Análise Reichiana https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Thu, 09 May 2024 10:30:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 Análise Reichiana https://minasi.com.br 32 32 103183256 O corpo aos olhos de Reich https://minasi.com.br/o-corpo-aos-olhos-de-reich/ https://minasi.com.br/o-corpo-aos-olhos-de-reich/#respond Thu, 09 May 2024 10:30:09 +0000 https://minasi.com.br/2024/05/o-corpo-aos-olhos-de-reich/ Wilhelm Reich, um psicanalista revolucionário, desenvolveu a psicologia corporal e a terapia reichiana. Ele acreditava na relação íntima entre o corpo e a mente¹. Reich desenvolveu a teoria somática que afirmava que traumas e bloqueios emocionais se manifestam no corpo¹. Ele explorou o papel do corpo na formação da personalidade e na expressão emocional¹.

Reich enfatizou a importância de liberar emoções reprimidas e traumas armazenados no corpo². Sua abordagem terapêutica, conhecida como terapia reichiana, utiliza técnicas como a respiração, movimento e toque para ajudar as pessoas a acessarem e liberarem esses bloqueios emocionais².

Em seu livro “A Função do Orgasmo”, Reich descreveu em detalhes sua teoria somática e suas aplicações terapêuticas². Ele enfatizou a importância de liberar a energia reprimida no corpo para alcançar um estado de saúde e bem-estar holístico².

Reich também acreditava que a repressão sexual é o principal agente causador de neuroses que interferem diretamente nas relações entre os sujeitos⁴. Para Reich, o corpo é o centro de todas as relações entre os homens⁴.

Sua abordagem pioneira na psicologia corporal continua sendo estudada e praticada até hoje, oferecendo insights valiosos sobre a relação entre o corpo e a mente e suas implicações para a saúde mental¹².

Referencias:
(1) De que maneira Wilhelm Reich abordou a relação entre corpo e mente?. https://ibrath.com/de-que-maneira-wilhelm-reich-abordou-a-relacao-entre-corpo-e-mente/.
(2) WILHELM REICH: PSICANÁLISE, CORPO E CIÊNCIA. – Centro Adleriano. http://www.centroadleriano.org/wp-content/uploads/2016/04/WILHELM_REICH.pdf.
(3) O PAPEL DO CORPO NA VISÃO REICH – Recanto das Letras. https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/1355254.
(4) De que maneira Wilhelm Reich abordou a relação entre corpo e mente?. https://bing.com/search?q=wilhelm+reich+falou+sobre+o+corpo.
(5) O que Wilhelm Reich ensina sobre a importância da consciência corporal?. https://ibrath.com/o-que-wilhelm-reich-ensina-sobre-a-importancia-da-consciencia-corporal/.

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A Análise Reichiana (Psicologia Corporal) e o Eneagrama https://minasi.com.br/a-analise-reichiana-psicologia-corporal-e-o-eneagrama/ https://minasi.com.br/a-analise-reichiana-psicologia-corporal-e-o-eneagrama/#respond Fri, 26 Apr 2024 10:38:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=3323

A Análise Reichiana (psicologia corporal) e o Eneagrama são duas abordagens fascinantes que oferecem insights profundos sobre a personalidade humana. Ambas as teorias buscam entender como os indivíduos se comportam, reagem e interagem com o mundo ao seu redor, mas cada uma delas o faz à sua maneira única.

A Análise Reichiana (psicologia corporal), por exemplo, identifica 3 Estruturas, a saber, Mimética, Limítrofe e Neurótica, que podem traços de caráter que chamamos de coberturas: Obsessivo-compulsivo, Masoquista, Histérico e Fálico[1]. Esses traços são vistos como mecanismos de defesa que se formam durante a infância e influenciam tanto a mente quanto o corpo. A ideia é que esses traços de caráter moldam nossa identidade, emoções e comportamentos, e podem se tornar armadilhas ou recursos valiosos, dependendo de como os entendemos e lidamos com eles.

Por outro lado, o Eneagrama categoriza a personalidade em nove tipos distintos, divididos em três centros de inteligência: emocional, mental e instintivo[6]. Cada tipo do eneagrama tem suas próprias motivações, medos e desejos, que influenciam a maneira como as pessoas percebem o mundo e interagem com os outros. O eneagrama não só descreve esses tipos de personalidade, mas também oferece um caminho para o crescimento pessoal e espiritual, incentivando os indivíduos a se conectarem com sua essência e a superarem as limitações impostas pelo ego.

Quando comparamos as duas teorias, podemos encontrar algumas semelhanças interessantes. Ambas reconhecem que os padrões de personalidade se formam cedo na vida e têm um impacto significativo no comportamento adulto. Além disso, tanto a psicologia corporal quanto o eneagrama sugerem que a autoconsciência e o trabalho pessoal podem levar a uma vida mais plena e satisfatória.

Olhando de mais perto, percebemos semelhanças entre o sistema de traços de caráter e a tipologia dentro do Eneagrama. Sem desejar sobrepor ou sobre-avaliar um deste, mas percebendo o que podemos agregar de um e de outro no processo do autoconhecimento e do trabalho terapêutico.

No entanto, também existem diferenças. A psicologia corporal tende a enfatizar como as experiências da infância moldam o corpo e a mente, enquanto o eneagrama se concentra mais na dinâmica do ego e na busca pela essência. Além disso, a psicologia corporal é mais focada na relação entre o corpo e os traços de caráter, enquanto o eneagrama oferece um sistema mais espiritualizado e holístico para entender a personalidade.

Em última análise, tanto a psicologia corporal quanto o eneagrama oferecem caminhos valiosos para o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. Ao explorar as semelhanças e diferenças entre essas duas abordagens, podemos obter uma compreensão mais rica e matizada de nós mesmos e dos outros. Seja você um profissional da área ou alguém em busca de crescimento pessoal, há muito o que aprender com a psicologia corporal e o eneagrama.

Referências:
[1]: https://www.xavierserranohortelano.com/evaluacionestructural.php “”
[2]: https://www.psicanaliseclinica.com/carater/ “”
[3]: https://amenteemaravilhosa.com.br/personalidade-temperamento-e-carater/ “”
[4]: https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/ANIMA/36178/1/TCC%20revisado_Analise%20comparativa.pdf “”
[5]: https://pt.estudyando.com/perspectiva-do-traco-teoria-e-definicao/ “”
[6]: https://br.psicologia-online.com/os-9-tipos-de-personalidade-do-eneagrama-321.html “”
[7]: https://ieneagrama.com.br/tipos/ “”
[8]: https://felipepretel.com/blog/post/eneagrama-guia-completo/ “”
[9]: https://psicologosemmanaus.com.br/eneagrama/ “”

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A Análise Reichiana e o Eneagrama https://minasi.com.br/a-analise-reichiana-e-o-eneagrama/ https://minasi.com.br/a-analise-reichiana-e-o-eneagrama/#comments Wed, 06 Jan 2021 14:45:44 +0000 https://minasi.com.br/?p=2260 Quero propor um diálogo entre o universo do Eneagrama e e a Psicologia Corporal de Wilhelm Reich, focando o trabalho na ponte entre o Eneagrama e o corpo e vice-versa.

A psicologia corporal surgiu com o cientista natural, médico, psicanalista Dr. Wilhelm Reich. Ele foi discípulo de Freud e ao discordar da psicanálise a partir da dificuldade que a livre associação produzia na maioria dos pacientes, propôs que o corpo fala mais do que a boca. Neste sentido, Reich desenvolveu seu trabalho de uma vida, uma extensa pesquisa teórica e prática sobre como o corpo tem a mesma importância que a psiquê no processo de desenvolvimento do individuo. E, ainda mais, como nossas enfermidades estão presentes nos dois caminhos, sequestrando a energia vital que necessitamos para viver.

A couraça de caráter e a couraça muscular são funcionalmente identicas

As etapas do desenvolvimento emocional pelas quais uma pessoa passa desde a sua concepção até a adolescência é algo extremamente fascinante, que denominamos ontologia. Desenvolver significa progredir, crescer, amadurecer e conforme a criança vai crescendo, se desenvolvendo, vai apreendendo novas experiências que ficam registradas na memória celular em forma de inprintings, marcas, registros.

Ao se desenrolar este desenvolvimento, estes imprints, essas marcas ou registros vão se fixando no corpo e na psique e vão formando o que chamamos de traços de caráter ou personalidade, ou Tipo, no Eneagrama. Para a psicologia corporal isto não é meramente um construto psíquico, mas uma realidade no corpo. O inconsciente é o próprio corpo da pessoa.

Estas marcas, quando se repetem durante o processo do desenvolvimento infantil vão formando o que Reich denominou de couraça muscular do caráter, que são tensões musculares crônicas diante de suas relações consigo, com o pai ou a mãe e com o mundo que a cerca.

O desenvolvimento infantil

Estas couraças formam sete estruturas musculares, como anéis perpendiculares ao corpo, que correspondem as etapas do desenvolvimento infantil:

  • Etapa de Sustentação – da fecundação a aos 10 primeiros dias. Ligada aos segmentos ocular (olhos, pele, ouvido, nariz) e ao segmento diafragmático.
  • Etapa de Incorporação – Da primeira mamada até 2 anos aproximadamente. – está ligada ao segmento oral
  • Etapa de Produção – Inicia com o desmame e vai até 3 anos. – está ligada ao segmento cervical e peitoral.
  • Etapa de Identificação – É a partir do quarto ano de vida que se inicia a etapa que a criança é capaz de fazer identificações – está ligada ao segmento pélvico.
  • Etapa de Estruturação – Essa etapa tem início aos cinco anos de vida e se estende durante toda a puberdade, até o início da adolescência. Confirmando e concluindo couraças de caráter.
Fases onde a criança assenta seus traços de caráter

As quatros primeiras etapas são fundametais e são nestas fases onde o caráter / personalidade vai se fundamentar nas relações com as figuras maternas e paternas.

O que Reich propôs e provou com todo o seu trabalho e de seus seguidores posteriormente é que o corpo não é uma representação do meu EU. O corpo é o EU formado nas relações mais fundamentais e tudo o que se passa na psiquê, está ancorado no corpo, restringindo o fluxo da energia vital pelo aparato biofísico, gerando o adoecimento.

Aqui já existe muito diálogo, uma vez que o Eneagrama também tem nas etapas do desenvolvimento infantil a sua base. Isto facilita muito ao relacionar EneaTipos com Traços de Caráter e por conseguinte couraças envolvidas.

Como o Eneagrama pode auxiliar na clínica da análise Reichiana?

• Rápido foco no problema central – é comum a pessoa chegar ao consultório relatando sintomas, comportamentos, mas dificilmente consegue saber o porquê isto acontece com ela. Então, observando a pessoa, sua arqueologia psíquica e corporal, a terapia avança rapidamente, uma vez que não se busca tratar o sintoma, mas os traços de caráter que estão mais atingidos ou Tipo e o conflito por ela reproduzido.

Por exemplo: quando, identifico que os sintomas que a pessoa descreve na annamese, trata-se de um possível traço do Eneatipo 1 já foco minha atenção na contenção oral da raiva e no controle cervical.

Foco dos egmentos corporais e Centros Vitais – Conhecendo os Centros vitais, é possível ganhar terreno na terapia focando o trabalho nos segmentos ligados ao Tipo.

Por exemplo: Um tipo 6, embora possa ter problemas em outros segmentos, sempre começamos trabalhando o segmento ocular, onde reside o medo.

Conhecer as paixões do tipo aumentam consideravelmente as chances de sucesso na análise. Quando falamos em paixão, falamos em sensação e corpo. Então, toda paixão está ligada à forma como nos acomodamos às ameaças externas.

Por explo: ao lidar com um tipo 2 imediatamente começo um tratamento de choque, atacando o orgulho, para que a pessoa note como esquece de si, através de trabalhos corporais que a façam perceber isto no próprio corpo e aprofundamos a partir disto.

Como a análise Reichiana auxilia na descoberta do Eneagrama?

Sensibilização do Centro / segmento encouraçado: Na terapia corporal a teoria dos Centros se torna viva, porque a pessoa percebe no corpo, através do trabalho corporal, como a energia se concentra naquele segmento, aumentando muito a auto-percepção.

Por exmplo: O tipo 4 percebe rapidamente a sensação de vazio no Centro emocional, ligado ao segmento torácico e diafragmático ao trabalhar sua base oral.

Projeto terapêutico de desenvolvimento: A análise Reichiana possui método e objetivo, seja uma terapia breve ou profunda, segue as etapas do desenvolvimento infantil, isto vai levando o individuo a conhecer e entender sua arqueologia e traçar um projeto de desenvolvimento e maturação.

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Biopatia: produto trágico da degeneração do processo vital https://minasi.com.br/biopatias/ https://minasi.com.br/biopatias/#respond Tue, 19 May 2020 21:17:29 +0000 https://minasi.com.br/2020/05/biopatias/
“O exemplo mais dramático de uma biopatia é o câncer. Essa doença foi extensamente analisada por Reich no livro intitulado A Biopatia do Câncer” – Reprodução

Descobertas Reichianas que podem mudar o mundo

As emoções são fenômenos biológicos. A possibilidade de sentir e expressar as emoções de forma consciente está relacionada com o movimento livre da energia em nosso organismo. Da mesma maneira, a sexualidade natural é um fenômeno biológico e energético caracterizado pelo fluxo e pelo movimento.

Wilhelm Reich descobriu que a sexualidade natural e a expressividade emocional possuem uma importante função em nosso organismo: a autorregulação energética. Assim podemos nomear o processo espontâneo de conexão de cada indivíduo com seus ritmos naturais, com o fluxo e a pulsação da energia que, ocorrendo livremente, promovem a autocura e o equilíbrio dinâmico que caracterizam a saúde.

O orgasmo, em especial, é o principal mecanismo de autorregulação do organismo. Isso porque sua função é promover a liberação prazerosa do excedente de energia que se acumula em nossos corpos, reduzindo o nível de tensão corporal, promovendo relaxamento e sendo um meio de expressão do amor.

Deste modo, podemos dizer que os seres vivos possuem um metabolismo energético, caracterizado pela entrada e saída – carga e descarga – de energia, as quais acontecem de diversas maneiras. Como exemplos de atividades de carga energética podemos mencionar a respiração e a nutrição. Já a descarga de energia acontece por meio da expressão emocional, atividades físicas e sexualidade, por exemplo. Quanto mais esse metabolismo funcione de forma fluida e natural, mais saudável e menos neurótico está um organismo.

No entanto, quando o enrijecimento do organismo com a finalidade de repressão e contenção (isto é, o encouraçamento) passa a governar o metabolismo da energia e as funções emocionais e sexuais, ocorre a dessensibilização do corpo junto com a diminuição da capacidade respiratória e do contato do indivíduo com a realidade. Este último passa a perceber menos a si mesmo e o ambiente ao redor, tendo menos capacidade de se conectar afetivamente e de sentir seu pertencimento ao mundo.

O encouraçamento, quando se transforma em um modo de vida, contraria o funcionamento biológico natural, que é marcado pelo livre fluxo de carga e descarga das correntes energéticas.

Os sintomas que desenvolvemos – tais como enxaquecas, insônia, alergias, etc – as doenças crônicas e os comportamentos violentos das pessoas – fenômenos tão comuns atualmente – estariam relacionados a esse estado de alteração do funcionamento espontâneo do organismo, marcado pelo enrijecimento, pela repressão, pela tensão e pela insatisfação sexual.

Reich observou que a contenção e a paralisação da energia corporal, se perpetuada no tempo, também gera ansiedade em maior ou menor grau, da mesma forma que a possibilidade de livre fluxo e expressão biossexual num organismo é um processo acompanhado da sensação de prazer.

Ele descobriu que o encouraçamento distorce e corrompe seriamente o funcionamento biologicamente natural de nosso organismo, gerando uma espécie de degeneração que pode evoluir para as chamadas biopatias. Estas últimas podem ser definidas como alterações permanentes e patológicas da forma natural e espontânea dos processos vitais, que geram a desorganização e consequente aniquilação do organismo. Seu mecanismo central é a perturbação da descarga da excitação sexual.

O exemplo mais dramático de uma biopatia é o câncer. Essa doença foi extensamente analisada por Reich no livro intitulado A Biopatia do Câncer. Simplificadamente, ele dirá que o processo do câncer está relacionado a um encolhimento global do organismo, marcado pela contração diafragmática, que facilita uma oxigenação deficiente e o aumento da acidez no corpo pelo excesso de gás carbônico (condição presente no bloqueio inspiratório da respiração, quando o paciente tem dificuldade de relaxar o diafragma e exalar).

A biopatia carcinomatosa se desenvolve em três fases. A primeira é a contração, ou, em outras palavras, a incapacidade crônica para a expansão. Ela se manifesta psiquicamente como resignação e corporalmente como enrijecimento muscular, palidez, debilidade para obter carga energética e satisfação orgástica. A segunda fase seria o encolhimento, marcado pela perda de massa corporal, diminuição dos glóbulos vermelhos e perda de resistência física. A terceira fase é a da putrefação, caracterizada pela perda de carga energética das células e tecidos, transformação do material canceroso em matéria pútrida e finalmente a morte.

Reich dirá que o tumor não é a causa do câncer, e sim uma de suas consequências. O câncer é, principalmente, o processo global de encolhimento do organismo, o coroamento mórbido do encouraçamento.

Quando passamos a funcionar de um modo antinatural, adquirimos corpos que adoecem justamente porque seus mecanismos de “autocura”, de manutenção do equilíbrio e da saúde estão prejudicados pelo enrijecimento.

Artigo de Mariana Barbieri, publicado no site Brasil de Fato

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O aqui e o agora – notas encarnadas sobre a catástrofe https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/ https://minasi.com.br/o-aqui-e-o-agora/#respond Tue, 21 Apr 2020 14:10:37 +0000 https://minasi.com.br/?p=1935 Por Xavier Serrano Hortelano

A realidade pandêmica que estamos experimentando durante estes meses, independente das interpretações, é uma catástrofe internacional que trará consequências gravíssimas, em todos os níveis, como advertem alguns especialistas, que podem ser similares àquelas sofridas por uma guerra mundial.

As crises, tanto pessoais como sociais, assim como em qualquer catástrofe, chegam de surpresa. Por isso, em grande medida, estamos agora vivendo uma espécie de experiência onírica. Muitas das pessoas a quem atendo me dizem: “É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”. Nossa percepção agora sofre uma certa alteração da consciência, porque a realidade social e cotidiana é, em grande medida, desconhecida. De modo que sofremos mudanças nos ritmos vitais, alterações no sono, sensações estranhas e uma vivência diferente da passagem do tempo.

É como se estivesse em um sonho, ante o qual não consigo reagir”.

E este sonho não é agradável, se assemelha mais a um pesadelo, onde nos encontramos com a vulnerabilidade e a morte, que são o que costumam acompanhar qualquer catástrofe. As pandemias, diferentes do resto, são catástrofes lentas, onde o estado de alarme, a tendência ao caos e ao pânico, vão mostrando-se e aumentando progressivamente.

Outros especialistas e enfoques psicológicos que também abordam e estudam o fenômeno do medo, como os sistêmicos, os cognitivistas ou os construtivistas, propõem que estas situações estimulam a criatividade, a emergência de valores tais quais a solidariedade e conduzem à busca por soluções. Em minha opinião, esta descrição pode ser atribuída à reação instintiva que é produzida na natureza, em geral, e nos mamíferos, em particular, mas, em muitas ocasiões, não é a que observamos no mamífero humano. No nosso caso, fomos perdendo o contato com o funcionamento instintivo, e somos movidos mais por padrões de conduta social estereotipada, governados pelo predomínio e especialização da razão, do pensamento cortical, devido, fundamentalmente à influência dada sociedade patriarcal na qual temos vivido durante séculos, que tem menosprezado o mundo do instintivo, dos afetos, da ternura, da sexualidade, das relações humanizadas, em pró de alcançar objetivos, da eficácia e da supremacia fálica do poder, o qual se reflete nas relações não saudáveis que se mantém nos ecossistemas essenciais (família e escola), muito distantes daqueles que permitem estabelecer atmosferas ecológicas, próximas do funcionamento natural do Vivo. Portanto, é preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Visto que é certo que, a nível conductual e de resposta social estamos longe de produzir respostas instintivas auto organizadas ou autopoiéticas-, segundo a definição de Humberto Maturana-, a nível biológico sim somos capazes de tê-las pois, ainda que, nas pandemias sofridas pelo ser humano ao longo da história muitas pessoas tenham falecido, nossa espécie logrou sobreviver. Podemos compreender melhor tal fato aplicando também a teoria da Ressonância Mórfica de Sheldrake, segundo a qual a espécie humana, como o resto das espécies, acumula o legado das respostas de sobrevivência de séculos, no terreno biológico. Cada vez que surge uma variável molecular, frente a qual a espécie não está acostumada, existe um período de vulnerabilidade onde ocorrem falecimentos, até que chega o período de auto organização imunitária, sem que tenham, necessariamente, existido vacinas ou soluções médicas prévias específicas.

É preciso ter claro que se o medo conduz os mamíferos a uma solução, no ser humano, costuma levá-lo a uma encruzilhada.

Neste sentido, recordo a frase de Daniel Defoe, em seu livro O ano da peste onde, em sua descrição romantizada de uma das pandemias históricas, relata: “A sociedade ficou perplexa quando perceberam que, se repente, sem nenhum medicamento novo, sem nenhuma intervenção diferente, as pessoas não apenas deixavam de morrer, senão que, também recuperavam-se e curavam-se. Nem sequer os médicos o pudessem explicar, porque era um feito Divino. Deus nos castigou e Deus agora nos perdoa”. Como não era possível existir outra explicação possível em meados do século XIX, tanto Defoe como a maioria o atribuíram a uma ação divina. O que é certo, em todas as pandemias, é que elas duram seu tempo. Hoje estamos melhor preparados, não apenas por alguns avanços médicos, como também porque os seres humanos estão melhor imunizados, como espécie, do que há séculos passados. Exceto em tribos isoladas, com pouco contato com a civilização, que são especialmente vulneráveis e poderão desaparecer se não forem tomadas medidas adequadas, coisa que já pode estar ocorrendo em lugares como a Amazônia, com a consequente tragédia e genocídio humano.

Podemos considerar a crise atual como uma catástrofe internacional, com uma base biológica, que durará um tempo e causará mortes. Os falecimentos dependerão, por sua vez, de duas variáveis:

  • A primeira, consequência da mutação biológica, fruto de uma natureza agredida a nível mundial, de uma Gaia maltratada por nossas ações destrutivas, que continuarão a gerar catástrofes geofísicas e biológicas. Talvez por isso o século XXI será o século das catástrofes “naturais”, enquanto o século XX foi o das bélicas.
  • A segunda, pela maior ou menor força biológica e psicossomática de cada pessoa, consequência tanto de sua predisposição congênita, como do distress sofrido ao longo de sua história pessoal, especialmente durante os primeiros anos de vida.
Gaia

Ambas coisas poderiam ser paliadas, erradicando fatores de risco de todo tipo no primeiro caso, e utilizando medidas preventivas nos ecossistemas essenciais (famílias, escolas, organizações…) como as que se plasmam no projeto que denominei em seu momento de Ecologia dos Sistemas Humanos.

Na presente ocasião, não irei valorar as decisões tomadas pelos governos frente à crise, mas sim valorarei as suas consequências. A imobilidade e o confinamento durante meses levará a uma recessão da economia e um sofrimento emocional e infraestrutural muito grande para milhões de pessoas, com consequências não apenas sociais e econômicas, como também psicossomáticas, que irão ocasionar condutas defensivas e patológicas. Nos encontraremos com reações muito distantes do funcionamento instintivo e natural como espécie que descrevi acima, e darão-se respostas baseadas no predomínio das, assim nomeadas por Wilhelm Reich, “pulsões secundárias culturais”, como o egoísmo, o individualismo, o sadismo, etc.

Tais pulsões tomam forma através de nosso Caráter, termo que este mesmo autor descreve como a couraça do ego. Ou seja, a soma de mecanismos de defesa organizados ao longo do nosso processo maturativo, em forma de traços de conduta rígidos, que formam parte de nossa personalidade. Entre eles, observamos traços compulsivos, fálicos, masoquistas ou histéricos.

É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”

Desta forma, durante o tempo do confinamento, irão tomando força tais atitudes caracteriais para fazer frente à crise e, no entanto, com o tempo tais atitudes podem ir desmoronando, dando lugar a reações mais profundas, consequência da Estrutura do caráter, ou seja, do padrão de organização essencial de cada pessoa:

  1. Reações impulsivas ou dissociativas, no caso da Estrutura Fronteiriça
  2. Cindidas pelo pânico, ou paranóicas-conspirativas-delirantes, no caso da Estrutura Psicótica
  3. Adaptativas, porém vivendo conflitos pessoais ou relacionais mais ou menos sérios, em função de seu traço de caráter imperante, no caso da Estrutura Neurótica.

O que pode refletir-se concretamente em condutas com rotinas compulsivas, emergências depressivas, vitimistas, de desesperação, evasivas-maníacas, de caos histriônico ou colocar-se como grande líder, salvador da humanidade.

Partido desta avaliação sistêmica e estrutural da situação atual, antes de propor as possíveis medidas de enfrentamento da crise e dos pós crise, devemos assumir que as consequências desta pandemia serão globais e imprevisíveis, a curto e médio prazo. Por isso, conforme escreveu Edgar Morin: “É preciso aprender a navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas”. E, para nós, quais são estes arquipélagos? As leis gerais da Ecologia de Sistemas Humanos. Aplicando-as, poderemos navegar de forma mais segura e eficaz.

O ponto de partida que nos permitirá fazê-lo emerge da Teoria da Complexidade, do mencionado filósofo E. Morin, segundo a qual, para conhecer a realidade de um fenômeno, devemos detectar o maior número possível de variáveis que o fazem possível. Por isso, tampouco em esta crise será possível adotar posições baseadas em dar resposta a uma única variável. Como podemos observar em algumas posturas reativas, onde o Governo passa a ser a figura responsável por tudo que acontece; ou a postura de refugiar-se em ideações místicas, com cantos de sereia, pensando que tudo se irá solucionar pela força da natureza e que o ser humano vai mudar a partir de agora e tudo será diferente; nem, tampouco, a de fincar-se no mero pragmatismo mecanicista de pensar que tudo passa por soluções médicas e por uma vacina salvadora. A situação é complexa e, portanto, devemos buscar respostas que considerem as diversas variáveis que estão influindo nesta crise.

Navegar em um oceano de incerteza, através de arquipélagos de certezas

Podemos encontrar uma ajuda necessária para continuar este propósito adotando a posição aconselhada por W. Reich de “observação silenciosa, que nos lembra, por sua vez, um princípio da física quântica, segundo a qual as particularidades do observador passam a ser uma variável mais a ter em conta na observação de qualquer fenômeno que se investigue. Nesta observação silenciosa, como primeiro passo, o próprio observador deve perguntar-se o que está sentindo e como está experimentando o que observa, assim como em que condições se encontra.

Se o aplicamos à situação atual, não tem muito sentido propor alternativas ou resolver os problemas dos demais, se previamente não me detenho, encarando-me e perguntando-me: “Como estou vivendo e sofrendo esta crise terrível?… Que sensações estou experimentando?… Como me sinto durante a noite e durante o dia?… Como estou junto aos outros?… Mais irritado(a), mais deprimido(a), ansioso(a), sonho mais ou menos, durmo ou não?… Como experimento o passar do tempo, a ausência do encontro social?” Nesta auto observação aprenderei e poderei administrar melhor meus recursos.

Um segundo passo será a observação do exterior. Temos que ratar de observar, sem preconceitos, sem categorias nem interpretações. Evitando o que Reich advertia: “receberemos a pressão da interpretação mecanicista das coisas”. Neste caso, por parte daqueles que ficam pendentes na descrição do dano do vírus: as mortes diárias, as medidas a tomar para não contagiar-se, a crise econômica que supõe a pandemia… tudo o que, ao não ser adequadamente contextualizado, aumentará o medo coletivo à pandemia. Evidentemente, esta é uma parte da realidade, porém esquecem-se de dar informação de outras variáveis, como a lógica imunológica individual e social, ou a influência que tem o maltrato que realizamos à natureza no surgimento desta pandemia. Ao mesmo tempo em que se reconhece que este coronavírus, junto com o resto de milhões de outros vírus, formam parte da Biodiversidade, e como tal, tem uma função vital, que devemos investigar e compreender, para neutralizar de uma forma ecológica a pandemia, e prevenir outras possíveis vindouras, em lugar de apresentá-lo como um inimigo invisível que é preciso destruir e vencer. Para tanto, é necessário facilitar os recursos necessários para equipes especializadas e científicas que seguem estas linhas de pesquisa, como Máximo Sandín ou Patrick Forterre.

Wilhelm Reich

Por sua vez, outros refletem apenas parte da realidade, ao descrever e enfatizar as capacidades próprias dos humanos, aqueles que preconizam uma resposta idealizada do ser humano frente a esta crise, dizendo que seremos capazes de aproveitar para mudar, para sermos solidários e recuperar uma certa consciência cósmica que promova um futuro mais sustentável. Porém, não devemos esquecer que tais capacidades do ser humano estão reduzidas e limitadas pela couraça e estrutura caracterial de cada qual, de modo que, uma coisa é querer e outra é poder. E não podemos esquecer que a crise econômica e social será global, mundial, e provocará tensões e conflitos, de modo a colocar à prova nossa capacidade potencial de sermos mais humanos, frente ao pânico do indivíduo encouraçado.

A partir desta posição de Observação Silenciosa, uma vez que tenhamos realizado as duas tarefas descritas, teremos acesso a uma maior compreensão do fenômeno (a crise pandêmica), o qual nos permitirá desenhar uma adequada estratégia de intervenção.

Outras duas ferramentas que nos serão necessárias para avançar nesta viagem são a Teoria do estresse (sofrimento) de Hans Selye, e a Inibição da ação de Henry Laborit ao estresse (melhor dito, distresse) da catástrofe, é preciso somar o que levamos no nosso interior, resultado dos medos experimentados em nossa história. Ambos preconizam respostas patológicas psicossomáticas descritas por Selye, que se agravam ao não poderem reagir frente a frustração que nos produz o empobrecimento, a doença, a imobilidade ou a falta de acompanhamento no luto próximo, enquanto que as razões de Estado parecem justificar a realidade que estamos vivendo, somando às patologias anteriores aquelas produzidas pelas alterações neuro-hormonais descritas por Laborit.

Aplicando ambas teorias à nossa situação atual, devemos estar preparados e alertar ao coletivo sanitário do aumento considerável de reações orgânicas psicossomáticas agudas e de crises emocionais e psicopatológicas, quadros agudos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, etc., que irão aparecendo conforme avance a crise e comece a paulatina recuperação. De momento, nosso sistema defensivo (couraça caracterial) está contendo os processos de adoecimento porque “sabe” que não receberá atenção, evade da percepção e evita sua emergência. Porém, quando se deem as condições, a emergência será virulenta e aguda. É uma dinâmica similar a de um acidente de trânsito. Em um primeiro momento, recuperamos toda a normalidade possível, porém progressivamente aparece o trauma e as consequências do impacto.

Da mesma forma, junto à emergência de patologias individuais, conflitos de casal ou crises familiares, fruto do distresse da catástrofe, temos que prepararmo-nos para a crise econômica de magnitudes pós bélicas. Por mais que os governos tentem neutralizar seus efeitos, estas se irão produzir, e como costuma ocorrer, os mais vulneráveis serão os mais afetados.

Previnir e preparar-se para enfrentar este porvir supõe aceitar e aplicar outra de nossas principais leis: o fato de que apenas com a cooperação e o apoio mútuo, frente à tendência do egoísmos sobrevivente, é possível conter e superar estas situações extremas. Aplicando a etnologia, faz mais de um século que uma figura libertária, Pior Kropotkin, o traduziu em seu livro magistral O apoio mútuo. Não se trata de “cooperativismo”, senão de somar esforços, capacidades pessoais e gerir funcionalmente os recursos coletivos, para conseguir objetivos comuns.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão

Não é uma tarefa fácil, porque ninguém nos ensinou, ao contrário, aprendemos a funcionar na direção contrária e, em alguns casos, nossas experiências nas relações pessoais e sociais foram tão destrutivas que nossa tendência é a de nos defendermos do Outro, porque deixamos de diferenciar entre “iguais” e “contrários”. O que leva a dinâmicas de evitação, fuga, inclusive de traição, tal como está representados na figura de Judas nos Evangélios, que W. Reich analisa junto de outros exemplos, dentro do que define como reações de peste emocional. Não apenas me refiro a reações individuais, como também aos movimentos corporativistas de grandes companhias, as quais aproveitarão esta situação de crise e morte, como fazem os abutres e os vermes. Inclusive, dão-se as condições para o ressurgimento de líderes fascistas, que com suas mentiras, suas difamações aos representantes democráticos e suas promessas de segurança e controle, enfeitiçam as massas necessitadas de bálsamos curativos, e surja tentativas de uma nova ordem autoritária internacional. Tampouco isto deve nos surpreender, mas devemos preparar-nos para evitar o máximo possível suas repercussões.

Também é certo que é mencionado e proposto, nos discursos políticos de muitos governantes e líderes sociais a necessidade da cooperação entre partidos e nações, frente à crise mundial que estamos vivendo. Porém, sabemos pela história, que este conceito de cooperação, infelizmente, quer dizer, melhor dito, uma colaboração para repartir-se o bolo de uma forma mais ou menos equitativa entre os poderosos, deixado migalhas ao resto. A solidariedade do poder se pode medir pelo número de interesses ocultos para aproveitar- se das circunstâncias, desenhando a forma de fazê-lo em cada nova situação. Podem perder algo, porém, mais tarde, recuperarão o perdido com “juros”.

Por esse motivo, devemos aceitar os limites das políticas governamentais, apesar de podermos apoiar as ações e propostas de alguns líderes de esquerda e representantes políticos em favor dos mais vulneráveis, como está acontecendo no Estado Espanhol. Conscientes, por sua vez, de que se encontrarão coibidos pelos vermes da direita e pelos partidos fascistas, que representam os poderes existentes e com a falta de apoio dos demais partidos que continuarão com suas demandas por sempre, sem adaptarem-se à nova realidade e à busca conjunta de soluções para a magnitude da crise e a catástrofe que estamos vivendo. Muitas vezes não lembramos nem aprendemos da história, e o mecanismo de “compulsão à repetição” que Freud descreveu em relação à neurose individual é contemplado na dinâmica social, tão bem descrita no livro de vanguarda de W. Reich: Psicologia de Massas do Fascismo.

Reich foi um dos que, em um momento pós-bélico, retoma esse princípio libertário de cooperação e o integra aos seus conhecimentos caracteroanalíticos, defendendo um movimento social de “democracia do trabalho”, de autogestão em pequenos espaços sociais (que posteriormente se chamarão sistemas e ecossistemas): família, escola, coletivos, organizações. Locais onde é possível e realista começar a estabelecer atmosferas mais ecológicas e implementar os princípios de apoio mútuo e solidariedade. Sabendo que é precisamente nesses sistemas essenciais que eles sempre procuram apoiar e influenciar os estados de poder, impondo seus próprios valores retrógrados e interessados. Mas como sabemos que isso pode acontecer, tentaremos mudá-lo, porque são nossos espaços reais, aqueles que podemos gerenciar e naqueles em que não temos presença ativa -organizações burocráticas, municipais ou governamentais-, participaremos indiretamente, por meio de reivindicações funcionais e votos úteis.

Somos nós que devemos tomar as rédeas da situação, começando a desenvolver relações baseadas no respeito, no reconhecimento de funções e na gestão de recursos a partir da autogestão. Não esperemos que nos entreguem de mão beijada. Não esperemos que o governo nos dê um salário, nos dê uma casa, nos pague o aluguel, porque isso poderá fazer por um mês, dois, com alguns milhares de pessoas, mas não com todos. Sejamos nós, com nosso trabalho e com nossos recursos e capacidades, que devemos sentirnos capazes de fazê-lo. Ao mesmo tempo que transmitimos conhecimentos e denunciamos as fraudes e a desinformação dos usurários e daquel@s que se escondem atrás das lentes das promessas que nos chegarão.

Quadro The Earthly Paradise
The Earthly Paradise

Superemos a crise com nossa unidade, a partir da igualdade, da liberdade e da fraternidade, palavras regadas em uma época com o sangue de muitos e muitas. E com a cooperação e a prática de dinâmicas criativas, ecológicas e de autogestão em nossos coletivos ecologistas internacionais, ao mesmo tempo que reivindicamos ações políticas e mudanças legais, e apoiamos propostas válidas de políticos honestos e confiáveis, sabendo que a trama do poder econômico empregará seus mecanismos para freá-las.

Assim, portanto, “sejamos realistas, peçamos o impossível”, como se reivindicava no movimento francês de Maio de 68. Para que? Para poder trabalhar pelo possível, a partir dos nossos limites e do nosso ritmo ir avançando para poder constuir aquilo que sim, podemos: tentemos estabelecer relações humanas e ecológicas com nossos iguais; com nossos cônjuges, com nossos filhos e filhas desde o princípio da vida; nos espaços escolares e em nossos coletivos cotidianos. Criemos meios para poder ir transformando nossa percepção embrutecida, nosso constrangimento emocional e nossa rigidez caracterial em Estruturas Humanas, e das gerações futuras, com o objetivo que recuperem nossa capacidade de Viver e formar parte da “trama do Vivo” (Fritjof Capra).

Façamo-lo, “encarnando a vitalidade”, conceito que de maneira minuciosa pesquisou e definiu o grande neurocientista Antonio Varela. Isto é, encarnemos as impressões, ideias, sensações que podem estar em nossas cabeças, que podem ser muito bonitas e poéticas, mas podem não passar de meras ideias. Encarnemo-as sentindo a força que possuem quando as integramos com nosso ser, com nossos afetos, nossa sexualidade, nossa criatividade e nossa capacidade de amar. E juntemos nossos corpos e nossos seres, em uma rede forte e segura, que estabeleça a matriz necessária onde poder avançar com nossas capacidades, possibilidades e contribuições pelo caminho que antes de nós forjaram aqueles que viveram, lutaram e inclusive morreram por ele: o caminho que leva à Utopia.

Tudo isto recorda-me as palavras do escritor Ernesto Sábato, plasmadas em seu requintado libro Antes do fim, publicado em 1999: “Apenas aqueles que sejam capazes de encarnar a Utopia, estarão aptos para o combate decisivo, o de recuperar o quanto de humanidade tenhamos perdido”.

Saúde e Força,

Xavier Serrano Hortelano
Psicólogo especialista em Psicologia Clínica. Psicoterapeuta caracteroanalítico. Exerce sua atividade clínica em Valência (Espanha) desde 1985. Diretor da Escuela Española de Terapia Reichiana (Es.Te.R.)
El Puig (Valencia), 15 de Abril de 2020

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O corpo, esse tagarela! https://minasi.com.br/o-corpo-esse-tagarela/ https://minasi.com.br/o-corpo-esse-tagarela/#respond Wed, 11 Dec 2019 14:19:28 +0000 https://minasi.com.br/?p=1848 Wilhelm Reich foi o precursor das psicoterapias corporais. Desde sua época enquanto psicanalista seguidor de Freud, sempre inseriu o corpo em seu processo analítico.

Mas foi quando Reich tirou o paciente do divã freudiano para colocá-lo sentado em uma poltrona, foi que conseguiu visualizar de forma mais clara a linguagem dos sinais e a comunicação do corpo. O caráter é a forma do indivíduo agir e reagir por intermédio de seu comportamento. Ele expressa nosso temperamento e nossa personalidade.

Não há um comportamento sem esforço muscular e se essa necessidade de expressar-se for impedida por uma repressão ou um estresse, a emoção fica retida nos músculos e forma a couraça.  A couraça, portanto, manifesta-se no corpo. É uma emoção congelada.

Portanto, o corpo fala. Expressa nossos sentimentos, nossos desejos, nossas frustrações. Essa é a leitura de sinais que podemos observar nas pessoas.

Mas, além disso, o corpo registra nossa história. Tudo o que acontece de ruim em nossas vidas, trazem marcas na mente e no corpo. Assim, nosso corpo vai se moldando como uma arvore. Se ela estiver num deserto árido, vai crescer fraca, torta. Se estiver num campo que sofre as intempéries como frio, seca, chuva em excesso, etc, vai crescer de forma desproporcional. Se estiver em um terreno com solo em cuidado e não sofrer quase nada, vai crescer bela e frondosa. O corpo humano também é assim. Se for gerado e desenvolvido em um ambiente hostil, vai ter problemas na mente que irá se refletir no corpo. Isso é o caráter.

O corpo é um registro da nossa história.

Portanto, do ponto de vista reichiana, na análise reichiana trabalhamos com a leitura dos sinais e do caráter. Um está diretamente ligado ao outro.

Analisar os sinais e o caráter do paciente dentro do processo psicoterapêutico temos uma direção do caminho a tomar para montarmos um projeto de tratamento para cada paciente e dessa forma, ajudá-lo a tomar consciência de seus comportamentos de forma modificá-los.

Leitura de sinais

Em se tratando da leitura de sinais, podemos considerar o significado de alguns deles enquanto o paciente está dentro do consultório psicológico, coo por exemplo:

  • Testa franzida em direção ao nariz = desconfiança.
  • Sobrancelhas elevadas e testa franzida = espanto.
  • Olhos arregalados = medo, apreensão.
  • Morder os lábios = receio em falar ou não alguma coisa.
  • Franzir o canto da boca = descontentamento.
  • Projetar o queixo = auto-afirmação, desafiar.
  • Pescoço duro = controle
  • Ombros erguidos = receio, medo de ser repreendido.
  • Ombros para frente e peito apertado = medo de ser invadido.
  • Ombros para trás e peito estufado = desafiar, mostrar poder.
  • Nádegas apertadas = medo de fazer algo errado

Enfim, esses são apenas alguns exemplos que podemos considerar numa leitura de sinais.

O corpo é uma máquina do tempo: mostra nossa história.

Leitura do caráter

Em se tratando da leitura do caráter é quando olhamos o corpo como um todo e em suas partes considerando que a neurose está congelada no corpo em forma de couraça e isso molda o corpo de acordo com a história pessoal de cada pessoa. Sem desconsiderar a constituição genética, podemos perceber que algumas pessoas tem os olhos menos expressivos que outras, tem a mandíbula mais tensa, o pescoço mais endurecido, ombros mais erguidos, costas mais largas e duras, etc. Essa formação física, está também ligada ao caráter.

Para considerar a leitura do caráter, Reich mapeou o corpo em sete segmentos de couraça. E o bloqueio em cada um desses segmentos poderá ser hipoorgonótico (pouca energia) ou hiperorgonótico (muita energia). Mas não entraremos nesses detalhes nesse texto.

Portanto, indicaremos na sequencia como ficam as partes do corpo quando estão encouraçadas e qual a ligação disso com os traços de caráter. É importante considerar que o que causa a couraça é o estresse sofrido pela criança desde sua gestação, sempre ligado ao medo.

Para identificarmos os traços de caráter de uma pessoa, devemos considerar três condições:

Segmentos de couraça

a) Leitura corporal – que é feita com a observação do corpo e suas couraça;

b) Massagem reichiana – que identifica por meio do toque os pontos tensos (encouraçados) do corpo;

c) Anamnese, histórico e comportamento do indivíduo – que são as informações colhidas verbalmente quando o paciente está em terapia, mas a observação do terapeuta ao comportamento do paciente.

 Somente considerando essas três condições é que podemos ter uma identificação clara dos traços de caráter de uma pessoa.

Mas a proposta aqui é falar apenas da primeira condição (leitura corporal) e do que é visível no corpo, seguindo o mapeamento emocional das couraças feito por Reich, sem precisarmos tocar ou termos dados do histórico do paciente e relacionar essa leitura ao caráter. Então, apresentamos um pequeno, um pequeníssimo resumo de algumas partes do corpo que são visíveis quando encouraçadas e que podemos relacionar ao caráter para que você possa ter apenas uma breve idéia de como é feita esse leitura do caráter por meio do corpo.

Olhos

Olhos

Os olhos fazem parte do primeiro segmento de couraça mapeados no corpo por Reich, chamado de segmento ocular. Quando encouraçados, visivelmente podemos observar olhos sem brilhos, vazios, duros, arregalados ou caídos, etc. Em termos de comportamento, a couraça nos olhos compromete a percepção do indivíduo dele mesmo e do mundo em que vive, dando a ele ou ela uma condição de fantasia, falta de foco, desatenção, etc. Esse bloqueio nos olhos, quando total, designa o indivíduo psicótico e quando parcial, na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Núcleo Psicótico.

Pele

Pele

Também faz parte do primeiro segmento de couraça (ocular) e está ligada ao toque. Quando encouraçada visivelmente podemos observar uma pele sem brilho, enrugada, desidratada, ressecada, etc. Em termos de comportamento, a couraça na pele compromete o toque que por sua vez propicia o vínculo, a aceitação do outro e coloca a pessoa numa situação de isolamento do convívio social. Esse bloqueio é característico do indivíduo que na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Núcleo Psicótico.

Boca

A boca faz parte do segundo segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento oral. Quando encouraçada visivelmente podemos observar uma boca tensa, com movimentos rígidos da mandíbula, lábios apertados, ou então uma boca grande, mas sem energia, sem vida do tipo que popularmente chamamos de “boca mole”, etc. Em termos de comportamento, aqui podemos falar de um indivíduo quando tem uma oralidade reprimida ou insatisfeita. Quando reprimida é porque não mamou ou mamou pouco no peito e isso lhe dá uma condição de repressão, isolamento, timidez, boca apertada, etc. Quando insatisfeita é porque mamou um certo tempo e foi desmamado bruscamente ou mamou muito, além do que deveria e isso Le confere uma condição comportamental de insatisfação na vida, querer sempre mais, etc. E nesse caso, sua boca é grande. Em geral, a couraça no segmento oral compromete a autonomia porque são pessoas que vivem em busca de relacionamentos, parceiras para se “escorar” porque apresentam dificuldades em tocar a vida sozinhas. Esse bloqueio é característico do indivíduo que na visão reichiana de Federico Navarro é chamado de Borderline.

Pescoço

Pescoço

O pescoço faz parte do terceiro segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento cervical. É considerado a sede do autocontrole. Quando encouraçado pode estar ligado a várias estruturas de caráter, como veremos. Visivelmente podemos observar um pescoço tenso, duro, projetado para frente (quando o indivíduo tem um traço de caráter oral), enterrado nos ombros (quando tem um traço de caráter masoquista), apenas tenso (quando o indivíduo tem um traço obsessivo-compulsivo) ou endurecido com o queixo elevado, numa atitude soberba (quando o indivíduo tem um traço narcisista).

Peito

Peito

O peito faz parte do quarto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento torácico. Quando encouraçado, também pode estar ligado a algumas estruturas caracterológicas. Visivelmente podemos observar, por exemplo, quando murcho, sem energia, como se estivesse vazio ou “triste”, está ligado ao caráter borderline. Quando estufado, ao caráter fálico-narcisista e histérico.

Diafragma

O diafragma faz parte do quinto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento diafragmático. Quando encouraçado, visivelmente podemos observar uma linha logo abaixo das costelas, laterais do corpo e nas costas. E sempre iremos perceber uma lordose diafragmática que é quando as vértebras da coluna lombar se desalinham formando um sulco na coluna em função do bloqueio do diafragma. Esse bloqueio pode estar ligado a todas as estruturas de caráter visto que todos nós somos em alguma medida mais ou menos ansiosos, mas é mais comum encontrarmos o bloqueio no caráter masoquista. No caso do masoquista, é visível também a ausência de cintura. Ele é todo reto nas laterais do corpo. Em termos de comportamento, a couraça no diafragma traz uma manifestação de ansiedade.

Abdômen

Barriga pra dentro, peito pra fora!

O abdômen faz parte do sexto segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento abdominal. É um segmento que está ligado em sua parte superior ao diafragma e em sua parte inferior à pelves. Quando encouraçado, visivelmente podemos observar um abdômen flácido ou estufado (característico do borderline) ou tenso e duro (característico do masoquista e obsessivo-compulsivo). Também é visível os músculos lombares contraídos em decorrência de um “medo de ser atacado pelas costas”. Em termos de comportamento, a couraça no abdômen traz um padrão de querer possuir, retenção, avareza, tendência a dar ou a reter, etc. Em termos de comportamento, quando a tendência da pessoa é de reter (masoquista e obsessivo-compulsivo), geralmente são pessoas mais egoístas, avarentas, que não conseguem expressar seus afetos pelos outros. Sofrem de prisão de ventre e vivem constantemente “enfezadas” tanto no sentido fisiológico (acúmulo de fezes) ou emocional (raivosa). Quando a tendência é de soltar mais (oral), geralmente são pessoais mais afetivas e que querem sempre ajudar o próximo, às vezes num tom exagerado demais.

Pelves

A pelve faz parte do sétimo segmento de couraça mapeado no corpo por Reich, chamado de segmento pélvico. O bloqueio nesse segmento é decorrente do medo da castração ligada à situação edipiana que não conseguiu vivenciar de forma saudável que desenvolve um superego rígido, medo do julgamento, sexualidade invasora no sentido de que amam tudo que seja explosão de vida, mas são egocêntricos e querem ser sempre o centro do mundo. É um bloqueio presente em todos os traços de caráter, mas mais comumente encontrado no masoquista, no obsessivo-compulsivo e no histérico. O masoquista terá uma pelve retraída, nádegas apertadas com glúteos praticamente ausentes. A parte interna das coxas são tensas. O obsessivo-compulsivo terá uma pelve rígida e tensa. Seu movimento de quadril é duro como um bloco de concreto.  Já no histérico, o corpo mais harmônico, com andar sensual, quadril largos, etc. Mas o bloqueio da pelve mostra uma anteversão, projetada para dentro ou para fora, demonstrando seus conflitos com a sexualidade.

Bem, é isso. Mas queremos alertar aos que pretendem fazer uso desse recurso em seu trabalho, seja em psicoterapia, seja em qualquer outra situação, que não use isso como um “manual de banca de revistas”. Considere que o corpo fala, mas que precisamos saber em qual situação ele está “falando” e o que quer comunicar. Portanto, não interprete, mas analise. Interpretação é subjetiva e sempre de acordo com o terapeuta, inclusive com suas limitações, seus traços de caráter e suas couraças. Análise é de acordo com o que o paciente te mostra, vê, enxerga, etc, onde juntos, podem encontrar caminhos para ajuda-lo a resolver seus conflitos, flexibilizar suas couraças e ter uma vida mais saudável.

Artigo de Autoria do Prof. Dr. José Henrique Volpi, publicado no website do Centro Reichiano.

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Tratar corpo, mente e energia: um olhar somatopsicodinâmico https://minasi.com.br/somatopsicodinamica/ https://minasi.com.br/somatopsicodinamica/#respond Wed, 04 Dec 2019 16:44:11 +0000 https://minasi.com.br/?p=1832 Wilhelm Reich é considerado o pai da Psicologia Corporal, da qual faz parte todas as terapias de base psico-corporais, um título que a ele foi conferido por mérito. Desde sua entrada na psicanálise, em 1920 até seu falecimento, em 1958, Reich sempre se dedicou a relacionar o conflito psíquico ao corpo e à energia. Esse tripé mente-corpo-energia foram, portanto, a marca de todo seu trabalho.

Wilhelm Reich – o pai da Psicologia Corporal

Reich vê o ser humano como uma expressão de energia que ele chamou de orgônio, cuja identidade se expressa por meio da interação mente-corpo. Considera o indivíduo sadio aquele que alcançou a maturidade do caráter genital, Fisiologia Energética e Mapeamento Emocional do Corpo Humano segundo a Medicina Tradicional Chinesa e a Psicologia Corporal, cuja carga energética circula livremente pelo corpo, sem obstáculos.

Dessa forma, em termos de saúde física e emocional, qualquer distúrbio na expressão do livre fluxo do movimento dessa energia, responderá pela formação de uma doença, seja ela física ou psicológica. Da mesma forma, qualquer alteração somática e/ou psicológica nos remeterá à alteração do fluxo energético natural.

Desde a década de 20 Reich já vinha inserindo o corpo em seu trabalho clínico dentro do tratamento psicanalítico. Criou sua primeira técnica de trabalho à qual chamou de Análise do Caráter onde demonstrou que o corpo fala e expressa por meio do caráter o temperamento e a personalidade da pessoa. E a partir dessa compreensão, da leitura corporal do caráter que se faz para conhecer a personalidade da pessoa é que Reich passou a tratar seus pacientes fora do divã, sendo o primeiro psicanalista a modificar a técnica da psicanálise, cujo método tradicional empregava o uso do divã.

Distúrbio na expressão do livre fluxo do movimento da energia, responderá pela formação de uma doença, seja ela física ou psicológica.

Volpi.

Na década de 30, os trabalhos de Reich avançaram ainda mais para essa questão mente-corpo quando identificou a couraça muscular, contração da musculatura decorrente de conflitos emocionais. A couraça, portanto, nada mais é do que a neurose congelada no corpo. Isso é o que se conhece por psicossomática, quando um conflito psíquico decorrente de vários fatores, comprometem o corpo gerando uma tensão como por exemplo, um torcicolo, uma alergia ou até mesmo um câncer.

Com a descoberta da couraça muscular, Reich amplia o nome da técnica da Análise do Caráter para Vegetoterapia caracteroanalítica, incluindo em um só conceito os trabalhos sobre a mente e o corpo. Isso levou-o a perceber que o corpo, em sua linguagem emocional, quando encouraçado retem sua energia em partes específicas, às quais ele chamou de anéis ou segmentos: 

  1. Ocular – corresponde ao sistema nervoso, pele, olhos, ouvido e nariz. 
  2. Oral – corresponde à boca, língua, lábios
  3. Cervical – corresponde ao pescoço e glândula tireoide
  4. Torácico – corresponde ao peito (pulmão e coração)
  5. Diafragmático – corresponde ao diafragma, estômago, fígado, rins, pâncreas e baço.
  6. Abdominal – corresponde ao intestino delgado e intestino grosso
  7. Pélvico – corresponde ao aparelho reprodutor

Alterações do movimento energético, nas fases evolutivas do desenvolvimento somato-psíquico pelas quais o ser humano passa ao longo de sua vida, manifestam-se como bloqueio da energia em um desses segmentos ou anéis, provocando uma estagnação dessa energia na região mais enfraquecida do corpo, respondendo dessa forma pela formação de uma doença que compromete tanto o corpo, como a mente.

Portanto, a doença irá se manifestação naquela região (anel ou segmento) que estiver encouraçado. Com base nesse pensamento, podemos afirmar que o corpo expressa o que a mente sente e a mente expressa o que o corpo sente, ligados sempre pela alteração de um movimento energético.

O primeiro segmento (ocular), é bloqueado na gestação, parto e primeiros dias de vida, em função do estresse do medo. Ameaças de aborto, drogas e outros problemas da gestação, parto prematuro, fórceps, ausência da mãe nos primeiros dez dias de vida, são alguns dos fatores que contribuem para o bloqueio energético desse segmento.  Portanto, esse estresse, que chamaremos de primário, será marcado como uma predisposição a esse bebê, quando na presença de um estresse posterior, que chamaremos de secundário, a desenvolver doenças na parte do corpo correspondente (sistema nervoso, olhos, ouvido, pele, nariz). 

Um estresse (primário) sofrido durante o período de amamentação irá comprometer o segundo segmento (oral) e propiciará a criança com uma predisposição a desenvolver doenças ligadas à boca (oralidade) e com isso, na presença de estresses secundários, trará a manifestação de doenças como por exemplo, o bruxismo.

E assim sucessivamente com os demais segmentos do corpo mapeados por Reich, ligados sempre a um estresse, um bloqueio energético e um traço de caráter equivalente ao bloqueio.

Na visão reichiana, o ser humano é resultante da boa ou má relação do primeiro campo energético intra-uterino que se estabelece entre a mãe e o bebê (campo fusional), relação essa que se estende para a família (campo familiar), para a sociedade (campo social) e para a natureza e o cosmos (campo cósmico). Portanto, nossa saúde física e emocional irá depender dessa relação energética em cada um desses campos, ou seja, da forma como passamos por cada um deles. E essa relação é que irá estabelecer a formação de nosso terreno biológico que se manifesta em termos qualitativos em quatro terrenos que indicam a predisposição do indivíduo a determinadas doenças.

1 – alcalino oxidado – Se nossa relação com o primeiro campo (fusional), durante o período de gestação, for perturbada, estressante, iremos comprometer a energia e por consequência a saúde física e emocional do bebê, propiciando a instauração de um terreno energético alcalino oxidado, que predispõe o indivíduo à formação de doenças ou acabam sendo um gatilho para desencadear as mesmas, ligadas ao sistema nervoso como parkinson, alguns problemas de pele, obesidade mórbida, etc.

2 – ácido oxidado – Se a perturbação ou estresse ocorrer no período da formação do bebê no segundo campo (simbiótico), teremos a instauração de um terreno energético ácido oxidado, que predispõe o indivíduo à formação de doenças como diabetes, obesidade secundária, alergias, hipertensão, etc.

3 – ácido reduzido – Se a perturbação ou estresse ocorrer no período da formação do bebê no terceiro campo (familiar), teremos a instauração de um terreno energético ácido reduzido, que predispõe o indivíduo à formação de doenças como gastrite, úlcera, angina péctoris, infarto, colites, cistites, etc.

4 – alcalino reduzido – Se a perturbação ou estresse ocorrer no período da formação do bebê no quarto campo (social), teremos a instauração de um terreno energético alcalino reduzido, que predispõe o indivíduo à formação de doenças chamadas somatopsíquicas, que são àqueles onde a pessoa sente algo em uma parte do corpo, como por exemplo uma dor no peito e acredita que está infartando, mesmo que os exames clínicos demonstrem que ela não tem nenhum problema de ordem física.

A Psicologia Corporal não encara a doença apenas no sentido psicossomático (mente-corpo), mas por uma deficiência energética da pulsação do organismo, em decorrência da couraça, seja a doença originada pela mente, ou pelo corpo. É um olhar somatopsicodinâmico.

Dessa forma, por meio da técnica da vegetoterapia caracteroanalítica, Reich demonstrou ser possível resgatar novamente a pulsação da região do corpo onde a doença se faz presente, encouraçada, de forma a permitir a circulação da energia e o alívio do sintoma da doença ou até mesmo sua cura.

Frederico Navarro e Ola Raknes

A pedido de Reich, a técnica da vegetoterapia foi sistematizada por Federico Navarro que criou uma forma específica, por meio de movimentos criados para esse fim (actings), flexibilizar as couraças e resgatar a pulsação energética do organismo que foi prejudicada ou interrompida pela mesma. Segundo Navarro, a couraça é uma defesa, uma armadura e a vegetoterapia não busca eliminar a couraça, mas levar o paciente a uma tomada de consciência e autogestão da mesma. A vegetoterapia é uma metodologia terapêutica que busca dissolver gradualmente a couraça e não rompê-la bruscamente como acontece em muitas outras terapias psico-corporais. Portanto, é uma proposta de tratamento, que exige um projeto terapêutico individual para cada paciente, que vai ter seu tempo de tratamento de acordo com suas couraças.

Segundo a Psicologia Corporal, para tratar de uma doença psicossomática ou somatopsíquica, temos que trabalhar com a mente e com o corpo, flexibilizando as couraças. Esse seria um trabalho completo e profundo, mas que exige paciência e persistência porque não é apenas uma consulta e sim, um tratamento. 

Saiba mais sobre a Psicologia Corporal, Análise Reichiana e Análise Bioenergética – Clique Aqui

Autoria: Prof. Dr. José Henrique Volpi 
Artigo publicado no Centro Reichiano

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