O masculino no filme Questão de Tempo

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Neste artigo, vamos explorar uma visão do masculino e do pai, dentro do filme “About Time” – Questão de Tempo:

  • Sociedade líquida
  • O papel do pai no desenvolvimento infantil
  • O pai no corpo
  • O resgate da história na visão do filme

Uma das grandes dificuldades do mundo contemporâneo das sociedades líquidas é a compreensão dos papéis em geral, especialmente neste caso da figura paterna. Num momento em que tudo muda a todo instante e em todos as manifestações da cultura e da sociedade, a figura paterna também sente-se impactada de tal forma, que.ja não se sabe ao certo qual sua função.

Se olharmos para alguns decênios anteriores, tínhamos papéis e figuras muito bem definidas, onde o pai exercia o rigor da punição e do provimento ao filho. Isso criava uma imagem endurecida,  longínqua e inacessível, tanto no desenvolvimento do masculino quanto na relação filho e pai.

Hoje, encontramos país exercendo funções que eram inconcebíveis como alimentação, cuidado e afeto dos filhos. Isso é muito bom, mas também insere mais dúvidas quanto ao desenvolvimento da figura masculina e do masculino na pessoa..

No desenvolvimento infantil, de uma forma generalíssima, a figura paterna é responsável por apresentar à criança, o mundo, as relações externas, os limites e as interações. Enquanto a figura materna está ligado ao cultivo da interioridade e do afeto, este leva a criança a olhar para si e para o mundo com confiança e fé. Como que se lhe apoiasse as costas, na região lombar e dissesse: “Vai! Estou aqui atrás te apoiando, vai”.

O hemisfério esquerdo do cérebro é o responsável pela parte pratica pela razão, voltada para a ação e controla o lado direito do corpo e o direito, como responsável pelo afeto e criatividade e controla o lado esquerdo do corpo. Em pessoas destras o lado direito e as costas tem correspondência com a masculinidade e a figura paterna, o lado esquerdo, a figura materna, em canhotos, ao contrário.

Então, a presença ou ausência da figura paterna no desenvolvimento infantil irá marcar o indivíduo de diversas formas, em primeiro lugar com o que Reich chamou de Couraças Musculares e posteriormente podem se desenvolver em manifestações de doenças.

É muito importante observar o corpo, porque nele ocorre a manifestação das emoções e sentimentos.

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O filme “Questão de tempo” é um conto, onde o jovem Tim Lake recebe do masculino na família paterna o dom de viajar no tempo, ao passado, para vivenciar novamente situações e poder corrigi-las. E não é esta a proposta terapêutica? Visitar o meu passado e “ajustar” as emoções que ficaram bloqueadas?

Esta é uma grande lição que todo pai deveria ensinar ao seu filho: sempre podemos voltar aos momentos mais dolorosos em nossa vida, vivenciar as emoções dolorosas que não conseguimos lidar na época e liberá-las para uma vida mais livre. Esta é uma grande lição que os homens, nesta sociedade liquida, devem ensinar aos seus filhos.

No filme, o jovem Tim passa por diversas situações conflituosas e difíceis no processo de amadurecimento do  homem, como a juventude, a descoberta do amor, as responsabilidades da vida adulta e, por fim, a morte. Em todos os momentos, o filme nos propõe pistas de que ele resgata seus sofrimentos e dores através do processo de ressignificação e enfrentamento da dor.

E tudo isso, advém dos ensinamentos de seu pai, que o ensinou a “voltar no tempo”. O nosso tempo carece desse elemento masculino de afeto e cuidado, do ensinamento aos jovens que podemos resgatar nossas feridas e dar um novo sentido às nossas dores. Quanto mais homens “viajando no tempo” tivermos, tanto mais teremos novas gerações mais livres e conectadas ao masculino e ao feminino.

Referências sobre o filme:

IMDB

UNIVERSAL MOVIE

Eneagrama e couraças

O Eneagrama e os traços de caráter segundo Reich

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O Eneagrama é um mapa para a essência. No caminho para a essência, a personalidade permanece como um obstáculo. As 9 personalidades, segundo o Eneagrama, possuem paixões energéticas básicas (medo, raiva e ansiedade), que podem ser definidos por bloqueios caracterizais análogos aos de Wilhelm Reich. Através do trabalho desenvolvido por Reich, Navarro e Lowen é possível fazer uma intersecção das Couraças Reichinanas e os tipos psicológicos do Eneagrama e propor terapias breves para o desbloqueio e melhor circulação energética do indivíduo.

Palavras-chave: Eneagrama. Corpo. Couraças. Energia. Psicologia. Reich.

Apresentação de slides:

Desde os primórdios o ser humano tem o desejo e a necessidade de se descobrir, conhecer-se e alcançar níveis maiores de consciência sobre os processos de sua mente e do comportamento individual e das sociedades. Neste contexto podemos encontrar o Eneagrama.

O vocábulo Eneagrama vem do Grego, ENE (ennea) que significa o número nove; e Grama, também do Grego (grammos), como traço ou marca, ou seja, nove traços ou nove personalidades.

A origem do Eneagrama, enquanto sabedoria de transmissão oral não é documentada ou clara. Alguns autores (Cláudio Naranjo, Helen Palmer) apontam que variações do símbolo já se faziam presentes há mais de 4.000 anos na geometria Pitagoriana. Há relatos de que irmandades Sufis também já utilizavam o Eneagrama para estudar o comportamento humano. Segundo Domingos Cunha (2005) é certo que em Alexandria, por volta dos séculos III e IV existiu uma contribuição marcante dos trabalhos dos Padres do Deserto, com destaque para um monge cristão chamado Evagrio do Ponto. A partir da sua vivência com outros monges no Egito, Evagrio publicou um tratado onde descrevia oito “doenças espirituais” que afligiam o ser humano. Ele as classificou como “paixões”, tão grande era sua consequência danosa para o indivíduo. Posteriormente, essas paixões foram adaptadas pela Igreja para definir os Sete Pecados Capitais e aparecem também nos conceitos do Eneagrama.

Foi George Gurdjieff (1890-1950), um russo-armênio, quem introduziu o símbolo, o conceito do Eneagrama no mundo moderno do século XX, através do Instituto para o desenvolvimento harmonioso do Homem, fundado em 1910. Após Gurdjieff, vários nomes se destacaram no Eneagrama até a atualidade como Oscar Inchaço, Claudio Naranjo, Helen Palmer, Domingos Cunha, entre outros.

O símbolo de nove pontas

O símbolo é composto de um triângulo equilátero apontando para os números 9, 3, 6. Uma figura hexagonal conectando os outros pontos 1, 4, 2, 8, 5, 7. E um círculo envolvendo todos os pontos. Cada ponto significa uma personalidade, segundo os estudos do Eneagrama, atribuído então 9 personalidades básicas.

Os Eneatipos e as fixações das paixões

Os Centros Vitais

Segundo o Eneagrama, o ser humano possui três centros de energia, com 3 eneatipos em cada, que são a base das características da personalidade e das paixões a elas vinculadas.

A palavra paixão há muito encerra uma conotação doentia. Desse modo, em Anthropologie, Kant (2006) diz que “a emoção é como a água que rompe um dique; a paixão como uma torrente que toma seu leito cada vez mais fundo. A emoção é como a embriaguez que nos faz adormecer; a paixão é como uma doença resultante de uma constituição defeituosa ou de um veneno”

As personalidades se dividem em nove tipos, distribuídas dentro dos Centros Vitais. Cada Eneatipo pode, ainda, ser dividido em três instintos: Sexual, Conservacional ou Social, totalizando 27 personalidades distintas. Naranjo (1996) escreve assim distribuindo os eneatipos segundo os Centros Vitais:

Talvez o esquema retratado na Figura seja o modelo circunflexo mais convincente até aqui. Concordando também com a opinião atual em função do agrupamento das síndromes do DSM, a presente caractereologia reconhece três grupos fundamentais: o grupo esquizoide, com uma orientação voltada para o pensamento (que denominarei aqui de tipos do Eneagrama V, VI e VII), o grupo histeróide, com uma orientação voltada para o sentimento (tipos do eneagrama II, III e IV) e outra estrutura corporal (que Kretschmer poderia ter chamado coletivamente de epileptoide) formada por indivíduos cuja constituição encerra a ectomorfía mais baixa e são predominantemente voltados para a ação. (NARANJO, 1995, p. 100).

eneagrama

Figura 1 – O Eneagrama – (NARANJO, 1995, p 60)

A Psicologia Corporal

O médico e psicanalista Wilhelm Reich desenvolveu todo um estudo onde o corpo retém os traumas emocionais, observando em seu consultório diversas pessoas que não se libertavam de seus traumas e problemas psicológicos usando os estudos de Freud. Esses traumas corporais ele nomeou de couraças.

Através da leitura do corpo poderia se perceber os bloqueios energéticos e propor terapias para a dissolução dessas couraças e a livre circulação energética nos indivíduos.

Couraças reichianas

Couraças reichianas

 

Tipo 1 – A Ira

Uma “virtude irada”, assim Naranjo (1996) define o Tipo I. Catalisando sua emoção (raiva) e o cognitivo (perfeccionista) o Tipo 1 leva a sério a vida. Tudo é transformado em objeto de compulsão ou obsessão leve, moderada ou severa, de forma de que ninguém consegue fazer melhor que ele, já que seus padrões de perfeição são definidos por sua própria paixão.

Mais que qualquer outro traço, podemos considerar a “raiva” a base emocional e a essência da paixão da estrutura deste caráter. Uma sensação de injustiça diante de seus esforços e das responsabilidades que assumiu desproporcional em relação aos outros. A raiva está presente em uma forma de irritação, reprovação e hostilidades permanentes, que sempre são reprimidas ou desviadas e não expressadas. Junto com a base que é a raiva aparece a crítica, a exigência, o perfeccionismo, o controle excessivo, a autocritica e a disciplina configurando o caráter de obsessão e compulsão.

As couraças reichianas

O tipo I do eneagrama corresponde à personalidade histriônica do DSM, o obsessivo-compulsivo.

Reich (2011, p. 201) descreve assim sobre o compulsivo-obsessivo, que entendo como base do Tipo I: “Mesmo se o senso de ordem do neurótico compulsivo não estiver presente, um senso pedante de ordem é típico do caráter compulsivo. Tanto nas coisas grandes quanto nas pequenas, ele vive a vida de acordo com um padrão preconcebido e irrevogável.”

O que é mais importante é que ele acentua o que poderia ser encarado como o outro lado do autocontrole: o bloqueio emocional.

Ao mesmo tempo em que ele tem má-vontade com relação aos afetos, ele é fortemente inacessível a eles. Ele se mostra geralmente calmo e insensível em suas manifestações de amor e ódio. Em alguns casos, isso pode se transformar em um total bloqueio com relação aos afetos.

Dentro da Vegetoterapia, Navarro (1995) nos coloca que o traço de cobertura caracterial compulsiva (fálico-anal ou hístero-anal) como borderline, ou seja Oral reprimido, em sua base. Tem uma necessidade de cobrir o núcleo psicótico inconsciente reprimido e controlado, a fim de evitar sua explosão.

Há essa tendência de indivíduos ruminar a raiva que impede a concentração nas “coisas” primárias de forma que o secundário acaba tomando o lugar do primário. Este é o mecanismo de defesa de pessoas rígidas.

Percebemos um diafragma comprometido pela participação do “masoquismo” e uma sensação de ter transgredido a “lei” constantemente.

É constante, no compulsivo, o aspecto psicológico da dúvida e da indecisão: por isso, a problemática de ser ou não ser, que equivale à dúvida infantil de reter ou não as fezes e soltarei… A dúvida e a indecisão dessas pessoas caracterizam sua ambivalência, que é a expressão da sua rigidez pelo bloqueio do quarto nível (pescoço e tórax) (NAVARRO, 1995, p. 79)

Toda a caracterialidade do Tipo 1 pode ser notada na sua corporalidade: uma rigidez militar, um rosto duro, um autocontrole que os torna desajeitados pelo bloqueio pescoço-pélvis. 

Tipo II – o Orgulho

O tipo II é definido pelos autores do eneagrama como os doadores ou aqueles que se dão, ou seja, ele busca trocar a “doação” por afeto, não importando o que ele necessita mas sim a necessidade do outro. Configurando assim o orgulho.

Na raiz de seu comportamento está a paixão do orgulho, uma exaltação imaginária do valor e da atração pessoal, a necessidade de ser o centro das atenções. A carência de amor dos indivíduos do tipo II o torna suscetível e melindroso, uma possessividade e uma demanda de ser reconhecido.

A busca compulsiva do prazer sustenta naturalmente a persona alegre dos indivíduos histriônicos, com seu suposto contentamento e animação. Outra característica é a autoconfiança e a obstinação, traço esse que envolve “conseguir o que quer” mesmo à custa de uma “cena emocional” ou pratos quebrados.

No DSM, o Tipo II do eneagrama é encontrado sob o rótulo de “Distúrbio de Personalidade Histriônica”, para o qual são apresentados os seguintes critérios de diagnóstico.

As couraças reichianas

Reich (2011) descreve o caráter histérico como possuindo os seguintes traços:

  • Visível comportamento sexual
  • Um tipo específico de agilidade física
  • Coquetismo indisfarçado
  • Apreensão quando o comportamento sexual parece estar próximo de atingir sua meta
  • Fácil excitabilidade
  • Forte sugestionabilidade
  • Imaginação vívida e mentira patológica

O tipo II está relacionado à caracterialidade hístero-vaginal ou fálico-histérica, mas apresenta um núcleo bordelense Oral compensador. Em sua origem há um período edípico em uma relação de sedução ao pai ou à mãe. Navarro (1995) diz que, se foi vivido de forma conturbado na puberdade, isso torna-se um complexo de Édipo.

O histérico é hiperorgonótico com a caracterialidade bem resolvida, mas muito infantil, apresentando um bloqueio intermitente na pélvis que explica a sexualidade contraditória ao seu comportamento. Tem uma atitude sexual evasiva e agilidade corporal, mas retraídas na concretização sexual, o que demonstra uma presença do superego ligado ao julgamento dos outros. Para esta caracterialidade a aprovação do outro, demonstrada na carência do amor, implica numa tensão do diafragma, provocado pelo sentimento de culpa, caracterizando o clássico masoquismo do histérico. Além disso, tem uma tendência a mudar de humor e de opinião por uma sugestionabilidade.

Tipo III – A Vaidade

A paixão de viver para os olhos dos outros, a vaidade, pode-se configurar a definição do tipo III do Eneagrama. Viver para a autoimagem é um sinônimo de falar do narcisismo, um traço de caráter que está presente fortemente neste tipo.

O tipo III pressente ao centro emocional ou grupo histeróide, onde a vaidade ou autoengano é uma característica comum. Vemos um controle dos sentimentos e uma identificação com o de outros.

Segundo Naranjo (1996) o tipo III não possui uma definição no DSM, ele diz que isso pode estar relacionado ao fato de ser uma “personalidade da moda” na sociedade americana. Mas encontramos no mesmo uma classificação como um transtorno da personalidade cuja característica essencial é um padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia.

A personalidade III emite uma imagem bem-sucedida onde a aparência é fundamental em um “eu idealizado” e onde a pessoa parece adorá-lo, uma aparente autoconfiança abundante, que parece invejável a todos que se desgastam com a própria insegurança; ele não tem dúvidas (conscientes); ele é o ungido, o homem do destino, o profeta, o benfeitor da humanidade. Um espirito competidor, realizador, empreendedor.

As couraças reichianas

Uma vez que toda couraça psíquica pressupõe um equivalente somático, uma couraça muscular (REICH, 1996), a couraça narcisista do tipo III do eneagrama, recobre todo o corpo, com acentuação no pescoço, peito e diafragma. Esses indivíduos, quando mapeado por um diagnóstico corporal reichiano, poderá apresentar bloqueio de primeiro nível – no segmento ocular – trazendo uma condição paranóide; no segundo nível (oral) uma tendência à vulnerabilidade, depressividade e no terceiro (cervical) um comportamento controlador, moralista (VOLPI, 2003).

Esse traço possui energia acima da média, porém, mal distribuído pelo corpo o que lhe atribui uma denominação hiperorgonótico desorgonótico. Esse aspecto energético concede um dinamismo, uma determinação, que o faz perseguir e atingir seus objetivos com certa facilidade.

Esse tipo do eneagrama diante de uma situação de fracasso, estresse ou algo que o faça confrontar “sua verdade”, esta energia poderá refluir na direção dos olhos, trazendo uma condição paranoica ou em direção à boca, apresentando uma condição depressiva (NAVARRO, 1995).

Segundo Volpi (VOLPI, 2003, p. 9):

O distúrbio básico na personalidade narcisista consiste na ausência de sentimento. Por isso, quando o narcisista tem sua vaidade ofendida, reage com frieza, sadismo e agressividade. Ele não tolera a ideia do fracasso. Às vezes se enfurece como um louco ou se deprime por não poder alcançar o que o ideal do ego exige e abre em seu caráter uma ferida narcísica que, na maioria das vezes passa a agir com uma dinâmica de barganha demagógica de modo a obter uma amenização da virulência dos ataques mobilizados contra ele. A determinação em vencer está mais baseada no medo do fracasso do que na própria recompensa que irá obter por lutar e vencer.

Tipo IV – A Melancolia

A inveja é o estado emocional do tipo IV do Eneagrama e envolve uma sensação de carência e o anseio em direção ao que sente falta. Há frustração, que é consequência natural, além do desejo de conduzir a situações dolorosas. Neste tipo percebemos uma tendência à depressão como um pântano, ou seja, uma situação onde quanto mais se entra mais se afunda.  O aspecto mais característico do tipo IV, além da motivação invejosa, pode ser visto na tendência para a auto vitimização e a frustração.

Podemos definir o tipo IV como uma personalidade depressiva, auto derrotista e masoquista, que no DSM se caracteriza como distúrbio de humor.

Trata-se de um tipo de pessoa excessivamente amargurada e para quem tudo está de certo modo estragado. E, para pessoas deste tipo, tudo isso não é necessariamente óbvio, ele pode manifestar alegria e uma atividade hipomaníaca como uma forma de escapar da tristeza. É comum se compararem com aqueles que “vivem felizes” tornando o sofrimento uma coisa nobre e contemplem a si mesmos de maneira aristocrática, uma forma de dar um sentido de sublimação de sua dor, que pode encontrar na arte, na religião uma transcendência.

Na estrutura da personalidade encontramos a Inveja como elemento central, em uma forma de ver aquilo que me falta, uma ganância, um impulso desejoso.

Com o foco no sofrimento, que surge através de uma autoimagem desabonadora e a frustração da carência exagerada, devemos citar a utilização da dor como vingança e a esperança inconsciente de obter o amor. Neste sentido a emotividade é uma tendência exagerada nesta personalidade, como um copo que está sempre cheio e transbordante, assim são as emoções para o tipo IV.

 Couraças reichianas

No tipo IV, do eneagrama, encontramos uma oralidade acentuada, um borderline com oralidade insatisfeita por uma sensação de falta de maternagem suficiente. Isso o conduz a essa sensação de falta e à inveja: porque o outro tem o que eu não tenho?

No nível inconsciente a ganância visa basicamente esvaziar, secar e devorar o seio, ou seja, seu objetivo é a introjeção destrutiva ao passo que a inveja não apenas procura roubar dessa maneira, mas insere também uma maldade.

Em virtude do traço caracterial masoquista percebemos o bloqueio hiporgonótico do diafragma, chamado de “grande boca”, é encontrado sempre que há um núcleo psicótico no indivíduo e provoca o masoquismo primário.

A origem do masoquista está em cada emoção que provoca ansiedade, isto é, um certo tipo de medo, um medo de morrer que, do ponto de vista energético, é o medo do orgasmo, de deixar-se, de abandonar-se completamente ao outro. 

Tipo V – A Avareza

A paixão do tipo V é a avareza, um refrear e reter. Uma ganância que se manifesta através da retenção. No entanto essa retenção só representa metade da psicologia do Tipo V do eneagrama, a outra metade é desistir com excessiva facilidade, com uma atitude de resignação em relação ao amor e às pessoas. Podemos falar desse indivíduo como desapegado, reservado, autista e esquizoide.

Existe um tipo de personalidade no DSM que é definido com base em um único traço, o qual, por causa disso, pode ser um diagnóstico atribuído a mais de um dos tipos de caráter deste livro: a personalidade passivo-agressiva.  As exigências externas nessa personalidade são muito próximas as características do tipo V do eneagrama.

Como traços marcantes de sua personalidade, podemos citar a retenção, avareza e mesquinhez, ou seja, falta de generosidade em questões de dinheiro, energia e tempo.; Dificuldade em ceder as coisas ao outro por questão de uma atitude de sobrevivência; Desapego emocional do outro desenvolvendo um distanciamento do outro, uma “qualidade” de ser solitário; Medo de ser “engolido pelos outros”; Autonomia, o qual surge o pensamento de que eu me basto; Ausência do sentimento, ou seja, distanciamento do mundo do corpo e do sentir, conduzindo a uma sensação de vazio constante; Adiamento da ação; Orientação cognitiva, pessoas introvertidas e adoradoras de livros.

Couraças reichianas

A personalidade V do Eneagrama fica bem próxima de uma condição esquizoparanoide em suas manifestações mais crônicas. Há traços de autismo e esquizoidíssimo no seu afastamento do contato com o outro. O desapego patológico que aparece em graus leve, moderado e crônico dá indícios de comprometimentos do núcleo psicótico.

É característico dessas pessoas um sistema hiporgonótico e flacidez muscular, uma vez que toda a energia está retida na cabeça. Notamos também uma necessidade de controle veemente. Esse controle causa uma acentuação do bloqueio de 3º nível, do pescoço, em uma defesa narcisista intensa e uma obsessão pelo controle externo, evitando áreas onde o expõe às emoções e ao contato com o corpo. Também encontramos um bloqueio de 5º nível, diafragmático, onde o medo dessa exposição gera uma ansiedade corrente, encurtando a respiração e aumentando a sensação de vazio.

Tipo VI – A Covardia

A paixão presente no tipo VI do Eneagrama pode ser definida como timidez e covardia; uma hesitação ou inibição ansiosa em agir na presença do medo. A contraparte cognitiva do medo pode ser encontrada em uma atitude de auto-invalidação, auto-oposição e culpa – um tornar-se inimigo de si mesmo.

A definição do DSM do caráter paranoico é bem próxima a do tipo VI do eneagrama. O caráter fóbico da psicanálise, agora refletido no distúrbio da personalidade “esquiva”, bem como no da personalidade “dependente”, é outro. No entanto, existe também um estilo mais obsessivo, geralmente diagnosticado como um distúrbio de personalidade mista entre a paranoica e a obsessiva.

Podemos perceber nos indivíduos uma hostilidade paranoica. Como uma defesa diante da submissão a um dos pais, uma defesa contra o amor, uma defesa contra a tentação de um sedutor “amor através da submissão”, que o medo inspira na criança.

Enquanto os indivíduos mais “fracos” se submetem a essa obediência amorosa à autoridade dos pais, o subtipo “forte” (chamado de contra-fóbico) vai se defender dessa tentação à submissão.

Como traços marcantes de sua personalidade, podemos citar:

  • Medo, covardia e ansiedade
  • Hiperintencionalidade excessivamente alerta – uma vigilância exagerada
  • Orientação teórica – Não apenas intelectual, mas lógica
  • Afabilidade cativante – a afeição usada como forma de desarmar o opositor
  • Rigidez – ligado a lei, obediência, devoção às responsabilidades
  • Orientação para autoridade e ideais
  • Acusação de si e dos outros – um sistema de acusação e punição.
  • Dúvida e a ambivalência.

Couraças reichianas

No centro desta personalidade está um Eu fraco, possivelmente castrado e obrigado a obedecer desde as primeiras fases. Seu Eu não consegue se impor diante da autoridade exterior, fazendo um papel masoquista de submissão.

Encontramos bloqueios de 1º nível, onde o medo impõe uma forma de olhar distorcida da realidade, projetando seus medos através de uma vigília constante do meio onde está inserido. Ainda no nível 3, uma necessidade de controle de tudo o que se coloca a sua volta, já que não pode confiar em si mesmo. O bloqueio desta couraça reforça sua baixa energia. Nos níveis 4º e 5º encontramos bloqueios por sua ambivalência e dúvidas, mostram o Eu enfraquecido, peito infantil e ação fraca. Um elevado índice de ansiedade ligada ao medo, trás o bloqueio do diafragma, expondo pernas fracas e dificuldade de ação.

Tipo VII – A Gula

A melhor definição da paixão do tipo VII do Eneagrama é a gula, mas como o termo é sempre relacionado à comida, sua força diminui. Se consideramos a gula de uma forma mais ampla percebemos nela um hedonismo aderido à psique, enevoando (através da confusão um obstáculo à busca do equilíbrio).

Considerando o DSM, encontramos o tipo VII sob o nome de “narcisista”. Os narcisistas são expansivos, colocam poucos limites às suas fantasias e racionalização, e deixa a imaginação correr frouxa. (Millon, 1981)

Podemos também traduzir a gula como uma “oralidade receptiva”. Uma necessidade de se dar através da boca, um anseio de obter tudo, uma obstinação por falar, um transbordamento da palavra.

Como traços marcantes de sua personalidade, podemos citar a gula, permissividade hedonista, rebeldia, falta de disciplina, satisfação imaginária dos desejos, sedução agradável, narcisismo.

Couraças reichianas

A gula e o narcisismo são as características centrais dessa personalidade, além de uma imaginação e racionalização exageradas.

Podemos perceber no tipo, um duplo núcleo psicótico, com bloqueio de primeiro nível, e excesso do uso Neo-cortex, como forma de fuga das emoções e dores.

A gula, que é sua característica mais marcante, em uma busca de sempre mais, encontramos um borderline ou oral insatisfeito, com energia retida neste segmento.

O narcisismo com bloqueio no nível do pescoço e do tórax, há um desejo de que a vida seja a mais positiva possível.

Tipo VIII – A Luxúria

O tipo VIII do Eneagrama é a personalidade do excesso, por isso a evocação à paixão da luxúria, que procura a intensidade, não somente no sexo, mas em todo tipo de estímulo – atividades, ansiedades, prazeres e assim por diante.

No DSM podemos associar o distúrbio da personalidade antissocial ao tipo VIII do Eneagrama.

Como traços marcantes de sua personalidade podemos citar a luxúria, punitividade, rebeldia, dominância, insensibilidade, exibicionismo (narcisismo), autonomia, predominância sensório motora.

Couraças reichianas

É natural encontrar no tipo VIII do Eneagrama, uma oralidade insatisfeita latente, por conta da luxúria, ou seja, percebe-se isso através do excesso na comida, no prazer e no trabalho. Esse tipo possui um bloqueio de 2º nível com uma tendência hiperorgonótico neste segmento. O excesso de narcisismo, reconhecido pelo exibicionismo de suas habilidades e posicionamento, expõe um bloqueio no 4º nível. Finalmente, pela sua característica fálica, percebemos o bloqueio de 7º nível – pélvico. Segundo Navarro (1995), o caráter fálico-narcisista de 7º nível é um dos mais difíceis na terapia, pois quando se agarra na calda, escapa pela cabeça; agarrado na cabeça, escapa pela cauda.

Tipo IX – A Preguiça

A paixão do tipo IX do Eneagrama pode ser definida como “preguiça” ou “indolência”, traduzida do grego “accidia”, um termo cunhado na época dos mosteiros e definido como a preguiça do monge diante de suas orações no sol das 15:00 horas. Usando termos mais modernos, a “accidia” é uma perda de interioridade, uma recusa em ver e uma resistência à mudança. Poderíamos resumir em “não perturbe a ordem e a harmonia”.

Como traços marcantes de sua personalidade podemos citar a inércia psicológica, adaptação excessiva, resignação, generosidade, mediocridade e distração.

No DSM encontramos o tipo IX como “personalidade dependente”.

Couraças reichianas

O tipo IX do Eneagrama perdeu seu centro motor, o centro da ação e por isso o vemos sempre atrasados nos compromissos, nos estudos, na vida. A dificuldade em ver e perceber a vida tal como ela, e a adaptação excessiva, nos sugerem um bloqueio de 1º nível, uma distorção do campo da visão.

A oralidade está muito presente, por causa de sua insatisfação e sensação de que a vida foi injusta consigo, então ele precisa ser recompensado, cuidado e amparado.

O bloqueio diafragmático é notório por sua grande ansiedade, onde percebemos um bloqueio de 4º e 5º níveis, impedindo o fluxo energético para as pernas, faltando ação. É fácil perceber um indivíduo Hiporgonótico.

Considerações Finais

Ao juntar a teoria das personalidades do Eneagrama, e sua fácil leitura dos comportamentos e das motivações, com a psicologia corporal reichiana, podemos vislumbrar um processo terapêutico a partir da leitura corporal desses indivíduos. E assim, pensar em terapias breves usando essas metodologias como forma de auxiliar esse tratamento e reintegração global da pessoa.

Referências

O estudo foi apresentado no 21º Congresso de Psicologias Corporais, em Curitiba e o artigo está disponível em seu site para download.

  • American Psychiatry Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders – DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013.
  • CUNHA, Domingos, CSh. Crescendo com o Eneagrama na Espiritualidade. São Paulo: Paulus, 2005.
  • DERRIDA, Jaques. Gramatologia. São Paulo: Editora Perspectiva, 1973.
  • GALLEN, M-A.- Neidhardt, H. El Eneagrama De Nuestras Relaciones. (Colección Serendipity 11). Desclée de Brouwer. Bilbao, 1997.
  • KANT, Immanuel – Antropologia do ponto de vista pragmático. São Paulo: Iluminuras, 2006
  • MILLON, Theodore, Disorders of Personatity: DSM IIZ. Axis II. Nova York: John Wiley & Sons, 1981.
  • NARANJO, Claudio. Os nove Tipos de Personalidade. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1996.
  • NAVARRO, Federico. Caracterológica pós-reichiana. São Paulo: Summus, 1995.
  • REICH, Wilheim, Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes: 2011 – 4ª edição.
  • VOLPI, José Henrique. Poder, fama e ferida narcísica: uma compreensão caractero-energético do narcisista. Curitiba: Centro Reichiano, 2003. Disponível em: www.centroreichiano.com.br/artigos.htm. Acesso em: 28/02/16.
respirar

Respiração diafragmática contra ansiedade

O diafragma é a sede da ansiedade. Dentro do Eneagrama, encontramos as personalidades cuja ansiedade é a base da paixão (II, III e IV). No tipo 6 a ansiedade é ativada pelo medo, o que faz o diafragma contrair, encurtar a respiração e aumentar ainda mais aquela sensação de aperto. A respiração difragmática é um alívio para o 6. Mesmo não conhecendo o Eneagrama e seu poder de transformação em sua vida, você deve usar a respiração diafragmática para liberar o stress e relaxar a ansiedade.

O diafragma funciona como uma membrana fazendo com que o abdômen se expanda e se comprima conforme a respiração ocorre. Na inspiração ele desce, expandindo o abdômen e arrastando consigo a base do pulmão, o que aumenta seu volume interno e a sucção do ar. Na expiração, o diafragma vai para cima, comprimindo os pulmões e expulsando o ar.

Esse mecanismo vai se perdendo com a vida sedentária, de modo que em muitas pessoas é como se o diafragma não existisse mais, pois não faz mais esse trabalho. Resta somente a respiração com a parte superior dos pulmões, o que a deixa mais breve e rápida. A repercussão disso é uma menor oxigenação do organismo, bem como o possível aumento de sintomas de ansiedade; uma vez que respirar de maneira rápida causa mudanças fisiológicas, acelerando nosso batimento cardíaco.

Respiração diafragmática

A respiração diafragmática ou respiração profunda é chamada assim porque expande o diafragma e leva o ar rico em oxigênio até o abdômen. É através dessa técnica que se consegue aumentar significantemente a capacidade volumétrica dos pulmões em mais do dobro. Desse modo todo o corpo é mais oxigenado, inclusive o cérebro.

A respiração diafragmática pode ser utilizada por todos nos momentos de tensão e estresse. É o primeiro passo para restabelecer o equilíbrio e também para o relaxamento, desconstruindo o mecanismo de luta ou fuga causado pela respiração torácica. Também é uma excelente ferramenta para quem tem dificuldades para dormir e mesmo para eventos ligados à síndrome do pânico.

Respiração diafragmática: como fazer

  • Coloque-se de forma confortável sentado ou deitado;
  • Coloque a mão no abdômen (barriga) próxima ao umbigo;
  • Feche os olhos e concentre-se em sua respiração;
  • Inspire pelo nariz e encha os pulmões de ar, leve-o até o abdômen, percebendo que ele se movimenta. Você pode imaginar que está enchendo uma bexiga que está dentro de sua barriga. Ao inspirar conte até quatro (mentalmente) para que o pulmão e o abdômen fiquem expandidos;
  • Retenha o ar por dois tempos (conte até dois mentalmente), mantendo a barriga e os pulmões cheios;
  • Expire lentamente pela boca, contando até cinco, esvaziando completamente o pulmão e o abdômen;
  • Reinicie os movimentos após reter os pulmões vazios por dois tempos.

Procure efetuar os movimentos respiratórios de tal forma que haja pouco movimento torácico (movimento do peito) e mais movimentos abdominais (movimento de barriga).

Repita dez vezes a respiração ou pratique por aproximadamente três a cinco minutos. Caso você sinta tontura ou veja “bolinhas” ao abrir os olhos, saiba que isso é normal e vai desaparecer. Isso acontece, porque o cérebro recebe mais oxigênio do que está acostumado, mas é interessante ir adaptando o ritmo de forma que fique confortável e não gere sensação de náusea.

É importante que você aprenda a fazer a respiração treinando-a pelo menos uma vez ao dia para ir acostumando seu organismo e torná-la aos poucos mais automática.