Educação https://minasi.com.br Alcançando a integralidade através de terapia holística. Transforme sua vida através de aconselhamento personalizado e treinamento motivacional. Wed, 09 Oct 2024 19:39:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://i0.wp.com/minasi.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-MeuEuMelhor.webp?fit=32%2C32&ssl=1 Educação https://minasi.com.br 32 32 103183256 Fases do Desenvolvimento Infantil e os Traços de Caráter https://minasi.com.br/fases-do-desenvolvimento-infantil-e-os-tracos-de-carater/ https://minasi.com.br/fases-do-desenvolvimento-infantil-e-os-tracos-de-carater/#respond Wed, 08 May 2024 10:05:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=3328

A jornada do desenvolvimento humano é fascinante e complexa, especialmente durante a infância. A psicanálise, com suas raízes profundas no trabalho de Sigmund Freud, oferece uma visão intrigante sobre as fases do desenvolvimento infantil. Paralelamente, a psicologia corporal nos apresenta uma perspectiva única sobre como nossos corpos e mentes interagem para formar traços de caráter distintos.

As Fases do Desenvolvimento Infantil na Psicanálise

Freud revolucionou a compreensão do desenvolvimento infantil ao introduzir os estágios psicossexuais: oral, anal, fálico, latência e genital[6]. Cada estágio é caracterizado por desafios e conflitos específicos que, quando navegados com sucesso, levam a uma personalidade saudável e bem ajustada. Por exemplo, o estágio oral foca na experiência e gratificação através da boca, enquanto o estágio anal lida com questões de controle e independência.

Donald W. Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, expandiu essa visão ao enfatizar a importância da relação mãe-bebê e introduzir o conceito de “dependência absoluta” nos primeiros meses de vida[7]. Winnicott acreditava que a capacidade de um bebê de sentir-se onipotente, graças à resposta imediata de seus cuidadores, era crucial para o desenvolvimento saudável.

Traços de Caráter na Psicologia Corporal

A psicologia corporal, influenciada pelos trabalhos de Wilhelm Reich, Alexander Lowen e Frederico Navarro, examina como as experiências emocionais se manifestam fisicamente. Cinco traços de caráter são identificados: esquizoide, oral, psicopata, masoquista e rígido[1]. Cada traço reflete uma estratégia de adaptação desenvolvida na infância em resposta ao ambiente e às relações interpessoais.

Por exemplo, o traço esquizoide pode se desenvolver em resposta a uma desconexão emocional precoce, levando a um comportamento mais distante e isolado. O traço oral, por outro lado, pode surgir de uma necessidade de dependência emocional e busca de aprovação.

A Integração das Duas Perspectivas

A integração das fases do desenvolvimento infantil na psicanálise com os traços de caráter da psicologia corporal oferece uma visão holística do crescimento humano. Entender como os estágios iniciais da vida influenciam tanto a mente quanto o corpo é essencial para abordagens terapêuticas eficazes e para a promoção do bem-estar emocional e físico.

A psicanálise e a psicologia corporal, juntas, nos ajudam a compreender melhor as complexidades da personalidade humana e a importância das experiências da infância. Elas nos ensinam que cada indivíduo é o resultado de uma tapeçaria intrincada de influências psicológicas e físicas, tecida desde os primeiros dias de vida.

A beleza dessa jornada de desenvolvimento é que, apesar de nossos traços de caráter serem formados cedo, eles não são imutáveis. Com a consciência e o apoio adequados, podemos aprender a usar nossos traços de caráter como ferramentas para uma vida mais plena e realizada.

A psicanálise e a psicologia corporal continuam a ser campos vibrantes de estudo e prática, oferecendo insights valiosos para todos aqueles interessados no desenvolvimento humano. Eles nos convidam a olhar para dentro de nós mesmos e para os outros com empatia, compreensão e uma apreciação mais profunda da jornada da vida.

Referências:

[1]: https://luizameneghim.com/blog/tracos-de-carater/ “”
[2]: https://relacoes.umcomo.com.br/artigo/analise-corporal-entenda-os-5-tracos-de-carater-30552.html “”
[3]: https://bing.com/search?q=Tra%C3%A7os+de+car%C3%A1ter+da+psicologia+corporal “”
[4]: https://www.fundacaocasagrande.org.br/noticias/o-traco-de-carater-rigido-uma-armadura-corporal/ “”
[5]: https://www.mulher.com.br/comportamento/analise-do-carater-teoria-diz-que-tracos-do-rosto-e-corpo-explicam-seu-comportamento “”
[6]: https://psicanaliseblog.com.br/teorias-psicanaliticas-sobre-o-desenvolvimento-infantil/ “”
[7]: https://www.psicanaliseclinica.com/desenvolvimento-infantil-winnicott/ “”
[8]: https://www.gerarprosperarpsicanalise.com.br/post/psican%C3%A1lise-e-o-desenvolvimento-infantil-compreendendo-os-caminhos-da-mente “”
[9]: https://saudeinterior.org/desenvolvimento-psicossexual-fases-de-freud/ “”
[10]: https://www.psicanaliseclinica.com/tecnica-do-brincar-em-melanie-klein/ “”

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Infância – Relacionamentos que impactam para sempre. https://minasi.com.br/infancia-relacionamentos-que-impactam-para-sempre/ https://minasi.com.br/infancia-relacionamentos-que-impactam-para-sempre/#respond Wed, 06 Dec 2023 20:02:42 +0000 https://minasi.com.br/?p=3201

Você já se perguntou como as experiências que você teve na infância com seus pais afetam a sua personalidade de adulto? Neste post, vamos explorar como a relação com a mãe e o pai pode influenciar o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças e como isso se reflete na vida adulta.

A relação com a mãe é uma das primeiras e mais importantes fontes de afeto, segurança e aprendizagem para as crianças. A mãe é quem oferece o cuidado, o conforto e a proteção nos primeiros anos de vida, criando um vínculo afetivo que serve de base para as futuras relações. A qualidade desse vínculo pode variar de acordo com o estilo de apego que se estabelece entre a mãe e o filho. O apego seguro é aquele em que a criança se sente confiante, amada e apoiada pela mãe, podendo explorar o mundo com autonomia e curiosidade. O apego inseguro é aquele em que a criança se sente ansiosa, rejeitada ou negligenciada pela mãe, tendo dificuldades para se relacionar com os outros e consigo mesma.

A relação com o pai também é fundamental para o desenvolvimento infantil, mas de uma forma diferente da relação com a mãe. O pai é quem estimula a criança a enfrentar os desafios, a desenvolver a autoestima e a independência. O pai é quem ensina as regras, os limites e os valores sociais, ajudando a criança a se adaptar ao seu meio. A qualidade dessa relação pode variar de acordo com o grau de envolvimento, afetividade e autoridade que o pai exerce sobre o filho. Uma relação positiva é aquela em que o pai é presente, carinhoso e firme, respeitando as necessidades e as características da criança. Uma relação negativa é aquela em que o pai é ausente, indiferente ou autoritário, impondo suas expectativas e desejos sobre o filho.

As experiências infantis com a relação com a mãe e o pai podem ter uma influência duradoura na personalidade de adulto. As pessoas que tiveram um apego seguro com a mãe tendem a ser mais confiantes, sociáveis e empáticas, capazes de estabelecer relações íntimas e satisfatórias. As pessoas que tiveram um apego inseguro com a mãe tendem a ser mais inseguras, isoladas e ansiosas, podendo apresentar problemas de autoestima, depressão ou dependência emocional. As pessoas que tiveram uma relação positiva com o pai tendem a ser mais independentes, assertivas e responsáveis, capazes de enfrentar os obstáculos e alcançar seus objetivos. As pessoas que tiveram uma relação negativa com o pai tendem a ser mais dependentes, passivas ou rebeldes, podendo apresentar problemas de comportamento, agressividade ou dificuldade de aprendizagem.

É claro que essas são generalizações e que existem muitos outros fatores que podem influenciar a personalidade de adulto, como os traços genéticos, as características individuais, as experiências escolares, as amizades, os eventos traumáticos, etc. Além disso, as pessoas podem mudar ao longo da vida, superando ou modificando os padrões aprendidos na infância. No entanto, é importante reconhecer como as experiências infantis com a relação com a mãe e o pai podem ter um impacto significativo na forma como nos vemos e nos relacionamos com os outros.

E você? Como foi a sua relação com os seus pais na infância? Como você acha que isso afeta a sua personalidade de adulto? Compartilhe conosco nos comentários!

Bibliografia:

  • Volpi & Volpi – Crescer é uma Aventura
  • Reichert, Evânia – Infância, a idade sagrada
  • Reich, Wilhelm – Análise do Caráter
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O novo ano está na porta. Já pensou sobre ele? https://minasi.com.br/o-novo-ano-esta-na-porta-ja-pensou-sobre-ele/ https://minasi.com.br/o-novo-ano-esta-na-porta-ja-pensou-sobre-ele/#respond Sat, 02 Dec 2023 15:35:36 +0000 https://minasi.com.br/?p=3198

O ano de 2023 está chegando ao fim e é hora de começar a pensar em como será o próximo ano. Você já tem algum objetivo ou projeto em mente? Você está satisfeito com a sua vida atual ou quer mudar algo? Você se sente feliz e realizado ou precisa cuidar mais de si mesmo?

Se você quer fazer um planejamento pessoal para 2024, este post é para você. Vamos te dar algumas dicas de como organizar as suas ideias, definir as suas prioridades e traçar um plano de ação para alcançar os seus sonhos. Além disso, vamos abordar os principais aspectos que influenciam a sua qualidade de vida, como a saúde mental, a saúde física, o controle financeiro, o desenvolvimento de carreira e o gerenciamento de relacionamentos.

Saúde mental

A saúde mental é um dos pilares mais importantes para o seu bem-estar. Ela envolve a sua capacidade de lidar com as emoções, os desafios, as frustrações e os conflitos do dia a dia. Uma boa saúde mental te ajuda a ter mais autoestima, autoconfiança, motivação e resiliência.

Para cuidar da sua saúde mental em 2024, você pode:

  • Praticar atividades que te dão prazer e relaxamento, como ler, ouvir música, meditar, fazer artesanato, etc.
  • Buscar ajuda profissional se você sentir que precisa de apoio psicológico ou psiquiátrico.
  • Evitar o excesso de informações negativas e estressantes, como notícias ruins, fofocas, brigas nas redes sociais, etc.
  • Cultivar pensamentos positivos e otimistas sobre si mesmo e sobre o futuro.
  • Expressar os seus sentimentos de forma saudável e assertiva, sem reprimir ou explodir.
  • Respeitar os seus limites e dizer não quando necessário.

Saúde física

A saúde física é outro aspecto fundamental para o seu equilíbrio. Ela envolve a sua condição corporal, a sua alimentação, o seu sono e a sua energia. Uma boa saúde física te ajuda a prevenir doenças, a ter mais disposição, a melhorar o seu humor e a aumentar a sua produtividade.

Para cuidar da sua saúde física em 2024, você pode:

  • Praticar exercícios físicos regularmente, de acordo com as suas preferências e possibilidades.
  • Adotar uma alimentação balanceada e variada, rica em nutrientes e pobre em gorduras, açúcares e sal.
  • Beber bastante água ao longo do dia para hidratar o seu organismo.
  • Dormir bem e respeitar o seu ritmo circadiano.
  • Evitar o consumo excessivo de álcool, tabaco e outras drogas.
  • Fazer exames médicos periódicos e seguir as orientações dos profissionais da saúde.

Saúde financeira

O controle financeiro é outro fator que influencia a sua satisfação pessoal. Ele envolve a sua capacidade de administrar o seu dinheiro, de economizar, de investir e de realizar os seus sonhos. Um bom controle financeiro te ajuda a ter mais segurança, tranquilidade e liberdade.

Para cuidar do seu controle financeiro em 2024, você pode:

  • Fazer um orçamento mensal com as suas receitas e despesas.
  • Anotar todos os seus gastos e verificar se eles estão dentro do seu planejamento.
  • Cortar ou reduzir os gastos desnecessários ou supérfluos.
  • Criar uma reserva de emergência para imprevistos ou oportunidades.
  • Estudar sobre educação financeira e investimentos.
  • Definir metas financeiras de curto, médio e longo prazo.

Desenvolvimento de carreira

O desenvolvimento de carreira é um processo contínuo de aprendizagem, crescimento e mudança que envolve as suas escolhas profissionais, as suas experiências de trabalho e as suas oportunidades de mercado. Para planejar o seu desenvolvimento de carreira, você precisa:

  • Definir o seu propósito profissional: o que você quer fazer, por que você quer fazer e como você quer fazer. O seu propósito profissional é a sua motivação, a sua paixão e a sua razão de ser. Ele deve estar alinhado com os seus valores, os seus interesses e as suas habilidades.
  • Estabelecer os seus objetivos profissionais: o que você quer alcançar, onde você quer chegar e quando você quer chegar. Os seus objetivos profissionais são os resultados esperados do seu propósito profissional. Eles devem ser específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais (SMART).
  • Traçar as suas estratégias profissionais: como você vai alcançar os seus objetivos profissionais, quais são os recursos necessários e quais são os obstáculos possíveis. As suas estratégias profissionais são os meios para atingir os seus fins. Elas devem ser claras, realistas, flexíveis e adaptáveis.
  • Executar as suas ações profissionais: o que você vai fazer, como você vai fazer e quando você vai fazer. As suas ações profissionais são as atividades que você realiza para implementar as suas estratégias profissionais. Elas devem ser consistentes, organizadas, monitoradas e avaliadas.

Gerenciamento de relacionamentos interpessoais

O gerenciamento de relacionamentos interpessoais é a capacidade de lidar com as suas próprias emoções, pensamentos e comportamentos, bem como com as emoções, pensamentos e comportamentos dos outros. Para planejar o seu gerenciamento de relacionamentos interpessoais, você precisa:

  • Reconhecer as suas emoções: o que você sente, por que você sente e como você sente. As suas emoções são as reações afetivas que você tem diante das situações da vida. Elas devem ser identificadas, nomeadas e expressadas adequadamente.
  • Controlar os seus pensamentos: o que você pensa, por que você pensa e como você pensa. Os seus pensamentos são as interpretações cognitivas que você faz das situações da vida. Eles devem ser analisados, questionados e modificados positivamente.
  • Regular os seus comportamentos: o que você faz, por que você faz e como você faz. Os seus comportamentos são as ações concretas que você toma nas situações da vida. Eles devem ser planejados, executados e avaliados criticamente.
  • Empatizar com os outros: o que os outros sentem, pensam e fazem, por que eles sentem, pensam e fazem e como eles sentem, pensam e fazem. A empatia é a habilidade de se colocar no lugar dos outros e compreender as suas perspectivas. Ela deve ser praticada, demonstrada e comunicada.

Planejar é importante para alcançar a sensação de realização pessoal. Este é o momento de você dedicar um tempo para avaliar, refletir e planejar.

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Para sair da caverna https://minasi.com.br/para-sair-da-caverna/ https://minasi.com.br/para-sair-da-caverna/#respond Tue, 24 Oct 2023 18:40:47 +0000 https://minasi.com.br/?p=3182

Eu fui um dos prisioneiros da caverna de Platão. Desde que nasci, vivi acorrentado a uma parede, olhando para as sombras projetadas por uma fogueira. Essas sombras eram tudo o que conhecia do mundo, e acreditava que elas eram a realidade. Os sons que ecoavam na caverna eram as vozes dos seres que habitavam esse mundo de sombras, e eu os imitava sem saber o que significam.

Um dia, um dos meus companheiros conseguiu se libertar das correntes e saiu da caverna. Ele voltou depois de algum tempo, com os olhos ofuscados pela luz. Ele me contou que fora ao mundo exterior, e que lá viu coisas maravilhosas: o sol, as estrelas, as árvores, os animais, as cores. Ele me disse que as sombras que vemos na caverna são apenas cópias imperfeitas dessas coisas reais, e que os sons que ouvimos são apenas ecos distorcidos das suas vozes. Ele me disse que eu deveria segui-lo, e sair da caverna também.

shadow of a person

Eu fiquei assustado com o que ele me disse. Eu não conseguia acreditar que tudo o que eu conhecia era falso, e que havia um mundo muito mais belo e verdadeiro lá fora. Eu achei que ele estava louco, e que a luz tinha lhe feito mal. Eu preferi ficar na minha zona de conforto, na minha ilusão familiar. Eu não quis arriscar a minha segurança, a minha tranquilidade, a minha identidade.

Mas ele não desistiu de mim. Ele voltou a me visitar, e me trouxe presentes do mundo exterior: uma flor, uma pedra, um espelho. Ele me mostrou como essas coisas eram diferentes das sombras, como elas tinham forma, textura, aroma, reflexo. Ele me mostrou como elas eram mais bonitas e mais interessantes do que as sombras. Ele me mostrou como elas eram mais reais.

Ele também me falou sobre si mesmo. Ele me contou como ele se sentia diferente depois de sair da caverna. Ele me contou como ele se sentia mais livre, mais feliz, mais sábio. Ele me contou como ele se sentia mais ele mesmo. Ele me contou como ele se conhecia melhor.

photo of man sitting on a cave

Ele me fez pensar sobre mim mesmo. Ele me fez questionar as minhas crenças, os meus valores, os meus preconceitos. Ele me fez duvidar das minhas certezas, das minhas opiniões, dos meus costumes. Ele me fez ver as minhas limitações, as minhas ignorâncias, as minhas ilusões.

Ele me fez querer sair da caverna.

Ele me ajudou a romper as correntes que me prendiam à parede. Ele me guiou pelo caminho escuro e íngreme que levava à saída da caverna. Ele me protegeu dos perigos e das tentações que surgiam pelo caminho. Ele me encorajou a seguir em frente, mesmo quando eu sentia medo, dor ou cansaço.

Ele me levou até o mundo exterior.

Eu fiquei deslumbrado com o que vi. Eu fiquei maravilhado com a beleza e a diversidade das coisas reais. Eu fiquei fascinado com o conhecimento e a compreensão que elas me proporcionavam. Eu fiquei grato pela oportunidade e pela responsabilidade de viver nesse mundo.

Eu também fiquei surpreso com o que senti. Eu fiquei orgulhoso da minha coragem e do meu esforço. Eu fiquei satisfeito com o meu crescimento e com a minha transformação. Eu fiquei feliz com a minha liberdade e com a minha felicidade.

Eu fiquei contente comigo mesmo.

Eu me conheci melhor.

Eu saí da caverna de Platão.

E você? Você quer sair da caverna também? 😊

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Molduras para pessoas – traços de caráter https://minasi.com.br/molduras-para-pessoas-tracos-de-carater/ https://minasi.com.br/molduras-para-pessoas-tracos-de-carater/#respond Fri, 11 Aug 2023 12:34:58 +0000 https://minasi.com.br/?p=3136

As manifestações individuais presentes no coletivo muitas vezes nos deixam perplexos. Como uma pessoa pode agir ou reagir desta ou daquela forma? O que acontece para que seja assim? Como podemos melhorar interna e externamente, tornando o ambiente mais fluido e menos burocrático ou agressivo?

A resposta está em nosso desenvolvimento mais primitivo, em nossa infância.

Os traços de caráter são marcas e soluções que conseguimos implementar em nossa infância, para lidar com a dor da castração à nossa potência ou ausência do amor. Eles são como as guias que colocamos em nosso cão de estimação para que ele faça o que desejamos ou nos obedeça. De certa forma, na infância, como nossos genitores não conseguiram lidar com a energia livre da criança, dando contornos seguros para que ela pudesse se desenvolver de forma livre, desenvolvendo uma moral natural através da ética, acabam por nos colocar essas “guias” que Wilhelm Reich chamou de couraças musculares de caráter.

cachorro sendo segurado pela guia
O traço de caráter é uma contenção de nossa energia

Então, tanto o aspecto comportamental, sentimental e de pensamento coincidem com as couraças musculares no sentido de conduzir a criança à submissão. Esse congelamento da energia imposto pelos pais produzem na criança acomodações físicas e psíquicas para que o sofrimento seja menor. Isto ocorre no amadurecimento do aparato muscular, cada fase ligada ao segmento que está energeticamente sendo aprontado.

Isto, coloca a criança diretamente ligada ao seu corpo e sujeita à sua relação com as figuras materna e paterna. Aqui não falamos de trauma mas de um treinamento constante, diário, de submissão insistente, de forma a moldar corpo e psique. Cada fase deste desenvolvimento vai liberar ou constranger energia e ação.

Com o passar dos anos esta forma de moldar corpo e psique se torna permanente formando o traço do caráter que acompanhará a pessoa por toda a sua vida. Isto é como uma escala que se movimenta: podendo ser momentos de maior ou menor intensidade na manifestação da couraça do caráter.

Com os traços de caráter aprendemos a nos socializar

Podemos citar os principais traços:

Compulsivo – se fixando até aproximadamente 4 anos

Masoquista – se fixando até aproximadamente 4 anos

Fálico – se fixando até aproximadamente na adolescencia

Histérico – se fixando até aproximadamente na adolescencia

Cada um desses traços de estrutura neurótica pode ser misturado entre si e tomar uma intensidade, com um ou outro se tornando mais presente, dependendo de como a criança se sentiu em cada fase do seu desenvolvimento, em relação à pressão que sofria para se adequar ao sistema da família e à sociedade.

Estes traços podem se manifestar em uma estrutura neurótica ou uma cobertura para uma estrutura limítrofe, onde a base dos problemas está num momento mais primitivo do desenvolvimento infantil, onde o aparato muscular não tinha capacidade de suportar a carga de adaptação necessária.

Estas estruturas pressupõem formas de relação com as figuras de autoridade a partir da experiência com as figuras materna e paterna, produzindo adesões ou rompimentos quando se alcança a idade adulta. Refletindo nas relações suas experiências de adaptação.

Todo este processo é inconsciente, ou seja não há participação da vontade e decisão, mas como o próprio Reich o definiu, uma reação do corpo, que é o próprio inconsciente frente à pressão para se ajustar. Então, podemos dizer que mesmo as reações adultas são inconscientes ou comandadas por esta instância.

Estes traços vão marcar a forma como o individuo vai se relacionar nas relações mais íntimas, familiares e também na sua interação social, dentro do mundo do trabalho e sociedade. Isto vai constituir uma personalidade ou um jeito de funcionar externamente que de certa forma, estará tentando evitar aquela pressão e angústia enfrentada na sua infância, dentro do sistema familiar. Toda a sua busca será por nunca entrar neste conflito, que para o inconsciente tem perigo de sofrimento e morte.

Dentro do ambiente de trabalho, pode se submeter às pessoas, tentando não mostrar raiva ou qualquer atitude que resguarde seu campo. Tal submissão pode demonstrar uma polidez externa, que cobre um ódio e raiva enorme interior. Sorrisos, cooperação, aceitações incondicionais, pouca ou nenhuma manifestação de seus desejos ou pensamentos, evitação, formação de grupos de resistência, liderança democrática, onde não é aplicável, etc…

De outro lado está a raiva exposta, imposição de suas vontades, conflitos abertos e sem solução, vinganças, lideranças ditatoriais, onde não é aplicável, exigências absurdas de produtividade, utilização de imagem pessoal como opressão do outro, etc…

E ainda resta a sedução, os jogos dúbios, os convencimentos elogiosos falsos, a malemolência, etc…

São todas manifestações dos traços de caráter diante de sistemas de relações no trabalho e na sociedade.

A forma de sair destes comportamentos e condicionados é movimentar a couraça, sair do congelamento que ainda funciona sobre a pessoa, assumindo riscos em enfrentar a sua dor interior para que também o grupo se beneficie de seu movimento. A couraça corporal de caráter é um congelamento evitativo da dor, quanto mais se movimenta e flexibiliza, mais energia e movimento se ganha o individuo e a comunidade.

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7 atitudes que fortalecem sua saúde mental e corporal https://minasi.com.br/7atitudes/ https://minasi.com.br/7atitudes/#respond Fri, 19 Aug 2022 13:07:58 +0000 https://minasi.com.br/?p=2952

O Mindfulness se compõe de 7 atitudes básicas, identificadas por Kabat-Zinn: Não julgar, Paciência, Mente de Principiante, Confiança, Não forçar, Aceitação e Ceder. Estas atitudes encontram-se na maioria das tradições religiosas e espirituais e consistem um patrimônio da humanidade. São uma verdadeira medicina para os males da mente e do corpo.

Não julgar:

mãos que apontam e julgam

A atenção plena cultiva-se assumindo a postura de testemunhas imparciais de nossa própria existência. Fazer isso requer que tomemos consciência do constante fluxo de julgamentos e de reações a experiências tanto internas como externas nas que, pelo geral, vemos nós mesmos presos e onde aprendamos a sair delas. Quando começamos a praticar o prestar atenção à atividade de nossa própria mente, é comum que nos surpreenda o fato de nos dar conta de que constantemente geramos julgamentos sobre nossa experiência. A mente categoriza e rotula quase todo o que vemos. Reagimos a todo, o que experimentamos em termos de qual valor achamos que este fato ou esta coisa tem para nós. Algumas coisas, pessoas e acontecimentos são julgados como “bons” porque, por alguma razão, relacionam-se com que nos sintamos bem. Outros são condenados com a mesma celeridade, porque não achamos que tenham demasiada importância. As coisas, pessoas e acontecimentos neutros são quase dessintonizados por completo de nossa consciência. Por regra geral, não lhes concedemos atenção por considerá-los demasiado enfadonhos.

Este costume de categorizar e de julgar nossa experiência limita-nos a reações mecânicas, das que nem sequer nos damos conta e que, com frequência, carecem totalmente de base objetiva. Esses julgamentos têm tendência a dominar nossas mentes e nos dificultam de encontrar a paz em nosso interior. É como se a mente fosse um ioiô, subindo e baixando todo dia pelo barbante de nossas próprias ideias julgadoras. Se temos de achar uma forma mais eficaz de manejar o estresse de nossas vidas, o primeiro que precisaremos é tomar consciência desses julgamentos automáticos para ver através de nossos preconceitos e temores e nos libertar de sya tirania. Ao praticar a atenção plena, é importante reconhecer, quando faça sua aparição, esta qualidade mental julgadora, bem como assumir intencionadamente a postura de testemunha imparcial, recordando a nós mesmos que o único que temos que fazer é observar. Quando nos encontremos com que a mente julga, não devemos fazer com que deixe de fazêlo. Tudo o que precisamos é nos dar conta do que se sucede. Não há nenhuma necessidade de julgar os julgamentos e de complicar ainda mais as coisas.

Como exemplo, imaginemos que nos encontramos vigiando nossa respiração. Em um determinado momento, podemos dar conta de que nossa mente diz coisas como: “Isto é uma chateação”, ou “Isto não funciona”, ou “Não posso fazer isto”. Trata-se de julgamentos. Quando chegam à nossa mente, é da maior importância que os reconheçamos como pensamentos de julgamento e lembremos que a prática implica a suspensão de julgamentos e a mera observação de tudo o que acontece – que inclui nossos próprios pensamentos de julgamento – sem segui-lo ou agir sobre ela de qualquer maneira. Depois, podemos prosseguir com a observação de nossa respiração.

Paciência:

fishing man vacation people
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A paciência é uma forma de sabedoria. Isso mostra que entendemos e aceitamos o fato de que, às vezes, as coisas têm que acontecer quando é a vez delas. Uma criança pode tentar ajudar, rompendo o casulo, fazendo com que uma borboleta saia, ainda que, por regra geral, a borboleta não resulte em nada beneficiada pelo esforço. Qualquer adulto sabe que a borboleta só pode sair ao exterior quando lhe chega o momento e que não pode ser acelerado o processo. Da mesma maneira, quando praticamos a atenção plena, cultivamos a paciência para nossa própria mente e nosso próprio corpo. De forma expressa, recordamos que não há necessidade alguma de nos impacientar com nós mesmos por achar que nossa mente passa o tempo todo julgando, ou que estejamos tensos, nervosos ou assustados, ou por ter praticado durante algum tempo sem aparentes resultados positivos. Temos que nos conceder um espaço para ter essas experiências. Por que? Porque de qualquer jeito vamos tê-las! Quando cheguem, constituirão nossa realidade, serão uma parte de nossa vida que se desenvolve nesse momento, de maneira que tratemos a nós mesmos pelo menos tão bem como trataríamos à borboleta. Por que passar de maneira corrida por alguns momentos de nossa vida para chegar a outros?, por que sacrificar o presente por um futuro que não sabemos se será melhor? Após tudo isso, cada um deles constitui nossa vida nesse instante.

Quando praticamos estar assim com nós mesmos, estamos destinados a encontrar que nossa mente possui “uma mente própria”. Uma das atividades favoritas da mente é vagar pelo passado e pelo futuro e perder-se no pensamento. Alguns de seus pensamentos são agradáveis; outros, dolorosos e geradores de intranquilidade. Seja qual for o caso, o mero fato de pensar exerce um forte alerta em nossa consciência. A maioria das vezes, nossos pensamentos atropelam nossa percepção do momento atual e fazem com que percamos nossa conexão com o presente. A paciência pode ser uma qualidade especialmente útil para invocá-la quando a mente está agitada e pode nos ajudar a aceitar o errático desta, recordando que não temos por que ser arrastados por suas viagens. A prática da paciência nos recorda que não temos que encher de atividade e ideias nossos momentos para que estes se enriqueçam. Na verdade, isso nos ajuda a recordar que o que é verdade é precisamente o contrário. Ter paciência consiste singelamente em estar totalmente aberto a cada momento, aceitando em sua plenitude e sabendo que, igual que no caso da borboleta, as coisas se descobrem quando lhes convém.

Mente de principiante:

A riqueza da experiência do momento presente não é mais do a riqueza da própria vida. Com demasiada frequência, permitimos que nossos pensamentos e crenças sobre o que “sabemos” nos impeça de ver as coisas como são. Para ver a riqueza do momento presente, precisamos cultivar ao que vem se denominando “mente de principiante” ou mente disposta a ver tudo como se fosse a primeira vez.

focused girl meditating while practicing yoga lotus pose
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Esta atitude terá importância especial quando pratiquemos as técnicas de meditação formal. Seja qual for a técnica que particularmente empreguemos, seja ela a exploração do corpo ou a meditação sentada do yoga, deveremos adotar a mente do principiante cada vez que pratiquemos, para assim nos ver livres das expectativas baseadas em experiências prévias. Uma mente aberta de “principiante” nos permite ser receptivos ao nosso potencial e nos impede de ficar presos na rotina de nossa própria experiência, que muitas vezes acredita que sabe mais do que sabe. Nenhum momento é igual a outro. A cada um deles é único e possui possibilidades únicas. A mente de principiante recorda-nos esta verdade tão singela.

Podemos tentar o experimento de cultivar nossa mente de principiante em nossa vida diária. A próxima vez que vejamos a alguém com quem estejamos familiarizados, devemos nos perguntemos se vemos a essas pessoas com olhos novos, como assim é, ou se só vemos o reflexo de nossas próprias ideias a respeito delas. Devemos tentar isso com nossos próprios filhos, com nossa esposa, nossos amigos e colegas do trabalho, ou com nosso cão ou gato. Devemos tentar com os problemas quando estes aflorem. Devemos tentar com a natureza quando formos sair ao exterior. Podemos ver o céu, as estrelas, as árvores, a água e as rochas como são nesse preciso momento e com uma mente limpa e ordenada, ou apenas podemos vê-los através do véu de nossas próprias ideias e opiniões?

Confiança:

O desenvolvimento de uma confiança básica em si mesmo e em seus sentimentos constitui uma parte fundamental deste programa. É muito melhor confiar em nossa intuição e em nossa própria autoridade, ainda que possamos cometer alguns “erros” no caminho, do que buscar sempre um guia fora de nós mesmos. Se em algum momento algo não nos parece bem, por que não seguir essa sensação? Por que temos de taxá-la de inútil porque alguma autoridade ou grupo de pessoas pensa de maneira diferente? Esta atitude de confiar em nós mesmos e em nossa sabedoria e bondade básicas é muito importante em todas as facetas da prática da meditação.

boy wearing orange shirt blowing on dandelion
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Algumas pessoas, que se veem envolvidas na meditação, observam-se tão enganchadas na reputação e autoridade de seus mestres, que não seguem seus próprios sentimentos nem sua intuição. Esta é uma atitude absolutamente oposta ao espírito da meditação, o qual ressalta o fato de que sejamos nós mesmos e que compreendamos o que isto significa. Quem quer que imite ao outro, seja este outro quem for, caminha em direção contrária.

É impossível converter-se em outro. Nossa única esperança reside em ser nós mesmos com mais plenitude. Esta é a razão, em primeiro lugar, para que pratiquemos a meditação. Os mestres, livros e fitas só podem ser guias, pontos indicadores. É de soma importância estar aberto e ser receptivo ao que possamos aprender de outras fontes, ainda que, em rigor, tenhamos que viver nossa própria vida e cada momento desta. Ao praticar a atenção plena, praticamos também a tomada de responsabilidade de ser nós mesmos e de aprender a escutar nosso próprio ser e a ter confiança nele. Quanto mais cultivemos esta confiança, mais fácil nos parecerá confiar em outras pessoas e ver também sua bondade básica.

Não forçar:

Quase todo o que fazemos, fazemos com uma finalidade: conseguir algo ou chegar a algum lugar. No entanto, esta atitude, na meditação, é diferente de qualquer outra atividade humana. Ainda que requeira muito trabalho e um verdadeiro tipo de energia, a verdade é que a meditação consiste em não fazer. Não há outro objetivo para nós sem ser que sejamos nós mesmos. A ironia é que encontra-se no que já o somos. Soa paradoxal e algo estanho. No entanto, este paradoxo e estranheza podem nos indicar o caminho para uma nova forma de ver a nós mesmos, uma forma na qual tentemos menos e sejamos mais, que nos chega expressamente mediante o cultivo da atitude de não nos esforçar.

man falling carton boxes with negative words
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Por exemplo, se nos sentamos e meditamos, pensamos: “Vou relaxar ou me iluminar ou controlarei minha dor ou vou me converter em uma pessoa melhor”, o que ocorre é que temos introduzido em nossa mente a noção de onde deveríamos estar, vindo com ela a ideia de que não estamos bem nesse momento. “Se me encontrasse mais tranquilo, ou fosse mais inteligente, ou trabalhasse com mais afinco ou mais isto ou aquilo, ou se meu coração funcionasse melhor, ou se meu joelho não doesse, estaria bem, mas, neste momento, não estou”. Essa atitude prejudica o cultivo da atenção plena, o que implica simplesmente prestar atenção ao que acontece. Se estamos tensos, prestemos atenção nessa tensão. Se algo nos dói, devemos sentir o melhor que possamos com nossa dor. Se nos tornamos objeto de nossa própria crítica, observemos a atividade da mente julgadora. Estejamos atentos. Devemos lembrar que só permitimos que estejam presentes qualquer coisa e todas as coisas que experimentemos de uma hora para outra porque já estão aqui.

Aceitação:

A aceitação significa ver as coisas como são no presente. Se temos uma dor de cabeça, devemos aceitar o que temos. Se temos alguns quilos a mais, por que não os aceitar como descrição de nosso corpo nesse momento? Antes ou depois, teremos que adaptar às coisas como são e aceitá-las. Seja acerca de um diagnóstico de câncer, bem como na morte de alguém. Frequentemente, só se atinge a aceitação após ter atravessado períodos de negação muito emotivos, e, a seguir, de raiva. Estas etapas constituem o avanço natural no processo de nos adaptar ao que seja e fazem parte do processo de cura.

crop black man showing pray gesture
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No entanto, deixando de lado por um instante as grandes calamidades que, em geral, absorvem tanto tempo no decorrer do nosso dia-a-dia antes da cura, muitas vezes desperdiçamos uma grande quantidade de energia negando o que já é um fato e resistindo a ele. Ao trabalhar assim, o que fazemos basicamente é tentar forçar as situações para que sejam como gostaríamos que fossem, o que só gera mais de tensão e, de fato, impede que se produzam mudanças positivas. Podemos estar tão ocupados negando, forçando e lutando que não nos sobrem energias para sanar e crescer, e que as poucas que nos restem possam ser desvanecidas por nossa falta de consciência e intenção.

Se temos excesso de peso e nosso corpo não nos agrada, de nada serve esperar até que tenhamos o peso que gostaríamos ter para começar a nos agradar com ele e assim que gostemos de nós mesmos. Em determinado momento, e se não queremos nos ver presos em um frustrante círculo vicioso, poderíamos nos dar conta de que é perfeitamente correto gostar do peso que temos nesse momento porque é o único instante em que podemos nos gostar. Recordemos: o agora é o único tempo com que contamos para o que seja. Temos que nos aceitar como somos antes de que possamos mudar. Quando começamos a pensar desta maneira, o fato de perder peso deixa de ter importância. Além disso, torna-se bem mais fácil. Mediante o cultivo intencionado da aceitação, criamos as condições prévias para a cura.

A aceitação não quer dizer que tenhamos que gostar todo, ou que tenhamos que adotar uma postura passiva para tudo e abandonar nossos princípios e valores. Não significa que estejamos satisfeitos com as coisas como elas são, ou que tenhamos resignados a tolerar as coisas como “tenham que ser”. Isso não implica que devamos cessar nossas tentativas de romper com nossos próprios hábitos autodestrutivos, ou desistir de nosso desejo de mudar e crescer, ou tolerar a injustiça, por exemplo, ou evitar em nos envolver em mudar o mundo ao nosso redor porque seja assim e, portanto, careça de esperança. A aceitação, como nós a vemos, quer dizer simplesmente que temos estamos à vontade de ver as coisas como são. Esta atitude prepara o cenário para que, aconteça o que for, possamos agir de forma adequada em nossa vida. Muito provavelmente somos nós mesmos que sabemos o que fazer e temos a convicção interior de agir quando temos uma visão clara do que acontece, em vez de quando a nossa visão é obscurecida pelos julgamentos e desejos autosserviçais da nossa mente ou por causa de seus medos e preconceitos.

Em a prática da meditação, cultivamos a aceitação tomando cada momento como nos chega e estando completos com ele como é. Tentamos não impor nossas ideias sobre o que devemos sentir, pensar ou ver em nossa experiência, mas apenas lembrar de ser receptivos e abertos ao que sentimos, pensamos, ou vemos e aceitamos, porque é aqui e agora. Se mantemos nossa atenção atenta ao presente, podemos estar seguros de uma coisa: de que seja o que tenhamos diante de nós neste momento, isso nos mudará e proporcionará a ocasião de praticar a aceitação com independência do que nos surgirá no momento seguinte. Está muito claro de que há sabedoria no cultivo da aceitação.

Ceder:

Dizem que na Índia existe uma forma muito inteligente de caçar macacos. Segundo contam, os caçadores recortam em um coco um buraco suficientemente grande para que o macaco possa introduzir sua mão. Depois, perfuram dois buracos menores no outro extremo e passam por eles um arame, cujo atam à base de uma árvore. O macaco desce da árvore, introduz sua mão no buraco e agarra a banana que os caçadores introduziram no coco. O buraco foi recortado de forma que a mão aberta do macaco possa passar por ele, ainda que não seu punho fechado. Tudo o que o macaco tem que fazer para se libertar é soltar a banana, ainda que parece que a maioria dos macacos não o faça.

Frequentemente, e apesar de toda nossa inteligência, nossas mentes desempenham comportamentos semelhantes, razão pelo que o cultivo da atitude de ceder ou da falta de apego é fundamental para a prática da atenção plena. Quando começamos a prestar atenção em nossa experiência interior, descobrimos imediatamente que existem certas ideias e sensações que dão a impressão de que a mente quer ser aderir. Se são agradáveis, tentamos prolongá-las, esticá-las e retorná-las continuamente. Existem, de igual modo, muitas ideias, sensações e experiências que tratamos de evitar, ou das que tentamos nos libertar ou nos proteger porque são desagradáveis, dolorosas e porque, de uma ou outra forma, nos dão medo.

Na prática da meditação, nós, de forma deliberada, deixamos de lado a tendência de engrandecer determinados aspectos de nossa experiência e a recusar outros. Em vez disso, o único que fazemos é deixar que nossa experiência seja ela mesma e praticar observando-a em cada momento. Ceder é uma forma de deixar que as coisas sejam como são e de aceitá-las assim. Quando observamos como nossa mente adere e se afasta, vamos nos lembrar de nos desligarmos expressamente desses impulsos, mesmo que seja apenas para ver o que acontece.

Quando nos vemos julgando nossa experiência, deixemos que essas ideias julgadoras se vão. Devemos reconhecê-las e não as perseguir mais. Devemos deixá-las em paz e, ao fazer isso, permitir que se vão. Do mesmo modo, quando nos vêm ideias do passado ou do futuro, que as deixemos em paz. Apenas devemos permanecer alertas. Podemos nos converter em especialistas de nossos próprios apegos, com independência de quais sejam e de suas consequências em nossas vidas, e no que se sente nesses momentos em que, por fim, cedemos, bem como, também, de quais são as consequências disso. O fato de estarmos dispostos a olhar para as formas em que nos apegamos mostra, no fundo, muita experiência no contrário, de uma forma que, quer tenhamos ou não sucesso em nos desfazer, a atenção continua a nos ensinar se estivermos dispostos a olhar. O se soltar ou desatar-se não constitui nenhuma experiência do outro mundo. Fazemos isso todas as noites ao ir dormir. Nos atiramos em uma superfície acolchoada, sem luzes, em um lugar tranquilo e deixamos que nossas mentes e corpos se deixem ir. Se não o fazemos, não poderemos dormir. A maioria de nós experimentamos que a mente muitas vezes não se cala quando nos deitamos. Este é um dos primeiros sinais de um elevado estresse. Em tais casos, podemos nos sentir incapazes de se libertar de certas ideias porque nosso envolvimento com elas é demasiado poderoso. Se nos forçamos a dormir, é pior ainda. Portanto, se podemos dormir, isso significa que já somos especialistas em nos desprender. O que agora nos falta é praticar, aplicando esta habilidade também a situações em que estejamos despertos.

Uma maneira de apreciar a importância das atitudes características de Mindfulness é considerar seus opostos. Imagine uma pessoa que constantemente está julgando, criticando e se queixando, que acha que já sabe tudo, é impaciente, nega a realidade e trata de controlar obsessivamente cada aspecto desta. Quais avanços você acha possível de fazer na aprendizagem de Mindfulness ou de qualquer outra habilidade com estas atitudes?

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Da família patriarcal para uma família em rede https://minasi.com.br/patriarcal/ https://minasi.com.br/patriarcal/#respond Tue, 05 Apr 2022 14:29:01 +0000 https://minasi.com.br/?p=2827

“Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos.” – Jean-Pierre Lebrun 

Nos últimos 30 anos, a ideia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente. As consequências disso não são necessariamente ruins, como explica o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, uma das principais referências na Europa no estudo sobre mudanças nas relações entre pais e filhos. Mas, para tanto, é preciso aprender a negociar com os filhos mantendo a autoridade.

Em entrevista, Lebrun, um dos fundadores da Associação Lacaniana Internacional, fala sobre a educação atual frente à nova estrutura social, a da rede, em que os locais de exceção — as hierarquias dos pais, avós e professores — se desfizeram, dificultando ou até impossibilitando lições cruciais para os jovens: aprender a perder, a renunciar, a entrar em conflito com o outro, aprender a ter limites. Confira abaixo:

Por que os pais hoje têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
Jean-Pierre Lebrun: 
Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele podia ser ocupado por Deus ou pelo papa, pelo pai ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos.

Hoje, a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E, na rede, não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. 

As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.

Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
Jean-Pierre Lebrun: 
É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo.

Às vezes, é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso.

Hoje, os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.

Falando concretamente, como é possível ver essa diferença no comportamento das famílias?
Jean-Pierre Lebrun: 
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há 20 ou 30 anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão.

Posso citar outro exemplo. Desde sempre, quando levávamos os filhos pela primeira vez à escola, eles choravam. Hoje em dia, normalmente, são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças.

Isso acontece porque eles não são capazes de se apresentar como a geração acima da dos filhos. É uma consequência desse novo arranjo social, em que os papeis estão organizados de forma mais horizontal.

Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior?
Jean-Pierre Lebrun: 
Hoje, os pais precisam discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar ideias, quem decide são os pais.

Essas mudanças na estrutura social podem influenciar em aspectos negativos como, por exemplo, o uso abusivo de drogas?
Jean-Pierre Lebrun: 
Não há uma relação automática. Os mecanismos pelos quais os indivíduos se tornam dependentes químicos são diversos e complexos. A psicanálise ajuda a identificar alguns deles.

Vou dar um exemplo. Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação.

Mas o que essa perda tem a ver com o fato de as pessoas enveredarem por um caminho autodestrutivo?
Jean-Pierre Lebrun: 
É uma anomalia no processo de humanização. Não nascemos humanos, nós nos tornamos. Isso ocorre quando aprendemos aquilo em que somos singulares entre todos os animais que habitam o planeta.

Somos os únicos animais capazes de falar. Não se trata apenas de aprender ortografia ou usar as palavras corretamente. Quando dominamos a faculdade da linguagem, adquirimos uma série de características muito especiais, como, por exemplo, a consciência de que somos mortais. Aprendemos a construir as pontes que levam a um entendimento superior do mundo e de nossa condição. Isso é o que nos diferencia e nos torna completamente humanos. Um desequilíbrio nesse processo pode ter consequências. É aí que entra a explicação psicanalítica para o ingresso no universo das drogas.

Aprender a falar, ou tornar-se humano, é algo que não ocorre espontaneamente. É uma reação a uma perda do estado permanente de satisfação completa com a qual somos confrontados na primeira infância.

Ou seja, o processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.

Com que consequências?
Jean-Pierre Lebrun: Isso faz com que estejamos cada vez menos preparados para lidar com o sofrimento da nossa condição humana. Há séculos que as drogas têm algo de paraíso artificial, como diz Baudelaire. Ou seja, uma forma de se refugiar da dor humana, da insatisfação.

As drogas sempre serviram para evitar o confronto com esse sofrimento. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar.

Com o desenvolvimento da farmacologia, essas substâncias se tornaram muito acessíveis. Isso pode criar distorções. É muito mais simples tomar uma Ritalina para não ser hiperativo do que fazer todo o trabalho de aprender a suportar a condição humana.

Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática. 

Por que as drogas têm apelo especial para os jovens?
Jean-Pierre Lebrun: 
Eles são mais sensíveis a esse fenômeno porque têm uma tendência espontânea a, quando se tornam adultos, serem novamente confrontados com as dificuldades da existência. É, de certa forma, a repetição daquilo que haviam vivenciado na infância, quando foram, ou deveriam ter sido, apresentados à ideia de perda da satisfação completa, de que não ficariam com a chupeta na boca a vida inteira, por exemplo.

Se, no ambiente em que esses jovens vivem, há uma abundância de produtos que funcionam como um meio de evitar essas dificuldades, eles mergulham de cabeça. Como também veem nisso certo caráter transgressivo, todas as condições estão dadas para que eles recorram às drogas.

Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isso pode ter?
Jean-Pierre Lebrun: Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Essa capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada.

Por isso, não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais de fazerem os filhos crescer. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.

O melhor mesmo, então, é aceitar que a existência é sofrida?
Jean-Pierre Lebrun: O processo é mesmo muito mais complexo do que ocorre com outros animais. Um cão nasce cão e será assim para o resto da vida. Um tigre será sempre tigre.

Um humano, no entanto, precisa se tornar plenamente humano. É uma enorme diferença. Esse processo leva uns 20, 25 anos e está sujeito a percalços. Na Renascença, já se falava disso: não somos humanos, nós nos tornamos humanos.

Entrevista de Ronaldo Soares publicada na revista Fronteiras

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Um novo brasileiro para um Brasil novo https://minasi.com.br/um-novo-brasileiro-para-um-brasil-novo/ https://minasi.com.br/um-novo-brasileiro-para-um-brasil-novo/#respond Mon, 07 Feb 2022 22:48:35 +0000 https://minasi.com.br/?p=2735

O caminho para a renovação e a modernização do Brasil depende de a classe média tomar consciência de sua falta de identidade e assumir a responsabilidade pelo processo sócio-cultural do país.

A falta de identidade se expressa psicologicamente quando nos identificamos com o outro e adotamos as atitudes características de nosso modelo; quando estabelecemos relações infantis referenciadas no nosso modelo familiar.

Quando não há identidade, não há também o respeito à Lei que, na infância, é simbolizada pela autoridade da figura paterna. O hábito brasileiro de utilizar apenas o nome próprio, deixando em segundo plano o nome de família, deixa evidente a falta da figura paterna. Perpetuando a maneira pela qual a mãe chama o filho, ou seja, pelo nome próprio, nos apresentamos e nos comunicamos como crianças. No mundo de hoje quem estaria em condições de ser reconhecido apenas pelo seu nome próprio?

A classe média brasileira sem identidade deixa-nos a todos, sociologicamente, como crianças, e incapazes de responder pelo encargo social que cabe a ela de manter o equilíbrio e a coesão da sociedade.

Essa falta de identidade do Brasil de um modo geral chega a tal ponto que se sustenta o uso do chamado ‘ ‘bom português”, o idioma da “mãe colonizadora”, apesar de se reconhecer a existência e a importância de um verdadeiro idioma brasileiro. Exemplo claro disto é o hábito lingüístico de usar o Você.

Sem identidade, usa-se o Você para a segunda pessoa. Sabemos que o Você corresponde à terceira pessoa da conjugação verbal e que isto significa distanciar entre si os dialogantes. Psicologicamente, distância significa falta de contato e até falta de confiança. O Você é uma corruptela de Vossa Mercê. E um tratamento diferenciado para demonstrar respeito e consideração o qual se perdeu no tempo: Vossa Mercê, Vosmicê, Você. Esse tratamento respeitoso hoje se tornou um tratamento entre iguais. Mas, na verdade, só existe igualdade quando existe identidade. O tratamento entre iguais é Tu.

A falta de identidade também se expressa pelo egoísmo. O egoísmo provoca falta de respeito pelo outro e resulta em violências sociais de toda natureza. Por exemplo, o egoísmo de empresários milionários os leva à explorar empregados e consumidores através de comportamentos semelhantes aos dos colonizadores. Qual seria a postura da atual classe média brasileira diante disto? Sem identidade, ela penderia para a elite “colonizadora” ou para a maioria pobre da população objeto daquele egoísmo?

A falta de identidade é um grave problema que não pode ser negligenciado.

A identidade só surge quando se alcança a maturidade individual e social, e se ultrapassa a dependência e a idenficação com um modelo. O Brasil tem potencialidade para uma expressão sócio-cultural madura que não seja copiada ou importada. Mas se faz evidente um certo complexo de inferioridade devido a essa falta de identidade.

A classe média brasileira precisa se identificar com o Brasil em vez de se identificar com a elite empresarial que, no mundo todo só tem uma nacionalidade: o dinheiro. Se a classe média brasileira assumir a identidade do Brasil, a maioria pobre do povo brasileiro poderá ter nela um modeIo saudável que propicie o seu amadurecimento.

Assumir a identidade do Brasil significa assumir a responsabilidade pelo processo sócio-cultural do país. Significa buscar a identidade genuína de cada brasileiro. Significa estabelecer o valor semântico da linguagem a fim de permitir uma comunicação verdadeira que facilite a transformação de valores individuais e sociais. Significa transformar o Brasil, um país infantil, em um país realmente jovem e que valoriza suas próprias energias. Significa assumir as riquezas naturais que o país possui. Significa assumir sua beleza e sua vitalidade.

Assumir a sua própria identidade permitirá ao Brasil elaborar um projeto objetivo e viável que, educando os educadores, criaria uma verdadeira revolução cultural. Esse projeto poderá ser coordenado por uma comissão interdisciplinar formada por cientistas sociais de todos os matizes e vinculado ao Ministério da Educação que o supervisionaria e lhe garantiria os recursos necessários. Ele se valeria da estrutura escolar e da mídia, com destaque para a televisão como maior e melhor meio de atingir a grande maioria dos brasileiros, educando-os através de mensagens que lhes levem informação e cultura e não apenas espetáculo. O grande objetivo desse projeto será renovar e modernizar o Brasil com identidade e responsabilidade.

Federico Navarro
Maria Beatriz de Paula
Publicado na revista Energia, caráter e sociedade, 1994

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O Corpo, um livro que esquecemos de ler. https://minasi.com.br/o-corpo-um-livro/ https://minasi.com.br/o-corpo-um-livro/#respond Fri, 12 Nov 2021 13:46:54 +0000 https://minasi.com.br/?p=2592

Natureza e cultura, instinto e moralidade, sexualidade e realização tornam-se incompatíveis, como resultado da cisão na estrutura humana. A unidade e congruência de cultura e natureza, trabalho e amor, moralidade e sexualidade — desejada desde tempos imemoriais — continuará a ser um sonho enquanto o homem continuar a condenar a exigência biológica da satisfação sexual natural (orgástica). A democracia verdadeira e a liberdade baseadas na consciência e responsabilidade estão também condenadas a permanecer como uma ilusão, até que essa exigência seja satisfeita. Uma sujeição sem remédio às condições sociais caóticas continuará a caracterizar a existência humana. Prevalecerá a destruição da vida pela educação coerciva e pela guerra.

A Função do Orgasmo – Wilhelm Reich

O corpo não é uma imagem do ser, mas a sua própria identidade. O corpo é como um livro que conta a história de vida, ou melhor, ele é um livro que conta uma história que envolve a própria vida e também dos antepassados. Sim!! Dentro da vida há a realidade das gerações anteriores, através do temperamento (herança genética), da intergeracinalidade e da transgeracionalidade. No entanto, as principais páginas e os capítulos que mais influenciam são as que foram escritas a partir da experiência na barriga das mães, na vivência dessa relação única, diferente, impactante e definitiva com os braços e o corpo da mãe ou pela sua falta.

Durante a vida pode-se procurar conhecer livros importantes para a vida religiosa, social, profissional, mas há muita dificuldade em ler o principal: o corpo que somos.

Por que isso acontece?

Os motivos podem ser diversos, segundo a cultura de família, mas eu poderia resumir em três grandes tomos: A cultura da sociedade ocidental; a cultura educacional na família primitiva; a cisão profunda que existe entre mente e corpo.

Vou explicar: Culturalmente, a sociedade ocidental tomou um caminho onde o corpo é um local de pecado, de sofrimento, de luxuria e portanto, precisa ser “domado”, submetido à razão. Ao partir para essa segmentação que aconteceu há alguns séculos, houve uma desidentificação com o corpo, se tornado uma “coisa” que temos que lidar, então, compramos, consumimos para refrear a fome dessa besta que existe em nós, como um animal que tem que ser saciado para não nos atacar. Consideramos sublime a arte a do pensar, do refletir, do estudar, de encher a mente com atividades “edificantes” e o corpo, domesticado é a carruagem do conhecimento, iluminado. De forma alguma considero o conhecimento banal, no entanto, separar, dividir, engavetar, especializar acaba por fazer com que percebamos a vida compartimentalizada. Então, o que “senso” (sentido dos sentidos) no corpo é sempre tido como aberração e precisa ser domesticado com medicamentos, ginástica, religião, etc…

Depois, as famílias, influenciadas por esta cisão cultural ocidental não sabem mais ensinar as crias sobre o que acontece no corpo. Mesmo em situações básicas como o choro de um bebê, uma dor ou uma necessidade ou desejo. As mães, cada dia mais, perdem a capacidade de estar ligadas às suas crias, primeiro pelo cordão umbilical, dentro de si, depois, por um cordão energético, psíquico e posteriormente pela espiritualidade. As mães não se sentem mais donas de suas gravidezes, de suas crias. Precisam de iluminação, precisam de conhecimento, precisam “se formar” uma mãe. Então, a cria cresce tendo que descobrir sozinha o próprio corpo, distante do “sensar”, as vezes cheio de culpa, raiva, tristeza e outras emoções das quais não tem sabe definir ou estão recalcadas. A família dificilmente se vê como um corpo, se vê como um objetivo, uma meta, uma conquista. Então como “sensar” o que acontece nas relações? Como “sensar” o que acontece nos desejos?

Por fim, essa cisão se instala no individuo, que não teve a oportunidade de vivenciar isso na sua relação objetal, primitiva com sua mãe, com a figura paterna, com a família e diante de uma sociedade que culturalmente quer explorar esse corpo para o consumo, separa, provoca uma cisão: O superior mental e o inferior corporal.

Assim, ao olhar para a sociedade atual pergunta-se de como chegamos a esse nível onde pessoas precisam juntar o lixo para se alimentar, pode-se fazer a retrospectiva dessa cisão, partindo de dentro e retroalimentando os motores sociais da injustiça e do poder.

O caminho de volta para casa – corpo não é um caminho fácil. Na maioria das vezes ainda pensamos que este caminho é um algo a se conquistar, adquirir, possuir, refletindo a cisão. Não! O caminho é algo como se tivéssemos que aprender a conexão perdida com nossa mãe e nossos antepassados, por ela. Por resgatar o “sensar”, ou seja, os sentidos que nos ligam ao animal, ao natural, sair do virtual, da fantasia, do corpo cindido, separado. Reaprender sua linguagem: dores, sentidos, emoções e então iniciar um diálogo interno, porque não se estará falando com algo, mas consigo.

Para este retorno vale elementos que nos façam recordar do livro que esquecemos na estante da biblioteca. Seu cheiro de páginas envelhecidas, o toque dos dedos em suas páginas escritas, o gosto no fundo da garganta ao se tocar os dedos na boca para passar as páginas, a respiração enquanto se absorve o conteúdo, a luz e as sombras que formam as figuras que interpretamos e acolhemos. Isso, fala da vida. Isso, fala de como foi experimentada essa vida. Isso, fala das relações mais primitivas. Então, emoções, sentimentos, “sensar” podem ser novamente consultadas no dicionário da árvore genealógica, interpretadas, vivenciadas e por fim “in-corpo-rada”. Quando se mescla a mente e o corpo começa a fazer sentido o aspecto energético e transcendente da vida.

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Quais as suas inteligências? https://minasi.com.br/inteligencias/ https://minasi.com.br/inteligencias/#respond Wed, 20 Oct 2021 14:20:00 +0000 https://minasi.com.br/?p=2557

As inteligências múltiplas de Gardner

O psicólogo Howard Gardner usou uma abordagem bem diferente do pensamento tradicional sobre a inteligência.

Gardner argumenta que, ao invés de perguntar “O quão inteligente você é?”, deveríamos fazer outra pergunta: “Como você é inteligente?”. Em resposta à última pergunta, Gardner desenvolveu uma teoria das inteligências múltiplas (Gardner, 1999).

Gardner argumenta que temos no mínimo oito formas diferentes de inteligência, cada uma relativamente independente das outras: musical, cinestésico-corporal, lógico-matemática, linguística, espacial, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Na visão de Gardner, cada uma das inteligências múltiplas está ligada a um sistema independente no cérebro. Além disso, ele sugere que pode haver ainda mais tipos de inteligência, tais como inteligência existencial, que envolve identificar e pensar sobre as questões fundamentais da exis tência humana. O Dalai Lama pode exemplificar esse tipo de inteligência (Gardner, 1999).

Apesar de Gardner ilustrar sua concepção dos tipos específicos de inteligência com descrições de pessoas famosas, cada pessoa tem os mesmos oito tipos de inteligência – em diferentes graus. Além disso, apesar de os oito tipos básicos de inteligência estarem individualmente presentes, Gardner sugere que essas inteligências separadas não operam em isolamento. Normalmente, qualquer atividade engloba diversos tipos de inteligência em cooperação.

O conceito de inteligências múltiplas levou ao desenvolvimento de perguntas em testes de inteligência que podem ter mais de uma resposta correta; esses testes fornecem a oportunidade para que os avaliados demonstrem diferentes tipos de inteligência. Além disso, muitos educadores, abraçando o conceito das inteligências múltiplas, criaram currículos de sala de aula que buscam exigir diferentes aspectos da inteligência.

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