Filmes https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Tue, 15 Sep 2020 22:00:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 Filmes https://minasi.com.br 32 32 103183256 Crise: sofrimento e oportunidade https://minasi.com.br/crise-sofrimento-e-oportunidade/ https://minasi.com.br/crise-sofrimento-e-oportunidade/#respond Tue, 15 Sep 2020 22:00:24 +0000 https://minasi.com.br/?p=2165

Estes são tempos únicos, não é mesmo? Nunca estivemos tão separados e tão juntos.

Tudo o que vem acontecendo por conta da pandemia e isolamento já é crise. Uma crise social que afeta níveis familiares e individuais, não é verdade?

O que significa uma Crise?

A palavra Crĭsis, no latim significa ‘momento de mudança súbita, faculdade de distinguir, decisão, momento difícil.

Toda crise tem duas faces: a do sofrimento e  a da oportunidade. As crises podem ter origem em boas ou más experiências. Por exemplo, o nascimento de um filho, um casamento, um novo trabalho são experiencias motivantes que podem nos lançar numa crise, assim como uma enfermidade, um falecimento, um término.

Se qualquer acontecimento em nossa vida pode gerar uma crise, como é que surgem as crises e elas estão baseadas em quê e como podemos sair disto?

Núcleo saudável – essência – core

Nós funcionamos a partir de um núcleo saudável. Por mais que tenhamos dificuldades físicas ou psíquicas, em nosso centro – core – temos uma instância que sempre está saudável e pulsa gerando vida. No entanto, através de nossas experiências infantis desenvolvemos sistemas de defesa de forma inconscientes em nosso corpo, formando uma espécie de couraça, de armadura de defesas musculares e acima, uma personalidade, que funciona como uma máscara para entrar em contato com o mundo.

É como uma cebola, onde temos camadas. Estas defesas então vão se estruturando sobre o núcleo saudável, a fim de protege-lo. Durante o período de crise algumas dessas defesas podem se enfraquecer sem estarmos preparados para mostrar dores mais profundas, assim, nos desorganizamos em nosso sistema de funcionamento psico-físico-energético.

Auto Conhecimento

O processo de conhecer-se é importante nestes momentos, para perceber o que está acontecendo, o que está fora do funcionamento normal. Caso seja necessário, pedir auxílio, procurar ajuda profissional para re-equilibrar ou entrar no processo mais profundo de terapia.

Descobrir e entender o próprio jeito de funcionar é um caminho para que detectemos estes processos de quando nossas defesas se desfazem sem que estejamos preparados e entramos crises.

Defesas

As defesas que desenvolvemos na infância se manifestam como tensões ou contrações musculares, desta forma, em nosso passado de criança filtrávamos e controlávamos nossos impulsos energéticos e nossas emoções. Da mesma forma, psicologicamente criamos processos psíquicos para  conter sentimentos. Na infância, isto foi fundamental para que pudéssemos sobreviver, no entanto, em nossa idade adulta não é mais necessário, mas continua lá, como motoristas invisíveis de nós mesmos. Vai se repetindo até que se torna um padrão de funcionamento psico-fisico-energético.

O conjunto destas defesas que cada pessoa desenvolve chamamos de caráter e personalidade. E são estes traços que durante a crise podem se desorganizar.

Respiração

Todos estes mecanismos de controle muscular podem nos levar a um excesso de inibição respiratória, como forma de sentir menos dor … Lembre-se quando nos machucamos o que fazemos? Prendemos a respiração. Que tem explicações fisiológicas e psiquicas. Recuperar a capacidade respiratória é uma excelente estratégia de auto conhecimento terapeutico.

Como falei no inicio, quero propor 3 exercícios respiratórios que podem nos ajudar em momentos próximos às crises ou no dia a dia.

  1. Identificar meu padrão de respiração
    1. Coloque uma das mãos sobre o peito e a outra, no abdômen, pouco abaixo da barriga. E, então, procure respirar normalmente percebendo qual das mãos se movimentam mais, ou seja, se sua respiração é abdominal ou torácica.
    2. Excelente! Tente alterar seu padrão, ou seja, se respira mais com o abdômen force a respiração torácica e vice-versa. Preste atenção às suas sensações, pensamentos, emoções. Isto diz muito de você.
  2. Respiração para ansiedade e pânico
    1. Procure inspirar pelo nariz e expirar pela boca
    2. Enquanto inspira, você vai puxar os ombros na direção da cabeça e aperte as mãos, fechando-as bem.
    3. Expire soltando o ar lentamente pela boca enquanto empurra os ombros na direção das pernas, abrindo bem as mãos.
    4. Encontre um ritmo que mais seja confortável e faça esse exercício por 5 ou 7 minutos.
    5. Pode produzir um relaxamento diafragmatico, aliviando os ombros e a cervical.
  3. Respiração de emergência.
    1. Em momentos de crise, quando estamos com muita ansiedade, ao ponto de não conseguir respirar, respire da seguinte forma:
    2. Pegue um saco de papel e coloque sobre a boca e nariz e respire dentro. Respire até sentir acalmar-se ou ser tomado por emoção ou choro. Poderá relaxar o diafrágma e permitir um relaxamento da ansiedade.

Crise é oportunidade. Auto-conhecimento é a chave que abre o caminho.

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Medo e ansiedade https://minasi.com.br/medo-e-ansiedade/ https://minasi.com.br/medo-e-ansiedade/#respond Thu, 13 Aug 2020 18:52:50 +0000 https://minasi.com.br/?p=2150
Medo tem algo a ver com a ansiedade? Vamos conversar sobre isto…
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A Peste Emocional no curta “Vida Maria” https://minasi.com.br/a-peste-emocional-no-curta-vida-maria/ Thu, 29 Mar 2018 17:47:21 +0000 http://minasi.com.br/?p=1300 Peste Emocional: um conceito cunhado por Wilhelm Reich para desginar a doença psicológica e emocional que é passada de geração a geração, depai para filho, de mãe para filha. Onde perpetuamos o modo de sentir, pensar e agir de gerações, condenando o ser humano a uma vida encouraçada.

“A peste emocional aglutina-se em círculos sociais, cuja influência se manifesta, sobretudo por uma opinião pública de intolerância em relação a tudo o que é amor natural. É conhecida e temida: sua punição golpeia toda manifestação amorosa sob falazes pretextos „culturais‟ ou „morais‟. Além disso, põe em funcionamento um sistema elaborado de difamação e delação”. (WILHELM REICH)

O indivíduo pestilento apresenta uma “contradição entre seu intenso desejo de vida e sua capacidade básica para preencher adequadamente esta vida” (Reich, 1951).

A maior arma contra a peste emocional é também a mais difícil de ser manuseada – a verdade, pois esta, muitas vezes, é manipulada inconscientemente, como um instinto de defesa para a preservação de quem se diz utilizá-la. Deve-se, pois, chamar a atenção para a vigilância dos princípios éticos de uma consciência voltada para si e para os demais, pois a verdade é a realidade mais pura, o contato mais pleno e imediato entre o ser vivo que percebe a vida que é vivida. Tentando atingir esse grau de discernimento, buscamos desenvolver nossas funções naturais (a vida em essência) e nos manter firmes em nossos propósitos na busca de uma amplitude existencial saudável.

Algumas normas são eficazes para interferir no desenvolvimento da peste, como indica Reich:

  1. Confiar na distinção entre uma expressão facial honesta de uma deformada – coerência.
  2. Insistir para que tudo seja às claras – honestidade
  3. Usar a arma da verdade com sensatez e determinação, pois o caráter da peste é geralmente covarde e não tem nada para oferecer.
  4. Encarar a peste de cabeça erguida. Domine seus sentimentos de culpa e reconheça seus limites.
  5. Caso necessário, exponha claramente os seus limites e justificativas pessoais, pois as pessoas compreenderão.
  6. Ajude sempre a minimizar a tensão de sentimentos de culpa, sempre que possa, especialmente em questões sexuais, terreno essencial do desenvolvimento da peste emocional.
  7. Tenha seus próprios motivos, objetivos e métodos completamente à vista e amplamente visíveis para todos.
  8. Aprenda, continuamente, tanto a perceber como enfrentar a mentira dissimulada – experiência.
  9. Catalize todos os interesses humanos para problemas importantes e práticos da vida, especialmente a educação de nossas crianças.

Na animação “Vida Maria” vemos como a Peste Emocional acontece em ambientes bem íntimos, numa família carente no interior do Ceará.

O filme nos mostra a história da rotina da personagem “Maria José”, uma menina de cinco anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar na roça. Enquanto trabalha ela cresce, casa e tem filhos e depois envelhece e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias suas filhas, netas e bisnetas.

São apresentadas no filme imagens que mostram uma semelhança muito grande com a realidade, traços bem parecidos com o real onde vemos crianças que tem sua infância interrompida, muitas vezes para ajudar a família a sobreviver, infância essa resumida a poucos recursos e a más condições de vida.

A Maria do filme mostra prazer em apenas escrever seu primeiro nome, o momento em que sua mãe lhe chama a atenção dizendo: “Não perca tempo “desenhando” seu nome!”, é tirado o seu futuro de ser uma pessoa diferente de sua mãe, que não tem uma visão do futuro, querendo dar à filha a mesma criação que teve num processo de reprodução sem mudanças de suas perspectivas por comodismo.

O filme retratou como o indivíduo em formação internaliza os eventos e as experiências vividas na infância e como são determinantes para formação daquela pessoa na vida adulta. No filme a menina Maria foi arrancada do seu mundo lúdico, quando sua mãe a repreende por estar escrevendo, ela corta da vida da filha os sonhos, os objetivos de uma vida melhor.

A mãe da personagem vive aquela vida sem perspectiva por que foi isto que aprendeu e da mesma forma ensina a filha Maria e esta reproduz para seus filhos, que também foram estimulados a deixar de sonhar e de brincar. A ausência da educação nas gerações mostra como na infância é importante o lúdico e a escola.

Assista ao filme:

“VIDA MARIA” é um projeto premiado no “3º Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo”, realizado pelo Governo do Estado do Ceará.

Ficha técnica
Gênero: Animação
Direção: Márcio Ramos
Ano: 2006
Duração: 9 min
Formato: 35mm
País: Ceará/ Brasil
Cor: Colorido
Produção: Joelma Ramos, Márcio Ramos
Co-produção: Trio Filmes, VIACG
Roteiro e edição: Márcio Ramos
Direção de Arte, edição de som e computração gráfica: Márcio Ramos
Edição de som: Márcio Ramos
Computação grafica: Márcio Ramos
Produção Executiva: Isabela Veras (Trio Filmes)
Finalização: Link Digital
Apoio: Colorgraf, Silicontech do Brasil, Softimage Cat
Mixagem: Érico Paiva Sapão
Música: Hérlon Robson
Storyboard: Michelângelo Almeida, Roberto Fernandez
Contador: Silvério Neto
Transcrição ótica: Rob Filmes
Tradução: Laura Lee
Efeitos Sonoros: Danilo Carvalho
Site: www.viacg.com
Vozes: Márcio Ramos
Revelação e cópias: Labo Cine

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O eneatipo 2 e o complexo de Wendy https://minasi.com.br/o-eneatipo-2-e-o-complexo-de-wendy/ Fri, 16 Feb 2018 14:00:47 +0000 http://minasi.com.br/?p=1116 O “Complexo de Wendy” tem sua raiz na psicologia popular.

Apesar de não ser um transtorno reconhecido pelos manuais de psicodiagnóstico, apresenta certos pontos que se traduzem em aspectos clínicos que requerem um tratamento.

Centrar nossa existência no cuidado alheio provoca uma gradual autodestruição. A queda de autoestima ou o esgotamento físico e mental podem gerar perfeitamente uma depressão.

A literatura clássica nos traz com muita frequência autênticos modelos capazes de descrever comportamentos muito reais.

O “Complexo de Wendy”, a “Síndrome de Peter Pan”, a “Síndrome de Otelo” ou a “Síndrome de Alice no País das Maravilhas” descrevem transtornos, problemas e comportamentos onde a ficção se transforma, muitas vezes, em realidade.

Agora, podemos dizer sem errar que o que intitula este artigo é o mais comum de todos.

De certo modo, muitas mulheres o interiorizam não por imposição, e sim porque é assim que as coisas funcionam há gerações.

Porque quem cuida e ajuda, ama. Porque dar tudo é, aparentemente, uma forma excepcional de amar. No entanto, às vezes nos esquecemos de algo: quem dá também merece e deve receber. 

É aí que começa o problema, a dissonância emocional, a tristeza. Propomos refletir sobre o assunto através dos seguintes fatores.

A Síndrome de Wendy, ou a renúncia progressiva a si mesmo

Apesar desta síndrome, como indicamos, estar relacionada com a psicologia popular, a sintomatologia que apresenta é bem clara:

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Entendemos que amar é, acima de tudo, atender o outro.

  • Durante muito tempo nos sentimos bem por estabelecer este tipo de relação. É assim que entendemos o amor.
  • Não nos preocupamos (no princípio) que os demais não nos atendam de modo igual. Basta saber que nosso companheiro se sente amado e que é feliz. É assim que nos sentimos bem.
  • Fazemos o que for para que aqueles que nos rodeiam não se aborreçam, não se incomodem. Lutamos pelo equilíbrio alheio nos esquecendo do nosso.
  • No entanto, pouco a pouco percebemos que os demais percebem cada esforço e cada renúncia feita como “algo normal”, até o ponto de se tornarem tirânicos e exigentes.

Se isto é o que você está experimentando no momento, confira a seguir alguns fatores que precisam mudar.

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Entenda que amor não é sacrifício: amor é dar e RECEBER

Muitos de nós fomos educados com ideia de que no amor é preciso renunciar a certas coisas para garantir a relação. Se você ama alguém, “tem que silenciar” muitas coisas.

Também nos fizeram acreditar que temos que dizer “sim” quando o que pensamos é “não”. Que amar é, acima de tudo, priorizar o outro antes de nós mesmos.

Se você também tem em mente estes esquemas de pensamento, comece a derrubá-los para hospedar outros novos:

  • Amar não é renunciar. Se você renuncia, se converte em um suplente de si mesmo.
  • Uma relação afetiva deve ser madura e consciente. Ambos os membros devem dar, não existe dúvida, mas é igualmente importante receber.
  • Trata-se de formar uma equipe, de harmonizar forças, interesses e necessidades.
  • No complexo de Wendy sempre existe um que oferece e um que recebe. Um que ganha e outro que, pouco a pouco, perde.
  • No entanto, o real problema está no fato da outra pessoa não perceber isso. No início das relações um se sente feliz cuidando, preocupando-se, olhando cada detalhe para oferecer o máximo de bem-estar.
  • No entanto, com os meses ou anos, notamos que algo está errado. No final, tudo o que fazemos é dado como certo, não é apreciado, e mais é exigido.

Não temos que cair nestes labirintos tão complicados e infelizes.

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Ideias para olhar as relações afetivas de outro modo

Primeiro e essencial conselho: nunca deixe de ser você mesmo, por mais que ame a outra pessoa. Do contrário, cedo ou tarde aparecerá a frustração, o mal-estar, a infelicidade.

Cuide, proteja, concorde, presenteie, renuncie… Agora, seu parceiro também deve cuidar de você, concordar, presentear e fazer alguma renúncia por você. No entanto, e pontuamos: faça renúncias sempre que sejam pelo bem comum.

  • Não peça perdão por algo que não é responsabilidade sua.
  • O maior medo das pessoas com Complexo de Wendy é de serem abandonadas. Para evitar que isso ocorra, podem fazer qualquer coisa (nunca chegue neste extremo).
  • É necessário aprender a ser feliz na solidão. Desfrutar de nós mesmos até o ponto de saber que caso fiquemos sem alguém, o mundo não irá terminar. 
  • Aprenda, por outro lado, a corrigir seus padrões de pensamento, especialmente aqueles que trazem sofrimento. Deste modo você criará novas emoções e será mais forte.
  • Quebre ideias como “se eu cuidar melhor ele me amará mais”, “é melhor renunciar a isso e assim ele se dará conta de como eu amo”.
  • Deixe de projetar todas as suas esperanças, desejos e energias na outra pessoa. Reparta e faça-o com equivalência. Você merece meu amor e eu também mereço seu respeito.

Lembre-se: no amor merecemos dignidade. Não aceite menos: aprenda a receber e lute por sua integridade pessoal.

Fonte: Melhor com saúde

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A.I. – Inteligência Artificial e o Eneatipo 4 https://minasi.com.br/a-i-inteligencia-artificial-e-o-eneatipo-4/ Wed, 26 Jul 2017 22:47:39 +0000 http://minasi.com.br/?p=562 https://www.youtube.com/watch?v=XnSsJnRwVl4

“Como gostaria de ser único e especial”.

Esta frase resume a ferida emocional do Tipo 4, do Eneagrama. Quando criança, por sua experiência de sentir-se abandonado, que pode ser real ou apenas a sua sensação, despertou dentro do indivíduo uma busca profunda para resgatar este amor perdido ou negado, através de tornar-se especial, diferente do que é, e geralmente, ligado à inveja de alguém, que possuía o que deveria ser dele, Tipo 4.

No filme A.I (Inteligência artificial), o robô-garoto (David) entra na vida de sua mãe, images.jpgMonica, quando esta está arrasada pela doença de seu filho Martin. Uma tentativa do pai Henry de tirar a mãe da dor pela “perda” do filho. Usualmente, o Tipo 4 surge numa família, onde há essa situação em que é necessário uma pessoa sensível, especial que vá canalizar o turbilhão de emoções e sentimentos, que a família esteja atravessando naquele momento. Assim, surge David. Numa promessa de ser amado pela mãe, em substituição ao filho natural. Isso causa sentimentos fortes e únicos de vinculação entre David e a Monica.

Tudo estava maravilhoso, quando o filho natural, Martin, desperta de seu estado de enfermidade e volta para a família. Começa, naturalmente, a predileção da mãe por Martin, deixando David de lado e provocando uma disputa entre os dois filhos pelo amor da mãe.

Já consciente que não era humano, David, ao ouvir o conto de Pinóquio, se depara com a inveja de Martin, que é um menino de verdade e a tendência transcendental, metafísica ou projecional de colocar a sua esperança na promessa da Fada Azul, A Fada Azul.png
que o transformaria num menino de verdade e assim, sua mãe o amaria intensamente e para sempre. Aqui está a grande busca e dor da criança Tipo 4, que seduzida pelo amor da Mãe e depois, sentindo-se abandonada, deseja profundamente tornar-se “real”, tornar-se “de verdade” aos olhos amorosos da figura materna.

Fica patente em toda a relação de David e Martin a inveja que aquele sentia, porque se considerava inferior, já que não era um “menino de verdade”, ou seja, um objeto de amor de sua mãe, Monica. Disputando o afeto de Monica e mostrando que a inveja do Tipo 4 é querer ser como o outro, que possui o ser amado, que o indivíduo 4 tanto deseja para si. Dá esse traço de melancolia na relação de David com o mundo: por mais que busque o amor, ele sempre foge de mim.

Monica, divida entre seus sentimentos, toma a decisão de abandonar David numa floresta. Uma cena cheia de emoções fortes e dolorosas, uma melancolia doce, que lhe é própria. Neste momento o garoto-robô sente-se confuso, porque a promessa da mãe foi que teriam um tempo especial só para os dois,  e vê-se traído e abandonado. David sente-Artificial_Intelligence
se culpado por não ser “o menino de verdade”, que é o sonho projetado em sua mãe e dali sai numa busca intensa pela Fada Azul, este ser que deve um poder tão grande de me transformar num ser que minha mãe vai amar, que realizaria seu sonho.

Em todo o filme, David é acompanhado pelo brinquedo-robô urso chamado Teddy. Embora seja um auxiliar e uma segurança para David, que durante todo o filme o protege e está ao seu lado, demonstra a tendência desse tipo em “grudar” em alguém, que dá um suporte emocional, dentro do turbulento mundo do tipo 4, onde tantas emoções dolorosas evocam sua separação daquela que ele tanto amava. Neste mesmo sentido, surge o personagem Joe, um robô-gigolô projetado para ser um amante para as mulheres e David gruda em Joe projetando nele as expectativas de400x300_519ec81af34e8.jpg encontrar a figura transcendente que tirará toda a sua dor e o tornará apto a ser amado por aqueles que o abandonaram quando criança. Joe, que também evoca a questão do amor sexual demonstra a luta e o conflito do Tipo 4 com sua sexualidade sempre divida em procurar satisfazer aquela que sempre o abandona, sua mãe.

Ao final de sua saga, cheia de aventura, dores e melancolia, David se depara com o seu criador. Um cientista que projetou toda a sua dor da perda do filho em robôs-meninos, que, por sua vez,  nunca abandonariam seus pais e os amariam pela eternidade. Novamente, a dor de David vem à tona: eu não sou único, sou só mais um e, assim sendo, é melhor nem existir. No seu mergulho no mar profundo o robô-menino David encontra uma estátua da Fada Azul e passa a sua eternidade contemplando essa falsa imagem da transcendência, onde ele coloca toda a sua esperança de tornar-se real ao amor daqueles que o abandonaram.

O filme termina realizando o sonho do robô-menino David de tornar-se único e especial para a sua mãe, nem que fosse por um dia apenas e então ele poderia desistir de sua busca tão dolorosa.

A. I – Inteligência Artificial
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Haley Joel Osment, Jude Law, Frances O’Connor mais
Gêneros Ficção científica, Aventura, Drama

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SAMSARA – uma meditação sensorial https://minasi.com.br/532/ Thu, 06 Jul 2017 22:30:42 +0000 http://minasi.com.br/?p=532

Prepare-se para uma experiência sensorial inigualável. SAMSARA reúne diretor Ron Fricke e produtor Mark Magidson, cujos filmes premiados BARAKA e CHRONOS foram aclamados por combinar arte visual e musical.

SAMSARA é uma palavra sânscrita que significa “A roda da vida que nunca para” e é o ponto de partida para os cineastas encontrarem a corrente indescritível de interconexão, que é executada através de nossas vidas. Filmado ao longo de um período de quase cinco anos e vinte e cinco países, SAMSARA nos transporta para o terreno sagrado, zonas de desastre, instalações industriais e maravilhas naturais. Por dispensar com diálogo e um texto descritivo, SAMSARA subverte as nossas expectativas de um documentário tradicional, em vez disso, incentivando nossas próprias interpretações interiores inspirado pelas imagens e música que infunde o antigo com o moderno.

Expandindo-se sobre os temas desenvolveram em BARAKA (1992) e CHRONOS (1985), SAMSARA explora as maravilhas do nosso mundo, do mundano para o milagroso, investigando os alcances insondáveis da espiritualidade do homem e da experiência humana. Nem um documentário tradicional e nem um diário de viagem, SAMSARA assume a forma de uma meditação guiada, não-verbal. Através de imagens poderosas, o filme acende as ligações entre a humanidade e o resto da natureza, mostrando como nosso ciclo de vida espelha o ritmo do planeta.

Ao invés de assistir, entre no conteúdo de forma sensorial. Abra seus olhos, ouvidos e coração e deixe-se tocar pela poderosa mensagem de SAMSARA.

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O masculino no filme Questão de Tempo https://minasi.com.br/o-masculino-no-filme-questao-de-tempo/ Thu, 04 May 2017 20:58:55 +0000 http://minasi.com.br/?p=458 Neste artigo, vamos explorar uma visão do masculino e do pai, dentro do filme “About Time” – Questão de Tempo:

  • Sociedade líquida
  • O papel do pai no desenvolvimento infantil
  • O pai no corpo
  • O resgate da história na visão do filme

Uma das grandes dificuldades do mundo contemporâneo das sociedades líquidas é a compreensão dos papéis em geral, especialmente neste caso da figura paterna. Num momento em que tudo muda a todo instante e em todos as manifestações da cultura e da sociedade, a figura paterna também sente-se impactada de tal forma, que.ja não se sabe ao certo qual sua função.

Se olharmos para alguns decênios anteriores, tínhamos papéis e figuras muito bem definidas, onde o pai exercia o rigor da punição e do provimento ao filho. Isso criava uma imagem endurecida,  longínqua e inacessível, tanto no desenvolvimento do masculino quanto na relação filho e pai.

Hoje, encontramos país exercendo funções que eram inconcebíveis como alimentação, cuidado e afeto dos filhos. Isso é muito bom, mas também insere mais dúvidas quanto ao desenvolvimento da figura masculina e do masculino na pessoa..

No desenvolvimento infantil, de uma forma generalíssima, a figura paterna é responsável por apresentar à criança, o mundo, as relações externas, os limites e as interações. Enquanto a figura materna está ligado ao cultivo da interioridade e do afeto, este leva a criança a olhar para si e para o mundo com confiança e fé. Como que se lhe apoiasse as costas, na região lombar e dissesse: “Vai! Estou aqui atrás te apoiando, vai”.

O hemisfério esquerdo do cérebro é o responsável pela parte pratica pela razão, voltada para a ação e controla o lado direito do corpo e o direito, como responsável pelo afeto e criatividade e controla o lado esquerdo do corpo. Em pessoas destras o lado direito e as costas tem correspondência com a masculinidade e a figura paterna, o lado esquerdo, a figura materna, em canhotos, ao contrário.

Então, a presença ou ausência da figura paterna no desenvolvimento infantil irá marcar o indivíduo de diversas formas, em primeiro lugar com o que Reich chamou de Couraças Musculares e posteriormente podem se desenvolver em manifestações de doenças.

É muito importante observar o corpo, porque nele ocorre a manifestação das emoções e sentimentos.

O filme “Questão de tempo” é um conto, onde o jovem Tim Lake recebe do masculino na família paterna o dom de viajar no tempo, ao passado, para vivenciar novamente situações e poder corrigi-las. E não é esta a proposta terapêutica? Visitar o meu passado e “ajustar” as emoções que ficaram bloqueadas?

Esta é uma grande lição que todo pai deveria ensinar ao seu filho: sempre podemos voltar aos momentos mais dolorosos em nossa vida, vivenciar as emoções dolorosas que não conseguimos lidar na época e liberá-las para uma vida mais livre. Esta é uma grande lição que os homens, nesta sociedade liquida, devem ensinar aos seus filhos.

No filme, o jovem Tim passa por diversas situações conflituosas e difíceis no processo de amadurecimento do  homem, como a juventude, a descoberta do amor, as responsabilidades da vida adulta e, por fim, a morte. Em todos os momentos, o filme nos propõe pistas de que ele resgata seus sofrimentos e dores através do processo de ressignificação e enfrentamento da dor.

E tudo isso, advém dos ensinamentos de seu pai, que o ensinou a “voltar no tempo”. O nosso tempo carece desse elemento masculino de afeto e cuidado, do ensinamento aos jovens que podemos resgatar nossas feridas e dar um novo sentido às nossas dores. Quanto mais homens “viajando no tempo” tivermos, tanto mais teremos novas gerações mais livres e conectadas ao masculino e ao feminino.

Referências sobre o filme:

IMDB

UNIVERSAL MOVIE

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Álbum de família e o Eneagrama https://minasi.com.br/album-de-familia-e-o-eneagrama/ Wed, 03 Feb 2016 14:16:47 +0000 http://minasi.com.br/?p=83

Filme: Álbum de Família
Título original: August: Osage County

Antes de começar a ler essa resenha, já informo que possui spoiler.

Prepare-se: este é um filme muito intenso, que trás à tona conflitos, segredos e mitos familiares. Uma excelente oportunidade para estudar as personalidades de cada personagem.

O Elenco é de primeira qualidade ao nível de Meryl Streep e Julia Roberts, que para papéis de tamanha complexidade está bem alinhado.

album de familia
O palco dos mitos e segredos

Barbara (Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis) são três irmãs que são obrigadas a voltar para casa e cuidar da mãe viciada em medicamentos e com câncer (Meryl Streep), após o desaparecimento do pai delas (Sam Shepard). O encontro provoca diversos conflitos e mostra que nenhum segredo estará protegido. Enquanto tenta lidar com a mãe, Barbara ainda terá que conviver com os problemas pessoais, com difíceis relações com o ex-marido (Ewan McGregor) e com a filha adolescente (Abigail Breslin).

Violet Weston (Meryl Streep) é uma mulher com uma infância muito difícil, cuja mãe era cruel e má, sugerindo um conflito forte entre a necessidade de ser amada e o abandono pela mãe, o que pode formar uma personalidade 4 de instinto sexual. Entre os altos e baixo que ela vai experimentando durante o filme, mostrando sua dificuldade em lidar com o amor, mantendo segredos e mitos para continuar no poder. Essa característica do 4 sexual de intensidade e jogo das emoções o coloca sempre no centro de toda a roda, atraindo as atenções e recebendo aquilo que o tipo procura: sentir-se amado de forma especial e única.

Violet (Meryl Streep)

Seu marido, beverly Weston (Sam Shepard) um tipo 5, que decide ficar no relacionamento por medo de romper, comete suicídio no início do filme provocando conflitos tão intensos, que rompem os frágeis laços desta família.

Violet, 4 sexual, um caráter histérico tem um pé na sociopatia, manipulando as informações e dores para manter o controle sobre as filhas. Seu conflito com a filha mais velha Barbara (Julia Roberts) mostra como o 4 sexual se distingue do tipo 8: seus altos e baixos, as chantagens emocionais, a inveja e a depressão estão presentes, embora sua energia sexual a coloque forte e intensa em todos os conflitos. Mas o 8, mesmo numa relação de filha, se sobrepõe na relação numa força enorme. Após o funeral, durante o almoço da família, numa briga muito forte vemos esse domínio do 8 sobre o 4 sexual.

Barbara (Julia Roberts)

Barbara, na meia idade enfrenta uma crise em seu casamento com Bill Fordham (Ewan McGregor), onde repete muitos dos mitos familiares e percebemos a dificuldade do tipo 8 em relaxar. Barbara é quem a mãe conta pra resolver os problemas, como todo 8 assumindo os problemas mais sérios da família em conflito.

Ivy Weston (Julianne Nicholson) é a filha que ficou em casa, tipo 2 de instinto auto-preservação, abrindo mão de seu futuro, esperando o príncipe encantado vir salva-la, fica em casa para cuidar do pai e da mãe, esquecendo dos seus próprios planos e da sua vida. Percebemos que isso na verdade não é uma opção por amor, mas pela paixão do 2 de fazer pelos outros, mesmo quando não é solicitado. O orgulho, sua paixão mais forte, se torna muito evidente na roda de conversa das irmãs. Alias, este momento do filme fica muito claro os três tipos 8, 7 e 2.

Ivy Weston (Julianne Nicholson)

A outra filha Jean Fordhan (Abigail Breslin) é um tipo 7 de instinto auto-preservação, que foge de todo conflito e dor, num positivismo vazio. “Muito terrestre, sensual, focada em gostos, cores, estimulação tátil; contar muito com seu noivo; muito suave, busca desesperadamente segurança numa relação, mesmo que o outro seja falso, não importa, se me dá segurança. A dor não é sentida diretamente; transforma a merda em creme. Seu noivo, Steve (Dermot Mulroney) um tipo 3 conquistador reforça essa imagem de desconexão com a realidade e uma dependência na relação.

Jean (Abigail Breslin), tipo 7 mudando o assunto do funeral para algo mais “agradável”.

Durante todo o filme as cenas são muito intensas e presenciamos os segredos de muitas gerações serem expostos, provocando uma catarse coletiva.

Vale a pena assistir prestando atenção em cada conflito e na forma como cada um dos personagens se posiciona, lembrando de como cada Eneatipo se comporta diante da ameaça e dos conflitos.

Lembre-se que o filme é como uma caricatura, ele amplifica as personalidades para que possamos sentir a intensidade.

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Duas vidas e o tipo 3 do Eneagrama https://minasi.com.br/duas-vidas-e-o-tipo-3-do-eneagrama/ Mon, 01 Feb 2016 02:00:25 +0000 http://minasi.com.br/?p=70 Hollywood está cheio de influencias do Eneagrama. Em quase todos os filmes podemos ler na composição dos personagens características de personalidade muito claras, algumas de forma tão caricatas que a paixão do tipo fica exposta e muitas vezes de forma exagerada.Duas Vidas

Hoje, gostaria de falar de um filme que sempre gostei e que uso no curso inicial do Eneagrama: Duas Vidas, da Disney (The Kid), no qual vemos claramente o tipo 3 na sua paixão e na busca de redenção. Aliás, há muitos filmes retratando o tipo 3, como o Sete Vidas (will Smith); A divertida animação Rango, o camaleão, símbolo do 3, entre outros.

O Russ (Bruce Willis) é um empreendedor de sucesso chegando aos 40 anos de idade, quando começa a ver-se na imagem de uma criança, o Dusty, aos 8 anos de idade, que aparecendo fisicamente começa a tirar a sua vida dos trilhos e fazê-lo questionar sua sanidade e existência.

Duas vidasA imagem do Russ é claramente um tipo 3 workaholic, que eu definiria como sexual, auto-preservação e social reprimido – Tempo é dinheiro e Imagem é tudo!. Na definição da sua profissão, a própria criança demonstra sua paixão ao descreve-la (consultor de imagem): “você mente para os seus clientes o que eles são e eles mentem para os outros”.  A grande dificuldade do Russ em lidar com sua criança, ou seja, com sua verdade é enorme, onde ele transforma tudo em trabalho, campo no qual ele não entra em contato com o fracasso.

O fracasso persegue Russ como uma sombra em tudo o que ele faz, de forma que ele faz questão de dizer que esqueceu de sua infância, onde não era “bem sucedido”.  A grande batalha do Russ e da personalidade do tipo 3 é provar que ele não necessita de amor, que o trabalho e o sucesso lhe substituirão o amor que ele perdeu, no caso do Russ com a morte de sua mãe, ainda criança.

Falando em encouraçamento Reichiano podemos perceber que seu olho esquerdo possui um tique, que ele chama de olhos secos, que se desenvolve quando seu pai o toca culpando pela morte da mãe por câncer e desenvolve um bloqueio ligado ao mesmo.

É perceptível no Russ, enquanto tipo 3, um oral de base com uma forte cobertura narcisista, transmitido uma imagem de poder e de um Eu mascarado. A “ficha só começa a cair” quando ele em contato com a possível perda do amor de Amy (Emily Mortimer) e isso o coloca diante de sua grande ferida: O medo de não ser amado. Mesmo sendo um poderoso empresário e com tanta influência percebe que tudo isso que construiu não garante o que ele sempre buscou de forma “torta”: ser amado.

Eu não sou um fracasso!

A partir desse encontro, ele começa uma jornada de resgate de sua criança interior com o pequeno Rusty, enfrentando a raiva que tanto bloqueava em sua vida e perdoando e liberando-se, afinal ele descobre que não foi o motivo da morte da mãe, a perda do amor, e do medo do pai em enfrentar a vida sozinho.

A busca de criar vínculos verdadeiros que não estejam ligados ao seu trabalho e em ultima instancia ao sucesso, o coloca no caminho do resgate.

“Eu não sou um fracasso!” é seu grande grito ao final do filme. Este é o grito do 3, ao descobrir que pode se entregar ao amor de forma livre, sem a dependência do “sucesso”, mas simplesmente como relação, sem a posse ou manipulação.

O grande resgate do tipo 3 está neste encontro com sua verdade, deixando de lado as mentiras que conta a si mesmo, na busca de evitar o fracasso, abraçando seu grande medo de não ser amado.

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