ansiedade https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Wed, 19 Feb 2025 16:38:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 ansiedade https://minasi.com.br 32 32 103183256 O orgulho como mecanismo de defesa e cisão https://minasi.com.br/o-orgulho-como-mecanismo-de-defesa-e-cisao/ https://minasi.com.br/o-orgulho-como-mecanismo-de-defesa-e-cisao/#respond Sat, 07 Dec 2024 14:16:54 +0000 https://minasi.com.br/?p=3788

Ao observar a pessoa dentro de seu ambiente natural de vida, no movimento de sua vivência, pode-se perceber muitos mecanismos inconscientes construídos desde momentos muito tenros e que têm motivações e objetivos funcionais dentro deste contexto. Neste artigo, há um olhar mais detalhado no que o Eneagrama chama de “pecado” (neste contexto, a palavra “pecado” é utilizada na forma romana, ou seja, quando se tem a intenção de acertar, mas erra o alvo; em latim, o termo é vertido por peccátu), o vício emocional do Orgulho, do traço do tipo 2. Propondo um diálogo entre a Vegetoterapia de Wilhelm Reich e o Eneagrama.

Contextualizando, o Eneagrama é um conhecimento antigo na humanidade, que propõe o conhecimento das ações, reações e motivações humanas. Além disso, é o que chamamos cotidianamente um mapa psico-espiritual de crescimento pessoal e comunitário. O Eneagrama propõe 9 fixações ou personalidades, que em última análise são formas de defesa para proteger a Essência de sua degradação nas relações humanas. Se desejar saber mais sobre o Eneagrama, siga este link.

Por outro lado, a Vegetoterapia Caracteroanalítica de Wilhelm Reich é uma abordagem da psicologia que vê a pessoa de uma forma holística e funcional, ou seja, não divide, não separa e quer enxergar os congelamentos infantis de forma dinâmica e dentro das relações interpessoais, sempre olhando para o corpo, a psiquê como forma de manifestação da energia fundamental de cada pessoal. Se quiser saber mais sobre Wilhelm Reich e a Psicologia corporal, clique aqui.

As pessoas que possuem o traço do tipo 2 no Eneagrama tem uma tendência a se importar muito mais com os outros e se colocar numa atividade onde busca sempre compensar o esquecimento de si com a ação externa, como mecanismos de cisão ou desconexão. De forma geral, são pessoas que embora tenham uma carga muito grande emocional e passe a viver a vida em função disso, tem dificuldades em entrar em contato com as próprias emoções, dar-lhe nomes e entender o mecanismo do seu funcionamento. Per si já aparece uma ambiguidade na forma em lidar com a vida. Por um lado, uma enorme carga energética no tórax, por outro, uma baixa carga no primeiro segmento, ocular no sentido da autopercepção.

Observando do ponto de vista energético tem-se usualmente uma carga elevada no segmento toráxico tornando-as pessoas com uma ação externa como forma de descarga energética. Então, todo o seu esforço de ação para outras pessoas tão somente é uma tentativa de descarga energética. Conforme veremos à frente esse excesso energético no tórax juntamente com uma certa tensão diafragmática podem produzir episódios de ansiedade, pânico. Que neste caso, tem a ver com a hiperorgonia ou excesso energético concentrado no segmento toráxico.

Acontece que entre o primeiro segmento (ocular) e o quarto segmento (toráxico) tem-se dois segmentos com muitos problemas nas pessoas com as características do tipo 2 do Eneagrama: o segmento Oral e o segmento toráxico. Pode-se afirmar, sem sombras de dúvidas que o segmento cervical tem uma função importante, que ligamos ao sentimento de Orgulho, que neste caso não é uma autoestima insuflada, mas uma resistência à livre circulação energética.

O Orgulho pode ter duas conotações e que muitas vezes podem estar presentes nas pessoas com esse traço de personalidade: Por um lado, autêntico, aquele no qual o sucesso é explicado com base no esforço despendido para determinada conquista, por outro, arrogante envolve explicar o sucesso com base em suas próprias habilidades. Nas coleções das ambiguidades do traço 2 está a sensação de se achar autossuficiente e ao mesmo tempo, sentir-se vazio.

O tórax inflado das pessoas com traço 2 tem a ver com um excesso de inspiração e uma baixa expiração respiratória, como uma dificuldade em alcançar a humildade, que é entrar em contato com a própria realidade, que é olhar a si ao invés de manter os olhos nos outros.

O trabalho da vida de uma pessoa com essas características é flexibilizar e energizar o primeiro segmento, a fim de perceber que lhe falta algo, que não está no outro. Este movimento ocular, que se denomina convergência, quando se olha para o próprio nariz e depois para o ponto a sua frente, produz o efeito psíquico da separação, de sair da simbiose de forma a poder olhar para os próprios desafios. Acontece que este movimento vai provocar um excesso de energização no primeiro segmento uma vez que para essas pessoas é mais difícil permitir o fluxo de energia através da cervical ou do pescoço. Então, é comum aparecer sensações de névoa ocular ou auditiva e seu correspondente psíquico que é a confusão ou dificuldade de saber os próximos passos em relação a si.

Concomitantemente, o trabalho de flexibilização da cervical precisa ser constante para permitir que o fluxo de energia desça. O trabalho no pescoço ou no segmento cervical é um dos mais complexos dentro da vegetoterapia, porque ele possui uma série intrincada de musculaturas estriadas e resistentes. Não foi fácil certamente para essa pessoa manter a cabeça sobre os ombros em sua infância ou liberar os conteúdos orais, como a raiva, a inveja, a injustiça. O grande medo de não ser vista ou amada pode ter contribuído para aumentar a couraça cervical. Este é um segmento em que sempre deve-se voltar no trabalho individual na Vegetoterapia Caracteroanalítica com as pessoas do traço 2 do Eneagrama.

Ao atingir um ponto onde começa a ceder a defesa do Orgulho no segmento cervical, o diafragma pode dar sinais do medo mais profundo. O medo de não existir amor ou o medo de não poder amar e ser amado. Então, o trabalho com essas pessoas acaba tomando um movimento de gangorra, libera-se nos segmentos superiores, depois nos inferiores, depois volta aos superiores e assim por diante.

No trabalho de análise verbal sempre voltando para falar sobre o esquecer de si, o excesso emocional projetado e cheio de expectativas nas relações interpessoais até atingir o medo do amor.

Ao promover o diálogo entre o Eneagrama e a Vegetoterapia Caracteroanalítica não se pretende esgotar ou ter uma solução simplista para o assunto complexo, mas ter uma visão tangencial para auxiliar os processos individuais.

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Transtorno de ansiedade na prática https://minasi.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-pratica/ https://minasi.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-pratica/#respond Mon, 07 Aug 2023 21:23:45 +0000 https://minasi.com.br/?p=3128

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem emitido alertas sobre dois assuntos muito importantes nos dias atuais: a depressão e o transtorno da ansiedade, como problemas dentro da saúde mental que atingem a população global. Isso é fácil de notar pelo número de pessoas nos consultórios psiquiátricos e psicológicos com problemas para lidar com estes assuntos em seu dia a dia.

O Transtorno da ansiedade é um Fenômeno Social

Começar do topo, porque o transtorno da ansiedade não é um fenômeno individual, é um problema de saúde pública no mundo todo e principalmente no Brasil. Novos dados divulgados por uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas nos apontam que: 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de ansiedade.

Isto significa que numa população de 203.000.000 de pessoas, conforme o censo de 2021, atualmente 56.000.000 receberam um diagnóstico médico de um tipo de transtorno. Considerando que muita gente nem vai ao médico, poderíamos supor que este número chegue com facilidade próximo de 50% da população brasileira na manifestação de transtorno de ansiedade.

Podemos imaginar que isso deveria ser um problema de adultos, preocupados com os boletos do dia a dia ou com filhos, casamentos, trabalho, mas esta mesma pesquisa aponta que um terço (31,6% – 10.000) da população mais jovem, de 18 a 24 anos, é ansiosa principalmente entre as mulheres (34,2%).

Estes dados apontam que precisamos mudar a forma como nossa sociedade está se estruturando, diminuir a pressão e aumentar o prazer e o relaxamento.

Quando falamos sobre ansiedade a nível individual, pessoal, temos que fazer um contraponto e tentar perceber o que é transtorno, adoecimento e o que é a vida normal e comum?

Ansiedade x transtorno da ansiedade

A ansiedade (energia do fazer, atuar, realizar) enquanto energia é importante e necessária na vida. Sem ela, ficaríamos pensando e pensando e nada colocaríamos em prática. Isso me lembra o sujeito que estava deitado na rede e grita para a mãe: A gente tem remédio para veneno de cobra? E a mãe responde: “Não. Você foi picado?” E o sujeito interpela: “Está vindo uma lá no jardim.” Ou seja, nossa capacidade de ação, da ação certa.

Eu considero o transtorno da ansiedade como um alarme de incêndio ou um detector de fumaça. O sofrimento está na camada externa, no topo da sensação. E o motivo não está fora. Ele está dentro de cada um. O problema não é o externo, mas como eu entendo, sinto e ajo dentro de mim.

Se o detector de fumaça ou alarme de incêndio dispara o que devemos fazer? Desligar o alarme ou procurar a origem da fumaça ou do incêndio? É mais fácil, cômodo, desligar o alarme, tirar as suas pilhas, desliga-lo da tomada de energia do que entrar para os porões esquecidos do inconsciente em busca dos motivos individuais que estão fazendo disparar o alarme.

O elástico tem uma função e uma capacidade de elasticidade. Você estica e ele volta ao seu estado natural, agora, o que acontece se eu o esticar e manter esticado por muito tempo? Ou se eu o colocar em um local muito mais frio? Vai alterar suas propriedade e capacidade de funcionamento.

A ideia de que somos capazes de tudo, de que podemos tudo é uma distorção de nossa época. Cada um de nós funciona de uma forma especifica, segundo a sua história pessoal, segundo o funcionamento da sua família original. Quando nos sentimos forçados a funcionar ou a agir de um jeito muito diferente do que somos, acontece aqui um Stress, ou melhor dizendo, um distress. E temos uma capacidade interior, individual de suportar isso. Se passo a funcionar muito além de minha capacidade por um longo período de tempo, começa o transtorno, que pode ir piorando numa escala até o adoecimento severo, crônico.

O transtorno da ansiedade pode começar apenas com pensamentos redundantes sobre um assunto; pode começar com um sentimento de medo ou de fuga; pode começar com sensações físicas nas mais diversas formas. À medida que o medo aumenta e se foge do problema, conflito ou situação, os sintomas tendem a se agravar, como no exemplo do alarme de incêndio, gritando mais alto dentro do organismo e da psiquê.

A Personalidade atuando

Cada pessoa funciona de uma forma diferente das outras, mesmo gêmeos univitelinos vão apresentar sensação, emoção e comportamento distintos. A forma como percebemos a vida desde o ventre de nossa mãe nos molda para o que acontece no dia a dia. Então, no caso da ansiedade também será assim. Pode-se ser mais energético com a vida, tentando resolver os conflitos e as situações sem deixar acumular, mas pode-se ser mais mental e afastando a atitude e a ação e funcionando no planejamento e pensamento. Isto certamente vai afetar como o transtorno da ansiedade pode atingir e a sensação em relação aos acontecimentos. Quanto mais se distancia da ação e da resolução e se aproxima do medo, mais congelamento e mais a ansiedade vai funcionar como um automóvel, onde engata a marcha, acelera e ao mesmo tempo puxa o freio de mão, fazendo com que os pneus girem, mas o carro não saia do lugar. Esta é a imagem do transtorno: uma quantidade enorme de energia produzida e sem destinação.

OLHAR, SENTIR, AGIR

Para sair deste lugar precisa querer olhar para as camadas inferiores da ansiedade e perceber do que temos medo. O que freia a nossa ação? Por que não faço o que desejo?

Olhar

A primeira etapa é olhar para o que estou sentindo e para isto, vamos realizar em dois movimentos oculares:

Ponto fixo

Para realizar este movimento, siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Usando uma caneta, lápis ou o próprio dedão da mão (que pode ser esquerda ou direita), extenda o braço a uma distância de aproximadamente 30 cm do rosto.
  4. Posicione o objeto entre os dois olhos e mantenha ele firme
  5. Olhe para o objeto e mantenha o olhar fixo, lembrando de respirar
  6. Fique nesta posição por aproximadamente 2 minutos.
  7. Enquanto olha para o objeto, pense sobre o que te aflige.
  8. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

Lateralização dos olhos

Para realizar este movimento, siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Usando uma caneta, lápis ou o próprio dedão da mão (que pode ser esquerda ou direita), estenda o braço a uma distância de aproximadamente 30 cm do rosto.
  4. Movimente o objeto para as laterais direita e esquerda da cabeça
  5. Acompanhe o objeto com os olhos, sem mexer a cabeça, apenas com o movimento ocular, lembrando de respirar
  6. Continue o movimento por aproximadamente 2 minutos.
  7. Enquanto olha para o objeto, pense sobre o que tem medo.
  8. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

SENTIR

Respiração

Com o auxilio de uma bexiga de aniversário vazia siga os seguintes passos:

  1. Sente-se em uma cadeira, poltrona ou qualquer lugar onde os seus pés alcancem o chão.
  2. Descruze as pernas e coloque os dois pés firmes no solo
  3. Encha o seu abdômen (barriga) de ar.
  4. Sopre a bexiga sem tomar fôlego, até esvaziar bem os pulmões.
  5. Repita este movimento por aproximadamente 2 minutos.
  6. Enquanto enche a bexiga, pense sobre o que te aflige.
  7. Depois de terminar, anote suas sensações, pensamentos e emoções

AGIR

O que pode acontecer enquanto pratica estes movimentos?

Pode não acontecer nada, apenas respirar e movimentar os olhos e isso já é muito, porque vai estar pensando e elaborando as situações. Também, podem emergir sensações, sentimentos, emoções ou pensamentos. Tudo isso pertence a você.

O que fazer com o que emerge?

  1. permitir a existência da sensação, emoção, sentimento
  2. expressar o que senso, sinto
  3. elaborar seja individualmente pensando, conversando com alguém ou num processo de terapia.

REFERÊNCIAS

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/37237-de-2010-a-2022-populacao-brasileira-cresce-6-5-e-chega-a-203-1-milhoes

https://www.clinicakowalski.com.br/post/por-que-o-homem-vai-menos-ao-medico#:~:text=Isso%20ocorre%20desde%20motivos%20como,m%C3%A9dico%20pelo%20maior%20per%C3%ADodo%20poss%C3%ADvel.

Navarro, Frederico – Caracteriologia Pós-Reichiana – Summus, 1995

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Respirar mais lenta e profundamente pode fazer você mais feliz https://minasi.com.br/respirar-mais-lenta-e-profundamente-pode-fazer-voce-mais-feliz/ https://minasi.com.br/respirar-mais-lenta-e-profundamente-pode-fazer-voce-mais-feliz/#respond Thu, 22 Jun 2023 14:19:51 +0000 https://minasi.com.br/?p=3103

Dez segundos depois de nascer, o impacto da chegada ao admirável mundo novo faz os pulmões de um bebê entrarem em ação e ele respira pela primeira vez. A partir de então, seus pulmões não param mais de trabalhar.

Um adulto em repouso respira em média cerca de 16 vezes por minuto (ou 23 mil vezes por dia). Aos 30 anos, você inspirou e expirou aproximadamente 250 milhões de vezes.

Era de se supor que, com toda essa prática, seríamos todos especialistas em respiração. Será então que poderíamos aprender algo novo sobre esse instinto tão básico? A resposta é: sem dúvida.

Mas, por outro lado, desenvolver um controle maior sobre nossos pulmões pode trazer muitos benefícios para nossa saúde física e mental.

Curiosamente, os cientistas estão descobrindo que uma determinada frequência de respiração de cerca de seis expirações por minuto pode ser especialmente restauradora, desencadeando uma “resposta de relaxamento” no corpo e no cérebro.

Além de inspirar gurus de saúde e bem-estar, o exercício respiratório também começou a atrair a atenção de grandes empresas, que esperam que a prática possa ajudar os funcionários a manter a mente focada e lidar com o estresse diário do trabalho.

‘Rampa para acelerar o relaxamento’

Assim como a atual onda mindfulness (atenção plena), a terapia respiratória foi inspirada em ensinamentos de textos antigos, especialmente nas escrituras hindu e védicas, que exaltam a importância do controle da respiração por meio de práticas como pranayama, exercícios respiratórios de ioga.

Você pode estar se perguntando se os exercícios respiratórios são simplesmente outro nome para mindfulness, uma vez que muitos cursos de meditação incentivam os participantes a focar sua atenção no ato de inspirar e expirar.

Mas enquanto a atenção plena costuma envolver observação passiva (“observar sua respiração”), as terapias respiratórias exigem que você mude ativamente a maneira como respira.

Isso inclui respirar com o diafragma (em vez de movimentar o peito) para encher os pulmões com mais ar e, ao mesmo tempo, diminuir conscientemente o ritmo da respiração em repouso.

De acordo com quem pratica, essas respirações lentas e profundas desencadeiam respostas fisiológicas em cascata que aceleram sua jornada a um estado de relaxamento mais completo, em comparação com exercícios mindfulness mais passivos.

“Atua como uma rampa para ganhar velocidade na prática da meditação, ajudando a acalmar a mente mais rápido para que você tire o maior proveito enquanto medita”, explica Richie Bostock, técnico de terapias respiratórias e autor do livro Exhale (“Expire”, em tradução livre).

“Na verdade, eu chamo algumas séries que ensino de ‘meditação com combustível de foguete’, devido ao profundo efeito que elas têm em acalmar rapidamente a mente e levar você para aquele lugar sem pensamentos.”

A evidência científica parece respaldar isso. Em uma pesquisa, participantes com hipertensão apresentaram redução de curto prazo na pressão arterial após exercícios guiados de respiração lenta, efeito que parece ir além dos benefícios da prática mindfulness, sem controle ativo da respiração.

Um outro estudo recente descobriu que a respiração lenta e profunda pode ajudar a aliviar sintomas de depressão e ansiedade, além de contribuir para atenuar a insônia.

E um estudo do pesquisador Hassan Jafari, da Universidade King’s College London, no Reino Unido, mostrou que a respiração profunda pode melhorar o controle da dor. Vários estudos sugerem que a respiração profunda tem efeitos positivos para a saúde. Dados esses benefícios, alguns cientistas sugerem que as técnicas de respiração podem ajudar pacientes a lidar até mesmo com doenças crônicas, como artrite.

Mas atenção: se você tem qualquer problema de saúde, deve consultar um médico antes de tentar qualquer terapia nova.

A ciência por trás do natural

Ainda não está claro exatamente por que a respiração lenta e profunda provoca todas essas mudanças, embora algumas hipóteses tenham sido levantadas.

Uma teoria promissora se concentra nos nervos localizados no tórax, cujos efeitos sentimos toda vez que enchemos os pulmões de ar.

“Basta respirar fundo para ver até que ponto é um ato mecânico”, explica Donald Noble, da Universidade Emory, nos Estados Unidos.

Essa sensação de pressão é proveniente de um conjunto de sensores de elasticidade que medem a expansão dos pulmões.

O movimento do tórax produzido pelo relaxamento do diafragma quando expiramos também exerce pressão sobre os vasos sanguíneos que chegam ao coração, o que acaba por ativar outro conjunto de sensores (chamados barorreceptores) em nossas artérias.

Ambos os tipos de sensores alimentam o tronco encefálico, e Noble explica que, quando respiramos profundamente, a atividade em outras regiões pode ser sincronizada com essa estimulação constante e repetitiva.

As ondas cerebrais lentas resultantes desse ato nos levam a um estado de alerta relaxado.

As respirações mais rápidas e superficiais por si só não estimulam esses nervos, tampouco o cérebro, de maneira tão efetiva. Você precisa de inspirações e expirações prolongadas para gerar os ritmos adequados ao cérebro.

O nervo vago ajuda o corpo a atenuar as reações de luta e fuga quando não há mais uma ameaça iminente.

O nervo vago ajuda o corpo a atenuar as reações de luta e fuga quando não há mais uma ameaça iminente.

Igualmente importantes são os barorreceptores sensíveis à pressão, nas artérias ao redor do coração, que alimentam o nervo vago.

É um elemento essencial do sistema nervoso que acredita-se ser particularmente importante para atenuar a reação de lutar ou fugir depois que uma ameaça desaparece. “Permite que o corpo se concentre em coisas restauradoras ou nutritivas”, diz Noble.

Ao estimular repetidamente o nervo vago durante expirações longas, a respiração lenta pode levar o sistema nervoso a um estado de descanso, resultando em mudanças positivas, como diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial.

Curiosamente, as pessoas que praticam a terapia respiratória parecem encontrar um ponto ideal em torno de seis respirações por minuto.

Isso parece produzir um relaxamento significativamente maior por meio de um tipo de ciclo positivo de retroalimentação entre os pulmões, o coração e o cérebro.

“Você está meio que desbloqueando ou promovendo a amplificação de um ritmo fisiológico básico”, diz Noble.

O especialista acredita que essa frequência pode ser encontrada nas ações repetitivas de muitas práticas espirituais, como a Ave Maria rezada nos terços e o canto de mantras de ioga, que talvez tenham evoluído para levar as pessoas a um estado mental relaxado, porém focado.

Além de melhorar a saúde cardiovascular, a frequência respiratória mais lenta de seis respirações por minuto também parece ser ideal para o controle da dor.

Isso pode acontecer tanto devido ao bem-estar psicológico que advém da respiração lenta, quanto a qualquer mudança fisiológica direta na sensibilidade à dor.

“Acreditamos que os efeitos psicológicos, sobretudo da mudança do foco de atenção e de expectativas, desempenham um papel importante no efeito analgésico dessas técnicas”, diz ele.

Cerca de seis respirações por minuto é a frequência que proporciona mais relaxamento e é um ritmo encontrado nas ações repetitivas de práticas espirituais.

A tecnologia pode ajudar?

Havendo cada vez mais evidências sobre os benefícios da respiração profunda, ouvimos falar mais no poder da respiração controlada em livros e revistas, em programas de televisão e até mesmo no trabalho, à medida que mais empresas tentam ensinar técnicas respiratórias para ajudar os funcionários a gerenciar o estresse.

Bostock é um dos muitos que oferecem retiros para respiração e oficinas corporativas. Ele diz que o interesse “explodiu” recentemente, atraindo clientes como grandes bancos, empresas de consultoria e de tecnologia. Em parte, eles são atraídos pela simplicidade da técnica, acredita Bostock.

“Não é necessária experiência prévia em meditação ou mindfulness. Uma vez que você aprende como a respiração afeta seu corpo e sua mente, você tem uma maneira rápida e fácil de mudar seu estado, seja para reduzir o estresse e o nervosismo, aumentar seu foco e energia, e até mesmo ajudar na solução criativa de problemas.”

No futuro, nossa jornada rumo ao relaxamento profundo pode ser guiada por dispositivos que registram as respostas fisiológicas aos exercícios respiratórios.

Por exemplo, um experimento recente colocou os participantes em uma praia de realidade virtual ao pôr do sol. A variabilidade da frequência cardíaca deles foi ilustrada por nuvens no horizonte: quanto mais relaxados ficavam, mais claro ficava o céu.

O feedback imediato pareceu facilitar a jornada deles rumo ao relaxamento e, assim que chegaram lá, uma fogueira acendeu na praia, reforçando a sensação de terem alcançado seu objetivo.

Isso, por sua vez, os ajudou a voltar ao estado de relaxamento durante um teste cognitivo posterior, aumentando sua concentração.

Já existe uma infinidade de aplicativos para smartphone que se propõem a funcionar de maneira semelhante, embora nem todos tenham sido rigorosamente testados em relação à eficácia.

Obviamente, os praticantes de ioga vêm colhendo esses benefícios há milênios sem ajuda da tecnologia.

As pesquisas científicas mais recentes simplesmente nos ajudam a compreender as razões pelas quais essas práticas são tão benéficas, fora de seu contexto religioso ou espiritual, e a encontrar novas maneiras de potencializá-las.

Se você sofre de estresse regularmente, pode ter chegado a hora de dar um longo suspiro (de alívio!).

David Robson, Da BBC WorkLife

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Lidando com o medo de “ficar de fora” – FOMO (Fear of Missing Out) https://minasi.com.br/fomo/ https://minasi.com.br/fomo/#respond Thu, 02 Dec 2021 18:27:27 +0000 https://minasi.com.br/?p=2641

Se atenção plena gira em torno da ideia de estar presente no aqui e agora com consciência gentil e aberta, FOMO (Fear of Missing Out, em Inglês, também conhecido como medo de perder ou ficar de fora) é baseado no comportamento exatamente oposto: um sentimento de desejo de estar em outro lugar, ou uma sensação de que poderíamos ser mais felizes se estivéssemos fazendo algo mais, com a exclusão do momento presente.

Embora o FOMO certamente não seja exclusivo do mundo da mídia social, é onde esse sentimento espinhoso tende a correr solto. Por mais úteis que essas plataformas possam ser, elas também têm um talento especial para nos mostrar tudo e onde não estivermos: pode levar apenas alguns segundos de rolagem para descobrir que um amigo está de férias, outro está com um amigo em comum, e um terceiro acaba de ser promovido. De repente, uma noite que parecia tranquila apenas um momento atrás pode agora parecer inadequada. É fácil para a mente ficar presa neste sulco alimentado por FOMO, mas também é possível encontrar maneiras de escapar disso.

Principais conclusões:

  • FOMO pode afetar negativamente nossa saúde mental e física
  • Práticas simples e hábitos diários podem aumentar a conscientização e reduzir os efeitos colaterais do FOMO
  • A meditação pode ajudá-lo a lidar com o FOMO

Reconhecendo FOMO

No início, FOMO pode parecer sinônimo de inveja: Eu gostaria de também estar de férias em uma ilha tropical agora; Também gostaria de ser convidado para a festa da qual meu amigo vai. Mas com o tempo, esses pensamentos podem começar a se assemelhar a algo mais próximo de ansiedade: Eu ficaria mais feliz se estivesse fazendo o que essa pessoa está fazendo atualmente? Não parece que estou tendo tanto sucesso profissional quanto meus amigos, o que estou fazendo de errado?

Essa progressão de padrão de pensamento não é apenas comum. Pesquisadores descobriram que o FOMO pode ser um catalisador para problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Outro estudo descobriram que estudantes universitários que relataram mais FOMO também relataram mais sintomas físicos negativos (dores de cabeça, falta de ar, dor de garganta, dor no peito, etc.) e diminuição da atenção consciente. Pesquisas anteriores relacionaram o FOMO com motivação pessoal mais fraca, performance acadêmica, e relações interpessoais.

Portanto, o medo de perder pode começar como um sentimento experimentado apenas ao navegar pelas redes sociais, mas pode rapidamente se tornar algo que também afeta a vida offline. Felizmente, existem práticas e hábitos diários que podem ajudar a reduzir o FOMO e seus efeitos colaterais.

Como reduzir o FOMO usando meditação

O FOMO tem a capacidade de nos tirar do momento presente e de nos tornar menos atentos. Nossa mente vagueia, muito preocupada com onde mais gostaríamos de estar, em vez de estar ocupada com o que estamos fazendo ou com quem estamos. Mas podemos evitar que isso aconteça, tornando-nos mais atentos.

Tornamo-nos mais conscientes treinando a mente para estar mais presente e menos distraída, e podemos fazer isso por meio da prática da meditação. Em outras palavras, estamos nos ensinando a nos concentrar no que estamos experimentando atualmente e no que poderíamos estar fazendo. Com a prática, aprendemos a liberar todos os pensamentos ruminantes, comparativos ou perturbadores tão frequentemente provocados pelas redes sociais. Aprendemos a ver como a mente pensante se comporta e entendemos que não temos que concordar com ela – em vez disso, podemos escolher permanecer presentes. Algo tão simples e direto como meditação pode ser uma forma gentil de trazer mais atenção plena ao dia.

Como gerenciar a atenção com o tempo gasto nas redes sociais

A meditação é um excelente primeiro passo para ajudar a conter o FOMO, mas para realmente reduzir esse sentimento tanto quanto possível, também é importante abordar como interagimos com seu principal motivador: a mídia social.

Sem surpresa, pesquisadores encontraram uma correlação significativa entre os sentimentos de FOMO e o tempo gasto nas redes sociais. Na verdade, limitar nosso uso de mídia social pode levar a uma melhoria significativa em nosso bem-estar, de acordo com um Estudo de 2018. Os participantes desse estudo que limitaram o tempo nas redes sociais a aproximadamente 30 minutos por dia experimentaram uma diminuição notável nos sentimentos de solidão e depressão ao longo de 3 semanas. E todos os participantes – mesmo aqueles que não limitaram o tempo gasto nos aplicativos – mostraram diminuições significativas no FOMO e na ansiedade durante esse tempo, sugerindo que aumentou Auto-monitoramento pode ser uma ferramenta benéfica (e uma que todos nós temos disponível para nós).

Durante os momentos em que estamos ativamente envolvidos com a mídia social, o cofundador do Headspace e ex-monge budista Andy Puddicombe oferece alguns conselhos que podem ser úteis para ter em mente:

“Algo que nos ensinaram no mosteiro era sempre parar um momento para fazer uma pausa antes de começar qualquer atividade. A ideia era estar atento, não apenas da ação, mas também da intenção por trás da ação. Por exemplo, antes de comer, podemos fazer uma pausa e perceber se comemos porque estamos com fome ou porque estamos entediados. Esta se tornou uma ferramenta incrivelmente útil e algo tão útil e relevante fora do mosteiro, não importa o que estejamos prestes a fazer ”.

A próxima vez que conseguirmos sentir que estamos à beira de uma farra na mídia social, vamos considerar fazer uma pausa para perceber a sensação. O que está nos motivando a nos conectar? Quais histórias ou medos podem estar alimentando os pensamentos que vêm à tona conforme avançamos? À medida que praticamos este processo, estamos basicamente treinando a mente em consciência, habilidade que pode nos ajudar a identificar quando é hora de fechar os aplicativos para preservar nossa saúde mental.

Mudanças para lidar com FOMO

Procurando por mais meditações para facilitar o FOMO e ajudar a permanecer no momento presente? 

Para facilitar, aqui estão algumas mudanças simples e práticas, mas importantes, que podem te ajudar a focar mais no aqui e agora. 

  • Diminua o consumo de Redes Sociais – Como já discutimos, redes sociais em excesso podem ser fonte de Ansiedade, portanto diminua e controle a utilização. Não necessário parar de usar totalmente, apenas restrinja os horários e a quantidade. Existem aplicativos hoje que ajudam o usuário a controlar o uso das redes sociais. O próprio sistema da Apple (IOS) informa o a quantidade de horas gasta com redes sociais. Defina horários para utilizar e use com moderação;
  • Estabeleça Rotinas – Com as mudanças, muitos perderam suas rotinas. Estabelecer novas rotinas, como horários fixos para acordar e dormir, horário de trabalho (início e principalmente o fim, pois é importante saber a hora de parar) podem ajudar a diminuir os níveis de estresse e ansiedade. Se for difícil para você, comece do simples e vá inserindo coisas aos poucos. Não esqueça de separar um tempo para descansar e se distrair, mesmo que isso signifique não fazer nada. Isso também é importante para a saúde mental.
  • Reencontre seus prazeres – Conectar-se com antigos (ou novos) prazeres ou hobbies como pintar, tocar um instrumento, ler bons livros, jogar, enfim… a lista é enorme. Apenas lembre-se de fazer algo que lhe traga prazer, e quando estiver fazendo, aproveite o momento… não perca seu tempo postando nas redes sociais. Se não estiver sobrando tempo tudo bem, faça quando puder. 
  • Valorize as pequenas coisas – Todos já ouvimos de alguma forma a “importância das pequenas coisas”, dos detalhes do nosso dia a dia, porém neste momento vale o reforço aproveite os pequenos prazeres do seu dia, um café recém passado pela manhã, um banho quente, o conforto da sua cama, uma refeição simples ou a companhia de uma pessoa especial. Olhar para estas pequenas coisas vai te ajudar a valorizar mais o momento, viver a vida. 

As mídia sociais se tornaram uma parte integrante da vida cotidiana e pode não parecer viável cancelar totalmente os acessos a elas – e, honestamente, pode não querer. Mas se nosso tempo online está causando FOMO, é possível obter mais controle sobre a maneira como esses aplicativos nos fazem sentir. Se e quando emoções negativas começarem a surgir, podemos usar a atenção plena para fazer uma pausa, observar e direcionar conscientemente a atenção de volta ao presente.

Artigo adaptado da headspace.com

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Ansiedade, pânico ou ataque cardíaco? https://minasi.com.br/ansiedade-panico-ou-ataque-cardiaco/ https://minasi.com.br/ansiedade-panico-ou-ataque-cardiaco/#respond Mon, 10 May 2021 14:58:47 +0000 https://minasi.com.br/?p=2386

Você sabia que uma crise de ansiedade pode ser confundida com um infarto? Isso porque os sintomas podem ser muito parecidos e causar dúvidas. Nesse caso, a pessoa sente dor no peito, ansiedade, falta de ar, palpitações, sudorese, sensação de sufocamento, náuseas, tontura, calafrios e medo de morrer, entre outros sinais que são comuns a eventos cardíacos e ataques de pânico.

É importante que, de qualquer forma, quando os sintomas se iniciarem, a ajuda médica seja procurada imediatamente. Afinal, o infarto requer atendimento de urgência, para que consequências mais graves sejam evitadas. Já a crise de ansiedade, embora não cause perigo de morte, precisa ser diagnosticada e tratada para que a qualidade de vida do paciente melhore.

Neste artigo, explicaremos as particularidades de uma crise de ansiedade e de um infarto, assim como o que deve ser feito em cada uma dessas situações. Continue a leitura e saiba mais!

O que é a ansiedade?

dor no peito ansiedade

A ansiedade é caracterizada como um distúrbio psiquico-corporal que prejudica a qualidade de vida de diversas pessoas ao redor do mundo. Controlar essa sensação pode ser um desafio para muitos durante toda a vida. Sem saber como lidar com esse sentimento, muitas pessoas acabam aprendendo a conviver com essa apreensão por longos períodos.

Quem sofre desse distúrbio acaba se preocupando em excesso e, por fim, seus temores passam longe da realidade. Em resumo, isso tudo atrapalha muito o cotidiano. Os transtornos de ansiedade podem ser divididos em transtorno de ansiedade generalizada, síndrome e ataques de pânico e fobias específicas.

Ataque de pânico

O ataque de pânico é o que está relacionado aos sintomas comuns ao infarto. Ele é caracterizado por um período curto em que uma pessoa sente angústia e medo extremos, de início súbito e acompanhados por sintomas emocionais e físicos. Os sinais do ataque de pânico são:

  • dor no peito;
  • sensação de engasgo;
  • medo de morrer, perder o controle ou enlouquecer;
  • agitação;
  • náuseas e vertigens;
  • dormência e formigamento, principalmente, nas mãos e pés;
  • palpitações;
  • sudorese;
  • tremor;
  • sensação de falta de ar.

Como os sintomas de um ataque de pânico envolvem órgãos vitais, como coração, cérebro e pulmões, é comum que as pessoas pensem que estão vivenciando um problema relacionado a outras doenças.

Geralmente, os sinais atingem o seu ápice em 10 minutos e, após esse tempo, regridem. Quando isso ocorre, não há alterações nos exames laboratoriais, ou seja, um médico não consegue achar nenhum problema na saúde do paciente que justifique os sintomas.

O que é o infarto?

Os músculos do coração trabalham sem pausa para oferecer sangue rico em nutrientes e oxigênio para todo o organismo. Dessa forma, eles também precisam receber suprimento sanguíneo adequado, trabalho que é feito pelas artérias coronarianas.

Por diversos motivos, pode ocorrer bloqueio em alguma dessas artérias, resultando em isquemia (falta de sangue). Os músculos do coração podem aguentar a isquemia por alguns minutos, mas, se o suprimento de sangue não retornar, o tecido sofre necrose, ou seja, morre.

Dessa forma, a área irrigada pela artéria ocluída perderá a sua função e o coração sofrerá como um todo, visto que uma de suas partes não poderá mais bombear o sangue. Nesse caso, dizemos que a pessoa sofreu um infarto, que também é denominado ataque cardíaco.

Quais os sintomas do infarto?

Apesar de comum, a dor forte no peito não é o único sinal de infarto, e outros sintomas podem indicar que algo está errado. O mais comum é que o paciente apresente um conjunto de indícios que, geralmente, surgem de repente. O primeiro sinal é a dor ou aperto no peito, que costuma se espalhar para o queixo ou braço e ombro esquerdo.

Além disso, quando apenas um pequeno ramo da artéria se encontra obstruído, atingindo uma área do músculo cardíaco, o infarto pode ser silencioso, ou seja, assintomático. Os sintomas do infarto incluem:

  • dor no peito, geralmente, opressiva, que pode irradiar para nuca, queixo, ombros ou para os membros superiores;
  • dor no abdômen, que pode ser confundida com indigestão (menos frequentemente);
  • sensação de desmaio ou desmaio;
  • transpiração intensa e repentina;
  • náuseas;
  • falta de ar;
  • dormência e formigamento;
  • palpitações;
  • inquietação;
  • sensação de morte iminente;
  • desorientação.

É importante ter em mente que os sinais podem começar repentinamente, demonstrando um quadro agudo e mais grave, assim como ser insidiosos. Em alguns casos, não existe bloqueio completo da artéria e o suprimento sanguíneo diminui aos poucos.

É possível ter dores por 20 minutos, por exemplo, o que mostra o problema crescente, sendo um sinal de falha nas artérias coronarianas. Apesar de todos os indícios descritos, uma a cada cinco pessoas que sofrem um infarto têm apenas sintomas leves ou, até mesmo, nenhum sinal.

Como lidar com os sintomas do infarto?

paper confetti in heart shape on pink table
Photo by Monstera on Pexels.com

Como visto, a dor no peito de ansiedade e a de um infarto podem ser muito semelhantes. Dessa forma, é indicado procurar um serviço de urgência logo quando os sintomas começam. Afinal, no caso de um infarto, o tempo é um fator importante para a recuperação e a possibilidade de cura do coração.

Quando uma pessoa dá entrada com tais sintomas, são feitos alguns exames para verificar se há isquemia cardíaca. O eletrocardiograma, também chamado de ECG, é um exame que mede a atividade elétrica do coração e é capaz de diagnosticar se há alguma área de necrose ou com irregularidade na movimentação muscular.

Enzimas cardíacas

As enzimas cardíacas também são importantes nesse quadro, visto que sinalizam a morte das células do coração e são fundamentais para o diagnóstico de infarto. Elas são identificadas pelo exame sanguíneo, feito rapidamente quando o paciente dá entrada no serviço de urgência.

A creatinofosfoquinase (CPK) se eleva na corrente sanguínea dentro de três a seis horas após o início de um ataque cardíaco, por exemplo. Já a mioglobina, outra enzima do coração, é liberada pelo músculo que sofreu necrose rapidamente, começando a elevar seus títulos após uma ou duas horas do evento. Além dessas, existem outras enzimas cardíacas que servem como marcadores.

Quando as enzimas e o eletrocardiograma têm resultado normal, a possibilidade de ataque cardíaco é desconsiderada. Nesse momento, é fundamental que o médico levante a possibilidade de uma crise de pânico, devido à semelhança do quadro.

Como lidar com os sintomas dos transtornos de ansiedade?

No caso dos transtornos de ansiedade, o primeiro passo é procurar ajudar capacitada: um terapeuta, um psicólogo ou um profissional que ajude você a lidar com os sintomas. O ataque de pânico pode acontecer novamente dentro de meses ou semanas, e se tornar frequente, prejudicando a qualidade de vida.

A ansiedade pode ser motivada por diversos fatores, mas principalmente, pela forma em lidar com suas emoções, em especial, o medo. Existem diversas terapias integrativas que podem ajudar bastante, como aculpuntura, yoga, pilates…

Como controlar a ansiedade no dia a dia?

É comum termos dificuldade de controlar a ansiedade no dia a dia. Tanto para quem sofre do transtorno de forma generalizada quanto para pessoas levemente ansiosas, é um desafio adotar medidas para controlar esse distúrbio.

Uma dica para que as recomendações funcionem é a repetição, visto que tentar esporadicamente não fará a ansiedade sumir de forma milagrosa. Por isso, é preciso desenvolver hábitos positivos por meio da reeducação do cérebro.

Controle sua respiração

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Photo by Spencer Selover on Pexels.com

A respiração é algo fundamental para o controle diário da ansiedade. Praticar a respiração profunda é um conselho antigo e pede um pouco de treinamento. Ao inspirarmos e expirarmos o ar lentamente, fazemos com que nosso cérebro compreenda que devemos relaxar. Controlar a respiração oferece um efeito de relaxamento quase que imediato.

Porém, quando nos encontramos em situações de alto estresse e nervosismo, é comum termos dificuldade de realizar a respiração profunda. Por isso, é preciso treino para que ela possa se tornar eficiente com o tempo. Dois minutos diários de treinamento podem fazer a diferença para que o corpo aprenda a se acalmar na hora dos momentos mais aflitos.

Evite situações de gatilho

Em muitos casos, a ansiedade é provocada por situações que acontecem de repente e nos pegam de surpresa. Mas determinados acontecimentos servem como gatilho para desencadear uma crise ou para um comportamento ansioso. Por exemplo, a ida a um local estressante e uma conversa com uma pessoa negativa podem ser gatilhos para certas pessoas desenvolverem quadros de ansiedade.

Faça atividade física

asian trainer teaching woman doing sports exercise in park
Photo by Andres Ayrton on Pexels.com

Praticar qualquer tipo de atividade física, pelo menos três vezes por semana, oferece inúmeros benefícios para a saúde. Além de auxiliar no controle da ansiedade, exercícios diários previnem e servem como tratamento complementar para alguns transtornos mentais.

Movimentar o corpo libera os hormônios da felicidade, oferecendo bem-estar e disposição física para todo o dia. Procure uma atividade que você goste e desfrute dos benefícios. Assim, é importante identificar quais são os seus gatilhos e procurar evitá-los sempre que possível.

Tenha um sono de qualidade

Dormir uma boa noite de sono é um dos métodos mais eficazes para diferentes situações, inclusive, para a ansiedade. Ter um sono tranquilo é uma forma de se manter relaxado e de se preparar para lidar com os acontecimentos do dia a dia.

Por outro lado, dormir mal contribui para o aumento de cortisona no organismo, levando a quadros de irritabilidade e até dor no peito e ansiedade. Para pessoas que sofrem de insônia, pequenas mudanças de hábitos podem ser muito benéficas. Criar uma rotina antes de ir para a cama, por exemplo, ajuda a desacelerar o cérebro e prepara para o sono.

Encontre técnicas relaxantes

Meditação e técnica de relaxamento
Photo by Elly Fairytale on Pexels.com

Ao chegar em casa depois de um dia intenso de trabalho, escute uma música relaxante, apague as luzes do seu quarto e deite confortavelmente. Tente esvaziar a mente e não pensar nos problemas, no trabalho ou nas tarefas de casa.

Concentre-se no momento presente. Preste atenção na sua respiração e deixe se envolver pela música, de preferência, utilize fones de ouvido que ajudam a aprofundar no relaxamento.

Repita esse momento curto de tranquilidade diariamente, que logo perceberá a ansiedade diminuindo. Se você está acostumado a chegar do trabalho e se encher de tarefas, pode estranhar um pouco essa prática, no início. Lembre-se de que esses momentos curtos de silêncio diário são fundamentais para manter a saúde mental.

Portando, mesmo com a dor no peito de ansiedade, existem diferenças entre essa condição e o infarto. Nas duas situações, esperar não é a melhor opção! Se a pessoa estiver sofrendo um ataque cardíaco e não receber intervenção médica a tempo, pode ir a óbito. Já no caso da crise de pânico, não receber atendimento adequado pode agravar o problema, aumentando a frequência dos ataques.

Se precisa de ajuda com a ansiedade, fale comigo!

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Crise: sofrimento e oportunidade https://minasi.com.br/crise-sofrimento-e-oportunidade/ https://minasi.com.br/crise-sofrimento-e-oportunidade/#respond Tue, 15 Sep 2020 22:00:24 +0000 https://minasi.com.br/?p=2165

Estes são tempos únicos, não é mesmo? Nunca estivemos tão separados e tão juntos.

Tudo o que vem acontecendo por conta da pandemia e isolamento já é crise. Uma crise social que afeta níveis familiares e individuais, não é verdade?

O que significa uma Crise?

A palavra Crĭsis, no latim significa ‘momento de mudança súbita, faculdade de distinguir, decisão, momento difícil.

Toda crise tem duas faces: a do sofrimento e  a da oportunidade. As crises podem ter origem em boas ou más experiências. Por exemplo, o nascimento de um filho, um casamento, um novo trabalho são experiencias motivantes que podem nos lançar numa crise, assim como uma enfermidade, um falecimento, um término.

Se qualquer acontecimento em nossa vida pode gerar uma crise, como é que surgem as crises e elas estão baseadas em quê e como podemos sair disto?

Núcleo saudável – essência – core

Nós funcionamos a partir de um núcleo saudável. Por mais que tenhamos dificuldades físicas ou psíquicas, em nosso centro – core – temos uma instância que sempre está saudável e pulsa gerando vida. No entanto, através de nossas experiências infantis desenvolvemos sistemas de defesa de forma inconscientes em nosso corpo, formando uma espécie de couraça, de armadura de defesas musculares e acima, uma personalidade, que funciona como uma máscara para entrar em contato com o mundo.

É como uma cebola, onde temos camadas. Estas defesas então vão se estruturando sobre o núcleo saudável, a fim de protege-lo. Durante o período de crise algumas dessas defesas podem se enfraquecer sem estarmos preparados para mostrar dores mais profundas, assim, nos desorganizamos em nosso sistema de funcionamento psico-físico-energético.

Auto Conhecimento

O processo de conhecer-se é importante nestes momentos, para perceber o que está acontecendo, o que está fora do funcionamento normal. Caso seja necessário, pedir auxílio, procurar ajuda profissional para re-equilibrar ou entrar no processo mais profundo de terapia.

Descobrir e entender o próprio jeito de funcionar é um caminho para que detectemos estes processos de quando nossas defesas se desfazem sem que estejamos preparados e entramos crises.

Defesas

As defesas que desenvolvemos na infância se manifestam como tensões ou contrações musculares, desta forma, em nosso passado de criança filtrávamos e controlávamos nossos impulsos energéticos e nossas emoções. Da mesma forma, psicologicamente criamos processos psíquicos para  conter sentimentos. Na infância, isto foi fundamental para que pudéssemos sobreviver, no entanto, em nossa idade adulta não é mais necessário, mas continua lá, como motoristas invisíveis de nós mesmos. Vai se repetindo até que se torna um padrão de funcionamento psico-fisico-energético.

O conjunto destas defesas que cada pessoa desenvolve chamamos de caráter e personalidade. E são estes traços que durante a crise podem se desorganizar.

Respiração

Todos estes mecanismos de controle muscular podem nos levar a um excesso de inibição respiratória, como forma de sentir menos dor … Lembre-se quando nos machucamos o que fazemos? Prendemos a respiração. Que tem explicações fisiológicas e psiquicas. Recuperar a capacidade respiratória é uma excelente estratégia de auto conhecimento terapeutico.

Como falei no inicio, quero propor 3 exercícios respiratórios que podem nos ajudar em momentos próximos às crises ou no dia a dia.

  1. Identificar meu padrão de respiração
    1. Coloque uma das mãos sobre o peito e a outra, no abdômen, pouco abaixo da barriga. E, então, procure respirar normalmente percebendo qual das mãos se movimentam mais, ou seja, se sua respiração é abdominal ou torácica.
    2. Excelente! Tente alterar seu padrão, ou seja, se respira mais com o abdômen force a respiração torácica e vice-versa. Preste atenção às suas sensações, pensamentos, emoções. Isto diz muito de você.
  2. Respiração para ansiedade e pânico
    1. Procure inspirar pelo nariz e expirar pela boca
    2. Enquanto inspira, você vai puxar os ombros na direção da cabeça e aperte as mãos, fechando-as bem.
    3. Expire soltando o ar lentamente pela boca enquanto empurra os ombros na direção das pernas, abrindo bem as mãos.
    4. Encontre um ritmo que mais seja confortável e faça esse exercício por 5 ou 7 minutos.
    5. Pode produzir um relaxamento diafragmatico, aliviando os ombros e a cervical.
  3. Respiração de emergência.
    1. Em momentos de crise, quando estamos com muita ansiedade, ao ponto de não conseguir respirar, respire da seguinte forma:
    2. Pegue um saco de papel e coloque sobre a boca e nariz e respire dentro. Respire até sentir acalmar-se ou ser tomado por emoção ou choro. Poderá relaxar o diafrágma e permitir um relaxamento da ansiedade.

Crise é oportunidade. Auto-conhecimento é a chave que abre o caminho.

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Medo e ansiedade https://minasi.com.br/medo-e-ansiedade/ https://minasi.com.br/medo-e-ansiedade/#respond Thu, 13 Aug 2020 18:52:50 +0000 https://minasi.com.br/?p=2150
Medo tem algo a ver com a ansiedade? Vamos conversar sobre isto…
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O aqui e o agora – notas encarnadas sobre a catástrofe https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/ https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/#respond Tue, 21 Apr 2020 14:10:37 +0000 https://minasi.com.br/?p=1935
Por Xavier Serrano Hortelano

A realidade pandêmica que estamos experimentando durante estes meses, independente das interpretações, é uma catástrofe internacional que trará consequências gravíssimas, em todos os níveis, como advertem alguns especialistas, que podem ser similares àquelas sofridas por uma guerra mundial.

As crises, tanto pessoais como sociais, assim como em qualquer catástrofe, chegam de surpresa. Por isso, em grande medida, estamos agora vivendo uma espécie de experiência onírica. Muitas das pessoas a quem atendo me dizem: “É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”. Nossa percepção agora sofre uma certa alteração da consciência, porque a realidade social e cotidiana é, em grande medida, desconhecida. De modo que sofremos mudanças nos ritmos vitais, alterações no sono, sensações estranhas e uma vivência diferente da passagem do tempo.

É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”.

E este sonho não é agradável, se assemelha mais a um pesadelo, onde nos encontramos com a vulnerabilidade e a morte, que são o que costumam acompanhar qualquer catástrofe. As pandemias, diferentes do resto, são catástrofes lentas, onde o estado de alarme, a tendência ao caos e ao pânico, vão mostrando-se e aumentando progressivamente.

Outros especialistas e enfoques psicológicos que também abordam e estudam o fenômeno do medo, como os sistêmicos, os cognitivistas ou os construtivistas, propõem que estas situações estimulam a criatividade, a emergência de valores tais quais a solidariedade e conduzem à busca por soluções. Em minha opinião, esta descrição pode ser atribuída à reação instintiva que é produzida na natureza, em geral, e nos mamíferos, em particular, mas, em muitas ocasiões, não é a que observamos no mamífero humano. No nosso caso, fomos perdendo o contato com o funcionamento instintivo, e somos movidos mais por padrões de conduta social estereotipada, governados pelo predomínio e especialização da razão, do pensamento cortical, devido, fundamentalmente à influência dada sociedade patriarcal na qual temos vivido durante séculos, que tem menosprezado o mundo do instintivo, dos afetos, da ternura, da sexualidade, das relações humanizadas, em pró de alcançar objetivos, da eficácia e da supremacia fálica do poder, o qual se reflete nas relações não saudáveis que se mantém nos ecossistemas essenciais (família e escola), muito distantes daqueles que permitem estabelecer atmosferas ecológicas, próximas do funcionamento natural do Vivo. Portanto, é preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Visto que é certo que, a nível conductual e de resposta social estamos longe de produzir respostas instintivas auto organizadas ou autopoiéticas-, segundo a definição de Humberto Maturana-, a nível biológico sim somos capazes de tê-las pois, ainda que, nas pandemias sofridas pelo ser humano ao longo da história muitas pessoas tenham falecido, nossa espécie logrou sobreviver. Podemos compreender melhor tal fato aplicando também a teoria da Ressonância Mórfica de Sheldrake, segundo a qual a espécie humana, como o resto das espécies, acumula o legado das respostas de sobrevivência de séculos, no terreno biológico. Cada vez que surge uma variável molecular, frente a qual a espécie não está acostumada, existe um período de vulnerabilidade onde ocorrem falecimentos, até que chega o período de auto organização imunitária, sem que tenham, necessariamente, existido vacinas ou soluções médicas prévias específicas.

É preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Neste sentido, recordo a frase de Daniel Defoe, em seu livro O ano da peste onde, em sua descrição romantizada de uma das pandemias históricas, relata: “A sociedade ficou perplexa quando perceberam que, se repente, sem nenhum medicamento novo, sem nenhuma intervenção diferente, as pessoas não apenas deixavam de morrer, senão que, também recuperavam-se e curavam-se. Nem sequer os médicos o pudessem explicar, porque era um feito Divino. Deus nos castigou e Deus agora nos perdoa”. Como não era possível existir outra explicação possível em meados do século XIX, tanto Defoe como a maioria o atribuíram a uma ação divina. O que é certo, em todas as pandemias, é que elas duram seu tempo. Hoje estamos melhor preparados, não apenas por alguns avanços médicos, como também porque os seres humanos estão melhor imunizados, como espécie, do que há séculos passados. Exceto em tribos isoladas, com pouco contato com a civilização, que são especialmente vulneráveis e poderão desaparecer se não forem tomadas medidas adequadas, coisa que já pode estar ocorrendo em lugares como a Amazônia, com a consequente tragédia e genocídio humano.

Podemos considerar a crise atual como uma catástrofe internacional, com uma base biológica, que durará um tempo e causará mortes. Os falecimentos dependerão, por sua vez, de duas variáveis:

  • A primeira, consequência da mutação biológica, fruto de uma natureza agredida a nível mundial, de uma Gaia maltratada por nossas ações destrutivas, que continuarão a gerar catástrofes geofísicas e biológicas. Talvez por isso o século XXI será o século das catástrofes “naturais”, enquanto o século XX foi o das bélicas.
  • A segunda, pela maior ou menor força biológica e psicossomática de cada pessoa, consequência tanto de sua predisposição congênita, como do distress sofrido ao longo de sua história pessoal, especialmente durante os primeiros anos de vida.
Gaia

Ambas coisas poderiam ser paliadas, erradicando fatores de risco de todo tipo no primeiro caso, e utilizando medidas preventivas nos ecossistemas essenciais (famílias, escolas, organizações…) como as que se plasmam no projeto que denominei em seu momento de Ecologia dos Sistemas Humanos.

Na presente ocasião, não irei valorar as decisões tomadas pelos governos frente à crise, mas sim valorarei as suas consequências. A imobilidade e o confinamento durante meses levará a uma recessão da economia e um sofrimento emocional e infraestrutural muito grande para milhões de pessoas, com consequências não apenas sociais e econômicas, como também psicossomáticas, que irão ocasionar condutas defensivas e patológicas. Nos encontraremos com reações muito distantes do funcionamento instintivo e natural como espécie que descrevi acima, e darão-se respostas baseadas no predomínio das, assim nomeadas por Wilhelm Reich, “pulsões secundárias culturais”, como o egoísmo, o individualismo, o sadismo, etc.

Tais pulsões tomam forma através de nosso Caráter, termo que este mesmo autor descreve como a couraça do ego. Ou seja, a soma de mecanismos de defesa organizados ao longo do nosso processo maturativo, em forma de traços de conduta rígidos, que formam parte de nossa personalidade. Entre eles, observamos traços compulsivos, fálicos, masoquistas ou histéricos.

É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”

Desta forma, durante o tempo do confinamento, irão tomando força tais atitudes caracteriais para fazer frente à crise e, no entanto, com o tempo tais atitudes podem ir desmoronando, dando lugar a reações mais profundas, consequência da Estrutura do caráter, ou seja, do padrão de organização essencial de cada pessoa:

  1. Reações impulsivas ou dissociativas, no caso da Estrutura Fronteiriça
  2. Cindidas pelo pânico, ou paranóicas-conspirativas-delirantes, no caso da Estrutura Psicótica
  3. Adaptativas, porém vivendo conflitos pessoais ou relacionais mais ou menos sérios, em função de seu traço de caráter imperante, no caso da Estrutura Neurótica.

O que pode refletir-se concretamente em condutas com rotinas compulsivas, emergências depressivas, vitimistas, de desesperação, evasivas-maníacas, de caos histriônico ou colocar-se como grande líder, salvador da humanidade.

Partido desta avaliação sistêmica e estrutural da situação atual, antes de propor as possíveis medidas de enfrentamento da crise e dos pós crise, devemos assumir que as consequências desta pandemia serão globais e imprevisíveis, a curto e médio prazo. Por isso, conforme escreveu Edgar Morin: “É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”. E, para nós, quais são estes arquipélagos? As leis gerais da Ecologia de Sistemas Humanos. Aplicando-as, poderemos navegar de forma mais segura e eficaz.

O ponto de partida que nos permitirá fazê-lo emerge da Teoria da Complexidade, do mencionado filósofo E. Morin, segundo a qual, para conhecer a realidade de um fenômeno, devemos detectar o maior número possível de variáveis que o fazem possível. Por isso, tampouco em esta crise será possível adotar posições baseadas em dar resposta a uma única variável. Como podemos observar em algumas posturas reativas, onde o Governo passa a ser a figura responsável por tudo que acontece; ou a postura de refugiar-se em ideações místicas, com cantos de sereia, pensando que tudo se irá solucionar pela força da natureza e que o ser humano vai mudar a partir de agora e tudo será diferente; nem, tampouco, a de fincar-se no mero pragmatismo mecanicista de pensar que tudo passa por soluções médicas e por uma vacina salvadora. A situação é complexa e, portanto, devemos buscar respostas que considerem as diversas variáveis que estão influindo nesta crise.

Navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas

Podemos encontrar uma ajuda necessária para continuar este propósito adotando a posição aconselhada por W. Reich de “observação silenciosa, que nos lembra, por sua vez, um princípio da física quântica, segundo a qual as particularidades do observador passam a ser uma variável mais a ter em conta na observação de qualquer fenômeno que se investigue. Nesta observação silenciosa, como primeiro passo, o próprio observador deve perguntar-se o que está sentindo e como está experimentando o que observa, assim como em que condições se encontra.

Se o aplicamos à situação atual, não tem muito sentido propor alternativas ou resolver os problemas dos demais, se previamente não me detenho, encarando-me e perguntando-me: “Como estou vivendo e sofrendo esta crise terrível?… Que sensações estou experimentando?… Como me sinto durante a noite e durante o dia?… Como estou junto aos outros?… Mais irritado(a), mais deprimido(a), ansioso(a), sonho mais ou menos, durmo ou não?… Como experimento o passar do tempo, a ausência do encontro social?” Nesta auto observação aprenderei e poderei administrar melhor meus recursos.

Um segundo passo será a observação do exterior. Temos que ratar de observar, sem preconceitos, sem categorias nem interpretações. Evitando o que Reich advertia: “receberemos a pressão da interpretação mecanicista das coisas”. Neste caso, por parte daqueles que ficam pendentes na descrição do dano do vírus: as mortes diárias, as medidas a tomar para não contagiar-se, a crise econômica que supõe a pandemia… tudo o que, ao não ser adequadamente contextualizado, aumentará o medo coletivo à pandemia. Evidentemente, esta é uma parte da realidade, porém esquecem-se de dar informação de outras variáveis, como a lógica imunológica individual e social, ou a influência que tem o maltrato que realizamos à natureza no surgimento desta pandemia. Ao mesmo tempo em que se reconhece que este coronavírus, junto com o resto de milhões de outros vírus, formam parte da Biodiversidade, e como tal, tem uma função vital, que devemos investigar e compreender, para neutralizar de uma forma ecológica a pandemia, e prevenir outras possíveis vindouras, em lugar de apresentá-lo como um inimigo invisível que é preciso destruir e vencer. Para tanto, é necessário facilitar os recursos necessários para equipes especializadas e científicas que seguem estas linhas de pesquisa, como Máximo Sandín ou Patrick Forterre.

Wilhelm Reich

Por sua vez, outros refletem apenas parte da realidade, ao descrever e enfatizar as capacidades próprias dos humanos, aqueles que preconizam uma resposta idealizada do ser humano frente a esta crise, dizendo que seremos capazes de aproveitar para mudar, para sermos solidários e recuperar uma certa consciência cósmica que promova um futuro mais sustentável. Porém, não devemos esquecer que tais capacidades do ser humano estão reduzidas e limitadas pela couraça e estrutura caracterial de cada qual, de modo que, uma coisa é querer e outra é poder. E não podemos esquecer que a crise econômica e social será global, mundial, e provocará tensões e conflitos, de modo a colocar à prova nossa capacidade potencial de sermos mais humanos, frente ao pânico do indivíduo encouraçado.

A partir desta posição de Observação Silenciosa, uma vez que tenhamos realizado as duas tarefas descritas, teremos acesso a uma maior compreensão do fenômeno (a crise pandêmica), o qual nos permitirá desenhar uma adequada estratégia de intervenção.

Outras duas ferramentas que nos serão necessárias para avançar nesta viagem são a Teoria do estresse (sofrimento) de Hans Selye, e a Inibição da ação de Henry Laborit ao estresse (melhor dito, distresse) da catástrofe, é preciso somar o que levamos no nosso interior, resultado dos medos experimentados em nossa história. Ambos preconizam respostas patológicas psicossomáticas descritas por Selye, que se agravam ao não poderem reagir frente a frustração que nos produz o empobrecimento, a doença, a imobilidade ou a falta de acompanhamento no luto próximo, enquanto que as razões de Estado parecem justificar a realidade que estamos vivendo, somando às patologias anteriores aquelas produzidas pelas alterações neuro-hormonais descritas por Laborit.

Aplicando ambas teorias à nossa situação atual, devemos estar preparados e alertar ao coletivo sanitário do aumento considerável de reações orgânicas psicossomáticas agudas e de crises emocionais e psicopatológicas, quadros agudos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, etc., que irão aparecendo conforme avance a crise e comece a paulatina recuperação. De momento, nosso sistema defensivo (couraça caracterial) está contendo os processos de adoecimento porque “sabe” que não receberá atenção, evade da percepção e evita sua emergência. Porém, quando se deem as condições, a emergência será virulenta e aguda. É uma dinâmica similar a de um acidente de trânsito. Em um primeiro momento, recuperamos toda a normalidade possível, porém progressivamente aparece o trauma e as consequências do impacto.

Da mesma forma, junto à emergência de patologias individuais, conflitos de casal ou crises familiares, fruto do distresse da catástrofe, temos que prepararmo-nos para a crise econômica de magnitudes pós bélicas. Por mais que os governos tentem neutralizar seus efeitos, estas se irão produzir, e como costuma ocorrer, os mais vulneráveis serão os mais afetados.

Previnir e preparar-se para enfrentar este porvir supõe aceitar e aplicar outra de nossas principais leis: o fato de que apenas com a cooperação e o apoio mútuo, frente à tendência do egoísmos sobrevivente, é possível conter e superar estas situações extremas. Aplicando a etnologia, faz mais de um século que uma figura libertária, Pior Kropotkin, o traduziu em seu livro magistral O apoio mútuo. Não se trata de “cooperativismo”, senão de somar esforços, capacidades pessoais e gerir funcionalmente os recursos coletivos, para conseguir objetivos comuns.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão

Não é uma tarefa fácil, porque ninguém nos ensinou, ao contrário, aprendemos a funcionar na direção contrária e, em alguns casos, nossas experiências nas relações pessoais e sociais foram tão destrutivas que nossa tendência é a de nos defendermos do Outro, porque deixamos de diferenciar entre “iguais” e “contrários”. O que leva a dinâmicas de evitação, fuga, inclusive de traição, tal como está representados na figura de Judas nos Evangélios, que W. Reich analisa junto de outros exemplos, dentro do que define como reações de peste emocional. Não apenas me refiro a reações individuais, como também aos movimentos corporativistas de grandes companhias, as quais aproveitarão esta situação de crise e morte, como fazem os abutres e os vermes. Inclusive, dão-se as condições para o ressurgimento de líderes fascistas, que com suas mentiras, suas difamações aos representantes democráticos e suas promessas de segurança e controle, enfeitiçam as massas necessitadas de bálsamos curativos, e surja tentativas de uma nova ordem autoritária internacional. Tampouco isto deve nos surpreender, mas devemos preparar-nos para evitar o máximo possível suas repercussões.

Também é certo que é mencionado e proposto, nos discursos políticos de muitos governantes e líderes sociais a necessidade da cooperação entre partidos e nações, frente à crise mundial que estamos vivendo. Porém, sabemos pela história, que este conceito de cooperação, infelizmente, quer dizer, melhor dito, uma colaboração para repartir-se o bolo de uma forma mais ou menos equitativa entre os poderosos, deixado migalhas ao resto. A solidariedade do poder se pode medir pelo número de interesses ocultos para aproveitar- se das circunstâncias, desenhando a forma de fazê-lo em cada nova situação. Podem perder algo, porém, mais tarde, recuperarão o perdido com “juros”.

Por esse motivo, devemos aceitar os limites das políticas governamentais, apesar de podermos apoiar as ações e propostas de alguns líderes de esquerda e representantes políticos em favor dos mais vulneráveis, como está acontecendo no Estado Espanhol. Conscientes, por sua vez, de que se encontrarão coibidos pelos vermes da direita e pelos partidos fascistas, que representam os poderes existentes e com a falta de apoio dos demais partidos que continuarão com suas demandas por sempre, sem adaptarem-se à nova realidade e à busca conjunta de soluções para a magnitude da crise e a catástrofe que estamos vivendo. Muitas vezes não lembramos nem aprendemos da história, e o mecanismo de “compulsão à repetição” que Freud descreveu em relação à neurose individual é contemplado na dinâmica social, tão bem descrita no livro de vanguarda de W. Reich: Psicologia de Massas do Fascismo.

Reich foi um dos que, em um momento pós-bélico, retoma esse princípio libertário de cooperação e o integra aos seus conhecimentos caracteroanalíticos, defendendo um movimento social de “democracia do trabalho”, de autogestão em pequenos espaços sociais (que posteriormente se chamarão sistemas e ecossistemas): família, escola, coletivos, organizações. Locais onde é possível e realista começar a estabelecer atmosferas mais ecológicas e implementar os princípios de apoio mútuo e solidariedade. Sabendo que é precisamente nesses sistemas essenciais que eles sempre procuram apoiar e influenciar os estados de poder, impondo seus próprios valores retrógrados e interessados. Mas como sabemos que isso pode acontecer, tentaremos mudá-lo, porque são nossos espaços reais, aqueles que podemos gerenciar e naqueles em que não temos presença ativa -organizações burocráticas, municipais ou governamentais-, participaremos indiretamente, por meio de reivindicações funcionais e votos úteis.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão. Não esperemos que nos entreguem de mão beijada. Não esperemos que o governo nos dê um salário, nos dê uma casa, nos pague o aluguel, porque isso poderá fazer por um mês, dois, com alguns milhares de pessoas, mas não com todos. Sejamos nós, com nosso trabalho e com nossos recursos e capacidades, que devemos sentirnos capazes de fazê-lo. Ao mesmo tempo que transmitimos conhecimentos e denunciamos as fraudes e a desinformação dos usurários e daquel@s que se escondem atrás das lentes das promessas que nos chegarão.

Quadro The Earthly Paradise
The Earthly Paradise

Superemos a crise com nossa unidade, a partir da igualdade, da liberdade e da fraternidade, palavras regadas em uma época com o sangue de muitos e muitas. E com a cooperação e a prática de dinâmicas criativas, ecológicas e de autogestão em nossos coletivos ecologistas internacionais, ao mesmo tempo que reivindicamos ações políticas e mudanças legais, e apoiamos propostas válidas de políticos honestos e confiáveis, sabendo que a trama do poder econômico empregará seus mecanismos para freá-las.

Assim, portanto, “sejamos realistas, peçamos o impossível”, como se reivindicava no movimento francês de Maio de 68. Para que? Para poder trabalhar pelo possível, a partir dos nossos limites e do nosso ritmo ir avançando para poder constuir aquilo que sim, podemos: tentemos estabelecer relações humanas e ecológicas com nossos iguais; com nossos cônjuges, com nossos filhos e filhas desde o princípio da vida; nos espaços escolares e em nossos coletivos cotidianos. Criemos meios para poder ir transformando nossa percepção embrutecida, nosso constrangimento emocional e nossa rigidez caracterial em Estruturas Humanas, e das gerações futuras, com o objetivo que recuperem nossa capacidade de Viver e formar parte da “trama do Vivo” (Fritjof Capra).

Façamo-lo, “encarnando a vitalidade”, conceito que de maneira minuciosa pesquisou e definiu o grande neurocientista Antonio Varela. Isto é, encarnemos as impressões, ideias, sensações que podem estar em nossas cabeças, que podem ser muito bonitas e poéticas, mas podem não passar de meras ideias. Encarnemo-as sentindo a força que possuem quando as integramos com nosso ser, com nossos afetos, nossa sexualidade, nossa criatividade e nossa capacidade de amar. E juntemos nossos corpos e nossos seres, em uma rede forte e segura, que estabeleça a matriz necessária onde poder avançar com nossas capacidades, possibilidades e contribuições pelo caminho que antes de nós forjaram aqueles que viveram, lutaram e inclusive morreram por ele: o caminho que leva à Utopia.

Tudo isto recorda-me as palavras do escritor Ernesto Sábato, plasmadas em seu requintado libro Antes do fim, publicado em 1999: “Apenas aqueles que sejam capazes de encarnar a Utopia, estarão aptos para o combate decisivo, o de recuperar o quanto de humanidade tenhamos perdido”.

Saúde e Força,

Xavier Serrano Hortelano
Psicólogo especialista em Psicologia Clínica. Psicoterapeuta caracteroanalítico. Exerce sua atividade clínica em Valência (Espanha) desde 1985. Diretor da Escuela Española de Terapia Reichiana (Es.Te.R.)
El Puig (Valencia), 15 de Abril de 2020

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Ansiedade: os brasileiros são campeões, segundo da OMS https://minasi.com.br/ansiedade-os-brasileiros-sao-campoes-segundo-da-oms/ Mon, 05 Feb 2018 12:57:06 +0000 http://minasi.com.br/?p=1060 O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população. Pesam nesse cenário, dizem especialistas, fatores socioeconômicos, como pobreza e desemprego, e ambientais, como o estilo de vida em grandes cidades.

O transtorno de ansiedade é um problema de saúde pública que a dona de casa Rosana Sandra Dal Bello, de 56 anos, conhece bem. Moradora de São Paulo, ela começou a ter os primeiros sintomas há 32 anos, alguns dias após o nascimento de sua primeira filha. “Eu tinha aquele bebezinho lindo no meu colo e estava tudo bem. Mas, de repente, passei a sentir um medo e uma agonia gigantescos, que me paralisavam. Não conseguia fazer nada, nem dormir.”

Rosana procurou ajuda médica e após muitas consultas obteve o diagnóstico: transtorno de ansiedade. Depois, ela ainda foi diagnosticada com depressão e síndrome do pânico. “Até acertar a medicação e a dosagem corretas, o sofrimento foi muito grande. Mas, hoje, os transtornos estão controlados.”

Medo e agonia. ‘Não conseguia nem dormir’, diz Rosana – foto: Gabriela Bilo/Estadão
Rosana não foi a primeira da família a enfrentar a doença. Sua mãe, de 74 anos, também teve quadro clínico parecido quando mais nova. “Na época, ela não teve o diagnóstico, até porque era uma doença ainda desconhecida. Mas tomou vários tipos de remédio e ficou internada em hospital psiquiátrico.”
O transtorno de ansiedade é marcado por sintomas como a dificuldade de concentração, problemas no sono e preocupação excessiva. Segundo André Brunoni, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), esses sintomas podem levar ao quadro depressivo, caracterizado pelos sintomas do transtorno acrescido de alterações no humor, como apatia, solidão, tristeza, além do isolamento social e dores sem justificativa física.

O número de diagnósticos em mulheres, diz ele, é maior por uma conjunção de fatores biológicos e culturais. Segundo Brunoni, a gravidez, a menopausa e o próprio ciclo menstrual provocam alterações hormonais que podem levar a manifestação dos sintomas desses transtornos. Elas também têm mais problemas na tireoide – responsável pela produção de hormônios. Já os homens têm uma resistência maior em procurar atendimento médico e também de expressar os sintomas, por isso, há um menor número de diagnósticos.

Ao Estado, o especialista da OMS para saúde mental, Dan Chisholm, indicou que é difícil indicar um fator isolado para explicar a alta taxa de transtornos de ansiedade no Brasil e mesmo de casos de depressão. “Ao contrário de outras doenças, existem muitos fatores que atuam de forma conjunta para criar esse cenário”, explicou.

Em sua avaliação, os principais fatores de risco que podem pesar no caso brasileiro incluem a situação econômica do país, os níveis de pobreza, desigualdade, desemprego e recessão. Além disso, existem fatores ambientais, como o estilo de vida em grandes cidades.

Desafio. Os dados da OMS mostram que o problema é global. São 322 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo – 4,4% da população e 18% a mais do que há dez anos. De acordo com a entidade, no Brasil, em 2015, eram 11,5 milhões com a doença e 18,6 milhões com transtorno de ansiedade.

A OMS escolheu a depressão como o tema a ser alvo de campanha internacional. Para a entidade, governos ainda não dão uma atenção suficiente a esse problema de saúde. Na frente do Brasil na lista de países com mais vítimas da depressão estão a Ucrânia (6,3%), seguida da Estônia, dos Estados Unidos e da Austrália (os três com 5,9%).
No panorama mundial, as mulheres são as principais afetadas: 5,1% são depressivas. Entre os homens, a taxa é de 3,6%.

Segundo a OMS, a depressão é a doença que mais contribui com a incapacidade no mundo. Ela é também a principal causa de mortes por suicídio, com cerca de 800 mil casos por ano.
Além da depressão, a entidade indica que, ao redor do mundo, 264 milhões de pessoas sofrem com transtornos de ansiedade, uma média de 3,6%. O número representa uma alta de 15% em comparação a 2005.

 No total, a OMS ainda estima que, a cada ano, as consequências dos transtornos mentais geram uma perda econômica de US$ 1 trilhão para o mundo.

Os 15 países com as maiores taxas de depressão:

  • Ucrânia (6,3%)
  • Austrália (5,9%)
  • Estônia (5,9%)
  • Estados Unidos (5,9%)
  • Brasil (5,8%)
  • Portugal (5,7%)
  • Grécia (5,7%)
  • Lituânia (5,6%)
  • Finlândia (5,6%)
  • Belarus (5,6%)
  • Rússia (5,5%)
  • Cuba (5,5%)
  • Nova Zelândia (5,4%)
  • República da Moldávia (5,4%)
  • Barbados (5,4%)

Fonte: *Jamil Chade e Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

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A incapacidade de parar é uma forma de depressão https://minasi.com.br/a-incapacidade-de-parar-e-uma-forma-de-depressao/ Tue, 21 Nov 2017 12:28:04 +0000 http://minasi.com.br/?p=751 Não é comum ver a aceleração psicológica do mundo, ou melhor dizendo, das pessoas que fazem o mundo, como algo depressivo, mas o rabino brasileiro Nilton Bonder vê. Num texto intitulado “Os domingos precisam de feriados“, Bonder faz uma importante reflexão sobre a pausa, mostrando como ela faz parte da natureza – “a noite é pausa, o inverno é pausa, (…)” – e como pressupostos da cultura vigente que valoriza a aceleração e ocupação do tempo (como a conhecida crença: “quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante”) estão aloprando as pessoas e a vida que há nelas.

Cuidado com a esterilidade de uma vida ocupada demais“, diz uma frase atribuída a Sócrates que circula no “território livre da Internet”. Bonder diz que, para o mundo (ou melhor, e de novo, para as pessoas que fazem o mundo, ou seja, nós), “funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente”, e observa que isso se estende para além dos dias chamados “úteis”, percebendo que “a pergunta que as pessoas se fazem no descanso é ‘o que vamos fazer hoje?’ – já marcada pela ansiedade“.

A pausa, de certa maneira, não é só um mero intervalo entre ocupações (apesar de ser isso também), mas um resgate do momento real e uma cura da escravidão inconsciente ao tempo psicológico. “Toda negatividade ;e causada pelo acúmulo de tempo psicológico e pela negação do presente”, diz o autor Eckhart Tolle no seu clássico livro O Poder do Agora. “Desconforto, ansiedade, tensão, estresse, preocupação – todas formas de medo – são causados por muito futuro, e presença insuficiente. Culpa, arrependimento, ressentimento, tristeza e amargura, são todas formas de não-perdão causadas por tempo passado demais, e presença insuficiente”.

Bonder diz que “A prática espiritual deste milênio será viver as pausas”. Tolle certamente diria que é viver em presença.

Boa leitura.

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OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS
Por Nilton Bonder

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por

24 horas já não bastam!

uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta. Hoje, o tempo de ‘pausa’ é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações ‘para não nos ocuparmos’. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.

Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações ‘para não nos ocuparmos’

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim. Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado.

Nossos namorados querem ‘ficar’, trocando o ‘ser’ pelo ‘estar’. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI – um dia seremos nossos? Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos.

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair – literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é ‘o que vamos fazer hoje?’ – já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande ‘radical livre’ que envelhece nossa alegria – o sonho de fazer do tempo uma mercadoria. Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar. Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente

Fonte: DHARMALOG

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