se permite expandir, respirar fundo e relaxar as defesas?

3. O Processo Terapêutico: Desarmar para Sentir

Diferente das abordagens puramente teóricas ou conversacionais, a clínica de inspiração reichiana entende que a transformação real passa pela mobilização corporal e emocional.

Flexibilizar as couraças não significa “destruir” nossas defesas (afinal, elas nos protegeram em momentos difíceis), mas sim devolver ao corpo a sua flexibilidade e espontaneidade.

Como aplicar essa reflexão no seu dia a dia:

  1. Conscientização Respiratória: Reserve momentos para perceber como você respira. Sua respiração é alta e peitoral ou desce até o abdômen?
  2. Escutar os Sinais de Rigidez: Onde o seu corpo guarda o estresse? Na nuca? Na mandíbula? Na lombar?
  3. Acolhimento da Emoção: Permita-se sentir. Expressar o que está represado é o primeiro passo para soltar a tensão física.

Conclusão

Cuidar da mente sem escutar o corpo é cuidar de apenas metade de quem somos. A Terapia Reichiana nos convida a habitarmos plenamente a nossa estrutura física, liberando os nós emocionais que nos impedem de viver com leveza, prazer e autenticidade.

E você? Tem percebido onde o seu corpo tem guardado as suas emoções ultimamente?

Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo com quem precisa reconectar mente e corpo!

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O corpo fala tanto quanto as palavras https://minasi.com.br/o-corpo-fala-tanto-quanto-as-palavras/ https://minasi.com.br/o-corpo-fala-tanto-quanto-as-palavras/#respond Thu, 27 Mar 2025 19:53:17 +0000 https://minasi.com.br/?p=3336 A psicologia corporal e as couraças musculares são conceitos fascinantes que exploram a conexão profunda entre o corpo e a mente. Originados dos estudos de Wilhelm Reich, esses conceitos sugerem que as tensões musculares crônicas podem ser reflexos de traumas psicológicos e bloqueios emocionais. Reich propôs que existem sete segmentos de couraça, cada um correspondendo a diferentes aspectos da psique e do comportamento humano.

Os sete segmentos de couraça, conforme descritos por Reich e outros estudiosos como Frederico Navarro, são: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. Cada segmento está associado a certos traços de caráter e bloqueios energéticos que podem influenciar a maneira como uma pessoa interage com o mundo e processa suas emoções.

Por exemplo, um bloqueio no segmento ocular pode afetar a percepção e interpretação que uma pessoa tem do mundo e de si mesma. Já um bloqueio no segmento oral pode influenciar aspectos depressivos relacionados à dependência e independência. Esses bloqueios são vistos como couraças musculares que o ego desenvolve para lidar com conflitos internos e externos.

A terapia reichiana busca liberar essas tensões e promover um fluxo de energia mais saudável através de técnicas como respiração, movimento corporal e expressão emocional. O objetivo é alcançar um estado de bem-estar e saúde mental, permitindo que a pessoa se autorregule e amadureça emocional e psicologicamente.

A flexibilização das couraças e o amadurecimento do caráter são processos que podem levar a uma maior liberdade e autenticidade na expressão de sentimentos e na condução da vida. A psicologia corporal oferece uma perspectiva única sobre como nossos corpos refletem e influenciam nossa experiência interna, e como podemos trabalhar para harmonizar nossa energia e caráter para uma vida mais plena e saudável.

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Fases do Desenvolvimento Infantil e os Traços de Caráter https://minasi.com.br/fases-do-desenvolvimento-infantil-e-os-tracos-de-carater/ https://minasi.com.br/fases-do-desenvolvimento-infantil-e-os-tracos-de-carater/#respond Wed, 08 May 2024 10:05:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=3328 A jornada do desenvolvimento humano é fascinante e complexa, especialmente durante a infância. A psicanálise, com suas raízes profundas no trabalho de Sigmund Freud, oferece uma visão intrigante sobre as fases do desenvolvimento infantil. Paralelamente, a psicologia corporal nos apresenta uma perspectiva única sobre como nossos corpos e mentes interagem para formar traços de caráter distintos.

As Fases do Desenvolvimento Infantil na Psicanálise

Freud revolucionou a compreensão do desenvolvimento infantil ao introduzir os estágios psicossexuais: oral, anal, fálico, latência e genital[6]. Cada estágio é caracterizado por desafios e conflitos específicos que, quando navegados com sucesso, levam a uma personalidade saudável e bem ajustada. Por exemplo, o estágio oral foca na experiência e gratificação através da boca, enquanto o estágio anal lida com questões de controle e independência.

Donald W. Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, expandiu essa visão ao enfatizar a importância da relação mãe-bebê e introduzir o conceito de “dependência absoluta” nos primeiros meses de vida[7]. Winnicott acreditava que a capacidade de um bebê de sentir-se onipotente, graças à resposta imediata de seus cuidadores, era crucial para o desenvolvimento saudável.

Traços de Caráter na Psicologia Corporal

A psicologia corporal, influenciada pelos trabalhos de Wilhelm Reich, Alexander Lowen e Frederico Navarro, examina como as experiências emocionais se manifestam fisicamente. Cinco traços de caráter são identificados: esquizoide, oral, psicopata, masoquista e rígido[1]. Cada traço reflete uma estratégia de adaptação desenvolvida na infância em resposta ao ambiente e às relações interpessoais.

Por exemplo, o traço esquizoide pode se desenvolver em resposta a uma desconexão emocional precoce, levando a um comportamento mais distante e isolado. O traço oral, por outro lado, pode surgir de uma necessidade de dependência emocional e busca de aprovação.

A Integração das Duas Perspectivas

A integração das fases do desenvolvimento infantil na psicanálise com os traços de caráter da psicologia corporal oferece uma visão holística do crescimento humano. Entender como os estágios iniciais da vida influenciam tanto a mente quanto o corpo é essencial para abordagens terapêuticas eficazes e para a promoção do bem-estar emocional e físico.

A psicanálise e a psicologia corporal, juntas, nos ajudam a compreender melhor as complexidades da personalidade humana e a importância das experiências da infância. Elas nos ensinam que cada indivíduo é o resultado de uma tapeçaria intrincada de influências psicológicas e físicas, tecida desde os primeiros dias de vida.

A beleza dessa jornada de desenvolvimento é que, apesar de nossos traços de caráter serem formados cedo, eles não são imutáveis. Com a consciência e o apoio adequados, podemos aprender a usar nossos traços de caráter como ferramentas para uma vida mais plena e realizada.

A psicanálise e a psicologia corporal continuam a ser campos vibrantes de estudo e prática, oferecendo insights valiosos para todos aqueles interessados no desenvolvimento humano. Eles nos convidam a olhar para dentro de nós mesmos e para os outros com empatia, compreensão e uma apreciação mais profunda da jornada da vida.

Referências:

[1]: https://luizameneghim.com/blog/tracos-de-carater/ “”
[2]: https://relacoes.umcomo.com.br/artigo/analise-corporal-entenda-os-5-tracos-de-carater-30552.html “”
[3]: https://bing.com/search?q=Tra%C3%A7os+de+car%C3%A1ter+da+psicologia+corporal “”
[4]: https://www.fundacaocasagrande.org.br/noticias/o-traco-de-carater-rigido-uma-armadura-corporal/ “”
[5]: https://www.mulher.com.br/comportamento/analise-do-carater-teoria-diz-que-tracos-do-rosto-e-corpo-explicam-seu-comportamento “”
[6]: https://psicanaliseblog.com.br/teorias-psicanaliticas-sobre-o-desenvolvimento-infantil/ “”
[7]: https://www.psicanaliseclinica.com/desenvolvimento-infantil-winnicott/ “”
[8]: https://www.gerarprosperarpsicanalise.com.br/post/psican%C3%A1lise-e-o-desenvolvimento-infantil-compreendendo-os-caminhos-da-mente “”
[9]: https://saudeinterior.org/desenvolvimento-psicossexual-fases-de-freud/ “”
[10]: https://www.psicanaliseclinica.com/tecnica-do-brincar-em-melanie-klein/ “”

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Couraças musculares e o Eneagrama https://minasi.com.br/couracas-musculares-e-o-eneagrama/ https://minasi.com.br/couracas-musculares-e-o-eneagrama/#respond Wed, 01 May 2024 10:55:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=3326 A intersecção entre as couraças musculares e os tipos do eneagrama oferece uma perspectiva fascinante sobre a psicologia humana e o desenvolvimento pessoal. As couraças musculares, um conceito introduzido por Wilhelm Reich, referem-se às tensões crônicas no corpo que atuam como barreiras contra a expressão de emoções e impulsos. Reich acreditava que essas couraças podiam ser mapeadas e correlacionadas com traços de personalidade específicos, influenciando a maneira como as pessoas interagem com o mundo ao seu redor.

O eneagrama, por outro lado, é um sistema de tipologia de personalidade que descreve nove tipos distintos, cada um com suas motivações, medos e desejos únicos. Esses tipos são frequentemente usados para promover o autoconhecimento e o crescimento pessoal, ajudando as pessoas a entenderem suas próprias limitações e potenciais.

A combinação desses dois sistemas pode proporcionar insights valiosos para terapias e práticas de desenvolvimento pessoal. Por exemplo, alguém com uma couraça muscular associada ao tipo histérico no eneagrama pode apresentar um comportamento sexual visível, uma agilidade física específica e um coquetismo indisfarçado. Essas características podem ser vistas como defesas contra a vulnerabilidade emocional e podem ser abordadas através de terapias que focam na liberação dessas tensões corporais.

A análise reichiana, uma extensão do trabalho de Reich, busca liberar essas couraças musculares para permitir um fluxo mais livre de energia e emoções. Isso pode levar a uma maior expressão emocional e a uma sensação de bem-estar. Ao entender como as couraças musculares se relacionam com os tipos de personalidade do eneagrama, os terapeutas podem criar abordagens mais personalizadas para ajudar os indivíduos a alcançarem um equilíbrio mais saudável entre mente e corpo.

A pesquisa e a prática contínuas nessa área podem revelar ainda mais sobre como nossas emoções e traços de personalidade se manifestam fisicamente e como podemos trabalhar para superar as barreiras que nos impedem de viver uma vida plena e autêntica. Para aqueles interessados em explorar mais sobre esse tópico, há uma riqueza de recursos disponíveis, incluindo artigos acadêmicos e workshops que oferecem uma visão mais profunda das couraças musculares e dos tipos do eneagrama[1][2].

Referências:

[1]: https://centroreichiano.com.br/artigos/Anais_2016/Eneagrama-e-tracos-de-carater-segundo-Reich-MINASI-Elias-VOLPI-Jose-Henrique.pdf “”
[2]: https://ibrath.com/como-wilhelm-reich-contribuiu-para-a-teoria-das-couracas-musculares/ “”
[3]: https://minasi.com.br/2017/12/couracas-musculares-como-nossas-emocoes-se-fixam-em-nosso-corpo/ “”
[4]: https://www.centroreichiano.com.br/artigos/Artigos/Os-sete-segmentos-de-couracas-e-seus-bloqueios-luisa-fragoso-e-jose-henrique-volpi.pdf “”

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Posso ter ódio? https://minasi.com.br/posso-ter-odio/ https://minasi.com.br/posso-ter-odio/#respond Sat, 09 Dec 2023 14:43:50 +0000 https://minasi.com.br/?p=3210 Costumamos associar a palavra ódio à ideia de uma maldição perigosa da qual devemos fugir o mais rápido possível. Da mesma forma, muitas vezes ouvimos dizer que o ódio é tóxico para os seres humanos e que torna praticamente impossível curar as feridas da infância. Como me afasto francamente desta opinião comum, sou muitas vezes mal compreendido. Assim, todos os meus esforços para esclarecer este fenómeno e aprofundar esta noção não tiveram, até agora, grande sucesso.

Por esta razão, a quem quiser acompanhar-me nestas investigações, recomendo a leitura prévia do capítulo do meu livro, “A Origem do Ódio”, intitulado: Como o Ódio é Engendrado?

Penso também que o ódio pode envenenar um organismo, mas apenas se for inconsciente e o dirigirmos para pessoas substitutas, ou seja, para bodes expiatórios. Pois desta forma não pode ser extinto. Se odeio os trabalhadores migrantes, por exemplo, mas não consigo permitir-me ver como os meus pais me maltrataram na minha infância, deixando-me chorar durante horas e horas quando eu era apenas um bebé ou quando nunca me olharam com amor, então eu sofro de um ódio latente que pode me acompanhar por toda a vida e causar diversos transtornos psicológicos. Mas se eu souber o que meus pais me infligiram ignorantemente e puder ficar conscientemente indignado com o comportamento deles, não precisarei mais direcionar meu ódio para outros substitutos. Com o tempo, o ódio que sinto pelos meus pais pode desaparecer ou mesmo desaparecer por períodos, apenas para ser reativado com novos acontecimentos ou novas memórias. O que muda é que agora sei o que está acontecendo comigo. Conheço-me bem o suficiente para identificar os sentimentos que estou vivenciando.

Se integro meu ódio, não tenho mais necessidade de ferir ou matar ninguém, simplesmente para satisfazê-lo.

Alice Miller

Há pessoas que até demonstram gratidão aos pais por terem batido neles ou que afirmam ter esquecido há muito tempo a brutalidade ou a violência sexual que sofreram, perdoaram os seus “pecados” aos pais se tiverem o hábito de rezar, mas não são incapazes de educar seus filhos de outra forma que não seja através da violência. Todo pedófilo ostenta seu amor pelas crianças, ignorando que no fundo se vinga do que lhe fizeram quando era pequeno. Mesmo sem ter consciência de seu ódio, vive sob seu domínio.

Este ÓDIO LATENTE E TRANSFERIDO é muito perigoso e difícil de extinguir, pois não é dirigido a quem o causou, mas a um substituto. Pode durar uma vida inteira para se manifestar em diversas formas de perversão e constitui um perigo para o meio ambiente e, em certos casos, para si mesmo.

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O ódio latente pode ser transferido para outras pessoas.
Photo by Karolina Grabowska on Pexels.com

Isso é completamente diferente do ÓDIO REATIVO CONSCIENTE, que como qualquer outro sentimento desaparece quando é vivido. Se um dia, por outro lado, descobrirmos que fomos maltratados pelos nossos pais, o ódio não tardará a chegar, aparecerá apesar de nós. Como já disse, isso poderá atenuar-se com o tempo, mas o caminho será sinuoso. O quadro dos abusos sofridos na infância não aparece de uma só vez, é um longo processo durante o qual novos aspectos vão surgindo aos poucos na consciência, provocando novos ataques de ódio. Mas isso não é nada perigoso. É a consequência lógica do ocorrido e que só se torna perceptível quando se é adulto, pois a criança não teve outra escolha senão sofrer durante anos em silêncio.

Tal como o ódio reativo aos pais e o ódio latente dirigido a um bode expiatório, existe o ódio JUSTIFICADO que sentimos por uma pessoa, que nos corrói física e mentalmente e nos domina sem que nos consigamos libertar ou pelo menos acreditemos então. Enquanto estivermos sob sua dependência, ou assim acreditamos, necessariamente o odiaremos. É inconcebível que um indivíduo torturado não sinta qualquer ressentimento contra o seu algoz. Se você não permitir esse sentimento, sofrerá sintomas corporais. As biografias dos mártires cristãos testemunham a descrição de doenças terríveis, muitas vezes – caracteristicamente – de natureza dermatológica. O corpo defende-se assim da traição de si mesmo, uma vez que os “santos” tiveram que perdoar os seus algozes – mas a sua pele inflamada expôs a intensa raiva reprimida.

Se, no entanto, o interessado conseguir escapar ao poder daqueles que o dominam, não terá mais a necessidade de viver dia após dia com esse ódio. É claro que a memória do seu desamparo e dos tormentos que lhe foram infligidos pode emergir na sua memória, mas a intensidade do ódio irá desaparecer com o tempo (no livro “The Body Never Lies”, esta questão é discutida com mais detalhes).

O ódio é um sentimento forte e dinâmico, um sinal da nossa vitalidade. Por isso, se o reprimimos, pagamos com o nosso corpo. Como o ódio nos fala das nossas feridas e também de nós mesmos, dos nossos valores e do nosso tipo de sensibilidade, devemos aprender a ouvir e compreender o significado da sua mensagem. Se conseguirmos isso, não teremos mais medo. Se, por exemplo, não suportamos a hipocrisia e as mentiras, permitir-nos-emos combatê-las sempre que possível ou distanciar-nos-emos de pessoas que só acreditam em mentiras. Mas se, pelo contrário, agirmos com indiferença, traímo-nos a nós mesmos. Uma traição encorajada pela exigência quase geral, embora destrutiva, de perdão. 

Contudo, está amplamente demonstrado que nem as orações nem os exercícios de auto-sugestão com “pensamentos positivos” são capazes de abolir as justificadas reações vitais do corpo contra as humilhações e outras feridas precoces à integridade da criança. As horríveis doenças dos mártires mostram claramente o preço que pagaram por negarem os seus sentimentos. Não seria mais fácil perguntar quem odiamos e ver os motivos que motivam esse ódio? Então, com efeito, poderemos conviver com os sentimentos que temos como seres responsáveis, sem negá-los e ter que pagar, por essa atitude “virtuosa”, com a nossa saúde.

um garoto atravessa uma ponte segurado pela mão
A terapia integra meus sentimentos, Photo by Oleksandr P on Pexels.com

Eu ficaria desconfiado se um terapeuta me prometesse que no final da terapia (e sem dúvida graças ao perdão) meus sentimentos indesejados de raiva, fúria e ódio acabariam. O que acontecerá comigo se eu não puder mais ficar com raiva ou enfurecido com a injustiça, a fraude, a maldade ou a estupidez proferidas com arrogância? Isso não seria uma mutilação da minha vida emocional? Se a terapia realmente me ajuda, devo antes ter acesso a TODOS os meus sentimentos pelo resto da vida e acesso consciente à minha história, onde encontrarei a explicação para a intensidade das minhas reações. Uma vez conhecidas as razões, a intensidade diminuirá rapidamente sem deixar marcas dramáticas no meu corpo (ao contrário da repressão de emoções inconscientes excessivas).

A terapia adequada me ensina a compreender meus sentimentos e a não condená-los, a considerá-los como meus aliados protetores em vez de temê-los e a vê-los como inimigos que devem ser combatidos. Mesmo quando foi isso que nos ensinaram os nossos pais, professores e sacerdotes, temos que tentar abrir os olhos de uma vez por todas para ver que esta automutilação que praticaram é perigosa. Nós próprios fomos suas vítimas.

Em qualquer caso, não são os nossos sentimentos que constituem um perigo para nós mesmos e para o nosso ambiente, mas sim o fato de, por medo, nos desligarmos deles. E é esta desconexão que produz acessos de loucura homicida, ataques suicidas incompreensíveis e o facto de inúmeros tribunais nada quererem saber sobre os verdadeiros motivos de um ato criminoso, para proteger os pais do criminoso de levantarem o véu sobre sua própria história.

Alice Miller
Traduzido do francês para o espanhol por Rosa Barrio

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Infância – Relacionamentos que impactam para sempre. https://minasi.com.br/infancia-relacionamentos-que-impactam-para-sempre/ https://minasi.com.br/infancia-relacionamentos-que-impactam-para-sempre/#respond Wed, 06 Dec 2023 20:02:42 +0000 https://minasi.com.br/?p=3201 Você já se perguntou como as experiências que você teve na infância com seus pais afetam a sua personalidade de adulto? Neste post, vamos explorar como a relação com a mãe e o pai pode influenciar o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças e como isso se reflete na vida adulta.

A relação com a mãe é uma das primeiras e mais importantes fontes de afeto, segurança e aprendizagem para as crianças. A mãe é quem oferece o cuidado, o conforto e a proteção nos primeiros anos de vida, criando um vínculo afetivo que serve de base para as futuras relações. A qualidade desse vínculo pode variar de acordo com o estilo de apego que se estabelece entre a mãe e o filho. O apego seguro é aquele em que a criança se sente confiante, amada e apoiada pela mãe, podendo explorar o mundo com autonomia e curiosidade. O apego inseguro é aquele em que a criança se sente ansiosa, rejeitada ou negligenciada pela mãe, tendo dificuldades para se relacionar com os outros e consigo mesma.

A relação com o pai também é fundamental para o desenvolvimento infantil, mas de uma forma diferente da relação com a mãe. O pai é quem estimula a criança a enfrentar os desafios, a desenvolver a autoestima e a independência. O pai é quem ensina as regras, os limites e os valores sociais, ajudando a criança a se adaptar ao seu meio. A qualidade dessa relação pode variar de acordo com o grau de envolvimento, afetividade e autoridade que o pai exerce sobre o filho. Uma relação positiva é aquela em que o pai é presente, carinhoso e firme, respeitando as necessidades e as características da criança. Uma relação negativa é aquela em que o pai é ausente, indiferente ou autoritário, impondo suas expectativas e desejos sobre o filho.

As experiências infantis com a relação com a mãe e o pai podem ter uma influência duradoura na personalidade de adulto. As pessoas que tiveram um apego seguro com a mãe tendem a ser mais confiantes, sociáveis e empáticas, capazes de estabelecer relações íntimas e satisfatórias. As pessoas que tiveram um apego inseguro com a mãe tendem a ser mais inseguras, isoladas e ansiosas, podendo apresentar problemas de autoestima, depressão ou dependência emocional. As pessoas que tiveram uma relação positiva com o pai tendem a ser mais independentes, assertivas e responsáveis, capazes de enfrentar os obstáculos e alcançar seus objetivos. As pessoas que tiveram uma relação negativa com o pai tendem a ser mais dependentes, passivas ou rebeldes, podendo apresentar problemas de comportamento, agressividade ou dificuldade de aprendizagem.

É claro que essas são generalizações e que existem muitos outros fatores que podem influenciar a personalidade de adulto, como os traços genéticos, as características individuais, as experiências escolares, as amizades, os eventos traumáticos, etc. Além disso, as pessoas podem mudar ao longo da vida, superando ou modificando os padrões aprendidos na infância. No entanto, é importante reconhecer como as experiências infantis com a relação com a mãe e o pai podem ter um impacto significativo na forma como nos vemos e nos relacionamos com os outros.

E você? Como foi a sua relação com os seus pais na infância? Como você acha que isso afeta a sua personalidade de adulto? Compartilhe conosco nos comentários!

Bibliografia:

  • Volpi & Volpi – Crescer é uma Aventura
  • Reichert, Evânia – Infância, a idade sagrada
  • Reich, Wilhelm – Análise do Caráter
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A cura pela relação – Antífon https://minasi.com.br/a-cura-pela-relacao-antifon/ https://minasi.com.br/a-cura-pela-relacao-antifon/#respond Wed, 13 Sep 2023 14:18:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=3163 Antífon foi um filósofo grego que viveu supostamente no século quarto antes de cristo. Inimigo de Platão, incluído na ignóbil categoria de pré-socrático, foi um sofista, mestre da retórica e da persuasão. Atomista – corrente filosófica precursora do materialismo atual – ele é o pai fundador da psicanálise. Embora pelo que eu saiba, nos escritos de Freud não haja nenhuma citação a ele, é inegável seu paternalismo. Vejamos.

Como todo atomista, Antífon estava convencido de que tudo que existia era átomos em movimento. Toda a matéria era constituída por eles – unidade mínima e indivisível de real. Inclusive o corpo e a alma. O pensamento, que é uma atividade da alma, também nada mais é que átomos em movimentos. Ora, se tudo é átomos em movimento, não há diferença – no meu caso – entre defecar e pensar…

Bem, continuando, a felicidade consistia em uma vida plena de harmonia, de paz, sossego e tranquilidade. Para se chegar a esse estado era preciso que o pensamento se livrasse de suas contradições, de seus conflitos internos, de suas perturbações. O papel da alma seria evitar esse combate que muitas vezes travamos dentro de nós. Ora querido leitor, diga, você nunca passou por isso? Desejo mas não posso, quero mas não é meu, ardo de paixão, alguém chegou primeiro, a angústia de decidir entre a diversão e o repouso…Quando se vive nesse fluxo de frustrações, de castrações, de desejos enterrados e jamais alcançáveis, o corpo é quem sofre. Ficamos tristes, doentes e às vezes até morremos. Por que?

Para Antífon, alma e corpo eram arranjos atômicos. Os átomos do pensamento se arranjavam de duas formas: alguns na parte iluminada da alma, outros na parte escura. A parte iluminada é aquela que nos permite flagrar esses pensamentos – não era o termo de Antífon, mas é inegável a semelhança com a consciência. E a parte escura, aquela onde habitavam os pensamentos que não temos consciência. Ele afirmava que: 1) o sofrimento do homem advém da alma. 2) especificamente da parte obscurecida.

Ele então abre na cidade de Corinto, na Grécia, uma espécie de hospital para curar a alma das pessoas. Não havia sombra de dúvidas de que esta podia ser acessada e esse acesso se dava por meio da linguagem, do discurso, da fala. Na primeira parte do tratamento, Antífon deixava o paciente falar, sem roteiro prévio, livremente, o que viesse à cabeça dele. Depois iniciava uma espécie de terapia verbal para curá-lo. Falando, o paciente moveria os átomos da parte escurecida da alma e os levaria a parte iluminada. A linguagem cria representações – isto é, põe no lugar de uma coisa ausente, outra coisa – permitindo a identificação dos pensamentos causadores do sofrimento e sua cura. Outro artifício, pasmem, era a interpretação dos sonhos. Não que o sonho tivesse uma verdade em si mesmo, mas, regido por uma rede de causalidades, e que adquiria significado a partir da interpretação de Antífon. É interessante notar que os sofistas eram exímios mestres da oratória e do convencimento, habilidades essas que certamente facilitaram muito o trabalho dele.

Como todo sofista, Antífon foi execrado e condenado ao limbo do esquecimento pela filosofia oficial dominante. Seu único escrito, A arte de combater a tristeza, desapareceu e o pouco que sabe sobre sua biografia chegou-nos através de historiadores como Diógenes Laércio. No entanto, suas ideias permanecem curiosíssimas, para além da Contra-história da Filosofia.

Fonte: ANTÍFON E O HOSPITAL DA ALMA, de Fabio Ximenes

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Molduras para pessoas – traços de caráter https://minasi.com.br/molduras-para-pessoas-tracos-de-carater/ https://minasi.com.br/molduras-para-pessoas-tracos-de-carater/#respond Fri, 11 Aug 2023 12:34:58 +0000 https://minasi.com.br/?p=3136

As manifestações individuais presentes no coletivo muitas vezes nos deixam perplexos. Como uma pessoa pode agir ou reagir desta ou daquela forma? O que acontece para que seja assim? Como podemos melhorar interna e externamente, tornando o ambiente mais fluido e menos burocrático ou agressivo?

A resposta está em nosso desenvolvimento mais primitivo, em nossa infância.

Os traços de caráter são marcas e soluções que conseguimos implementar em nossa infância, para lidar com a dor da castração à nossa potência ou ausência do amor. Eles são como as guias que colocamos em nosso cão de estimação para que ele faça o que desejamos ou nos obedeça. De certa forma, na infância, como nossos genitores não conseguiram lidar com a energia livre da criança, dando contornos seguros para que ela pudesse se desenvolver de forma livre, desenvolvendo uma moral natural através da ética, acabam por nos colocar essas “guias” que Wilhelm Reich chamou de couraças musculares de caráter.

cachorro sendo segurado pela guia
O traço de caráter é uma contenção de nossa energia

Então, tanto o aspecto comportamental, sentimental e de pensamento coincidem com as couraças musculares no sentido de conduzir a criança à submissão. Esse congelamento da energia imposto pelos pais produzem na criança acomodações físicas e psíquicas para que o sofrimento seja menor. Isto ocorre no amadurecimento do aparato muscular, cada fase ligada ao segmento que está energeticamente sendo aprontado.

Isto, coloca a criança diretamente ligada ao seu corpo e sujeita à sua relação com as figuras materna e paterna. Aqui não falamos de trauma mas de um treinamento constante, diário, de submissão insistente, de forma a moldar corpo e psique. Cada fase deste desenvolvimento vai liberar ou constranger energia e ação.

Com o passar dos anos esta forma de moldar corpo e psique se torna permanente formando o traço do caráter que acompanhará a pessoa por toda a sua vida. Isto é como uma escala que se movimenta: podendo ser momentos de maior ou menor intensidade na manifestação da couraça do caráter.

Com os traços de caráter aprendemos a nos socializar

Podemos citar os principais traços:

Compulsivo – se fixando até aproximadamente 4 anos

Masoquista – se fixando até aproximadamente 4 anos

Fálico – se fixando até aproximadamente na adolescencia

Histérico – se fixando até aproximadamente na adolescencia

Cada um desses traços de estrutura neurótica pode ser misturado entre si e tomar uma intensidade, com um ou outro se tornando mais presente, dependendo de como a criança se sentiu em cada fase do seu desenvolvimento, em relação à pressão que sofria para se adequar ao sistema da família e à sociedade.

Estes traços podem se manifestar em uma estrutura neurótica ou uma cobertura para uma estrutura limítrofe, onde a base dos problemas está num momento mais primitivo do desenvolvimento infantil, onde o aparato muscular não tinha capacidade de suportar a carga de adaptação necessária.

Estas estruturas pressupõem formas de relação com as figuras de autoridade a partir da experiência com as figuras materna e paterna, produzindo adesões ou rompimentos quando se alcança a idade adulta. Refletindo nas relações suas experiências de adaptação.

Todo este processo é inconsciente, ou seja não há participação da vontade e decisão, mas como o próprio Reich o definiu, uma reação do corpo, que é o próprio inconsciente frente à pressão para se ajustar. Então, podemos dizer que mesmo as reações adultas são inconscientes ou comandadas por esta instância.

Estes traços vão marcar a forma como o individuo vai se relacionar nas relações mais íntimas, familiares e também na sua interação social, dentro do mundo do trabalho e sociedade. Isto vai constituir uma personalidade ou um jeito de funcionar externamente que de certa forma, estará tentando evitar aquela pressão e angústia enfrentada na sua infância, dentro do sistema familiar. Toda a sua busca será por nunca entrar neste conflito, que para o inconsciente tem perigo de sofrimento e morte.

Dentro do ambiente de trabalho, pode se submeter às pessoas, tentando não mostrar raiva ou qualquer atitude que resguarde seu campo. Tal submissão pode demonstrar uma polidez externa, que cobre um ódio e raiva enorme interior. Sorrisos, cooperação, aceitações incondicionais, pouca ou nenhuma manifestação de seus desejos ou pensamentos, evitação, formação de grupos de resistência, liderança democrática, onde não é aplicável, etc…

De outro lado está a raiva exposta, imposição de suas vontades, conflitos abertos e sem solução, vinganças, lideranças ditatoriais, onde não é aplicável, exigências absurdas de produtividade, utilização de imagem pessoal como opressão do outro, etc…

E ainda resta a sedução, os jogos dúbios, os convencimentos elogiosos falsos, a malemolência, etc…

São todas manifestações dos traços de caráter diante de sistemas de relações no trabalho e na sociedade.

A forma de sair destes comportamentos e condicionados é movimentar a couraça, sair do congelamento que ainda funciona sobre a pessoa, assumindo riscos em enfrentar a sua dor interior para que também o grupo se beneficie de seu movimento. A couraça corporal de caráter é um congelamento evitativo da dor, quanto mais se movimenta e flexibiliza, mais energia e movimento se ganha o individuo e a comunidade.

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Minha mãe é narcisista? Será? E, agora? https://minasi.com.br/minha-mae-e-narcisista-e-agora/ https://minasi.com.br/minha-mae-e-narcisista-e-agora/#respond Mon, 20 Jun 2022 13:54:28 +0000 https://minasi.com.br/?p=2884 “Você só está vivo(a) graças a mim”. “Você me deve”. “Você não valoriza nada do que eu faço para você”. “Você não faz nada direito”. “Quando eu tinha a sua idade, já tinha feito mais e melhor”. Mães que usam frases como essas de forma recorrente apresentam uma chance de serem narcisistas ou de terem traços de narcisismo, sabia? E mais: há ainda uma probabilidade de que os indivíduos que ouvem declarações do tipo repitam o padrão com seus próprios filhos. “Uma pessoa narcisista tem traços de egocentrismo, de uma visão hiperinflada a respeito dela própria. Ela se supervaloriza sempre, em qualquer situação”, explica o psicanalista Artur Costa, professor da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica (ABPC).

O nome vem da mitologia grega. Narciso era um belo jovem que, ao ver seu reflexo sobre um lago, apaixonou-se tão perdidamente por si mesmo, que caiu nas águas profundas e morreu afogado. “Existem pessoas que têm traços narcisistas em alguns momentos e ambientes, e pessoas que desenvolvem o transtorno psiquiátrico mesmo”, diferencia o especialista.

Quando esse traço ou esse transtorno se aplica a uma mãe, as consequências podem ser graves e, como já mencionamos, até levadas de geração a geração, perpetuando o problema. “Grande parte dos traumas acontece na infância e uma mãe narcisista pode causar traumas extremamente profundos nos filhos, mesmo enquanto eles ainda são muito pequenos. O dano é realmente muito potente e vai se refletir na vida adulta, inevitavelmente”, aponta Costa.

De acordo com estimativas levantadas nos Estados Unidos e publicadas no periódico científico The Journal of Clinical Psychiatry, a prevalência do transtorno em homens é muito maior – cerca de 75% dos casos diagnosticados são em pacientes do sexo masculino. Mas por que, então, se fala mais de mães narcisistas do que de pais narcisistas? Segundo o psicanalista, os danos são maiores e mais sensíveis nas mulheres justamente por causa da maternidade.

Filhos atingidos por uma mãe narcisista não tratada vão transferir algumas dessas coisas para os seus futuros filhos também

Ser filho ou filha de uma mãe narcisista: como é?

“A mãe narcisista admira somente a si mesma. Ela pode até admirar outras pessoas, desde que essas outras pessoas se pareçam com ela”, explica o psiquiatra e psicoterapeuta Wimer Bottura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Por isso, uma das características da mãe narcisista é querer ou até exigir que os filhos sejam e ajam exatamente como ela. Se não fizerem dessa forma, deixam, automaticamente, de merecer seu amor e sua atenção. “Ela é centralizadora, manipula, abaixa a autoestima dos outros. Às vezes, usa doenças para controlar quem está à sua volta”, exemplifica Bottura.

Há também as mães que se gabam excessivamente dos filhos e projetam neles tanto suas expectativas como suas frustrações. Elas vivem a vida dos filhos, não voltam para a vida delas, conforme as crianças se desenvolvem”, acrescenta a psicóloga Lígia Dantas, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e criadora do Entra na Roda, um grupo de apoio psicológico online de acolhimento a mães e mulheres.

São mães que olham apenas para si – e querem que todos façam o mesmo, principalmente, o parceiro, a parceira e os filhos. Quando as crianças começam a se desenvolver e a criar interesses diferentes, elas simplesmente não conseguem aceitar. “Já atendi casos em que a sogra, ao passar o fim de semana na casa dos filhos adultos, queria dormir no meio, na cama do casal”, conta Lígia.

Existe também a questão da competição com os filhos, sobretudo na adolescência. Elas querem mostrar que são melhores e que sabem mais. Os sentimentos dos jovens, neste caso, são sempre invalidados.

Por trás desse comportamento…

Por mais paradoxal que pareça, a mãe narcisista tem dificuldade com sua autoestima, por isso, é tão dependente da admiração externa. Muitas vezes, a projeção sobre os filhos (desejar que eles sejam perfeitos, arrumá-los impecavelmente e deixá-los o mais parecido possível com ela) é uma tentativa de fazer com que eles recebam elogios e, assim, saciem seu ego.

“O tempo todo e a qualquer custo, ela vai querer ser reconhecida para suprir esse amor-próprio que não consegue produzir sozinha. Então, sempre vai exigir do parceiro, da parceira, dos filhos, o reconhecimento daquilo que faz e, às vezes, de forma mecânica”, aponta o psicanalista Artur. “O narcisista sempre acha que ele trabalha mais, que o sofrimento dele é legítimo e o do outro não. Muitas vezes, é hipersensível, por tudo se magoa, se fere. Quando começa a sangrar, não para nunca, não suporta uma crítica de qualquer tipo que seja”, acrescenta.

De acordo com o especialista, trata-se de alguém que não consegue se doar, apenas receber doações. “Ela tem dificuldade de ofertar seu tempo para os filhos, porque vai querer que eles, na verdade, deem a ela o máximo de tempo e de atenção. Pode ser abusiva, justamente por se considerar superior. Cria suas próprias regras, exige excessivamente respeito e nunca pede desculpa. Admitir culpa é se diminuir e diminuir a visão que ela tem a respeito de si mesma”, pontua.

Grandes prejuízos e muita terapia

E quais são os reflexos de tudo isso para essas crianças? “O transtorno narcisista na maternidade tem danos gigantescos, até mesmo para a sociedade, porque gera um dano nos filhos e, consequentemente, nos netos. Filhos atingidos por uma mãe narcisista não tratada vão transferir algumas dessas coisas para os seus futuros filhos também”, diz o psicanalista. Está aí, inclusive, uma das explicações mais comuns para uma pessoa narcisista: pode ser que, de alguma forma, ela esteja repassando o que viveu ou, então, usando tais atitudes como um mecanismo de autoproteção.

Tudo isso, enquanto o filho cresce invalidado, tendo suas opiniões e seus desejos atropelados pela “soberania” da mãe. “A criança vai se sentir sempre insegura em tomar suas próprias decisões, vai ficar totalmente dependente dessa mãe”, aponta a psicóloga Lígia. Tal contexto, de acordo com a psicóloga, prejudica as relações sociais e profissionais. “Uma mãe narcisista pode deixar o filho infantilizado também”, complementa.

Quando as crianças crescem e começam a criar novos vínculos, vem um outro momento desafiador. “Às vezes, a mãe ocupa todos os espaços, todas as necessidades. ‘Para que você vai casar? Se relacionar? Tem tudo aqui em casa. Te dou amor, comida’. Ela se acha onipotente”, exemplifica Lígia.

“A mãe narcisista eventualmente quer escolher com quem os filhos vão se relacionar. Eles se veem envolvidos em uma manipulação tão forte, que não conseguem escapar. Há muito dano à liberdade e ao direito de as pessoas fazerem o que têm vontade de fazer”, diz o psiquiatra Wimer Bottura.

Os traços de narcisismo na maternidade trazem prejuízos também para a própria mãe, que, em vez de celebrar, vai sofrer mais a cada passo do filho; que vai ter ainda mais dificuldades nessa missão exaustiva e que exige tanto das mulheres; que fará escolhas muitas vezes desconfortáveis e desvantajosas a ela mesma, apenas para receber elogios e atenção; que precisará lidar com o afastamento das crianças, conforme elas percebem a situação e ganham independência.

Todo mundo é narcisista – e isso pode ser bom!

É importante ressaltar que traços de narcisismo são comuns a todos nósE, em certo momento, especificamente na maternidade, são até essenciais! “Existe uma fase, falando de mães, em que é necessário ser narcisista. É com essa característica que ela vai ler o desejo do bebê a partir da sua experiência”, aponta a psicóloga Lígia.

Segundo a especialista, como o bebê não fala, a mãe pensa, supõe e age para atendê-lo a partir de seus próprios desejos e perspectivas. “É a chamada fase do espelho, em que ela olha para o outro e se vê”, explica a psicóloga. “É um período fundamental para a constituição psíquica do bebê. Sua mãe vai nomeando e ajudando ele a entender o mundo”, explica.

A psicóloga afirma que esse é um processo necessário e, caso não aconteça, há inúmeros prejuízos – por exemplo, a não criação de vínculo entre os dois. “Só que, em determinado momento, isso tem que começar a se deslocar, para que o filho possa se desenvolver. O que acontece com a mãe narcisista é que, muitas vezes, ela acaba vivenciando, olhando aquele filho como uma continuidade dela. Não permite que ele cresça e não volta para a vida dela”, diz.

Como lidar com uma mãe narcisista e o que fazer se você se identificar como uma?

O primeiro desafio é perceber que você é/tem uma mãe narcisista e que certos comportamentos não são normais. Em seguida, é necessário procurar ajuda – tanto sendo filho quanto sendo a mãe. “É preciso buscar uma terapia”, recomenda o psiquiatra Wimer Bottura.

Dizer à mãe que ela é narcisista e que precisa de ajuda é um desafio, já que a mensagem será entendida como uma crítica. Há ainda uma outra questão. Quando ela consegue perceber a existência do problema e se dispõe a fazer um tratamento, vem outra etapa nada simples: provavelmente, a mãe narcisista achará defeitos em todos os profissionais com quem conversar. “Ela vai admirar o terapeuta enquanto ele a admira. Quando ele começar a confrontá-la, ela vai querer fugir e tentar encontrar outro. É preciso ter muita habilidade”, afirma o psiquiatra.

Não se trata de um processo fácil, mas o resultado tende a ser bastante compensador para todos. Se, de alguma forma, você se identificou com o que acabou de ler, pare, reflita e lembre-se: pedir (ou aceitar) ajuda pode fazer toda a diferença.

Artigo publicado no website bebe.com.br, por Vanessa Gomes.

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5 segredos para neutralizar um narcisista https://minasi.com.br/5-segredos-para-neutralizar-um-narcisista/ https://minasi.com.br/5-segredos-para-neutralizar-um-narcisista/#respond Thu, 24 Jun 2021 14:08:14 +0000 https://minasi.com.br/?p=2434 O segredo para neutralizar um narcisista é analisar a veracidade do que ele diz ou faz, sem se deixar enganar pela magia que costuma emanar.

Neutralizar um narcisista não é nada fácil, pois ele é um encantador que desfruta de um apoio social significativo. Conta com diversos recursos que conseguem “encantar”. Além disso, ela não se vê como uma narcisista, mas como o fruto de um feitiço.

No início, o narcisista recebe a admiração dos outros. Ele é um divulgador incansável de seus próprios sucessos, que de fato tende a aumentar além da crença. Se para a maioria das pessoas o ego é o principal ponto de referência, para o narcisista é ainda mais.

Essas pessoas costumam ocupar cargos de chefia. Nesse caso, muitas vezes exercerão seu poder encantador de maneira muito direta. Nesse sentido, eles se cercam de pessoas que os amam para que possam controlá-los com mais facilidade. No entanto, existem maneiras de neutralizar um narcisista .

Pode ser mais fácil do que pensamos. Basta uma boa dose de caráter e determinação. Vamos ver 5 afirmações que podem limitar esses assuntos.

“Você não acha estranho ter fotos suas por todo lado? Parece que está tentando provar que existe.”

-Candace Bushnell-

1. “Não“, a palavra mágica que pode neutralizar um narcisista

O narcisista sempre quer ouvir um sim e que os outros compartilham de seu ponto de vista integralmente. A submissão dos outros lhe garante uma forma de controle. Isso significa que sua influência e poder sobre os outros estão intactos.

A palavra “não” é, portanto, uma das ferramentas para neutralizar um narcisista. Não concordar com ele ou se distanciar de suas afirmações compromete inevitavelmente a ideia que ele terá de nós.  Assim, passaremos em seus olhos para o lado da “ignorância”, pois não podemos ver a realidade.

2. “Eu não acredito em você, me mostre!”

Os narcisistas costumam contar  mentiras  e de maneiras diferentes. Às vezes exagerando ou menosprezando pessoas e situações, outras inventando episódios do zero para elogiar a si mesmo ou denegrir os outros, ou para criar fantasias simples.

Se você estiver na presença de um narcisista e perceber que ele está mentindo, não hesite em questionar suas afirmações. Peça a ele uma prova ou prova de suas palavras. Liste os argumentos que o fazem questionar a veracidade de suas declarações. Ele provavelmente vai reagir indo embora. Em qualquer caso, você deve ter deixado claro que não está disposto a aceitar todas as afirmações pelo seu valor nominal.

3. “Você não é superior aos outros”

Implícita ou explicitamente,  o narcisista quer provar que é superior. Ele sempre deixa entender que sabe mais ou que sabe fazer melhor, que é capaz de pensar maior e que sempre se dá melhor do que as pessoas ao seu redor.

Ele deve ser lembrado de que embora seja capaz de fazer, dizer ou pensar com maior destreza, ele não é superior aos outros. Diga a ele que qualquer pessoa com bom treinamento e nas circunstâncias certas pode se destacar em sua área de especialização. E que se nos sobressairmos em um campo, certamente haverá outro para o qual não somos adequados. Além disso, isso faz parte da natureza humana.

4. “Não tenho medo de você!”

A melhor maneira de neutralizar um narcisista é não ter medo dele. Essas pessoas se apoderam das inseguranças e medos das outras pessoas . Têm sempre o cuidado de descobrir os pontos fracos das pessoas à sua volta para poderem atingi-los. Eles não poupam os golpes baixos, tentando destacar as fraquezas dos outros, apenas para fazer os outros se sentirem mais inseguros.

Não tolerar seus ataques e questionar suas afirmações é uma forma de mostrar que você não tem medo deles. Fique à vontade para deixar o narcisista se ofender. Não permitir que seus golpes baixos caiam é a melhor maneira de contra-atacá-lo. Um narcisista não sabe lidar com quem não tem medo dele.

5. “Não mude de assunto!”

O narcisista sempre quer vencer. Se discutir, ele percebe que está errado, para não concordar com seu interlocutor ele vai mudar de assunto. Se ele cometer um erro óbvio, tentará desviar a atenção para outra coisa. Eles geralmente são muito bons em manipular situações.

Se você costuma lidar com um narcisista, precisa impedi-lo de procurar espelhos ou de se confundir com suas conversas. Traga a conversa de volta ao tópico principal.  Ele provavelmente nunca admitirá seu erro, mas compreenderá que não pode manipulá-lo.

Neutralizar um narcisista não é fácil. São necessários  coragem , inteligência e determinação. Porém, vale a pena tentar porque equivale a não ser vítima de manipulação e a ter relações sociais mais saudáveis. O narcisista não se sente à vontade consigo mesmo e, ao não admitir, tenta usar os outros. Não me deixe fazer isso com você.

Artigo publicado na revista La mente é Maravigliosa, com tradução livre.

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