borderline https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Sat, 09 Dec 2023 14:43:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 borderline https://minasi.com.br 32 32 103183256 Posso ter ódio? https://minasi.com.br/posso-ter-odio/ https://minasi.com.br/posso-ter-odio/#respond Sat, 09 Dec 2023 14:43:50 +0000 https://minasi.com.br/?p=3210

Costumamos associar a palavra ódio à ideia de uma maldição perigosa da qual devemos fugir o mais rápido possível. Da mesma forma, muitas vezes ouvimos dizer que o ódio é tóxico para os seres humanos e que torna praticamente impossível curar as feridas da infância. Como me afasto francamente desta opinião comum, sou muitas vezes mal compreendido. Assim, todos os meus esforços para esclarecer este fenómeno e aprofundar esta noção não tiveram, até agora, grande sucesso.

Por esta razão, a quem quiser acompanhar-me nestas investigações, recomendo a leitura prévia do capítulo do meu livro, “A Origem do Ódio”, intitulado: Como o Ódio é Engendrado?

Penso também que o ódio pode envenenar um organismo, mas apenas se for inconsciente e o dirigirmos para pessoas substitutas, ou seja, para bodes expiatórios. Pois desta forma não pode ser extinto. Se odeio os trabalhadores migrantes, por exemplo, mas não consigo permitir-me ver como os meus pais me maltrataram na minha infância, deixando-me chorar durante horas e horas quando eu era apenas um bebé ou quando nunca me olharam com amor, então eu sofro de um ódio latente que pode me acompanhar por toda a vida e causar diversos transtornos psicológicos. Mas se eu souber o que meus pais me infligiram ignorantemente e puder ficar conscientemente indignado com o comportamento deles, não precisarei mais direcionar meu ódio para outros substitutos. Com o tempo, o ódio que sinto pelos meus pais pode desaparecer ou mesmo desaparecer por períodos, apenas para ser reativado com novos acontecimentos ou novas memórias. O que muda é que agora sei o que está acontecendo comigo. Conheço-me bem o suficiente para identificar os sentimentos que estou vivenciando.

Se integro meu ódio, não tenho mais necessidade de ferir ou matar ninguém, simplesmente para satisfazê-lo.

Alice Miller

Há pessoas que até demonstram gratidão aos pais por terem batido neles ou que afirmam ter esquecido há muito tempo a brutalidade ou a violência sexual que sofreram, perdoaram os seus “pecados” aos pais se tiverem o hábito de rezar, mas não são incapazes de educar seus filhos de outra forma que não seja através da violência. Todo pedófilo ostenta seu amor pelas crianças, ignorando que no fundo se vinga do que lhe fizeram quando era pequeno. Mesmo sem ter consciência de seu ódio, vive sob seu domínio.

Este ÓDIO LATENTE E TRANSFERIDO é muito perigoso e difícil de extinguir, pois não é dirigido a quem o causou, mas a um substituto. Pode durar uma vida inteira para se manifestar em diversas formas de perversão e constitui um perigo para o meio ambiente e, em certos casos, para si mesmo.

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O ódio latente pode ser transferido para outras pessoas.
Photo by Karolina Grabowska on Pexels.com

Isso é completamente diferente do ÓDIO REATIVO CONSCIENTE, que como qualquer outro sentimento desaparece quando é vivido. Se um dia, por outro lado, descobrirmos que fomos maltratados pelos nossos pais, o ódio não tardará a chegar, aparecerá apesar de nós. Como já disse, isso poderá atenuar-se com o tempo, mas o caminho será sinuoso. O quadro dos abusos sofridos na infância não aparece de uma só vez, é um longo processo durante o qual novos aspectos vão surgindo aos poucos na consciência, provocando novos ataques de ódio. Mas isso não é nada perigoso. É a consequência lógica do ocorrido e que só se torna perceptível quando se é adulto, pois a criança não teve outra escolha senão sofrer durante anos em silêncio.

Tal como o ódio reativo aos pais e o ódio latente dirigido a um bode expiatório, existe o ódio JUSTIFICADO que sentimos por uma pessoa, que nos corrói física e mentalmente e nos domina sem que nos consigamos libertar ou pelo menos acreditemos então. Enquanto estivermos sob sua dependência, ou assim acreditamos, necessariamente o odiaremos. É inconcebível que um indivíduo torturado não sinta qualquer ressentimento contra o seu algoz. Se você não permitir esse sentimento, sofrerá sintomas corporais. As biografias dos mártires cristãos testemunham a descrição de doenças terríveis, muitas vezes – caracteristicamente – de natureza dermatológica. O corpo defende-se assim da traição de si mesmo, uma vez que os “santos” tiveram que perdoar os seus algozes – mas a sua pele inflamada expôs a intensa raiva reprimida.

Se, no entanto, o interessado conseguir escapar ao poder daqueles que o dominam, não terá mais a necessidade de viver dia após dia com esse ódio. É claro que a memória do seu desamparo e dos tormentos que lhe foram infligidos pode emergir na sua memória, mas a intensidade do ódio irá desaparecer com o tempo (no livro “The Body Never Lies”, esta questão é discutida com mais detalhes).

O ódio é um sentimento forte e dinâmico, um sinal da nossa vitalidade. Por isso, se o reprimimos, pagamos com o nosso corpo. Como o ódio nos fala das nossas feridas e também de nós mesmos, dos nossos valores e do nosso tipo de sensibilidade, devemos aprender a ouvir e compreender o significado da sua mensagem. Se conseguirmos isso, não teremos mais medo. Se, por exemplo, não suportamos a hipocrisia e as mentiras, permitir-nos-emos combatê-las sempre que possível ou distanciar-nos-emos de pessoas que só acreditam em mentiras. Mas se, pelo contrário, agirmos com indiferença, traímo-nos a nós mesmos. Uma traição encorajada pela exigência quase geral, embora destrutiva, de perdão. 

Contudo, está amplamente demonstrado que nem as orações nem os exercícios de auto-sugestão com “pensamentos positivos” são capazes de abolir as justificadas reações vitais do corpo contra as humilhações e outras feridas precoces à integridade da criança. As horríveis doenças dos mártires mostram claramente o preço que pagaram por negarem os seus sentimentos. Não seria mais fácil perguntar quem odiamos e ver os motivos que motivam esse ódio? Então, com efeito, poderemos conviver com os sentimentos que temos como seres responsáveis, sem negá-los e ter que pagar, por essa atitude “virtuosa”, com a nossa saúde.

um garoto atravessa uma ponte segurado pela mão
A terapia integra meus sentimentos, Photo by Oleksandr P on Pexels.com

Eu ficaria desconfiado se um terapeuta me prometesse que no final da terapia (e sem dúvida graças ao perdão) meus sentimentos indesejados de raiva, fúria e ódio acabariam. O que acontecerá comigo se eu não puder mais ficar com raiva ou enfurecido com a injustiça, a fraude, a maldade ou a estupidez proferidas com arrogância? Isso não seria uma mutilação da minha vida emocional? Se a terapia realmente me ajuda, devo antes ter acesso a TODOS os meus sentimentos pelo resto da vida e acesso consciente à minha história, onde encontrarei a explicação para a intensidade das minhas reações. Uma vez conhecidas as razões, a intensidade diminuirá rapidamente sem deixar marcas dramáticas no meu corpo (ao contrário da repressão de emoções inconscientes excessivas).

A terapia adequada me ensina a compreender meus sentimentos e a não condená-los, a considerá-los como meus aliados protetores em vez de temê-los e a vê-los como inimigos que devem ser combatidos. Mesmo quando foi isso que nos ensinaram os nossos pais, professores e sacerdotes, temos que tentar abrir os olhos de uma vez por todas para ver que esta automutilação que praticaram é perigosa. Nós próprios fomos suas vítimas.

Em qualquer caso, não são os nossos sentimentos que constituem um perigo para nós mesmos e para o nosso ambiente, mas sim o fato de, por medo, nos desligarmos deles. E é esta desconexão que produz acessos de loucura homicida, ataques suicidas incompreensíveis e o facto de inúmeros tribunais nada quererem saber sobre os verdadeiros motivos de um ato criminoso, para proteger os pais do criminoso de levantarem o véu sobre sua própria história.

Alice Miller
Traduzido do francês para o espanhol por Rosa Barrio

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A urgência por limites https://minasi.com.br/a-urgencia-por-limites/ https://minasi.com.br/a-urgencia-por-limites/#respond Thu, 25 Nov 2021 13:41:39 +0000 https://minasi.com.br/?p=2633

Toda pesquisa se inscreve em um contexto pessoal e se situa em um contexto social que deve agora ser precisado. Os Ideólogos trouxeram para a França e para a Europa, no fim do século XVIII, a idéia de progresso indefinido: do espírito, da ciência, da civilização. Foi por muito tempo uma idéia geradora. Foi preciso mudar. Se eu devesse resumir a situação dos países ocidentais e talvez de toda a humanidade neste final de século XX, eu destacaria a necessidade de colocar limites: à expansão demográfica, à corrida aos armamentos, às explosões nucleares, à aceleração da história, ao crescimento econômico, a um insaciável consumo, ao crescente distanciamento entre os países ricos e o terceiro mundo, ao gigantismo dos projetos científicos e dos empreendimentos econômicos, à invasão da esfera privada pelos meios de comunicação de massa, à obrigação de continuadamente bater os recordes à custa de um super-treinamento, do doping, à ambição de ir cada vez mais depressa, mais longe, cada vez mais caro à custa das aglomerações, da tensão nervosa, das doenças cárdio-vasculares, do desprazer de viver. De colocar limites também à violência exercida.

Para me restringir a um domínio que não me diz respeito apenas como simples cidadão mas do qual faço a experiência profissional qua se quotidiana, a mudança na natureza do sofrimento dos pacientes que procuram uma psicanálise é significativa nestes trinta anos em que exerço esta terapêutica e tem sido confirmada por meus colegas. No tempo de Freud e das duas primeiras gerações de seus continuados, os psicanalistas se ocupavam de neuroses caracterizadas, histéricas, obsessivas, fóbicas ou mistas. Hoje, mais da metade da clientela psicanalítica é constituída pelo que se chama estados limite c/ou personalidades narcísicas.

Etimologicamente, trata-se de estados no limite da neurose e da psicose e que reúnem traços destas duas categorias tradicionais. Na verdade, estes doentes sofrem de uma falta de limites: incertezas sobre as fronteiras entre o Eu psíquico e o Eu corporal, entre o Eu realidade e o Eu ideal, entre o que depende do Self e o que depende do outro, bruscas flutuações destas fronteiras, acompanhadas de quedas na depressão, indiferenciação das zonas erógenas, confusão das experiências agradáveis e dolorosas, não distinção pulsional que faz sentir a emergência de uma pulsão como violência e não como desejo, vulnerabilidade à ferida narcísica devido à fraqueza ou às falhas do envelope psíquico, sensação difusa de mal-estar, sentimento de não habitar sua vida, de ver de fora funcionar seu corpo e seu pensamento, de ser o espectador de alguma coisa que é e que não é sua própria existência.

Assim, uma tarefa urgente, psicológica e socialmente, parece ser a de reconstruir limites, refazer fronteiras, reconhecer territórios habitáveis e onde se possa viver – limites, fronteiras que ao mesmo tempo instituam diferenças e permitam mudanças entre as regiões (do psiquismo, do saber, da sociedade, da humanidade) assim delimitadas.

Didier Anzieu – O Eu Pele

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Acabou o tempo! https://minasi.com.br/tempo/ https://minasi.com.br/tempo/#respond Thu, 16 Apr 2020 01:04:15 +0000 https://minasi.com.br/?p=1923

2020 – a hora dos limites

por Genovino Ferri

1) Acabou o tempo para o estilo relacional atual

Acabou o tempo do estilo relacional da humanidade, atualmente dominante em nosso planeta, com seu fálico reativo, prevalência de traços de uma oralidade insatisfeita, cada vez mais borderline e narcísica. Produziu o colapso entrópico em que encontramos o Corpo Social Vivo de hoje.

Agora precisamos de outros padrões de características e outros estilos relacionais, com um modo diferente em nossa relação com o Mundo que não seja eu!

Os padrões agressivamente possessivos do “MEU”!, da falta de respeito pelo outro e pela negligência empática estão em crise e que, em uma escala maior (sistemas sociais complexos e vivos), produzem riquezas obtusas e “neoplásicas”. O padrão desta cegueira significa que eles são incapazes de visualizar toda o relacionamento com o Objeto, apenas observa as suas partes e devora-as.

Essa cegueira não permite que o Outro Sujeito seja sentido, polarizando demais por si mesmo, além do limiar, com uma fome insaciável.

O planeta está vivo e a biosfera, o lugar da entropia negativa (os 10 quilômetros acima de nós é onde a entropia diminui) e da fotossíntese (processo pelo qual a Vida na Terra se originou), pode ser comparado com um sistema termodinâmico fechado.

Na biosfera, o fluxo negentrópico contínuo permite a criação e manutenção do complexo, estruturas dissipativas abertas que são organismos vivos.

Um “Zé Ninguém”, que só existe há dois milhões de anos, que é “apenas agora” em termos de tempo em si, esperava poder brincar com os equilíbrios antigos. Felizmente, porém, a natureza também tem sabedoria e seus próprios limites inteligentes.

O “Limite Divino” foi atingido por alguns dos padrões de ação deste “Zé Ninguém” e eles estão desgastados! Outros estão aparecendo, facilitados pela marca catastrófica da Covid-19, o que significa que eles devem ser visto mais e mais.

2) Acabou o tempo da independência

Somos dependentes da biosfera e não somos outra coisa senão ela. Construir inteligentemente junto com os nossos em nossa biosfera pode, ou não, parecer uma ideia atraente, mas absolutamente deve ser feita!

“Dependência-interdependência” é um daqueles binômios com os quais devemos fazer as pazes, mantendo os limiares “normais” do seu espectro. Somente através dessas limitações é possível produzir entropia negativa, porque, acima ou abaixo, esses limites produziriam apenas entropia. Na realidade, seres vivos e biosfera são interdependentes.

Biosfera

Todos os seres vivos vivem no mesmo espaço, estão no mesmo campo e respiram a mesma atmosfera do planeta Terra. No momento, precisamos da inteligência de um homo sapiens sapiens e da capacidade de “inter-legere”, ou seja, ler interpretativamente, através das lentes da complexidade sobre nossa responsabilidade de respeitar o meio ambiente e todos os outros sistemas vivos. Em particular, devemos realmente levar em conta nossa responsabilidade de respeitar a própria Terra, da qual a Vida emerge. Isto é indispensável e será decisivo, antes de tudo para nós!

Não podemos continuar produzindo as mudanças climáticas que estão tornando nossa atmosfera cada vez mais tóxica e destruindo os habitats de tantas espécies vivas, que, como nós, são habitantes desse maravilhoso planeta.

Mudanças caóticas geralmente favorecem resultados imprevisíveis, mas neste caso certamente há uma alta probabilidade do “homo”, supostamente, “sapiens sapiens” perder-se mais e mais em seu papel na evolução.

A interdependência é um processo circular e tornar a biosfera cada vez mais tóxica produz efeitos negativos para todos os seres vivos, incluindo o homem, que hoje não tenho problemas em diagnosticar como tendo um “sistema imunológico deprimido”.

O termo “tóxico” também é infelizmente apropriado, porque a palavra “vírus” em si significa etimologicamente “toxina” ou “veneno”.

3) Acabou o tempo para a dopamina (DA) e o Complexo Reptiliano

Agora, o psiquiatra clínico em mim está pedindo para falar, tendo ouvido a palavra “deprimido”.

Em outras obras, descrevi o Corpo Social Vivo como sendo afetado por uma alarmada depressão mascarada pela aceleração.

Em termos simples e diretos, a dopamina (DA), que é o neuromediador responsável pela Ação, tornou-se hiper-ativada como resposta à depleção de serotonina (5HT), que é o neuromediador responsável por Afetividade.

Clinicamente, o medo está associado a um estado depressivo que aumenta os níveis de noradrenalina (NA), o neuromediador responsável pelo Alarme, que, por sua vez, completa a circularidade ao hiper-ativar o DA (dopamina).

Os três neuromediadores são interdependentes de maneira triangular, que deve ser respeitado. A aceleração dopaminérgica está além do limite. Alerta vermelho!

Os três cérebros também são interdependentes. A aceleração cognitiva pré-frontal (cérebro Neo-cortex) informa o status de alarme do “locus coeruleus” (cérebro do Complexo Reptiliano) e da amígdala, a área do cérebro que registra medo extremo. Isso é feito, de fato, ignorando o giro cingulado (cérebro límbico), que normalmente registra e modula relacionamentos afetivos.

Essa interação triádica do cérebro não está mais bem balanceada, produzindo uma dissociação cognitiva dos sentimentos, que favorece o domínio de padrões relacionais reptilianos, cada vez mais agressivos. Estes padrões, por si mesmos, informam e dominam a subjetividade e não são atenuados pela empatia e pela inteligência orbito frontal.

Os três cérebros são interdependentes. e eles representam outro triângulo a ser respeitado. O Reptiliano – O cérebro complexo, com seus padrões primitivos, não mantém relacionamentos – foi além do limite no seu “tudo o que é diferente de mim é um inimigo perigoso e deve ser atacado”. Alerta vermelho!

4) Acabou o tempo para a sociedade líquida

O tempo límbico, para sentir, foi violado – o tempo para os relacionamentos foi violado. Relacionamentos se definem como “com”, como “contato”, como “estar juntos” e foram sobrecarregados por uma quantidade infinita de comunicação que, não sendo relacional, não tem substância ao longo do tempo. Essas comunicações intermináveis ocorrem e começam a desaparecer instantaneamente, como emoções. Não são como sentimentos, que duram.

Não há mais o luxo da “memória” ou do “passado”, havendo apenas uma projeção superficial do futuro, que é, no entanto, dissociativo, agitado e além do limiar. Cega e evita qualquer presença consciente do aqui e agora. Em sua pressa, domina o Corpo Social, interrompendo e inibindo a organização da área torácica. O tórax, ao contrário, seria a principal localização corporal do sentimento e da empatia, mas é liquefeito pelas demandas além do limiar do tempo externo, que rouba a pessoa de seu próprio tempo interno.

A rede de contatos passou (em análise corporal) do quarto nível corporal relacional (tórax) para o primeiro nível corporal relacional (ocular). Sim, houve um aumento de informações, mas, sob aceleração, a rede se dissociou, incapaz de levar tempo para a “Inclusão”, para a “Escuta”, para o “Contar histórias” e para a “Respiração”, todas que tem ritmos mais “humanos”.

O tempo interno, que por ser um fluxo contínuo de energia, permite a estabilidade da identidade, foi interrompido. A solidão e o sentimento de perda surgiram e se tornaram muito mais difundidos à medida que os defeitos do estado da Oralidade insatisfeita do Corpo Social Vivo gritam a sua dor. As novas patologias, do vício às doenças auto-imunes e das doenças cardiovasculares a psiquiátricas estão se espalhando.

No colapso entrópico causado pelo auto-consumo, a sociedade líquida desesperadamente repropõe a si mesma, induzindo estados orais insatisfeitos e defeituosos em indivíduos com inúmeras necessidades e desejos incessantes e que estão em uma corrida compulsiva e precipitada em direção a mega-lucros e a quaisquer objetos associado a um “brilho do símbolo de status”. É um traço de cobertura efêmero, narcisista.

Não dá pra ser feito sem o Tórax!

A sociedade líquida ultrapassou seus limites. Alerta vermelho!

5) Acabou o tempo para a ausência do Tórax

O Onde, o como e o quando de uma patologia guia os pesquisadores e terapeutas em sua supervisão e em suas ações; esta informação permite-lhes perceber o sentido inteligente subjacente de cada condição.

O Tórax pode ser considerado um repositório de limites, fronteiras e de controle. Em termos psicológicos e corporais, o tempo do Tórax tem uma prevalência como nível relacional, na progressão normal dos estágios evolutivos sucessivamente dominantes de cada indivíduo, é a fase muscular. O Tórax parece, obviamente, indispensável tanto para melhorar a respiração e organizar a passagem do músculo liso para o estriado. O tórax é a base negentrópica necessária para lidar com o processo de individuação-separação da mãe, que representa um poderoso imã. O processo de deixar o seio e o olhar da mãe e mirar para cima, em direção a horizontes maiores e mais complexos, requer autonomia organizacional.

O Tóra , ou o quarto nível corporal, foi enfraquecido no Corpo Social Vivo pela modernidade liquefeita e é atualmente um nível corporal relacional muito vulnerável!

A perda, ou importância reduzida, de limites, de regras, do pai e da organização, todos que tem sido desmontados pelo aumento da velocidade do tempo, serve apenas para demonstrar as influências multifacetadas desse processo entrópico. O Corpo Social Vivo foi, em primeiro lugar, arrastado para uma liquidez incontinente da oralidade, depois mais abaixo na rarefação borderline e, hoje, está sem fôlego, sem ar e oxigênio. Esse sintoma testemunha o processo cíclico que a humanidade iniciou em nossa biosfera, como a toxicidade “chega em casa para pousar”.

Pneumonia intersticial, o potencial desenvolvimento clínico grave do COVID-19 é um fator indicativo muito preocupante. Não posso deixar de associá-lo a uma patologia torácica do Corpo Social Vivo. Isso é uma sintomatologia inesperada, causada por um vírus que selecionou precisamente esse habitat no corpo humano para replicar. O vírus não é bom nem ruim, mas certamente garantiria melhor sua própria sobrevivência em um hospedeiro com maior resistência – quando o terreno hospedeiro morre, o parasita geralmente também morre.

Onde – no Tórax; como – invisivelmente; quando – agora. Alerta vermelho!

6) Acabou o tempo para o Superego

O Superego não mora mais na família, mudou-se para a mídia. Isso pôs fim a muitas diferenças preciosas, vitais para garantir a riqueza da diversidade e causaram um aumento significativo na indiferença. O Superego foi contaminado pelo reativo fálico, pelos padrões da oralidade insatisfeita e pelo narcisismo borderline.

Hoje, morando na mídia, o Superego é imprudente, emocionalmente sem instrução, narcisista e exigente; exclui, é mono-direcional, não retribui e é perseguidor.

O Superego de hoje dita os ritmos e a velocidade do tempo externo e (como afirmei em uma entrevista em 2005) está roubando tempo dos relacionamentos, do sistema límbico e da Afetividade. Nós temos uma geração de pais deslocados e impotentes e uma de filhos perdidos, sozinhos, assustados e impulsivos.

De fato, esvaziando a família e rompendo a rede circular que conectava e permitia o “Campo Familiar” com sua própria atmosfera e seus próprios valores delimitados. O novo Superego redireciona os vetores motivacionais para fora da família, em direção a outros objetos a serem desejados e outros pacotes de valores contaminados pelos padrões de traços atualmente dominantes para os quais, Ter é que define o Ser.

O Id, um polo pulsante da personalidade, há milhões de anos, tendo um intenso debate com o Superego, o outro polo, que atesta e censura a personalidade. Quando não está além do limite, essa interação contrabalançada permite, para citar o pai da psicanálise, um ego “normalmente neurótico”, representando uma terceira posição relativamente autônoma, informada pelos dois poderosos imãs polares, entre os quais ele pode se mover. O Id hoje, não tem mais um interlocutor capaz de contê-lo e o ego está perdido, experimentando quase exclusivamente uma poderosa atração narcísica primária.

Permita-me expressar um paradoxo – o Id ultrapassou seus limites – está além do limite. Alerta vermelho!

7) Acabou o tempo da onipotência

E agora, uma cena curiosa, embora dramática. A reunião, neste planeta, do vírus e do homo sapiens sapiens…

Não é sequer certo que o vírus possa ser incluído entre os verdadeiros seres vivos, pois é incapaz de sobreviver autonomamente, incapaz de converter alimentos e é obrigado ao parasitismo, incapaz de se reproduzir sozinho. É o menor e, estruturalmente, um ser muito simples. O homem é o maior, estruturalmente altamente complexo e mil passos negentrópicos evolutivos além…

No entanto, o ser maior sucumbe e pula protetoramente para se fechar em casa!

Outros binômios vêm à mente – dentro e fora, o invisível e o visível, simplicidade e complexidade, micro e macro, distância e contato, individual e compartilhado. No entanto, uma comparação se destaca como sendo extremamente dramático – onipotência e impotência.

O limite nos torna potentes; sua ausência nos torna onipotentes; seu excesso nos torna impotentes.

Como fazemos as pazes com a inteligência funcional dos Limites Divinos? Como trazemos a evolução, a conexão com outros sistemas vivos, a biosfera e o planeta vivo dentro de limites normais, de modo que eles não estejam além do limiar? Como nos mantemos vivos e em contato com os limites inteligentes da vida?

Ao voltar a entrar em nosso Lar e a re-habitar em nosso próprio Tórax … Temos a oportunidade de voltar a um ambiente protegido e redescobrir o reflexo de um campo que conta nossa própria história, tem nossa própria atmosfera para respirar de volta e nossas próprias identidades para animar novamente … É uma oportunidade de ter um novo relacionamento com o exterior, que pode ser co-construtivo, humano e, como tal, inteligente.

Voltar a entrar em nossas casas e re-habitar nossos próprios peitos é uma oportunidade de reconectar coração e mente e redescobrir uma senha extraordinária e revitalizante – Humildade!

A humildade nos permite tornar-nos mais inteligentes e mais potentes; permite um novo relacionamento, entre alturas e profundidades maiores que o Eu, e isso nos permite atravessar, para cima e para baixo, o que este rígido e arrogante pescoço tem causado por onipotência ferida, pescoço castrado estabelecido por impotência acentuada.

Acabou o tempo! Alerta vermelho!

Autor: Genovino Ferri. Publicado no site Somatic Psycotherapy Today Tradução livre.

Referências

  • Bauman, Z. (2003). Modernità Liquida. Bari, Itália, Laterza Ed.
  • Bertalanffy, LV (1971). Teoria generali dei Sistemi. Turim, Itália. Isedi Ed.
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  • Ferri, G. (2017). Sentido corporal , e-book, Roma, Itália. Alpes Ed.
  • Ferri, G. e Cimini G. (2018). Psicopatologia e caráter , e-Book Roma, Itália. Alpes Ed.
  • Ferri, G. e Paiva MJ (2019). Relacionamento com objeto primário: uma nova leitura. Psicoterapia Somática Hoje, 9 (1).
  • Ferri G. e Paiva MJ (2019). Salutogênese e Bem-Estar. Psicoterapia Somática Hoje, 9 (2).
  • Ferri, G. e Paiva MJ (2019). Férias em família: uma oportunidade neguentrópica. Psicoterapia Somática Hoje, 9 (3).
  • Laplanche Pontalis. (1981). Enciclopedia della psicanalisi. Bari, Itália, Biblioteca Universale Laterza.
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  • Valzelli, L. (1976). L’uomo é o retículo. Turim, Itália, CG Med.Scient. Ed.

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Borderline: emoções em descontrole https://minasi.com.br/borderline-emocoes-em-descontrole/ https://minasi.com.br/borderline-emocoes-em-descontrole/#respond Sun, 25 Nov 2018 13:44:20 +0000 https://minasi.com.br/?p=1560 Atualmente, há rumores no campo da saúde mental sobre as implicações negativas do próprio termo, já que muitos o consideram equivocado e repleto de associações negativas. O TPB é muitas vezes não diagnosticado, diagnosticado erroneamente ou tratado inadequadamente (Porr, 2001). Os médicos podem limitar o número de pacientes com TPB em sua prática ou abandoná-los completamente por causa de sua resistência ao tratamento. Se a pessoa com a condição repete o comportamento de autoagressão, a frustração entre a família, amigos e profissionais de saúde aumenta e pode levar à diminuição do atendimento (Kulkarni, 2015).

O TPB é caracterizado por humor, autoimagem, processos de pensamento e relacionamentos pessoais voláteis. Quando incapazes de regular suas emoções, borderlines tendem a se envolver em comportamentos descontrolados, imprudentes e fora de controle, como relações sexuais perigosas, abuso de drogas, jogos de azar, gastos excessivos ou comer compulsivo. Uma característica proeminente do TPB é a incapacidade de regular o humor, que é muitas vezes referida como desregulação do humor.

Os sintomas incluem oscilações de humor rápidas, com períodos de desespero intenso e irritabilidade e/ou apreensão, que podem durar de algumas horas a alguns dias. Indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) ficam sobrecarregados e incapacitados pela intensidade de suas emoções, seja alegria e euforia ou depressão, ansiedade e raiva. Eles são incapazes de gerenciar essas emoções intensas. Quando perturbados, experimentam uma enxurrada de emoções, processos de pensamento distorcidos e perigosos, e mudanças de humor destrutivas que ameaçam a segurança dos outros, assim como de si mesmos.

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Sua abordagem de amor/ódio nos relacionamentos é um processo inteiramente narcisista

Sua abordagem de amor/ódio nos relacionamentos é um processo inteiramente narcisista, já que a direção do relacionamento é sempre determinada pelos sentimentos do borderline em um certo momento. Mas, ao contrário de alguém com um Transtorno da Personalidade Narcisista, uma pessoa com TPB tem capacidade e disposição de ser genuinamente empático, sensível, generoso e altruísta. No entanto, esses atributos positivos não estão isentos de condições; quando o borderline explode com raiva vingativa, tudo o que eles disseram ou deram aos seus amados pode ser retirado em um único surto de agressão.

A vida nos extremos: amor/ódio

Os borderlines experimentam o mundo em extremos: preto e branco ou tudo ou nada. Quando estão felizes, o mundo é um lugar lindo e perfeito. A alegria que eles experimentam é tão perfeita quanto a alegria de qualquer pessoa. Por outro lado, eles experimentam inconscientemente uma raiva imprudente, paranoia e sentimentos de desesperança quando percebem que estão sendo rejeitados ou abandonados.

Seu mergulho em uma fúria tórrida e incontrolável os leva a prejudicar a si mesmos ou aos outros. Em circunstâncias extremas de depressão, agitação ou fúria, a pessoa com TPB pode se comportar de maneira violenta e letal – em relação a si mesma e/ou aos outros.

As pessoas com TPB são cronicamente inseguras em suas vidas, seja com sua família, relações pessoais, trabalho ou futuras aspirações. Eles também experimentam pensamentos e sentimentos incertos e inseguros sobre sua autoimagem, objetivos de longo prazo, amizades e valores. Frequentemente sofrem de tédio crônico ou sentimentos de vazio. Essas pessoas normalmente não pretendem causar danos a ninguém, nem a si mesmas, mas suas explosões emocionais inconscientes criam uma forma de insanidade temporária.

Durante os momentos de um colapso emocional completo, os processos de pensamento, a percepção do estado emocional e a capacidade de tomar decisões sensatas e racionais ficam gravemente prejudicados. Eles colocarão a si mesmos e a seus entes queridos em perigo por causa de uma onda irracional e incontrolável de ódio, fúria ou paranoia. Isso não se deve à falta de amor, mas porque, naquele momento, eles foram levados a experimentar a ira e a raiva ligadas a memórias reprimidas de sua infância abusiva, negligente e traumática.

As pessoas com TPB raramente são capazes de manter relacionamentos estáveis de longo prazo. Seus relacionamentos amorosos começam rapidamente, intensamente e com muita excitação, euforia e química sexual. Suas emoções voláteis se movem em uma de duas direções: amor e adoração ou ódio e destruição. Como essa pessoa teve pouca ou nenhuma experiência com relacionamentos saudáveis, os sentimentos eufóricos de “amor perfeito” que ocorrem no início do relacionamento não são realistas nem duradouros. Esta experiência inicial de amor eufórico é transitória, pois sua fragilidade psicológica os leva a um eventual colapso emocional.

Essa abordagem em preto e branco de seus romances cria um efeito gangorra de comportamento extremo. Ou eles cobrem seus parceiros de amor e bondade, ou se enfurecem contra eles com aversão e violência. Seu processamento dos relacionamentos em termos de amor/ódio coloca um fardo impossível sobre o parceiro.

Abandono: o problema central

abandono
A pessoa tem uma sensação profunda de abandono.

Frequentemente, os indivíduos diagnosticados com TPB estão preocupados com o abandono real ou imaginário, que tentam freneticamente evitar. A percepção de uma iminente separação ou rejeição pode levar a mudanças profundas na maneira como pensam sobre si mesmos e sobre os outros, bem como afeta sua estabilidade e comportamento emocional. Seja real ou imaginário, qualquer lembrete de abandono faz com que eles ataquem seu parceiro romântico com raiva e hostilidade agressiva. Um comentário equivocado, uma discordância amigável ou uma expressão percebida como desapontadora pode rapidamente transformar seus sentimentos amorosos em relação à sua “alma gêmea” em uma retaliação furiosa contra um inimigo.

Trecho de The Human Magnet Syndrome: The Codependent Narcissist Trap (2018) Borderline Personality Disorder.

Bibliografia
Kulkarni, J. (2015). “Borderline Personality Disorder is a Hurtful Label for Real Suffering—Time We Changed It.” Retrieved from: https://theconversation.com/borderline-personality-disorder-is-a-hurtful-label- for-real-suffering-time-we-changed-it-41760

Porr, V. (2001). “How Advocacy is Bringing Borderline Personality Disorder into the Light: Advocacy Issues.” Retrieved from: http://www.tara4bpd.org/ how-advocacy-is-bringing-borderline-personality-disorder-into-the-light/ (on December 4, 2012)

Rosenberg, R (2013). “The Human Magnet Syndrome: Why We Love People Who Hurt Us.” Eau Claire,WI: PESI

Rosenberg, R (2018). “The Human Magnet Syndrome: The Codependent Narcissist Trap.” New York, NY: Morgan James Publishing

(Fonte: psychcentral)

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