Seu corpo fala pela dor

Há grande sabedoria nas tradições da medicina chinesa e oriental como um todo, que enxergam o individuo como um ser holístico e não como uma máquina que precisa de ajustes ou lubrificação.

Wilhelm Reich, criador da abordagem Corporal da psicologia, retomou este assunto no início do século 20, saindo de uma ideia somente a partir do conteúdo que o paciente trazia para o ambiente terapeutico e lendo no corpo dele aquilo que nem mesmo ele tinha consciencia. A partir de Reich toda uma riqueza da abordagem corporal foi criada.

O conteúdo abaixo pode  ajudar a ler no corpo algumas coisas que possa estar ignorando em nível psicológico.

A dor fala mais do que estamos vivendo do que se imagina. Se você está sofrendo com algum tipo de dor, este post pode ajudar a encontrar a causa.

Não se assuste se essa causa não for uma inflamação ou lesão, mas um problema emocional.

Aprenda a decodificar a mensagem do seu corpo e seja mais feliz:

  1. Dores musculares: revela que a pessoa está com dificuldades em aceitar mudanças.
    A pouca flexibilidade na vida pode ser prejudicial, procure se adaptar às novas situações.
  2. Dor de cabeça: você tem uma decisão a tomar?
    Então se posicione! A tensão provoca estresse. Procure relaxar e deixar a mente mais leve.
  3. Dor de garganta: esta é uma dor bem comum e pode ser o indicador de que você está com problemas de perdoar, seja os outros ou até a si mesmo(a).
    Reflita sobre o amor e a compaixão.
  4. Dor nas gengivas: talvez seja a dificuldade de tolerar ou de tomar decisões.
    A indecisão e o desconforto causado por ela são muito perigosos! Cuidado!
  5. Dor nos ombros: pode indicar uma sobrecarga emocional.
    Não carregue tanto peso sozinho(a), distribua. Além disso, não acumule problemas, resolva-os.
  6. Dor de estômago: parece engraçado, mas é real.
    Se você não “digeriu” bem alguma situação ruim, pode ter dores no estômago.
  7. Dores na parte superior das costas: procure alguém para compartilhar os problemas e alegrias.
    Este pode ser o indício de que você precisa de apoio emocional.
  8. Dor na região lombar: pode ser sinal de falta de dinheiro ou de apoio emocional.
    Seja otimista e reaja.
  9. Dores no sacro e cóccix: há situações que precisam ser resolvidas e você está ignorando?
  10. Dor de cotovelo: outra parte do corpo que está bem relacionada à resistência a mudanças.
    Ouse! Se não for possível, pelo menos trabalhe sua mente para se ver livre do que está pressionando.
  11. Dor nos braços: é pesado carregar algo ou alguém com muita carga emocional.
    Veja se é necessário mesmo fazer isso. Reflita sobre o assunto.
  12. Dor nas mãos: mostra falta de conexão com as pessoas ao seu redor.
    Procure fazer novos amigos e estreitar os laços de amizade com os mais antigos.
  13. Dor nos quadris: se você anda com medo de agir, isso pode resultar em dor nos quadris.
    Está pensando em novas ideias?
    Posicione-se! Isso vai lhe dar grande alivio.
  14. Dor nas articulações: músculos e articulações são flexíveis.
    Seja como eles: procure novas experiências na vida – com responsabilidade.
  15. Dor nos joelhos: provavelmente seja o orgulho.
    O que acha de ser humilde e aceitar as diferenças e circunstâncias?
    Sabemos que não é fácil. No entanto, é necessário. Você é mortal, como todos os outros – não perca tempo e viva em amor.
  16. Dor de dente: pense positivo.
    Se estiver em situações difíceis, tenha fé que tudo será resolvido. Esta dor simboliza um fato que não está agradando a você.
  17. Dor no tornozelo: seja mais tolerante com si mesmo(a).
    Permita-se ser feliz e não cobre tanto.
    O que acha que dar um toque especial na vida amorosa?
  18. Dor que causa fadiga: viva novas experiências.
    Livre-se do tédio!
  19. Dor nos pés: um novo passatempo ou um animalzinho de estimação pode pôr fim à vida deprimida de qualquer pessoa.
    Não permita pensamentos negativos, e os positivos farão você “voar”.
  20. Dores em várias partes do corpo: nosso corpo é formado por energia.
    Se você estiver uma pessoa muito negativa, vai sofrer dores e ter uma queda na imunidade. Cuidado!

Fonte: Cura pela natureza

respirar

Respiração diafragmática contra ansiedade

O diafragma é a sede da ansiedade. Dentro do Eneagrama, encontramos as personalidades cuja ansiedade é a base da paixão (II, III e IV). No tipo 6 a ansiedade é ativada pelo medo, o que faz o diafragma contrair, encurtar a respiração e aumentar ainda mais aquela sensação de aperto. A respiração difragmática é um alívio para o 6. Mesmo não conhecendo o Eneagrama e seu poder de transformação em sua vida, você deve usar a respiração diafragmática para liberar o stress e relaxar a ansiedade.

O diafragma funciona como uma membrana fazendo com que o abdômen se expanda e se comprima conforme a respiração ocorre. Na inspiração ele desce, expandindo o abdômen e arrastando consigo a base do pulmão, o que aumenta seu volume interno e a sucção do ar. Na expiração, o diafragma vai para cima, comprimindo os pulmões e expulsando o ar.

Esse mecanismo vai se perdendo com a vida sedentária, de modo que em muitas pessoas é como se o diafragma não existisse mais, pois não faz mais esse trabalho. Resta somente a respiração com a parte superior dos pulmões, o que a deixa mais breve e rápida. A repercussão disso é uma menor oxigenação do organismo, bem como o possível aumento de sintomas de ansiedade; uma vez que respirar de maneira rápida causa mudanças fisiológicas, acelerando nosso batimento cardíaco.

Respiração diafragmática

A respiração diafragmática ou respiração profunda é chamada assim porque expande o diafragma e leva o ar rico em oxigênio até o abdômen. É através dessa técnica que se consegue aumentar significantemente a capacidade volumétrica dos pulmões em mais do dobro. Desse modo todo o corpo é mais oxigenado, inclusive o cérebro.

A respiração diafragmática pode ser utilizada por todos nos momentos de tensão e estresse. É o primeiro passo para restabelecer o equilíbrio e também para o relaxamento, desconstruindo o mecanismo de luta ou fuga causado pela respiração torácica. Também é uma excelente ferramenta para quem tem dificuldades para dormir e mesmo para eventos ligados à síndrome do pânico.

Respiração diafragmática: como fazer

  • Coloque-se de forma confortável sentado ou deitado;
  • Coloque a mão no abdômen (barriga) próxima ao umbigo;
  • Feche os olhos e concentre-se em sua respiração;
  • Inspire pelo nariz e encha os pulmões de ar, leve-o até o abdômen, percebendo que ele se movimenta. Você pode imaginar que está enchendo uma bexiga que está dentro de sua barriga. Ao inspirar conte até quatro (mentalmente) para que o pulmão e o abdômen fiquem expandidos;
  • Retenha o ar por dois tempos (conte até dois mentalmente), mantendo a barriga e os pulmões cheios;
  • Expire lentamente pela boca, contando até cinco, esvaziando completamente o pulmão e o abdômen;
  • Reinicie os movimentos após reter os pulmões vazios por dois tempos.

Procure efetuar os movimentos respiratórios de tal forma que haja pouco movimento torácico (movimento do peito) e mais movimentos abdominais (movimento de barriga).

Repita dez vezes a respiração ou pratique por aproximadamente três a cinco minutos. Caso você sinta tontura ou veja “bolinhas” ao abrir os olhos, saiba que isso é normal e vai desaparecer. Isso acontece, porque o cérebro recebe mais oxigênio do que está acostumado, mas é interessante ir adaptando o ritmo de forma que fique confortável e não gere sensação de náusea.

É importante que você aprenda a fazer a respiração treinando-a pelo menos uma vez ao dia para ir acostumando seu organismo e torná-la aos poucos mais automática.

Álbum de família e o Eneagrama

Filme: Álbum de Família
Título original: August: Osage County

Antes de começar a ler essa resenha, já informo que possui spoiler.

Prepare-se: este é um filme muito intenso, que trás à tona conflitos, segredos e mitos familiares. Uma excelente oportunidade para estudar as personalidades de cada personagem.

O Elenco é de primeira qualidade ao nível de Meryl Streep e Julia Roberts, que para papéis de tamanha complexidade está bem alinhado.

album de familia

O palco dos mitos e segredos

Barbara (Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis) são três irmãs que são obrigadas a voltar para casa e cuidar da mãe viciada em medicamentos e com câncer (Meryl Streep), após o desaparecimento do pai delas (Sam Shepard). O encontro provoca diversos conflitos e mostra que nenhum segredo estará protegido. Enquanto tenta lidar com a mãe, Barbara ainda terá que conviver com os problemas pessoais, com difíceis relações com o ex-marido (Ewan McGregor) e com a filha adolescente (Abigail Breslin).

Violet Weston (Meryl Streep) é uma mulher com uma infância muito difícil, cuja mãe era cruel e má, sugerindo um conflito forte entre a necessidade de ser amada e o abandono pela mãe, o que pode formar uma personalidade 4 de instinto sexual. Entre os altos e baixo que ela vai experimentando durante o filme, mostrando sua dificuldade em lidar com o amor, mantendo segredos e mitos para continuar no poder. Essa característica do 4 sexual de intensidade e jogo das emoções o coloca sempre no centro de toda a roda, atraindo as atenções e recebendo aquilo que o tipo procura: sentir-se amado de forma especial e única.

Violet (Meryl Streep)

Seu marido, beverly Weston (Sam Shepard) um tipo 5, que decide ficar no relacionamento por medo de romper, comete suicídio no início do filme provocando conflitos tão intensos, que rompem os frágeis laços desta família.

Violet, 4 sexual, um caráter histérico tem um pé na sociopatia, manipulando as informações e dores para manter o controle sobre as filhas. Seu conflito com a filha mais velha Barbara (Julia Roberts) mostra como o 4 sexual se distingue do tipo 8: seus altos e baixos, as chantagens emocionais, a inveja e a depressão estão presentes, embora sua energia sexual a coloque forte e intensa em todos os conflitos. Mas o 8, mesmo numa relação de filha, se sobrepõe na relação numa força enorme. Após o funeral, durante o almoço da família, numa briga muito forte vemos esse domínio do 8 sobre o 4 sexual.

Barbara (Julia Roberts)

Barbara, na meia idade enfrenta uma crise em seu casamento com Bill Fordham (Ewan McGregor), onde repete muitos dos mitos familiares e percebemos a dificuldade do tipo 8 em relaxar. Barbara é quem a mãe conta pra resolver os problemas, como todo 8 assumindo os problemas mais sérios da família em conflito.

Ivy Weston (Julianne Nicholson) é a filha que ficou em casa, tipo 2 de instinto auto-preservação, abrindo mão de seu futuro, esperando o príncipe encantado vir salva-la, fica em casa para cuidar do pai e da mãe, esquecendo dos seus próprios planos e da sua vida. Percebemos que isso na verdade não é uma opção por amor, mas pela paixão do 2 de fazer pelos outros, mesmo quando não é solicitado. O orgulho, sua paixão mais forte, se torna muito evidente na roda de conversa das irmãs. Alias, este momento do filme fica muito claro os três tipos 8, 7 e 2.

Ivy Weston (Julianne Nicholson)

A outra filha Jean Fordhan (Abigail Breslin) é um tipo 7 de instinto auto-preservação, que foge de todo conflito e dor, num positivismo vazio. “Muito terrestre, sensual, focada em gostos, cores, estimulação tátil; contar muito com seu noivo; muito suave, busca desesperadamente segurança numa relação, mesmo que o outro seja falso, não importa, se me dá segurança. A dor não é sentida diretamente; transforma a merda em creme. Seu noivo, Steve (Dermot Mulroney) um tipo 3 conquistador reforça essa imagem de desconexão com a realidade e uma dependência na relação.

Jean (Abigail Breslin), tipo 7 mudando o assunto do funeral para algo mais “agradável”.

Durante todo o filme as cenas são muito intensas e presenciamos os segredos de muitas gerações serem expostos, provocando uma catarse coletiva.

Vale a pena assistir prestando atenção em cada conflito e na forma como cada um dos personagens se posiciona, lembrando de como cada Eneatipo se comporta diante da ameaça e dos conflitos.

Lembre-se que o filme é como uma caricatura, ele amplifica as personalidades para que possamos sentir a intensidade.

Links de resenhas:

Adoro Cinema

IMDB

The Kid

Duas vidas e o tipo 3 do Eneagrama

Hollywood está cheio de influencias do Eneagrama. Em quase todos os filmes podemos ler na composição dos personagens características de personalidade muito claras, algumas de forma tão caricatas que a paixão do tipo fica exposta e muitas vezes de forma exagerada.Duas Vidas

Hoje, gostaria de falar de um filme que sempre gostei e que uso no curso inicial do Eneagrama: Duas Vidas, da Disney (The Kid), no qual vemos claramente o tipo 3 na sua paixão e na busca de redenção. Aliás, há muitos filmes retratando o tipo 3, como o Sete Vidas (will Smith); A divertida animação Rango, o camaleão, símbolo do 3, entre outros.

O Russ (Bruce Willis) é um empreendedor de sucesso chegando aos 40 anos de idade, quando começa a ver-se na imagem de uma criança, o Dusty, aos 8 anos de idade, que aparecendo fisicamente começa a tirar a sua vida dos trilhos e fazê-lo questionar sua sanidade e existência.

Duas vidasA imagem do Russ é claramente um tipo 3 workaholic, que eu definiria como sexual, auto-preservação e social reprimido – Tempo é dinheiro e Imagem é tudo!. Na definição da sua profissão, a própria criança demonstra sua paixão ao descreve-la (consultor de imagem): “você mente para os seus clientes o que eles são e eles mentem para os outros”.  A grande dificuldade do Russ em lidar com sua criança, ou seja, com sua verdade é enorme, onde ele transforma tudo em trabalho, campo no qual ele não entra em contato com o fracasso.

O fracasso persegue Russ como uma sombra em tudo o que ele faz, de forma que ele faz questão de dizer que esqueceu de sua infância, onde não era “bem sucedido”.  A grande batalha do Russ e da personalidade do tipo 3 é provar que ele não necessita de amor, que o trabalho e o sucesso lhe substituirão o amor que ele perdeu, no caso do Russ com a morte de sua mãe, ainda criança.

Falando em encouraçamento Reichiano podemos perceber que seu olho esquerdo possui um tique, que ele chama de olhos secos, que se desenvolve quando seu pai o toca culpando pela morte da mãe por câncer e desenvolve um bloqueio ligado ao mesmo.

É perceptível no Russ, enquanto tipo 3, um oral de base com uma forte cobertura narcisista, transmitido uma imagem de poder e de um Eu mascarado. A “ficha só começa a cair” quando ele em contato com a possível perda do amor de Amy (Emily Mortimer) e isso o coloca diante de sua grande ferida: O medo de não ser amado. Mesmo sendo um poderoso empresário e com tanta influência percebe que tudo isso que construiu não garante o que ele sempre buscou de forma “torta”: ser amado.

Eu não sou um fracasso!

A partir desse encontro, ele começa uma jornada de resgate de sua criança interior com o pequeno Rusty, enfrentando a raiva que tanto bloqueava em sua vida e perdoando e liberando-se, afinal ele descobre que não foi o motivo da morte da mãe, a perda do amor, e do medo do pai em enfrentar a vida sozinho.

A busca de criar vínculos verdadeiros que não estejam ligados ao seu trabalho e em ultima instancia ao sucesso, o coloca no caminho do resgate.

“Eu não sou um fracasso!” é seu grande grito ao final do filme. Este é o grito do 3, ao descobrir que pode se entregar ao amor de forma livre, sem a dependência do “sucesso”, mas simplesmente como relação, sem a posse ou manipulação.

O grande resgate do tipo 3 está neste encontro com sua verdade, deixando de lado as mentiras que conta a si mesmo, na busca de evitar o fracasso, abraçando seu grande medo de não ser amado.